Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

Os Martírios da Paixão

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Mais uma vez, desde tempos imemoriais, se andaram as Cruzes na Vila. Entre as estações marcada pelos Passos, sob a orientação da senhora Lurdes Monteiro, o cantar dolente do povo.

REFRÃO

Bendita e louvada seja

A paixão do redentor

Que para nos livrar das culpas

Padeceu por nosso amor

I

Lá vai para o Calvário,

Lá vai caminhando,

Seu pranto rogando,

Com Passos de um filho

II

Lá naquela rua,

Cheia de amargura,

Chega a virgem pura,

Sua triste mãe.

III

Olhando para a turba

Lhe diz tristemente

Que mal fez meu filho,

Oh ingrata gente

IV

O meu filho morre,

De secura, vêde

Eu não tenho água,

Para apagar a sede

V

Ouvindo esta queixa,

Um algoz cruel,

Vem trazer a Cristo,

Esponja com fel.

VI

E Jesus tão brando,

Com tanta agonia,

O suor corria

Em sangue inundado.

VII

Vinde almas devotas

Ao horto, se quereis,

Ver o Rei dos reis,

Em terra prostrado

VIII

Cristãos pensai bem,

Se estais comovidos

Há-de à vista da mãe

Morrer o filho querido

publicado por julmar às 19:33
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Segunda-feira, 10 de Abril de 2017

Restaurar a Forca da Vila, é preciso

forca duarte.jpg

                     (Livro das Fortalezas de Duarte d'Armas)

Uma das funções da linguagem é a designação das coisas. Com o decurso do tempo muitas coisas deixam de existir. Porém, o nome, por vezes, sobrevive a esse desaparecimento como é o caso de muitos topónimos. No sítio dos Chães da Forca – a gramática diz que devemos dizer Chãos mas quem manda é o povo que é quem faz a língua. Acontece que essa elevação onde ficam os ditos chães se chama o Monte do Arreçaio. Já num outro post falei deste topónimo afirmando que a palavra arreçaio será uma palavra do português arcaico que significa receio. Na linguagem da gente da vila é (era) muito comum antepor-se a partícula a algumas palavras, nomeadamente, ao substantivo receio e ao verbo recear (arrecear, arreceio). E, seguindo a lei do menor esforço, deixam cair um r e pronunciam o lugar dizendo monte do Arsaio. Ligam-se assim pelo mesmo sentimento – o medo – os dois topónimos que assinalam idêntico lugar: Monte do Arsaio e Chães da Forca.

A tudo isto subjaz uma realidade histórica que se encontra documentada no caso concreto de que falamos. A forca (e o receio que provocava) já não existe, mas temos o desenho de Duarte d’Armas (Livro das Fortalezas) onde aparece representada. 

Resta da forca apenas o resto daquilo que seria a sua plataforma: uma construção quadrangular de cerca de quatro metros de lado (equivalendo a uma área interior de dezasseis metros quadrados), com muros de pedra mediana com cerca de 75 centimetros de altura. Talvez a altura original tivesse um metro de altura, dada a quantidade de pedra caída ao longo dos muros, o que aliado à elevação do lugar (790 metros de altitude) lhe dava uma visibilidade extraordinária de todos os pontos da povoação. Dali se defronta uma bela e imensa paisagem. 

A forca articulava-se com uma outra peça do sistema judiciário da época: o Pelourinho. Neste se acorrentavam os criminosos sujeitos a castigo e à exposição ao olhar e vexame público. Se estavam condenados à morte eram conduzidos até ao Monte do Arsaio para serem enforcados. O corpo ficaria pendente na corda, não sabemos por quanto tempo, para que todos pudessem ver a pesada mão da justiça e, assim, fossem dissuadidos de práticas criminosas. 

É preciso restaurar a forca da Vila. Nada de arreceios porque a intenção não é meter medo, nem enforcar criminosos mas ajudar-nos a aprender um pouco. Por outro lado, se queremos dinamizar o turismo (turismo cultural) teremos de procurar construir narrativas que de forma material possam ilustrar a nossa história que é também a história do Homem. Um tal restauro, por força da visibilidade do lugar, ao lado de uma cruz erigida no anos sessenta, convoca o olhar de todos os que vivitem a Vila.

Fica caro? Penso que quinhentos euros serão suficientes para comprar três traves e colocá-las no local. A corda, faço questão de ser eu a oferecê-la.

 

publicado por julmar às 15:33
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Requiescat in Pace, Miquelina Lavajo

Tivemos conhecimento de que faleceu, no dia 8 de Abril, mais uma nossa conterrânea que, desde há muitos anos residia em Lisboa (Odivelas). Trata-se de Miquelina Proença Lavajo, filha de Manuel Lavajo e Beatriz Cunha, irmã de António, Joaquim, José e Maria Lavajo, todos já falecidos.

Aos familiares apresentamos as nossas condolências.

publicado por julmar às 15:28
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Sábado, 1 de Abril de 2017

O Presidente Marcelo visita Vilar Maior!

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Até parece mentira! Mas não é. Como sabemos o actual governo, geringonçoso que seja, está mesmo apostado em implementar uma estratégia de coesão territorial, desenvolvimento e valorização do interior do país e como sabemos criou uma Unidade de Missão para a Valorização do Interior, presidida por uma docente da Universidade de Coimbra que agora  vai começar a apresentar os planos para diversas localidades do país. Ora, segundo fontes bem informadas o local escolhido para esse efeito será Vilar Maior. As razões desta escolha terão a ver com o fato de ser uma comunidade que espelha de forma perfeita o que aconteceu no interior do país a partir de meados do sécul XX. Por outro lado, trata-se de uma aldeia com potencialidades para, através de alguns projetos específicos, se poder tornar também um exemplo de como é possível inverter a situação. Ao que sabemos haverá uma forte aposta no turismo em várais dimensões. O turismo ligado aos monumentos e à história, o turismo ligado à observação e fruir da natureza ligado ao rio Cesarão (está prevista a recuperação das Eiras, o cultivo das Hortas da Ribeira com as culturas tradicionais e com os sistemas tradicionais de cultivo, nomeadamente, o funcionamento de Picotas e de uma Nora. Haverá um passadiço em madeira que começa na ponte românica e, passando pelo Poço da Andorinha, Poço da Dorna, Poço Fundo, Fraga vai atá ao pontão do Pinguelo, onde será restaurado um moínho. Ao longo do percurso haverá postos para observação de aves, de rochas e de plantas autóctones. Será construído um posto de observação astronómico (o céu estrelado de Vilar Maior é fabuloso) no Castelo. 

Toda a parte histórica será restaurada. O forno passará a cozer, e um moínho a moer. A Ideia central é restaurar todo o ciclo natural com as correspondentes actividades económicas e actividades culturais correspondentes. Com efeito, irão ser restaurar muitas das actividades agrícolas, pastoris e artesanais tradicionais: voltaremos a ouvir as bigornas dos ferreiros, a chiadeira dos carros de bois,  ... Vilar Maior constituir-se-á num museu ...  mas num museu vivo em que o visitante pode revisitar uma comunidade agrícola da primeira metade do século vinte. 

Deste modo, o turismo será a grande fonte de receita, mas um turismo que assenta na reconstrução de uma economia rural tradicional. Não faltará gente que queira revisitar as suas próprias memórias, investigadores, visitas de estudo ... Na medida em que cada vez o mundo se torna mais artificial a procura da natureza será cada vez maior. Vilar Maiorcom este projeto vai conciliar o conforto moderno com a vida natural.

Sabemos de fonte fidedigna, que houve contatos do Primeiro-Ministro com o Presidente da República para que um plano tão ambicioso pudesse contar com o supremo magistrado da Nação o qual terá mostrado todo o interesse, estando em curso, por isso, o acerto da data. 

 

 

 

publicado por julmar às 10:30
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Domingo, 26 de Março de 2017

Requiescat in pace, Alexandrina

IMG_0458.JPG

 Conhecida por Chininha, Alexandrina d'Assunção Franco Dias Pinheiro, nascida em 1919 era, ultimamente, a pessoa mais velha das nascidas na Vila. Filha de António Esteves Pinheiro (1890-1965) professor primário que exerceu funcões pela década de 30 e 40 em Vilar Maior e foi ilustre figura cultral e de Maria  Mercês Franco Dias da ilustre família Ferreira Franco, por parte da mãe e Dias pelo lado do pai. A Chininha, como carinhosamente era conhecida, residiu durante larga parte da sua vida em Vila Nova de Gaia, onde seu marido, João Bárbara, exercia atividade profissional ligada ao Vinho do Porto. À família, de modo particular aos filhos, apresentamos sentidas condolências.

(Nota: Na foto a Chininha do lado esquerdo e as duas irmãs. Falta a irmã Fifina e o irmão Fausto)

publicado por julmar às 19:15
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Gente da Vila, Quem são?

Avó joaquina.jpg

 

 

publicado por julmar às 18:20
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Visita do bispo a Vilar Maior

bispado.jpg

Transcrição

Vizitada em 4 de junho de 1888.

Recomendamos ao Rdo (Reverendo) Párocho e seus parochianos que continuem a empregar seu zêl em tudo que diz respeito ao aceio e decência do culto.

Thomaz, Bispo da Guarda

 Na parede lateral da Igreja matriiz, entre o altar da Senhora de Fátima e o púlpito, encontra-se uma inscrição que refere esta visita do Bispo da Diocese da Guarda a Vilar Maior. Há-de ter constituído, por certo, um momento alto para as gentes da Vila. Para comemorar a visita ter-se-à feito uma cruz em pedra que estava colocada no Largo das Portas à entrada do Chão de S. Pedro. Lembro-me bem do pedestal em pedra que tinha incrita, precisamente, a data de 1888. Era pároco nessa época o padre António Filipe Gusmão (Pároco Encomendado).

 

publicado por julmar às 12:42
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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

As Terrolhas - Quem as protege?

HPIM2300.JPG

Toda a vida fui pastor

Toda a vida guardei gado

Tenho uma mágoa no peito

De m'encontar ao cajado

Difícil encontrar quem fosse pastor por gosto. Guardar a piara de gado - um rebanho de (50 a 100) ovelhas - a tempo inteiro, sujeito aos fios do Inverno e ao calor tórrido do verão e a uma vida sem carava que não fosse a do cão, do contato fortuito com outros pastores ou ocasionais transeuntes,  só acontecia por necessidade. Por isso, raramente alguém era pastor por uma vida inteira. Para matar o tempo, que teimava em não passar, puxava do assobio ou cantarolava as cantigas de sempre. Alguns puxavam da navalha, com que cortavam o pão e queijo, e, de um pau de sabugueiro, faziam uma flauta ou talhavam um pião.

Quando numa pastagem maior tinham de passar grande parte do tempo, tornavam-se toscos pedreiros sem ferramenta, procurando as pedras que acomodavam umas às outras e procuravam algumas lanchinhas que, com perícia, haviam de abobadar o teto. Alguma terra sobre o teto(talvez daí o nome de terrolha), que com o tempo assentaria e até faria germinar erva, faria uma impermebilização quase completa. Uma obra tosca também pode ter a sua beleza e perfeição.

Se for de andar pelos campos encontrará alguns destes abrigos. Estão abandonados, que é o modo como as coisas que já não são úteis estão: Noras (Rodas), cegonhas (ou picotas, ou burras), moinhos, açudes, troncos (de ferrar animais), pontões, caminhos, maçadoiros, cruzes, cruzeiros, alminhas, eiras.  Porém, uma sociedade (ou uma pessoa) que só se interessa pelo útil é uma sociedade muito pobre.  

publicado por julmar às 11:48
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Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Tardes de domingo no Cimento

DSC_0244.JPG

 Ora, cá estamos no local de maior convivência social: O Cimento que assim se chamou durante todo o século XX e que funcionava ora como plateia, ora  como palco. Comércio, taberna, correio, telefone, sueca, arraioila por aqui passou uma parte importante da vida das gentes da vila. Tudo mudou tanto que as conversas se tornam histórias de in illo tempore. Na primeira fila, oito personagens, oito histórias, seis delas com um capítulo de vida de emigrante. 

publicado por julmar às 16:56
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Terça-feira, 14 de Março de 2017

A História escrita em pedra - Pia da Tapada Limpa

banbeira granítica.jpg

A procura de sinais de presença humana sempre me fascinou. Por isso, nas férias, em Vilar Maior, parte do meu tempo era ir a sítios onde suspeitava desses sinais. Por vezes, era um topónimo que me movia: Casa dos Moiros, Santa Marinha, Mindagostinho (Moinho do Agostinho?), Forno da Telha, Pisões, Mortórios, Espírito Santo, Fiéis de Deus ...

Lá pelos anos oitenta, fui à Tapada Limpa, integrada num contexto natural interessasante. Saindo da Vila pelas Portas, descendo o caminho, entre a Cerca e o Chão de S. Pedro, passando a Fonte Velha, continuando no caminho que deixa à direita toda a encosta sul/poente do castelo  termina a descida, junto do rio, no sítio chamado Pinguelo (ou Pindelo).Passa à margem direita por um extenso e peculiar pontão que tem muito que contar. Inicia uma extensa e acentuada subida em calçada que alguns afirmam ser romana. Do lado direito, tem uma construção que terá sido um falcoeiro. Na mesma propriedade onde se encontra o falcoeiro, um pouco mais acima, há uma  eira sobre um extenso lagedo. Terminada toda a subida, tem do lado esquerdo do caminho um conjunto de sepulturas cavadas na rocha. Do lado direito situa-se a Tapada da Limpa, cujo nome deriva da sua configuração plana e de não haver afloramentos de pedras, excepto no local onde se encontra a lagareta. E foi este afloramento que na altura me levou a uma observação próxima. O que imediatamente pude constatar foi uma construção de duas casas geminadas. Depois à saída da casa do lado oeste, encontrava-se um monte de pedras sobre uma rocha maior e, começando a retirar, uma a uma, foram aparecendo os contornos da lagareta da imagem. Sobre a função do dito recipiente (lavagem, lagar,  ritual religioso...), deixo a outros a resposta. Estas casas têm grande semelhança com as existentes no sítio das Casas dos Moiros. 

Do que não parece haver dúvida é de que esta zona designada como Correia, no sopé do Vale da Lapa, terá havido um primitivo povoamento. E, se, não sabemos, se os homens dessa época se extasiavam pela beleza da paisagem, não eram, certamente, alheios ao conforto soalheiro da encosta virada a sul, da água do rio e das abundantes fontes. E, se porventura, já eram agricultores também não eram indiferentes à generosidade da terra.

publicado por julmar às 11:31
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