Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
FEIRA DE TALENTOS - Dia 12 de Agosto

Ora, já está acertada a data da feira: 12 de Agosto que será o dia da Festa do Emigrante.

Agora tratem de reservar esse dia para mostrarem os vossos talentos. Já sabemos que 10% das vendas revertem a favor do senhor dos aflitos. Que cada um procure vender o mais possível. Ofereçam ideias, ofereçam-se para participar. Foi feita uma lista que é preciso corrigir e aumentar. 



publicado por julmar às 22:17
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Domingo, 13 de Maio de 2012
Feira de Talentos
Para o sucesso que há-de ser a feira de talentos precisamos de todos. De todos mesmo.
Para a organização já se ofereceu o Júlio Marques, a Susana Marques, a Maria Cândida, a Bárbara Cardoso. Teremos de ter a Comissão de Festas mas é conveniente que haja um elemento ligado especialmente. E será necessário que mais pessoas se ofereçam.
Precisa-se de combinar com a Comissão de Festas e com o Presidente da Junta o dia exacto da feira.
Já mostraram interesse em ter banca na feira:

1- família Seixas Marques: fornada de pão, CD - Poesia Bem Dita, pintura,tapetes, livros, bordados, artes decorativas e surpresas.
2- Carlos Marques e Bárbara: que tal produtos da quinta? E os talentos da Bárbara na confecção de arranjos florais, bolos de ovos genuinamente caseiros ...
3- Abel Gata e Luísa - material didáctico
4- Carlos Gata - alfarrabista
5- Manuel Cerdeira - varas de caminheiro e uma aguardente de estalo
6- Manuel Fonseca -fotografias - exposição? E que tal meia dúzia de fotos emolduradas. O manel tem fotos extraordinárias!
7- Casa Villar Mayor
8- Leomor Cunha - Arroz Doce da Leonor
9- Arminda Bárbara - Rendas e Ponto Cruz
Olhando um pouco para o que conheço aqui deixo uma lista de pessoas/famílias que poderão dar o seu contributo. Há muitas outras pessoas que cada um conhece e que deve sugerir. Mesmo que os proprietários ou autores não possam estar na feira terão um familiar, um amigo, um conterrâneo a quem poderão pedir para vender/mostrar na feira. O importante mesmo é incluir todos, que ninguém fique de fora.


E aqui vão mais nomes de pessoas/famílias que certamente darão o seu contributo

- Jorge ( Filho do Rodolfo Seixas ) videos sobre a vila
-Joana Nunes ( neta da Lurdes) - pinturas
- Olívia Dias - para mostrar os talentos do Sérgio e Michele Fava - pintura e fotografia e outros
-Manuel Marques e Fátima - pintura e tapetes de arraiolos
- Natália Marques - artes decorativas
- Esperança Pina. - livros - ponte romana de Vilar Maior
- Manuel Leal Freire - livros
- Sérgio e Lena do Bernardino - que tal uns barbos do Coa?
- Celeste Cunha/ Zé Hermenegildo - que tal uma tábua de queijos frescos e curados, Zé Francisco?
- D. Mariazinha - mostra de objectos de mercearia antiga
- José Carlos - produtos agrícolas
- Bernardino Almeida - e O espólio do Zé Vicente, nomeadamente o célebre tesão?
- Tó do Zé do Duarte - esculturas como formas naturais.
- Mário Simões - Livros
- imobiliária
- Joaquim Simões e Joaquina Seixas ( as ferramentas do alfaiate)
- João e Carlos Martins - fornada de pão, livros
- Rosário Chorão - artes decorativas para o lar?
- família de Álvaro Simões
-Miguel Fonseca e Isabel Seixas
- João Seixas Valério
-miquelina/Cristóvão, Henrique e Beatriz
- Céu Cerdeira e Carlos
- Prof Mário, prof. Maria Delfina, Cláudia Catarina
- Zé pedro e prof. Mariazinha
- família Adriano Seixas
família Zé Prata
família Zé Cruz
-família do Zé da Lúcia
- Banca da Comissão de Festas
- Adriano Cerdeira e Mena- puzles?
E todos os aqui não nomeados.


publicado por julmar às 21:26
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Sábado, 12 de Maio de 2012
Personagem da Semana- Caratel, Maria!

 

O ti Manel pertencia a uma extensa família, a família Rasteiro, que se confinava, praticamente, à freguesia de Vilar Maior e sua anexa  Arrifana, com extensão a Aldeia da Ribeira e Batocas. Nas ocupações de suas vidas eram pastores, lavradores, contrabandistas. As gerações mais novas, emigrantes. Comerciante de gado e carne, o Xico Rasteiro. Ousados e corajosos  habitavam no reino do bem e do mal, puxando mais para um ou outro, uns puxando mais a um, outros mais a outro. A vida é assim.

Da velha geração recordo o ti António (Arrifana), o Ti Júlio, o ti Manel e a (mãe do António Rasteiro).

Ao ti Manel Rasteiro tinha uma peculiar maneira de falar a que juntava um autoconceito muito elevado, o que em português da vila se diria que se gabava muito: tina as melhores vacas, as melhores terras ... e nada lhe era impossível. E tinha alguma razão: Era capaz, mais a sua Maria se pôr, sózinho a ceifar as tapadas do pão ou a malhar a meda do pão, ao Seixal. E dava conta dela! E lá vinha o bordão do seu discurso

- Caractel, Maria! Ceifamos nós mais do que um rancho de ceifadores!



publicado por julmar às 19:08
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Domingo, 6 de Maio de 2012
Porque Hoje é Dia da Mãe

 

 

Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!
Eu ainda não fiz viagens
E a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar.
Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa.
Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

Almada Negreiros



publicado por julmar às 10:24
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Sábado, 5 de Maio de 2012
Czar, meu fiel amigo

Onze anos na companhia de um cão, é tempo. Filho de um macho Huski e de uma fêmea Labrador, acossado pelos irmãos refugiava-se debaixo dos carros, hábito que não perdeu.    Patinho feio da ninhada foi o último a ter dono por rogo da amiga Paula vizinha da proprietária que me atirou uma pergunta: - sabe os trabalhos em que se vai meter? Não me lembro, devo-lhe ter alinhavado uma resposta aceitável. Salvaguardando as distâncias entre caninos e humanos é a mesma pergunta de quem resolve ter um filho. Sabe os trabalhos em que se vai meter? Verdadeiramente só sabemos as coisas quando passamos por elas. Tudo o resto são suposições.

Verdade é que o Czar foi e continua a ser o mais fiel amigo da família e meu, em particular. Até posso dizer que a minha vida não seria a mesma. Por ele ( ou por pretexto) tive um Jipe para quando chegadas as férias o pudesse levar a Vilar Maior. E foi muito muito feliz por lá nas águas do Coa e Cesarão e companheiro inseparável nos passeios pelo Porto Sabugal, retortas, Casas dos Moiros...

Agora quase todos os dias, oito da manhã, corre comigo cinco quilómetros ( havemos de subir a parada). Todos os dias, de manhã, ao chegar à cozinha, lá está o Czar patas no parapeito da janela à espera do naco de pão. O czar despede-se de mim quando saio, e cumprimenta-me sempre quando chego. Guarda-me a casa e que ninguém se atreva a passar o limite se eu não estiver. Os garotos vêm ao portão e fazem-lhe festas. E há um velhote que há falta de carinho humano vem e , pensando que ninguém vê, dá-lhe a cara,  junto da grade, para ser lambida.



publicado por julmar às 16:27
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
Feira de talentos
É preciso, é urgente que nos comecemos a organizar para fazer uma grande feira no mês de Agosto.
Que cada um pense no que pode vender/ mostrar
Aqui vai hoje uma listagem de objectivos a que espero acrescentem outros ou corrijam estes

Objectivos:
1- Permitir conhecer os talentos dos conterrâneos
2- partilhar saberes, técnicas, valores
3- divulgar
4- criar o embrião de projectos
5- alimentar os laços entre os vilarmaiorenses
6- arranjar fundos para a festa
7- Lançar as bases para um evento anual
8- Incentivar o empreendedorismo na Vila
9- Proporcionar reconhecimento
10- fortalecer laços intergeracionais


publicado por julmar às 22:42
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
Quando eu for pequeno,
Para um católico pouco ortodoxo, a poesia pose bem ser a forma de rezar.

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
                                                       [pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"


publicado por julmar às 10:47
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Antigos Jornais do Concelho - Dr Leal Freire

Os blogues - a mais moderna e eficiente forma de comunicar e os antigos jornais do nosso concelho

O  homem, porque animal gregário, sente necessidade  de  comunicar.

Daí o aparecimento dos órgãos  de informação.

No território do concelho do Sabugal, que, como se sabe, integra  todas as freguesias  que pertenceram aos antigos municípios do Sabugal, Alfaiates, Sortelha e Vila do Touro, a maior parte do também extinto de Vilar Maior  e ainda  uma que foi do  Castelo Mendo, houve já inúmeros jornais, mantendo-se ainda hoje alguns.

O  primeiro foi  a Estrella do Côa, mais cometa do que estrela, porque de efémera  existência, ou então a ser estrela seria cadente.

Foi seu proprietário, director e editor  Luis José Capello Barreiros, datando  do ano de mil e novecentos.

A família Capello  terá sido motivada  com aquela fugaz iniciativa, pois em 1925, aparece o Sabugal, semanário regionalista, de propriedade, direcção  e edição de um outro capelo, José Capelo Martins.

Regionalista, assumia-se como republicano, ao estilo, naturalmente da primeira república que, todavia, já agonizava.

Teve colaboradores de vulto, como foi o caso do padre Alvares de Almeida, que se celebrizou  como escritor de nível mundial, sob o cognome de  Nuno de Montemor.

De Carlos Marques, que foi geógrafo de mérito e conceituado professor   daquela especialidade  no   liceu da Guarda.

De Joaquim Manuel Correia, imortalizado pelas Memórias do Concelho do Sabugal.

Neste nosso mundo de efemérides, surgiu logo um outro semanário—bairrista e nacionalista—ao estilo  tradicionalista.

Foi  a Gazeta do Sabugal, que se intitulava  orgão dos lavradores do concelho .

Fundou-a e dirigiu-a um  grande proprietário rural, possuidor duma extraordinária cultura literária e que foi mesmo um dos grandes doutrinadores do integralismo lusitano.

A nata do escol concelhio, triplamente  filtrada—porque regionalista, descentralizadora  e nacionalista, segundo o credo do integralismo—acorreu a colaborar.

Casos, entre outros, dos futuros presidentes de camara, o advogado Carlos Frazão e o médico  Francisco  Manso, do etnógrafo Lopes Dias, do pedagogo Reis Chorão, do político Martins Engracia.

Muito mais tarde aparecem as folhas paroquiais.

O porta voz, mensário criado na Bismula pelo padre Delmar Barreiros.

A Voz  do   Senhor, da paróquia do Soito.

A Mensagem da Saudade, de Alfaiates.

O Ecos  da Aldeia, de Aldeia da Ponte.

O Arraiano, de Vilar Maior, que em 1971  se transformou  em Nordeste, integrado numa rede de mensários paroquiais, que cobria  meio país.

Apareceram ainda outros, sediados em lisboa.

Como o Terra Fria, o Concelho do Sabugal, o Sabugal que se apresentava   como boletim informativo da   Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa.

Havia ainda jornais que publicavam ou suplementos para o concelho – v g  O Amigo da Verdade  ou uma  página ao concelho dedicada  como a que o doutor Jose Diamantino dos Santos  manteve no Correio da Beira.

Hoje com os jornais concorrem os blogues



publicado por julmar às 21:48
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Apropósito da morte de António Rasteiro - Manuel Maria
«O Valor das coisas não está no
Tempo que elas duram, mas na
Intensidade com que acontecem.

Por isso existem momentos
Inesquecíveis, coisas
Inexplicáveis, e pessoas
Incomparáveis».

Fernando Pessoa


publicado por julmar às 09:21
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Domingo, 22 de Abril de 2012
Requiescat, António Rasteiro

 

Viúvo, desde a morte da ti Ana Prata  há muitos anos, sem filhos, o ti António Rasteiro, para além de todos os Rasteiros e Pratas tem uma enorme família que são todas as pessoas da Vila. O que o tornava, assim uma pessoa tão especial?

Era o vagar, que é uma palavra bem da nossa terra, o dar tempo ao tempo que é no tempo e com tempo que os laços se criam.

Por isso, parava no meio da rua e falava, falava ... E ouvia.

Se o presente não oferecia tema, ia à memória dos tempos outros e desfiava histórias da vida real, suas e do seu interlocutor.

Era a coragem para enfrentar a adversidade, traduzida num "raio" tirado das entranhas capaz de botar por terra toda a a tibieza. Por isso, de menino criado a mando de outros se tornou dono de si, indo à luta.

Era o optimismo contagioso que se sustentava no sucesso das lutas travadas.

Por isso, cumpriu a palavra do Evangelho, multiplicando os talentos que recebera.

Era a crença no poder transformador do trabalho criador de riqueza.

Por isso, foi pastor, lavrador, emigrante.

Era, ao contrário da inveja que corrói e amargura, a admiração pelo sucesso dos outros.

Por isso, tinha tantos amigos.

Era a aceitação da vida como ela é.

Por isso, uma sabedoria assente na experiência e na reflexão.

Era, talvez esse, carácter chão, essa profundeza telúrica, que transparecia no teu olhar e irmanava todas as coisas, todos os homens.

Por isso, talvez por isso, vestias a opa, pegavas na cruz e ias à frente na procissão ou na lanterna a abrir o caminho ... para a eternidade.

Para já vou sentir a tua ausência. Sentirei a falta não do copo do vinho, mas do convite, mão na chave da porta, infinitamente repetido:

- Ó Júlio, vai um copinho?

- Obrigado, ti António. Fica para logo.

 

A Rua de Cima

Terminava a rua de cima, no seu correr de casas do lado esquerdo com a casa do ti

António Rasteiro, casado com a tia Ana Prata. Só os dois, que filhos não tiveram cuidavam de uma junta de vacas e de uma grande piara de gado até seguir, como quase todos o caminho de França. Depois enviuvou. Para além das terras que tinha comprou a horta da ti Esperança (bela propriedade!) que continua a cultivar com os noventa anos a baterem à porta, a solidão a pesar ... e recordações contadas vezes sem conta como se fosse sempre a primeira vez: 'ah, Júlio se me agarro no tempo de sê pai! Aquilo é que era um homem!' Depois, irrompia pelo Manel que guardava o gado, pela lavra das terras, pelo agadanhar do feno, pelas malhas como se tudo isso fosse uma epopeia que urgisse salvar. Depois havia de recuar até ao tempo da tropa em Lisboa e das boas graças em que caíra  nos seus superiores que lhe permitia interceder a favor dos seus conterrâneos, tropas também do ramo da cavalaria.

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