Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

Por Terras do Sabugal, passo a passo - Vila Boa

Visita 14-09-2016. Percurso: Nave - Vila Boa - Nave

Área -10,73 km² . Densidade populacional é de 22,6 hab/km². 

Evolução da população

1864

1878

1890

1900

1910

1920

1930

1940

1950

1960

1970

1981

1991

2001

2011

630

798

754

879

820

780

822

928

948

844

511

410

379

330

243

 

 

 

Poisei o carro ao cemitério da Nave e deitei pés ao alcatrão, estrada fora, tudo a descer, até à entrada de Vila Boa onde se encontra o cemitério. Logo a seguir, a água num extenso e trabalhado pio ou bebedouro para o vivo, sobretudo burros e vacas. A água, elemento fundamental, que um filósofo grego há mais de dois milénios escolheu para explicar a origem de tudo:tudo é água, tudo é feito de água.  A terra é uma espécie de embarcação que flutua sobre a água. Mais prática, a gente de Vila Boa sabia que sem água não se podia viver:nem plantas, nem animais, nem homens. E fazia parte dos elementos da natureza, caía abundante do céu, entranhava-se na terra, alimentava nascentes, formava ribeiros que se juntavam a outros e iam dar a uma ribeira maior que se lançaria num rio maior até chegar ao mar que a maior parte desta gente nunca viu. Se a seca se prolongava, colocando em perigo as culturas, o povo punha-se em procissão, encabeçada pelo sr padre, devotamente se rogava aos santos para que Deus derramasse chuva.sobre os campos. As orações estavam feitas ficaria nas mãos de Deus o seu atendimento. A água obedece à sua natureza e não aos desejos do homem e para que lhes seja útil têm que a domesticar represando-a, canalizando-a, guardando-a, orientando o seu curso, aproveitando a sua força. Boa parte do tempo é gasta com cuidar da água: transportá-la para casa, regar as culturas dos campos, dar de beber ao vivo, lavar a roupa, fazer a barrela, amolecer o linho, amassar o pão, fazer o caldo dos homens e a vianda dos animais. E apetece dizer como o outro: a água serve para muitas coisas e até, dizem, que há quem a beba. Em terra de muito vinho, e em Vila Boa era bom e abundante, preferia-se este e até se dizia do home pantanoso, sem sem préstimos maiores que é um bebe águas.

Manuel Joaquim Correia refere Via Boa como "um lugar muito úmido e pantanoso donde tem resultado o aparecimento de várias epidemias, tais como o tifo em 1882 e 1883, que dizimou consideravelmente a população". A àgua que se consumia era quase sempre tirada de fontes de chafurdo ou de locais parados. Não havia canalizações, não havia sistemas de esgotos. A única análise tida como segura era o dito popular: àgua corrente não mata a gente. Mas como isso podia falhar acrescentava: E se a matar é para sempre. Decerto essas epidemias ficaram na memória e o povo foi procurando melhorar as condições de sanidade e terá construído pios e chafarizes e até chamado a atenção sobre cuidados a ter como nos mostram os versos inscritos por cima da bica corrente

Pede-se pela saúde dos animais

Para quem está água sujar

Vingança severa e justiça

Sobre quem assim pretende matar

 

O bebedouro dos animais

Não serve para alguém se lavar

Nem vasilhas sujas ou fuscas

Para água na bica ou pios apanhar

Vila Bôa, 19  de Agosto de 1962

IMG_3080.JPG

 

E nada como pôr o Santo Antão, protetor dos animais, a guardar a água. 

Passeei-me pelas ruas de Vila Boa rememorando o passado inscrito nas ruas com casas de lavradores, de tantas vidas que por ali passaram. 

IMG_3087.JPG

 Parei e ali fiquei a olhar para esta casa, igual a tantas outras,  a lembrar um mundo em que eu vivi. E perdido neste olhar, sou acordado, não pelo rodado de um carro de vacas mas pela carroça que lhe sucedeu.

IMG_3081.JPG

 E para sacudir recordações, atirei:

- Que lindo par de namorados. Deixam- me tirar um retrato?

- Pois faça! ,respondeu o homem.

- E para onde nos leva?, perguntou a mulher

- Comigo!, respondi

- Veja lá se nos leva pra a internet

- Ficam bem em qualquer lado.

Um pouco à frente meti conversa com a ti Maria da Conceição que falou da Festa do Santíssimo Sacramento, da festa do Santo Antão, dos emigrantes que abalavam e deixavam, de novo, a terra sem ninguém, dos dois filhos, até me perguntar: 

-Atão de onde é vossemecê?

- Sou de Vilar Maior

- Então, conheceu lá a senhora Assunção, casada com um polícia.

- Sim, conheci. 

E desfiou o rol de graças e favores que a senhora lhe fizera por ter tido em sua casa o seu filho que andava a estudar na Guarda. Disse-lhe eu que a conhecia muito bem, pois, era minha tia e madrinha. 

Pequeno é o mundo.

 

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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016

Historiando

resultado de imagem de S. Sebastião de Botticelli

(S. Sebastião, pintura de Boticelli) 

A festa de S. Sebastião foi, durante muitos anos, a maior festa da paróquia a seguir à do Senhor dos Aflitos tendo direito a foguetório e banda de música. Sendo a festa do Senhor dos Aflitos no 1º de Setembro ficavam muito próximas no tempo e oneravam fortemente os fiéis. Pelo que, não sabemos em que data a festa de S. Sebastião passou a celebrar-se, de acordo com o calendário litúrgico, no dia 20 de Janeiro.

Muito provavelmente, seria pároco, à data dos acontecimentos, o padre Júlio Matias conhecido militante anti-republicano que, por decreto no Diário do Governo,  no dia 4 de Março de 1913, é expulso do Distrito da Guarda por um ano.

A tenacidade do povo de Vilar Maior (publicado no Capeia Arraiana em 15 de Agosto de 2015)
Há 100 anos, no dia 15 de Agosto de 1915, dia da festa de S. Sebastião, em Vilar Maior, o povo, vendo negada a licença para a realização da procissão resolveu desafiar as autoridades civis realizando o cortejo.

A República, implantada em 5 de Outubro de 1910, enfrentou o poder da Igreja, publicando a Lei da Separação e impondo regras restritivas ao exercício do culto.
As procissões religiosas eram consideradas ajuntamentos ou manifestações na via pública, pelo que careciam de autorização prévia a conceder pelo administrador do concelho onde se realizassem.
Ocorrendo no dia 15, terceiro domingo de Agosto, a festa móvel de S. Sebastião em Vilar Maior, que tinha procissão, o pároco recusou-se terminantemente a requerer licença prévia ao administrador do concelho do Sabugal. Alegava o sacerdote que a festa não era dele, mas dos festeiros, pelo que, a haver requerimento, não cabia ao padre assiná-lo nem muito menos fazê-lo chegar ao Sabugal. Limitar-se-ia a presidir à procissão, se autorizada.
Os mordomos foram ao Sabugal requerer a competente permissão, mas o Administrador, vendo que o padre a não assinara, recusou liminarmente concede-la, por não ter sido peticionada por quem de direito.
Chegado o dia da festa, o padre disse missa em louvor de S. Sebastião e no final pediu ao povo para se resignar e abdicar da procissão, pois a falta da licença daria motivos às autoridades para aplicar sanções. Porém, mal o padre abandonou a igreja, as mulheres de Vilar Maior resolveram agir e pegaram nos andores e guiões e saíram à rua com eles, fazendo a procissão, rezando e entoando cânticos. Os homens acabaram por aderir à acção das mulheres integrando-se no cortejo que se fez com normalidade, ainda que em desafio à proibição das autoridades.
O acto do povo de Vilar Maior foi tomado como uma vitória face aos impedimentos republicanos para o normal exercício do culto e o jornal A Guarda, afecto às posições da Igreja, deu larga repercussão pública à digna posição do pároco e à tenaz acção dos seus paroquianos.

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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016

Por Terras do Sabugal, passo a passo - Rebolosa

IMG_2400.JPG

Visita em 17-8-2016

Área -11,12 Km2; Densidade Populacional – 20 hab./km2

Evolução da população

1864

1878

1890

1900

1910

1920

1930

1940

1950

1960

1970

1981

1991

2001

2011

364

371

405

444

474

414

453

605

660

613

451

323

245

205

222

Quando as últimas estrelas se apagaram no céu, tinha passado o cemitério de Aldeia da Ribeira, virara à direita, passara o Restaurante da Bernardina e caminhava célere sobre o alcatrão que queria encontrar a Rebolosa a dormir. Mas olhando para leste fui forçado a parar e a registar um nascer do sol fantasmagórico como se a Espanha estivesse em chamas.

Entrei na Rebolosa que os da Vila, com seu hábitos de precederem muitas palavras com um a, a que juntando uma preguiça vocal acrescentam um r, pronunciando Arbolosa. Todos os nomes têm uma história a que muitas vezes se perde o rasto. No caso da Rebolosa, há uma história fascinante que poderão conhecer no livro História da Rebolosa, de Bernardino Pinheiro que consegue explicar através do brasão de armas

rebolosa.jpg

 Uns atribuem-lhe o nome devido aos reboleiros (carvalhos jovens) abundantes na localidade, outros à existência de moinho(s), ambos representados no brasão. A história relatada por Bernardino Pinheiro consegue combinar as duas teses : os reboeiros e o rebolo. 

IMG_2416.JPG

Cirandei pelas ruas olhando as casas desabitadas, as velhas casas de telha velha, de escadas toscas de granito, de portas e janelas fechadas donde ressoa uma misteriosa voz do passado. Compostas algumas, ainda solidamente vestidas, resguardando a memória dos que lá viveram; outras, porém, em que o fora eo dentro se confundem, desnudas e sem pudor de portas escancaradas, janelas como olhos vazios, sem chapéu que as abrigue. Um lajedo extenso, ladeado a nascente de uma fila de casas baixas, onde se malhava o centeio. Hortas esparsas pelo ribeiro bem cuidadas com picotas apontar o céu. A igreja, com o largo fronteiro, a torre sineira, onde se presta culto à sapientíssima Catarina, padroeira dos filósofos e professores e protetora das mulheres amamentadoras. E talvez aqui lhe seja prestado culto por haver amas que alimentavam os filhos de ninguém, os abandonados na roda dos expostos; talvez, a tradição oral da existênia de um convento de freiras que por aqui teria existido não seja uma invenção sem sentido.

O povo da Rebolosa presta culto a Santa Catarina que tem a sua festa no dia 25 de Novembro. E tem direito a feira, dizendo-se que quem queira matar porco deve vir nesta altura tirar a licença para tal. Só a partir daí se dava início ao ritual da matança do porco. Histórias de sangue ou sanguinárias como as do tempo de Catarina.

Mas há uma Rebolosa nova, com uma face diferente: das casas restauradas, de ruas calçadas de novo, de um vasto largo de festas, de espaços ajardinados. E de um equipamento comum a todas as aldeias que visitei, mas este com muito mais apuro:

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Não, não se trata de um coreto mas do lavadouro público. Não sabemos quão uasdo é, mas fica como registo de um equipamento que as nossas mães e avós gostariam de ter fruído. Os locais de lavagem de roupas - rios, presas, lavadouros - eram a rede social mais importante daqueles tempos: Enquanto se lavava a roupa, ali se postava  sobre quanto se passava na aldeia e arredores: na taberna, na igreja, no comércio, no mercado, na casa de sicrano e de beltrano, dos namoros, dos piscares de olho, das vidas certas e dúbias, do padre e da professora, tudo esmiuçado. A roupa suja ficava limpa. Quantas histórias!

Uma terra com tradição, com orgulho, gente laborosa, empreendedora, um exemplo a seguir.

publicado por julmar às 16:46
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

A Praça, lembrando os que lá moraram

VM 006.jpg

 Durante muitos anos, assim como uma espécie de eternidade, a vida não mudou. Só muito tarde, quando o meu pádrinho e depois a minha avó materna morreram, é que para mim se tornou inquestionável a conclusão do argumento aristotélica: " Todo o homem é mortal". Até então, morriam crianças, logo promovidas a anjinhos da corte celestial, morria alguém no Cimo da Vila ou no Canto, ou tocavam os sinos a sinal, ou da Irmandade da Misericórdia saíam bandeiras com imagens do outro mundo, mas a morte era uma coisa dos outros, não da família, não dos vizinhos. Na praça durante muitos anos ninguém morreu. Eu nasci lá, cresci sem dar por isso e tudo era sempre igual mesmo as pessoas que por lá passavam eram sempre as mesmas, a menos que ( o que acontecia com alguma frequência) triteiros, caldeireiros, capadores, compradores de peles e outros, por aqui passassem a tratar das suas vidas,tratando da vida dos outros. As casas, sempre iguais, ladeavam a praça onde desaguavam as pessoas e os gados que eu do nosso balcão ( nosso era a palavra da nossa identidade familiar que incluía os familiares e toda a propriedade quer se tratasse da burra, do carro das vacas, ou da Horta da Ribeira) conhecia na perfeição: o tilintar dos chocalhos das ovelhas e das guisas das cabras, a identidade de quase todos os burros e vacas nas suas feições e jeitos. Era um mundo que se repetia todos os dias, todos os meses, todos os anos. E nas casas habitavam as pessoas como se desde o princípio do mundo assim fosse. E assim era porque o mundo tinha começado quando comecei a vê-lo. Ao Cimo da Praça vivia o ti Xico Henriques e a Ti Júlia e, mais tarde o Zé da Ruvina e a Amélia; no correr das casas térreas ( que as casa que ladeavam a Praça eram de escada e balcão como convinha à nobreza do lugar) do Forno onde o povo cozia o pão, vivia uma família que tomou o nome do ofício - Forneiro - e que mais tarde demandariam Lisboa; a seguir confinando as Portas vivia a ti Isabel Periquito ( que me perdoem as alcunhas mas também fazem a nossa identidade ao ponto de como é o caso serem a forma de sabermos de quem falamos - e é caso para dizer que quem nunca as usou atire a primeira pedra. E alcunha, quem a não tem? Como verão também não lhe escapo.) Em frente a este correr de casas temos o senhor Aníbal e a senhora Aninha que tinham o comércio e a taberna acessados pelo Cimento - esse altar profano ou palco, ou tribuna, ou plataforma onde os acontecimentos se tornavam notícia e passavam a ser verdadeiramente reais. Seguia-se a Ti Isabel do Alípio e filha a Maria Pelada - a mãe padeira e a filha uma autêntica amazona Se em vez de mula montasse uma égua; depois, quiçá, na mais antiga casa da Praça a Ti Zabel Afonso ( onde minha mãe me mandava pedir a malga do fermento para fintar o pão) vestida de preto, lenço na cabeça e olhar de humildade pregado ao chão como se a cruz não fosse do seu homem, o ti Zé da Cruz. Na mesma construção, em casa geminada o ti Mergilgo ( simplificações antroponómicas) lavrador e a tia Anunciação Polónia. A Botica das poçôes de outrora passara a local de guarda de instrumentos e produtos agrícolas; confinavam no correr a Dona ( e um título fazia toda a diferença na vida) Vangelina e sua filha D. Maria( a quem devo favores de enfermagem); seguia-se o Senhor João da Cruz - polícia de profissão na cidade da Guarda mas que conheci apenas como reformado - e a senhora Patrocínia Magalhães. Seguia-se uma casa - com uma varanda tradicional - desabitada e onde em dias de chuva, a garotada se abrigava a jogar o " ó ladrão marcha cão " - propriedade do sr Manuel Esperança que seguindo a tradição familiar se estabeleceu comercialmente em Lisboa; já fora da praça e ladeando o largo do Pelourinho, mas bem visível do nosso balção vivia o inconfundível senhor António Lucrécio e sua mulher Mercês ; bem ao lado com escadaria de serventia comum vivia a ti Filomena Rasteira , a ti Mouca tal era o considerável grau de surdez. Ao fundo da Praça era a nossa casa, o nosso balcão de onde eu aprendi a ver o mundo. No ano em que eu nasci - o ano em que começou o mundo como o estou a ver - o senhor Tenente inaugurou o Chafariz que foi construído no quintal da nossa casa. Ora, do nosso balcão eu via todas as mulheres e todas as raparigas que vinham buscar a água para todos os fins a que se destina. E, claro, muitas coisas vinham agarradas ao "ir ao chafariz" como, por exemplo, a namoradeira que gasta mais àgua do que precisa para ter um pretexto. Mas o chafariz merece uma história completa. Aqui na nossa casa viviam os meus pais , o ti João Marques - lavrador, cujo assobio resultava tanto na comunicação com os animais como o fiat do Criador - e a ti Graça, por linhagem de quem nos alcunhavam de Carrachos ( eu sei, mãe, que também não ias gostar de ler esta parte mas é só por causa dos outros não levarem a mal). Ao nosso lado, viviam o ti Zé Badana que aliviava o peso da profissão de pedreiro com o seu quê de zombeteiro e cuja alta estatura contrastava com a da ti Filomena. Do outro lado, no início da Quelha, em casa térrea, vivia o ti Augusto Balão orientando os rituais da cozedura do pão que trabalhar mesmo a sério era com a mulher, a ti Beatriz. Mais uma vez a profissão gera o apelido - ou alcunha - à descendência - Tonho do Forno, Ana do Forno, Zé do Forno. Segue-se a Senhora Glória, viúva de Guarda Fiscal a caminho do Vale da Lapa onde a cultura do linho a obrigava; o senhor Raúl - um pouco agricultor, um pouco sapateiro, um pouco habilidoso, um pouco emigrante - e a D. Zézinha, sua esposa, que exercia o cargo de Regente (professora primária sem curso, para o que era necessário boas informações, influências, jeitos ou favores) na Vila e na Arrifana do Coa. Depois era a casa do meu padrinho João Seixas, polícia e da minha madrinha Assunção que levavam a sério a função de padrinhos. Do nosso balcão não via, mas nas costas da casa do meu padrinho vivia o senhor Zé Franco - a quem meu pai pagava em alqueires de centeio os cortes de cabelo dos filhos - e a senhora Celestinha que passava o tempo todo a fazer renda. Ladeando a praça a Norte estava a propriedade de senhor professor Pinheiro com a casa, o mirante sobre a Praça e coberto de glicínias e um alto muro resguardando o quintal, para onde, apesar do medo e respeito pelo proprietário, a rapaziada não conseguia evitar, que um pontapé mais forte e mal direccionado, lá enfiasse a bola. Não contei. Talvez me tenha escapado alguém. Depois que conheci a morte não pararam de partir. Agora as casas estão fechadas. Quase todas. E o mundo que começou comigo só existe porque o lembro.

(Republicação. Este texto foi publicado, pela primeira vez, neste blog em 24-12-2011) 

publicado por julmar às 11:37
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2016

Requiescat in Pace, Isabel Araújo Franco

familia araujo.jfif

 - Morreu a Bé.

- Quem?

- A Isabelinha do sr Zé Franco.

Bé ou Isabelinha era assim que vizinhos e amigos a tratávamos. 

Isabel Araújo Ferreira Franco, filha de Ilda Celeste Araújo e José Ferreira Franco terminou os seus dias, morando desde há algum tempo no Lar da Bismula. Recentemente, estive no lar e tive o gosto de falar com ela sobre a terra e a gente da Vila, nomeadamente sobre seus pais o senhor Zé Franco e a senhora Celestina, seus pais a conversa levou-nos para o domínio dos parentesco. A Izabelinha tinha, do lado da mãe, a ascendência de Araújo, sendo  o avô Alexandre Gonçalves Araújo (1861-1944), casado com Mariana Gouveia Fonseca (1875-1954), pai de uma etensa prole e um grande proprietário. Por parte do pai, os Ferreira Franco eram uma família culta e bem  educada, com gente no clero - o padre José Ferreira Franco - e no exército - o coronel Franco.  Há um ascendente de nome Vicente Ferreira Franco (1850-1915) que é descendente de uma senhora Francesa.

 Mais uma conterrânea que termina os seus dias. Aos familiares, de modo particular à irmã Helena, deixamos as nossas sentidas condolências.

publicado por julmar às 15:28
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

Por Terras do Sabugal, passo a passo - Vila do Touro

Vila do Touro

Visita – 5-10-2016

Percurso – Baraçal-Vila do Touro-Baraçal

Área -22,46; Densidade Populacional em 2011- 8,1 hab/Km2

Evolução da População

1864

1878

1890

1900

1910

1920

1930

1940

1950

1960

1970

1981

1991

2001

2011

1100

1179

1251

1346

718

705

647

832

881

749

416

403

376

299

183

 

Do Baraçal avista-se, a curta distância, Vila do Touro. Pés na estrada, passo a passo, numa descida suave até atravessar a ribeira do Boi com margens de densos freixos donde provém uma sinfonia feita de um variado trinar de aves como se fosse Primavera. Depois da ribeira, uma subida até chegar às portas da vila. À entrada, do lado esquerdo, deparamos com uma Nossa Senhora dos Caminhos. Todas as aldeias do concelho têm uma Nossa Senhora dos Caminhos. O Soito já tinha o São Cristóvão mas acharam por bem pedir a proteção da Senhora dos Caminhos. A maior parte destes oragos foram construídos após o êxodo migratório. Antes, um simples cruzeiro ou umas alminhas eram suficientes para proteger os caminheiros que se deslocavam a pé ou montados em burros, machos ou cavalos, em distâncias que não iam, em regra, para além dos quinze ou vinte quilómetros. A construção de estradas e o aparecimento ou aumento da circulação automóvel e os perigos decorrentes levaram a estas construções, por vezes, simples nichos ou um simples pedestal com a imagem da Senhora.

De todas as Senhoras dos Caminhos, esta foi a que achei mais bem conseguida na conjugação harmónica dos diversos elementos aos quais a verticalidade de dois ciprestes reforçam a ligação entre o natural e o sobrenatural. Em fundo, um cruzeiro monolítico fala-nos de um outro tempo. Soando a falso o chão verde de relva artificial.

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Chegados ao alto monte onde, sobranceiro ao vale da ribeira do Boi que ali se some no Coa, sentámo-nos na parte mais alta da penedia, junto do marco geodésico – o talefe - e dali pudemos abarcar toda a extensa região. Foi este cabeço altaneiro de difícil acesso e de tão largo avistamento que o haveria de tornar eleito para vigia dos movimentos inimigos.

 

IMG_4247.JPG

Quando a geografia política mudou, muda a importância do castelo e da vila que cresceu aos pés. Foi o que aconteceu com o Tratado de Alcanizes, no final do século XIII.

Vila do Touro, juntamente com Vilar Maior, Alfaiates e Sortelha foram sedes de concelho até à reforma administrativa de Mouzinho da Silveira no século XIX, passando então a integrar o concelho do Sabugal.

Tem uma arquitetura habitacional muito interessante mas uma boa parte das habitações estão abandonadas e são muito poucas as que foram restauradas. Faz pena olhar para casas que já foram nobres moradas e parecem irremediavelmente perdidas. Na rua de Pedro Alvito encontram-se belas fachadas com janelas muito interessantes. Felizmente, preservaram o nome de D. Pedro Alvito, mestre da Ordem dos Templários e concedeu foral à povoação em 1 de Dezembro de 1220.

IMG_4257.JPG

 Enfim, nem a exortação inserta em postos de abastecimento de água, “Amigos a União Faz a Força” parece reunir o poder necessário para encontrar um horizonte de esperança.

 

publicado por julmar às 18:06
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2016

A Torre da Igreja ontem e hoje. E amanhã?

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                                                                     Antes de 1958

As obras na Igreja matriz não se vão limitar à colocação de um telhado novo. Pelo andamento das obras apercebemo-nos que haverá também uma intervenção na Torre da Igreja, cuja extensão e profundidade desconhecemos. A mesma desde que foi feita nunca sofreu qualquer manutenção pelo que se foi degradando. Estamos em crer que a intervenção terá o acompanhamento de profissionais à altura e que as obras a executar melhorarão a sua estética. A torre de época medieval foi alteada (toda a parte executada em tijol e cimento) há 57 anos. A fonte documental, para além do testemunho do executante, é do boletim paroquial Terras de Riba-Côa que em 11-11-1959 noticiava:

«Iniciaram-se as obras de alteamento da Torre»

A iniciativa terá sido do padre Manuel Narciso, pároco à época da freguesia e o desenho poderá ter sido de António Palos, tenente reformado do exército, e figura proeminente na vida social e cultural da vila no terceiro quartel do século XX. O executante da obra pertence a uma escola de profissionais no trabalho dos novos materiais - o cimento e o tijolo - que vinham competir com o tradicional uso da pedra. Trata-se da família Seixas. Primeiro do Zé Seixas (1884-1948) que além de muitas obras particulares (sendo caraterísticas algumas sacadas em cimento) executou as pinturas do coro da Igreja da Vila, nomeadamente o brasão da vila que ficou oculto aquando da colocação do pára-vento da entrada, por baixo do coro. Dada a mestria do seu trabalho era muito requisitado por gentes de terras vizinhas, citando a título de exemplo a referência feita na interessante monografia sobre Valongo - Terra, Vida, Alma -, a propósito das obras no estabelecimento comercial cuja descrição arquitetónica  termina assim: «... e beiral do telhado de características sui generis (único), feito por um dos maiores mestres de sempre de toda a zona 'o Seixas de Vilar Maior'» Foi com este mestre que o filho António Seixas, aprendeu a arte e foi com ele que o senhor Reitor e o senhor Tenente (assim eram tratados) contrataram a execução da obra no valor de três contos, apenas a mão de obra. Poderá hoje parecer uma obra fácil. No entanto, considerada à época, tudo subido à força braçal, sem ajuda de máquinas, poderemos dizer: -É obra! 

E aquela pirâmide quadrangular apontando os céus e o relógio que passou a contar o tempo e a anunciá-lo badalando as horas, eram, sem o saber, o anúncio de novos tempos.

torre1.jpg

 

                    A Torre da Igreja em 2-11-2016 

Como será a torre a seguir?

publicado por julmar às 15:30
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Sábado, 22 de Outubro de 2016

Biblioteca móvel do Sabugal

biba.jpg

 Ainda que com pouca nitidez da imagem, dá para ver o horário.

publicado por julmar às 18:54
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Biblioteca Itinerante

bib.jpg

Invertendo a ordem na frase «Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha.», diríamos que se o leitor não vai à biblioteca, vai a biblioteca ao leitor.

Foi isso que moveu, certamente, a esta iniciativa da Câmara Municipal no que respeita à sua biblioteca. Durante um mês a carrinha visita a sede de cada uma das trinta freguesias do concelho tendo terminado hoje a primeira volta na visita a Vilar Maior. Aqui estará todas as terceiras sextas feiras de cada mês. Houve gente a registar-se como leitor sendo-lhe atribuído um cartão e gente a requisitar livros. Uma iniciativa louvável a que auguramos sucesso.

E como se pode ver os resultados imediatos estão à vista!

filo.jpg

 

 

publicado por julmar às 20:19
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016

Obras na Igreja matriz de S. Pedro

ig1.jpg

ig2.jpg

 S. Pedro esperou que tirassem parte do telhado da sua casa para mandar chover durante uma noite inteira sem dó nem piedade. A chuva aliviou e as obras prosseguem.

publicado por julmar às 23:08
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