Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Toponímias - Os Labaços

Diz-nos um princípio básico da filosofia segundo o qual tudo o que acontece tem uma razão suficiente para ser assim e não de outra forma e por isso, por vezes, damos connosco a pensar sobre coisas e sobre o nome das coisas. Porquê que as coisas são o que são e porque têm o nome que têm. Não sei se estão a topar e não sei se já alguma vez deram uma topadela. Ora, um fim de tarde fui ali para os Regatos na esperança de encontrar uns poejos, saboreando de antemão uma miguinha dos mesmos avivada por uns alhos finamente cortados e amaciada com uma boa colher de azeite e, claro, umas pedras de sal grosso. Já agora, no final da fervura, mande-lhe um ovo em cima. Ora, a questão do topar veio enrolada na conversa do Zé Jerónimo a propósito de uma história dele com o Zé Pedro, catraios, à altura, da mesma idade. E, no rodar da conversa nomeiam-se os Picotes, nomeiam-se os Regatos, nomeiam-se As Casas dos Mouros e nomeiam-se os Labaços, tudo nomes de lugares. E o Zé, diz, como que se nunca nisso pensasse: Labaços um nome esquisito! E matutei na coisa na esperança de encontrar-lhe um sentido. Ora quem conheça a orografia do lugar verá uma lógica nos nomes relacionados com os terrenos designados: Os Regatos já na aproximação da margem ribeirinha, os Labaços metidos entre as elevações dos Picotes a Sul e As Casas dos Moiros a Norte. Depois temos de atender às designações antigas e à forma de pronunciar. Baixo na vila era pronunciada pelos antigos baxo (este home é baxo). Então, quem andava pelos Picotes ou pelas Casas dos Moiros quando se referia aquele terreno fundo dizia lá baxo e com a evolução fonética se passou a Labaxos e Labaços. E por que os Labaços estavam fundos para lá escorriam as águas formando o ribeiro dos Labaços e nesse escorrimento ali veio parar em grande abundância não só as areias que o Areias havia de comprar, mas com elas o melhor volfrâmio que no termo da vila se explorou. Se toparem com palavras cujo sentido não alcancem observem, estudem, teçam relações até encontrarem. Boas topadelas!

publicado por julmar às 18:08
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Nomes de gente que viveu na Vila

Já sabemos que o nome de família, durante o século XX (a partir de 1910) mais frequente na Vila é FERNANDES. No total durante esse período contabilizamos 133 nomes de família. Exemplos de alguns muito raros: BEXIGA, BIZARRO, CHAMUSCA, BAILÃO, CARDADOR, PASSAREIRA, CALAMOTE, POIO. Há uma quantidade de filhos de pai incógnito. Outros não têm pai nem mãe, um deles, batizaram-no com o nome de José Pobre.

publicado por julmar às 18:14
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De Galveias à nossa terra

As aldeias têm muito de comum. Ler este romance é contarmos a história à nossa maneira Se, em vez de Galveias, escrevermos Vila, acho que todos nos podemos rever no romance de José Luís Peixoto. A Vila não pode morrer. «Por todas as crianças que deixaram a infância naquelas ruas, por todos os namoros que começaram em bailes no salão da sociedade, por todas as promessas feitas aos velhos que se sentavam às portas dos serões de agosto, por todas as histórias comentadas no terreiro, por todos os anos de pó naquela terra, por todas as fotografias esmaltadas nas campas do cemitério, por todas as horas anunciadas pelo sino da igreja, ccontra a morte, contra a morte, as pessoas seguiam aquele caminho». Suspenso, o universo contemplava a Vila.

publicado por julmar às 11:39
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Gente que vem cá

Cãndida.jpg

Fotografia de Manuel Fonseca Quando chega sexta-feira da festa aparece. E na Vila não é preciso ser 'importante' para merecer consideração. - Então, como vais Cândida? Então, mais uma vez por cá! E acho eu que toda a gente fica contente por vê-la e vendo-a vem-nos à memória o marido dela o António que de alcunha era o Craveiro Lopes e que fazia pela vida à sua maneira desde que não exigisse pegar na enxada: vender sardinhas, improvisar jogos na festa com maços de tabaco, trabalhos em que se tocasse em dinheiro. E a mãe da Cândida - a ti Toita - sentada no degrau da rua a cortar couves galegas para fazer o caldo, corria década de 50.

publicado por julmar às 17:59
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Recordar é viver ...

ti amélia e fam.jpg

Daqui a dez, vinte, cinquenta, cem anos, duzentos anos os nossos descendentes procurarão pelos seus antepassados e, muitos deles, hão-de os encontrar, não no Facebook onde tudo aparece e desaparece com igual velocidade, nas aqui no blog de Vilar Maior. Olharão para a fotografia e dirão olha a avó Amélia, o avô Joaquim ...

publicado por julmar às 11:10
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Museu de Vilar Maior, que se passa?

Reconstrução casa museu.jpg

Museu.jpg

'Edifício setecentista de planta retangular simples, com dois pisos, onde antigamente funcionava a cadeia, no piso inferior, e a Câmara Municipal, no piso superior. Existiu uma cadeia anterior a esta, provavelmente datada do século XVI, que funcionou até ao século XVIII. Em 1885, o edifício passou a funcionar como escola primária, até ao século XXI, altura em que foi transformado em museu' Como consta das atas da Junta de Freguesia, construi-se na altura em que se tornou escola, a casa de habitação anexa que servia de residência ao professor. Quando deixou de ser escola, serviu de sede de Junta de freguesia e a outra sala foi anexada à residência que passou a ser residência paroquial onde viveu o Padre Francisco Vaz e, depois, o padre Luís Silveira. A professora Maria Delfina fez um extraordinário trabalho de recolha de objetos de uso doméstico e instrumentos de ofícios vários e de agricultura que constituem um valioso testemunho dos nossos antepassados. Com dinheiros europeus, por iniciativa do então presidente da Junta de Freguesia, António Gata, todo o edifício foi remodelado para se tornar um museu e nele se instalou, então, um valioso espólio. Foi das obras mais meritórias que se construíram em Vilar Maior. A pergunta que colocamos é: Porque é que, vai para dois anos talvez, o museu não funciona?

publicado por julmar às 15:32
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Gente que faz falta

ministro.jpg

Chegado o mês de Agosto começa a Vila a encher-se de gente que vem de Lisboa, que vem da América, que vem daqui e dali e, sobretudo, de França. Alguns vêm todos os anos, outros umas vezes sim outras, outras vezes não. Ao longo do tempo já sabemos quem vem, quem não vem, quando vem, com quem vem. Este ano surpreendeu ver o Zé da Lúcia, é assim que a gente diz, sem a Lúcia. Juntos, lado a lado, um pouco à frente ou um pouco atrás foi assim que nos habituámos a vê-los. Este ano veio apenas o Zé. Esperamos as melhoras da Lúcia e vê-los, de novo, no próximo ano.

publicado por julmar às 10:08
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Dia Nacional dos Castelos

Com este post atingimos os 1400 posts publicados neste blog. Sabe o que isso significa?

Que sabemos nós dos Castelos? Que sabemos nós do Castelo de Vilar Maior? Andámos na escola a estudar a História de Portugal e nunca o professor ou professora nos levou até ao Castelo (ou ao Pelourinho, ou à Ponte, ou ao Arco). Parece incrível mas era assim o ensino e continua a ser. Pois, é. Mas a verdade é que poderíamos estudar grande parte da História de Portugal a partir da história local. E a motivação, o interesse e a aprendizagem seriam bem diferentes. Sim porque por aqui passou a constituição das fronteiras definitivas do reino; por aqui passou a defesa do reino no tempo de D. Fernando, de D. João I, da Restauração da independência, da luta contra os invasires franceses na Guerra Peninsular. Por aqui se degladiaram Liberais e Absolutistas. Isto é, por aqui passaram os momentos essenciais da nossa História. Neste castelo se refugiou o Infante D. João - filho de D. Pedro e de Dona Inês de Castro - que se deixou cair nos ardis de sua cunhada Dona Leonor Teles. 

publicado por julmar às 16:21
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Sagrada Família

Uma vez por mês chegavam estes três hóspedes a nossa casa, quase sempre ao lusco-fusco. Depois do jantar, subia a família à sala e rezava-se o Pai Nosso, não sei quantas Avé- Marias e jaculatórias várias. Depois no fim, também isso me encantava, davam-me uma moeda (20 ou cinquenta centavos) que metia numa ranhura  que a casinha da Sagrada Família tinha à frente. E lá ficava o candeeiro de petróleo de luz mortiça a alumiá-los durante a noite. No dia seguinte, lá ia eu entregar a casinha ao vizinho. 

Penso que ainda continua a circular.

 

publicado por julmar às 18:38
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

O paleolítico em Vilar Maior

(Todos os objectos são achados e pertetença do Didier)

São muitos os vestígios da presença do homem desde a pré-história por terras de Vilar Maior. Na ausência de escrita é, sobretudo através de instrumentos usados que fica assinalada a sua presença, o tipo de vida e o grau de desenvolvimento tecnológico.  Os objetos em questão, todos de pedra (exceptuando um em cerêmica de uma época mais tardia) com diferentes formas tinham diferentes funções(moer, partir, cortar)

Obrigado Didier. São peças dignas de estar num museu. Por falar nisso, parece que há um na Vila. Haverá mesmo? Haveremos de saber o que se passa.

 

 

publicado por julmar às 18:47
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