Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

A Olhar para o meu umbigo

Não sou muito dado a olhar-me ao espelho (tipo espelho meu, espelho meu, há um blog melhor que eu?) mas, porque se deu o caso de um irmão meu, mais velho, blog como eu, de nome Pitagórico, ter desaparecido na net, deu-se o meu pai, nos últimos dias, ao trabalho de fazer uma cópia de todos os posts publicados desde que comecei a ser blog, em Agosto de 2006. Dei, então, conta de que estou a caminhar para os dez anos de idade, o que no reino dos blogs – devido sobretudo à alta taxa de mortalidade infantil – é uma elevadíssima longevidade. Além disso, sinto-me saudável, confortável e com vontade de continuar. A verdade é que tendo-me olhado ao espelho, gostei do que vi, e, porque dizem que os números não mentem:

Nº de posts publicados: 1660

Último ano:

Nº de visitas: 23 134

Nº de visualizações: 39 438

Número de páginas em papel: 1557

Origem principal das visitas, por ordem decrescente: Gogle.pt; Facebook.com; Google fr

No tempo em que não havia Facebook e os leitores faziam comentários – foram tempos bem interessantes! – os posts mais comentados foram: Baile de Carnaval (77); O Progresso de Ontem (65); Ó Pelurinho da Praça (60); Comissão de Festas (52); O Adeus ao sr dos Aflitos (47)

Ao longo destes anos, por aqui foram passando memórias de gentes e de lugares, acontecimentos, opiniões, projetos, sonhos, realizações, eventos, histórias verdadeiras e outras quase reais. E notícia dos que terminaram suas vidas – cerca de sessenta. E, claro, sinto-me grato a todos os que participaram neste blog: àqueles que nele escreveram, aos que comentaram, a todos aqueles que me leram e me visitaram. E a todos os que me disseram que gostavam de mim, que longe da Vila me espreitam à espera de que lhes leve um pouco da Vila.

publicado por julmar às 11:36
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Sábado, 7 de Maio de 2016

Requiescat in pace, José Augusto

josé augusto.jpg

 

José Augusto André, nascido em 1960, filho de Augusto André e de Beatriz da Conceição Graça, era o filho mais novo de uma vasta prole - Filomena, António, Ana, Manuel e José, todos falecido, excepto a Ana. O ano em que nasceu que pode sinalizar o início da guerra colonial e do início da emigração, sobretudo para França. Foi o ano em que houve um número significativo de nascimentos dos quais me ocorrem: Xico Nifo, Zé Albino, Helena Palos, o filho de Joaquim Bernardo, Filomena Seixas.

O Zé foi dos poucos que nunca emigrou, nunca deixou de viver na vila onde, por si, aprendeu ofícios vários - construção civil, agricultura, funcionário da câmara, fogueteiro. Com a mãe, a ti Beatriz, aprendeu a coragem, o enfrentar dos problemas e o trabalho árduo dos dias todos da sua vida. 

Por tudo isto, continuará prente na nossa memória. Á família apresentamos as nossas condolências.

ze tratos.jpg

 

Passeando turistas, pelos Craveiros 

 

publicado por julmar às 19:01
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

O largo do Pelourinho de hoje

pelourinho_VilarMaior.jpgPassos 066.jpg

 

Com o tempo, as feições do largo mudaram. As gentes que habitavam as casas envelheceram e morreram. Ali, vivia a família de João da Cruz, de António Lucrécio, de José Duarte, de José da Ruvina, do Padre Narciso, de Joaquim Simões, da sra Marquinhas, de Francisco Cerdeira, de Manuel Marques. O maçadoiro, à entrada da adega do professor Mário (aberta ou de chave na porta) deixou de exercer a sua função. A velha acácia foi, também ela, vencida pelo tempo. Os alpendres e as janelas de guilhotina foram substituídas por outras e os telhados mudaram de cor. Do velho comércio de Albino Freire restam letras quase indecifráveis, pintadas por Zé Seixas, sobre a porta. Em vez dos carros de vacas, à sombra da acácia, estacionam automóveis. E as cantigas dos rapazes, largadas ao passar a ronda no largo, deixaram de se ouvir:

Ó pelourinho da praça

Esta noite hás-de cair

Nos braços de uma menina

Quando estiver a dormir

 

Ó Vilar Maior, ó vila

Duas coisas te dão graça

É o relógio na torre

E o pelourinho na praça

 

O sete estrelo vai alto

Mais alto vai o luar

Mais alto vai o destino 

Que Deus tem para nos dar

 

publicado por julmar às 18:23
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2016

Ainda e mais uma vez o largo do Pelourinho

IMG_0008.JPG

 

Chegada a procissão do Senhor dos Aflitos ao largo do Pelurinho, parava. Era altura de mudar de turno dos que 'pegavam no andor' para que outros cumpridores de promessas pudessem cumpri-las, carregando sobre os ombros o peso do andor para alívio de aflições do corpo e da alma.

O dinheiro da França tinha começado a dar os seus frutos na solenidade da festa com mais foguetes e fatos mais lustrosos. Rigorosa e nítida a separação de géneros: Homens à frente do pálio  e mulheres atrás com a música da banda cadenciando o compasso.

 

publicado por julmar às 11:23
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Terça-feira, 3 de Maio de 2016

O Largo do Pelourinho, de um outro lado

P031.jpg

Casas caiadas de branco contrastando com o escuro granito das varandas com seus alpendres; janelas de guilhotina.

E um grupo de gente madura, bem arranjada, urbana que nos quis deixar este retrato. Na ponta esquerda, de perna traççada, o sr Raul  e esposa. Mais não sei dizer. De alguns, uma memória do rosto a que não consigo associar nome. 

publicado por julmar às 11:27
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Ainda o largo do Pelourinho

P017.jpg

 

Esta é uma fotografia que nos mostra gente o emblemático largo do Pelourinho, por volta dos anos cinquenta. Quanto ao lugar, é de salientar, os telhados com a característica telha, chamada de Nave de Haver; os alpendres das casas; as janelas de guilhotina; o branco contrastanso com o granito escuro.

Quanto às gentes trata-se da reunião de duas famílias: Palos (o Júlio, o António sempre tratado como o sr Tenente com a esposa Olívia) e Dias (Florêncio,o padre e irmão); três homens em conversa um cão, do lado esquerdo e uma criança, sentada no chão do lado direito, completam o quadro.  

publicado por julmar às 11:23
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Domingo, 1 de Maio de 2016

Porque hoje é dia da mãe

Captura de ecrã 2016-05-1, às 20.58.47.png

Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!
Eu ainda não fiz viagens
E a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar.
Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa.
Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!
Almada Negreiros

publicado por julmar às 20:56
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Largo do Pelourinho de outrora

DSC_0027.JPG

 

Muitos, serão a maior parte, já não se lembram do largo do Pelurinho como o mostra a fotografia. 

O Pelourinho, de estilo manuelino, feito de um esteio monolítico, encimado por uma gaiola, assente no topo de uma escadaria quadrangular de sete degraus, representa o direito, a liberdade e a autonomia admistrativa. De certo modo, representa, a passagem do poder castrense simbolizado no Castelo para o poder civil.

No largo do Pelourinho, durante  anos vigiado por uma acácia que já não sabia a idade, foi o local de todos os acontecimentos importantes, incluído o divertimento dos mais novos e dos bailes e cantigas de roda dos rapazes e raparigas que com olhares trocavam mensagens de amores (im)possíveis . Os pais e avós assistiam. O entorno das velhas habitações tornava-o um belo lugar que aos poucos se foi descaraterizando. Hoje é um lugar que ontenta a incúria e o desleixo num mini jardim em que a erva cresce, malcriadamente, sem pedir licença. E ninguém se dói.

publicado por julmar às 15:15
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Arrifana da Coa

ARRIFANA DO COA

Tudo o que sou o sou por obra e graça
Do sangue dos avós aqui nascidos
Tudo o que na mente me perpassa
Recebe inspiração dos tempos idos

Supina, intolerável e bem crassa
É a vida daqueles que presumidos
Julgando ter provindo doutra raça
Blasfemam das raízes esquecidos

A rocha modelou-nos o carácter
Na minha geração foi Alma Mater
Foi hora de prima de sexta e de noa

Laus Deo Virginequae Maria
Assim se vive cristamente o dia
Aqui, nesta Arrifana que é do Coa.


«Poetando»Manuel Leal Freire

publicado por julmar às 11:46
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2016

Requiescat in Pace, António Santos

Filho de Elvira  Cerdeira Proença e José dos Santos era o mais velho dos irmãos - Fernando, Maria, João e Filomena, todos emigrantes em França. O António veio passar uns dias a Portugal, como fazia com alguma frequência. Encontrou a morte num fatídico acidente na estrada da Malhada- Vilar Formoso quando o carro que conduzia colidiu com um taxi a que se seguiu o incêndio dos dois veículos. Socorrido pelo INEM, foi conduzido ao Hospital da Guarda, tendo posteriormente seguido para o Hospital de Coimbra onde faleceu. O corpo foi levado para França onde foi sepultado. Aos  familiares apresentamos as nossas condolências.

(Estas informações avulsas foram colhidas na Vila)

publicado por julmar às 21:26
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