Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017

Quem não vai aos galhos não se aquece

fotospascoa20051 077.jpg

                                               Março de 2005

Esta era uma imagem muito comum na aldeia antes da chegada da eletricidade e dos fogões a gaz. Quem não tinha vacas ou um burro ou dinheiro para comprar lenha tinha que todos os dias ' ir ao feixe'. Este homem desfasou-se do tempo e muitos anos depois continuou a fazê-lo quando já ninguém o fazia. Uma história para contar. Para os que tiverem curiosidade de saber de quem se trata, atentem no guarda-chuva.

 

publicado por julmar às 17:42
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

A roda dos expostos em Vilar Maior

roda exp2.jpg

 

Em post de 19 de Janeiro p.p. dei conta da existência de uma roda dos expostos ou enjeitados em Vilar Maior. Em 19 de outibro de 2015, coloquei o post que se segue o qual nos refere a lcalização da dita roda: "Traz da Misericórdia"

Assento de Batizado de uma Exposta

«Aos vinte dias do mês de Dezembro de mil oitocentos e cinquenta e nove, o Revº Joaquim Sacadura, capelão desta freguesia baptizou particularmente a uma Exposta a que pus o nome de Maria da Natividade aparecida à porta de Domingos Fernandes desta freguesia que mora de traz da Misericórdia sendo exposta na noite de dezanove para o dia vinte, não trazia … algum por onde constasse ter sido baptizada, no dia vinte eum do dito mez lhe pus os Santos óleos, trazendo de enxoval duas envoltas, uma touca, …, cinco cueiros, quatro camisas, duas toucas, …, uma liga e para constar por este assento erat ut supra»

Reverendo Joze Ignacio de Faria

publicado por julmar às 18:41
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

Por onde andarás, Liber Status Animarum?

Liber status.JPG

Eu sabia que existia este livro no museu, tinha tirado nota da sua existência e, felizmente, tirei-lhe o retrato. Uma vez liberto, pela aposentação, dos deveres profissionais, tinha tempo para algumas investigações, resolvi que era tempo de procurar o “Liber Status Animarum”, onde deveria estar. Mas não estava e não está. Contatei os responsáveis mas ninguém sabia da sua existência. Sinto alguma frustração, pois, penso que poderíamos ter algumas informações interessantes e importantes de caráter genealógico, histórico, sociológico para o conhecimento da nossa terra. Parece-me haver pouca investigação sobre este tipo de documento, pois, na Net, apenas encontrei este pequeno artigo na Wikipédia:

 Liber Status Animarum (Livro do Estado das Almas) é a expressão latina para designar os registos que a seguir ao Concílio de Trento (1545-1563) serviam aos padres de cada paróquia para neles registarem dados biográficos e religiosos dos paroquianos. Eram uma espécie de recenseamento da população feita pelo clero.

Os Liber Status Animarum foram prescritos no Ritual Romano publicado em 1614 pelo papa Paulo V. No princípio continham apenas informações religiosas concernentes à vida religiosa (bênçãos, exorcismos, sacramentos). No século XVIII outras informações foram registadas: composição detalhada da família, propriedades, profissão, idades, chegadas e partidas da paróquia. (Dados retirados de Wikipédia)

Encontrei ainda um estudo sobre o referido documento na diocese de Nice, em França:

Le livre d'etat des ames (liber status animarum) une nouvelle contribution a la connaissance des populations des anciens comte et diocese de Nice

https://www.departement06.fr/documents/Import/decouvrir-les-am/rr90-1985-03.pdf

"...les livres des âmes constituent pour les généalogistes, sociologues, Historiens des documents incomparables. R faut tout mettre en jeu pour Éviter leur perte", L. Michard et G. Couton

E porque ele existe, esperemos que esteja em boas mãos e que regresse. Apenas será útil se pudermos usufruir do seu conteúdo.

publicado por julmar às 18:23
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Batizados há cem anos

pia baptismal.jpg

No ano de 1917, foram batizados, na Igreja matriz de Vilar Maior, 36 indivíduos, sendo 19 do sexo feminino e 17 do sexo masculino. Agora já não nos lembramos quando foi o último e começamos a perguntar-nos se ou quando voltará a haver um batizado. 

Maria Badana, Júlio Alves Pascoal, Maria da Luz
João Barreira, Francisco Antunes, Matildes
Isabel Maria Bernardo, José Fernandes, Ana dos Anjos
Filomena Calamote, Joaquim Santos, Luísa dos
João Cerdeira, Francisco Monteira, Matilde
António Cerdeira, Manuel Carmo, Maria do 
José Costa, João Fernandes, Lúcia
Maria Cruz, Joaquim  Bárbara, Josefina
Filomena Cunha, José Joaquina, Ana
João Duro, Armando Martins Duro Costa, Virgínia
Francisco Fernandes, João Fernandes Lourença, Teresa
Maria Fernandes, Joaquim Lavajo, Ana
Joaquim Fernandes, Manuel Alves Proença, Valentina
Julieta Freire, Albino Monteiro L., Isabel Maria
João Garcia, Joaquim Monteira, Mariana
Carlos Gata, António Gata, Maria Alves da Cruz
Augusta  Gata, João  Esperança, Maria Neves
Anunciação Gil, José  Ferreira, Isabel Maria
Maria de Jesus Gomes, Manuel Antunes, Prudência
Filomena Leal, Joaquim Fernandes Lourenço, Luísa
Virgínia Margarido, Gabriel Urbana, Ana Clotilde
Olímpia da Conceição Margarido, José Bárbara, Miquelina
Felisbela Nunes, Alípio Ándrade, Isabel
Aurélia Prata, José Augusta, Felismina
Matilde Rasteiro, José Passareira, Maria Amélia
Maria Robalo, José Maria Lourenço, Ana
Hermínia Seixas, José Cerdeira, Ana
Manuel Serrano, António Soares, Rosália Lucrécia
António Silva, José Anjos, Clara dos
José Joaquim Silva, José Martins  Jarmela, Isabel
Adriano Simões, João Ferreira Martins, Ana
José Simplício, António Francisco Silva, Maria
José Tavares, José Afonso Alexandrina, Ana
Francisco Valério, António Prata, Maria
Germano Valério, Joaquim Soares, Maria
Maria xxxxxxxxxxxxxxxxx Dias, Maria Isabel

 

publicado por julmar às 10:52
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Sábado, 21 de Janeiro de 2017

Caldo escoado

lareira.jpg

Da aldeia da minha infância me ficou memória viva de tudo; de uma maneira muito particular dos cheiros e dos sabores, sobretudo quando uns se combinavam com os outros. Pequeno-almoço só havia aos domingos. A lareira acesa, maior que nos outros dias, havia de dar brasas para colocar no ferro de engomar roupas, para aquecer águas e para fazer ferver panelas das quais uma seria de café, café Leão, cujo aroma intenso se espalhava por toda a casa quando, destapada a panela, se lançava uma enorme brasa que fazia o polmo assentar no fundo.
Nos dias de semana comia-se o almoço pelas nove horas, no tempo de Inverno. Um dos comeres mais frequentes era o caldo escoado: partiam-se batatas às rodelas finas cozidas em panela de ferro de grandeza proporcional ao tamanho da família. Para uma terrina haviam-se partido fatias, dito à maneira de lá fatigas, de pão recesso ou bem assente. Terminada a cozedura, parte da água das batatas é deitada sobre as fatias de pão temperadas com a gordura de pedaços de carne gorda frita (os chicharrões) que acompanham o prato a que se juntou colorau picante – o pimento – comprado em Allamedilla d’el Choco. Este é o prato. Na panela as batatas com o resto da água é o caldo de batata.

publicado por julmar às 11:04
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

A Roda dos Expostos de Vilar Maior

roda exp1.jpg

                               Fotografia exterior (abertura recentemente tapada)

roda exp2.jpg

 

                                                        Imagem do lado interior

Na casa que pertenceu a José Vicente, de alcunha o ti Salazar, e que hoje é propriedade de José João Valente, encontra-se a janela onde funcionava a roda dos expostos ou enjeitados, como hoje tive oportunidade de observar pelo lado interior da casa na janela que dá para a rua, tapada recentemente nas obras em curso. A minha ideia de que pudesse ser ali que colocavam as crianças indesejadas, pude confirmá-la hoje com os meus olhos: por dentro, como pode ver na fotografia, a abertura é em círculo para que a roda pudesse girar e lá está o buraco na parte inferior e na parte superior onde rodava o eixo do cilindro. A casa situa-se a nascente da Igreja da Misericórdia, próxima desta, numa ruela secundária, um pouco escondida como convinha à prática do ato, a Travessa do Churrião. A casa, com uma área de cerca de 40 m2, de rés-do-chão, de piso térreo e lageado, com porta de acesso do lado nascente e a dita janela, sendo a cobertura em telha vã. A casa tem um curral lageado onde se encontra uma cortelha de porco e o poleiro das galinhas. As obras em curso fecharam a janela onde funcionava a roda dos expostos e ligaram a casa à casa contígua que, eventualmente, poderia, à altura do funcionamento da roda constituir uma unidade que funcionaria como proteção das crianças. 

A roda dos expostos, também designada como roda dos enjeitados, era um mecanismo em forma de portinhola giratória rodando na referida janela e com um tapume de alta abaixo de tal forma que era impossível ver de dentro para fora e vice-versa. Deste modo, se protegia a identidade do depositante, a maior parte das vezes a própria mãe da criança, que colocando a criança na roda a girava uma volta completa para que a criança chegasse ao lado de dentro. Puxava, a seguir, uma corda, badalando uma sineta que alertava quem estava do lado de dentro para a chegada de um novo hóspede.

 Este modelo de acolhimento teve inúmeros adeptos pel Europa, sobretudo católica, a aprtir do século XVI. Em Portugal, espalharam um pouco por todo o território a partir de 1498 com o aparecimento das misericórdias.

Em 24  de Maio de 1783, o intendente geral da Polícia do Reino, Pina Manique, reconheceu oficialmente a instituição da roda , pretendendo pôr termo aos infanticídios e acabar com o chocante comércio ilegal de crianças portuguesas na raia, onde os espanhóis as vinham comprar. Com a chegada das ideias liberais, na primeira metade do século XIX, a Roda dos Enjeitados começou a perder a sua importância.

A roda surgia como uma tentativa de pôr termo ao infanticídio e ao abandono dos recém nascidos. Estes 'filhos de ninguém' eram, muitas vezes, filhos de mães solteiras, raparigas pobres e de relações proibidas. Por vezes as mães dos enjeitadas deixavam marcas identificativas, a fim de mais tarde as poderem recuperar. A Câmara tinha a incumbência de arranjar amas para amamentar estas crianças, suportando os respetivos encargos. As crianças eram por volta dos sete anos entregues a famílias onde começavam a aprender tarefas de agricultura, pastroreio ou algum ofício. 

Não conheço, até hje, qualquer notícia escrita acerca da Roda dos expostos da Vila ainda que nas atas camarárias conste o registo de encargos e outras informações relativas aos expostos.

Neste blog em 9-11-2015 publiquei um post sobre o batizado de um exposto:

http://vilarmaior1.blogs.sapo.pt/coisas-do-seculo-xix-na-villa-de-vilar-425712

 

publicado por julmar às 11:39
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Requiescat in pace, Teresa Narciso

Sem gente a nascer, em Vilar Maior, sentimos que um mundo está a acabar: Inevitável, inexorável, a morte vai batendo, numa e noutra porta, não só dos que ali vivem como dos que partiram para outros lugares. Toda a gente da vila, de uma ou outra forma, nos marca muito, cada um é sempre um pouco de nós. Por isso, quando partem, partimos um pouco também. D. Terezinha, como atenciosamente era tratada faleceu, em Lisboa, no dia 14 de janeiro. Todos os anos, pelo Verão, passava algum tempo na Vila com a família. Ao marido, filhos e restante família, apresentamos as nossas sentidas condolências.

publicado por julmar às 10:58
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

Até que enfim, uma boa notícia

Em 2017 é assim

O que vê na fotografia é a construção da plataforma onde será instalada uma antena da operadora NOS que permitirá aos respetivos clientes usufruir de rede de telemóvel. 

Displaying IMG_5045.JPG

 

Em 1953 era assim

Cabina telefónica

Em 24 de Novembro de 1953 a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e  Telefones

Ofício a informava que

«a abertura do posto está pendente da vistoria do compartimento onde deve ficar instalado o telefone, a qual se efectuará na semana corrente»

Cerca de 100 anos após a invenção do telefone (1860), chega à Vila a possibilidade de falar para qualquer parte do mundo. Foi instalado  o locutório (cabine que custou 300$00) no Comércio do Senhor Aníbal. A ligação ao recepor final não era direta e, por vezes, era precisa muita paciência. Primeiro ligava-se para Aldeia da Ponte e dali era estabelecida a ligação.

publicado por julmar às 18:41
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Votos para 2017

Resultado da imagem para 2017

Um excelente ano 2017 para todos os que por aqui passam. Melhor que ficar à espera que a felicidade caia do céu é lutar por ela hoje. Agora. Porque amanhã pode ser tarde demais. Por isso, desejo aos meus amigos o que para mim desejo - sonhos realizáveis e coragem para lutar por eles

https://www.youtube.com/watch?v=XhHP0QDyvk8

publicado por julmar às 19:03
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Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Requiescat in Pace, António Cerdeira Seixas

1a A.JPG

 Hoje, véspera de natal, faleceu, no hospital da Guarda, António Cerdeira Seixas. Nasceu em Vilar Maior, a 20 de Dezembro de 1924, filho de José Seixas (1884-1948) e de Ana Cerdeira (1891-1928). Órfão de mãe aos quatro anos, aprendeu a vida por si e o ofício (construtor/pintor) com o pai. Uma parte do rosto da vila saiu das suas mãos: Em 1948 construiu  a primeira casa, a sua própria casa, no Buraco (hoje chamada Avenida das Escolas/Banda Filarmónica de Loriga), que, hoje, é o maior bairro da vila; boa parte das cheminés da vila foram por ele construídas no tempo da exploração do minério. Finalmente, a obra que mais dá nas vistas, executou o alteamento da torre da Igreja Matriz, em 1959, onde, agora, decorrem obras de revestimento a granito. Emigrante, comerciante, agricultor. Uma vida longa e uma vida cheia que deixa marcas físicas na paisagem e  marcas indeléveis no coração de todos os que, como eu, tiveram o privilégio de com ele conviver. Continuará sempre com um lugar especial nos nosso corações.  

 

publicado por julmar às 21:08
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