Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

(re)Lendo O Banqueiro Anarquista

Em gente simples dormem, por vezes, grandes capacidades que, dado o meio, vivem adormecidas. Umas vezes, espreitam; outras vezes atormentam os que as têm sem o saberem; e outras vezes, ainda, manifestam-se em formas mais ou menos patológicas.

Ao (re)ler O Banqueiro Anarquista não pude deixar de trazer à memória as raras conversas que tive com o Diogo: sobre a política do tempo de Salazar, sobre a razão da emigração portuguesa, sobre as suas preocupações ecológicas e sobre a relação do homem com o trabalho e com o dinheiro.

Como tornar-se superior ao dinheiro? Encontrar a planta certa a partir da qual fizesse todo o dinheiro que quisesse ... para se livrar da sua influência. Frustrado o sonho desistiu da civilização: Foi para os Labaços e por lá morreu.

 «Como podia eu tornar-me superior à força do dinheiro? O Processo mais simples era afastar-me da esfera da sua influência, isto é, da civilização; ir para um campo comer raízes e beber água das nascentes; andar nu e viver como um animal. (…) Como subjugar o dinheiro, combatendo-o? Como furtar-me à sua influência e tirania, não evitando o seu encontro? O processo era só um – adquiri-lo, adquiri-lo em quantidade bastante para não lhe sentir a influência; e em quanto mais quantidade o adquirisse, tanto mais livre eu estaria dessa influência».

O Banqueiro Anarquista, Fernando Pessoa

 

publicado por julmar às 17:39
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2 comentários:
De Manuel Maria a 6 de Novembro de 2009 às 19:38
E o mais irónico é que o Diogo nunca leu o Banqueiro anarquista...


De ABC a 8 de Novembro de 2009 às 22:49
Olá Júlio
Apenas uma pequena informação...
O Diogo, apesar de viver nos Labaços, viajava muito no seu pequeno grande "mundo" e por estranho que pareça foi morrer a vários quilómetros dos Labaços, ou seja no cume do monte que fica entre os pinheiros das barreiras da Miuzela e a freguesia de Badamalos, mas já no limite da Miuzela. Fiz parte daqueles que tiveram a ingrata tarefa da identificação do corpo. Morreu ao lado de uma lata que teria sido embalagem de tinta com uma pequena quantidade de bagas da planta que ele considerava certa para resolver todos os problemas. Pela posição em que se encontrava o corpo morreu de vigia ao Castelo de Vilar Maior. Ponto que ao que parece lhe serviria de grande referência nas suas caminhadas.
Um abraço
António Cunha


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