Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

As Tapadas - Jarmeleiro

Não podia ficar no bastidor dos comentários esta enumeração - penso que exaustiva - das tapadas da vila.

«Ora atão aí vai o meu rol. É grande sim senhor, mas por certo muitas cá devem faltar. E pra melhor intendimento dos lugares e dos nomes vou começar por uma ponta seguindo sempre prá dreita, até dar a volta. Tamém, muntas vezes vou dizer tapadas e não tapada, por môr de que há sítios com muntas. E sendo assim dessa maneira começo por:
Tapada do Penicôto, do Môcho, dos Lanchais, da Gorgolicha, das Almas, das Canadas, Tapada Nova, da Carvoeira, das Casas dos Moiros, dos Labaços, da Fonte Madeiros, dos Châes de Conselho, da Pedreira, da Queijeira, tapada Cruz, do Vale de Marmeleiros, Tapadas dos Picotes, das Igreijas, da Balsa, da Cimeira, da Sangrinheira, da Mogueira, do Rebolal, Tapada do Prado, Tapadas dos Regatos, Tapada da Sarangonha, Tapadas dos Vales, da Lomba, da Cabeça Lagar, Tapada da fonte na Serra (esta tem uma história triste), Tapada do Aires, Tapadas do Pereiro, das Morenas, Tapada do Castanheiro, Tapadas do Buraco, Tapada Eira, dos Mortórios, da Flipa, Tapadas do Espírito Santo, dos Fiéis de Deus, Tapada das Portas, Tapadas Da quinta dos Barreiro, Do Porto Sabugal , da formiga , da Fonte Fria, dos Galhardos, Tapada da Ponta Guarda, Tapada das Vinhas (fica por baixo das vinhas que eram de Arminda Marques ao MIdagostinho, a pegar com o cabeço que serviu de cemitério dos Burros, na altura em que os havia muntos na Vila e até tinham direito a cemitério), Tapada do Vale Carapito, Tapadas das Gaiteiras, Tapadas das Retortas, Tapada da Justa, tapada da Limpa e tapadas da Correia e tapadas de Vale Castenheiros. São muntas tapadas e não estarão todas. E munto tamém era o pão que sesemeava e mais que fôsse, porque não chegava á mesa de muitos com a fartura que era preciso. Eu bem sei que este relambório já vai grande, mas falndo nós de pão, ou de centeio. acho que não fica bem se não falar aqui do sítio das Moitas. É porque dái vinha munto e bom centeio, direi até que se calhar, mais do que o colhido nas tapadas. Ora ao contrário das tapadas, as sortes das moitas eram e são devedidas por marcos e não por paredes, porque ali pedras nem vê-las. E tenho cá pra mim que é por môr disso (falta de pedras e paredes) que se lhe deu o nome de rasas e tamém por serem planas. Mas ali, como nas tapadas os sítos das razas tamém têm nomes, e eu como sei alguns, atão aí vão: Razas da Atalaia, do Marinhol, dos Barreiros, do Forno da Telha, do Vale de Bolos, dos Folgados, do Canto da Esperança e da Quinta das Gatas. Isto hoje foi uma labuzia e doiem os dedos de tal maneira que nem que adasse todo dia de enxada nas mãos».
Munto bôas noutes pra todos».

publicado por julmar às 15:41
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5 comentários:
De Optimista a 26 de Novembro de 2010 às 23:54
No post que ficou lá atrás sobre este assunto, dois comentaristas mostravam-se curiosos por saber quem poderá ser este Sr. Jarmeleiro . Pois comigo acontece o mesmo e até já me perguntei se na aldeia não terei já falado com ele sem saber. E tal como disse um deles também penso que este conterrâneo com os conhecimentos que tem sobre certos aspectos antigos do dia a dia da vida, podia mesmo escrever alguma coisa mais que vá para alem deste blog. Ao nomear as tapadas fala numa história triste que se passou numa delas. Alguém tem ideia do que se passou? Ou então se ele nos quiser contar. Eu gosto imenso saber dessas coisas de antigamente, coisas que o meu avô me contava e em criança e ainda guardo na memória.
Boa noite e um bom fim de semana.


De Vila a 27 de Novembro de 2010 às 18:04
Completamente de acordo com este comentário. O sr. Jarmeleiro tem uma larga cultura (fácil de ver nas entrelinhas), sabe da vida que viveu na primeira pessoa e o que a mesma lhe parece ter ensinado além de cultivar e tentar enriquecer esses conhecimentos. Sem dúvida que continua a ser um motivador das notícias que vêm a lume neste blog e empresta-lhe uma certa alma.
Estou certo de que devia pensar em compilar todos os conhecimentos sobre "coisas" da Vila e expô-las em livro. De certeza que nós Vilarmaiorenses já lemos muitos livros com muito menos interesse do que seria um livro retratando aspectos da nossa aldeia, desde o mundo rural e seus costumes até ás gentes e lugares. Todos estão a torcer por isso sr. Jarmeleiro, vá em frente.
Uma boa noite e bom fim de semana para todos.


De Anónimo a 1 de Dezembro de 2010 às 00:10
ESCREVER UM LIVRO? EU?
Já me desafiaram sim senhor e não foram só alguns comentadores deste blog mas até outras pessoas, por julgarem que o que eu sei da vida, chega de abonda pra escrever um livro. E tal cousa , até já me passou pla ideia. Mas nessas alturas a minha mente volta de rota matina ao passado até à minha infância, pra me alembrar daquela lição do livro das leituras da 4a classe que dezia mais coisa menos coisa: Um homem de verdade é aquele que durante a sua vida, plo menos, plantou uma árvore, fez um filho e escreveu um livro. Ora, eu até tenho decendência e já pus mais de milhentas árvores. Mas falta-me o livro, coisa que de alguma maneira até me aflige e azucrina o juízo. É porque não chega o saber vindo da experiência. É preciso o da cultura, como o daqueles poetas e escritores que dá gosto ler e eu até gosto de os ler. Mas esses saberes eu não tenho, porque todas as cousas se querem no seu devido tempo. Lá diz o ditado que burro velho não aprende línguas. E como o que eu aprendi já já foi fora do tempo devido, não chega pra tão custosa empreitada. Mas vou continuando por aqui dando os meus fracos préstimos.
Munto bôa noute pra todos


De Jarmeleiro a 1 de Dezembro de 2010 às 00:15
Cada vez intendo menos disto. O escrito anterior é meu.
Jarmeleiro


De Vila a 1 de Dezembro de 2010 às 14:34
Pelo menos ficámos a saber que o sr. Jarmeleiro já não é nenhum jovem; nem podia ser porque o que ele diz vê-se bem que é de experiência feito e não coisas que se estudam nos livros.
Agora o senhor, creio que tem o principal para elaborar a feitura de um livro. Tem todos os engredientes que são o mais difícil de arranjar. A questão do português a dar para o modo de falar do povo, não vejo que seja obstáculo. Os da idade média também tinham uma maneira de dizer as coisas meias acastelhanadas e nem por isso deixamos de apreciar aquilo que para os vindouros deixaram.
Vá em frente e que não haja outras coisas que lhe "azucrinem" mais a cabeça!!!.
Bom feriado para todos.


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