Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Muita cabeça para tanto cabeço - Sr Jarmeleiro

Não é a primeira vez que trago os comentários do sr Jarmeleiro ao rosto do blog. Porque seria pena não ler.

 

Ora atão vamos a ver se sou home pra igendrar aqui umas ideias sobre os cabeços da Vila. E até vou começar por dezer que o rol dos cabeços não é maior nem iguala o das tapadas. É que, muntas tapadas tendo terra lavradia tamém têm uma parte de cabeço mas nunca foi uso, dezer -se, o cabeço da tapada tal e da tal... Por môr disso os cabeços a nomear são poucos mas aquase todos têm uma história pra contar. E pra quem não saiba, inda poderei falar de barroqueiras , cabeços pequenos mas com umas certas condições que raposas e outros animais bravios escolhiam pra terem e criarem os filhos. Destas só vou nomear as das tapadas dos picotes, munto précurada plas raposas e a do cabeço dos Labaços , do agrado dos toirõis e dos taxugos . E era entre os fisgos dos barrocos desta barroqueira , cavados à enxada, que o ti Manel Adríão semeava o centeio pra seu sustento. E que bom pão ele ali colhia. Agora indo aos cabeços: Sendo lugares de pastagens do gado, pricepalmente ovelhas e cabras, nos mais importantes até paresque inda lá estou a ver as piaras de gado, os seus donos e os pastores que as guardavam, e não resisto a nomeá-los tamém . Começo plo Cabeço da Porca e que começa perto do Carvalhal e vem a morrer na aba entre os Galhardos e a Fonte Fria. Tem este por môr de lá ter um barrôco com o feitio de uma porca.
Ali perto temos o cabeço do Vale Carapito , que começa ali pelas Gaiteiras, vai até ao pontão da Pontaguarda chegando perto das Retortas de cima e Areal. Pra quem não saiba, há sítio na ribeira que nele passa chamado de poço Boisão perto do insumidoiro . Quem não conheça, vá lá no Inverno quando a ribeira fôr grande para a ver a insumir-se e voltar a aparecer bastantes metros mais abaixo. E a toada que faz até esremece e mete medo. Esta era a pastagem da piara do ti Miguel e mais tarde do Tonho Valente coixinho ).
Temos tamém o Cabeço da Lapa Longa, que faz atestada com o do Val Carapito e fica a descair sobre a horta e vinha das retortas de cima que pertenceram aos Henriques e mais tarde foram compradas por João Monteiro.
Os Cabeços do Castelo, que eram pastagem do gado do ti Miguel e tamém do ti Zé dos Santos Melisso ), tendo como pastores o Tonho Miguel e o Fernando dos Santos Parrado ). Muntos anos mais tarde tamém foi pastagem do gado do Zé Fonseca (Laranja). Em dada ocasião na banda do Pinguelo , o António Miguel encontrou umas libras de ouro que dizem que renderam uns bons patacos.
Os Cabeços do Vale Castenheiros eram a pastagem da piara de gado do ti Manel Cá Cá. A bem dizer este não era o seu nome mas o apolido que lhe vinha por môr de ser gago. Era um home que não sabia ler, escrever, ou contar. Mas contava as ovelhas à entrada para a córte dezendo os seus nomes - lá vai a russa, já passou a parda, aqui vai a garrocha- e assim quando chegava a última o home sabia se estavam todas ou não. É que por grande que fosse o rebanho todas elas tinham nome e os pastores até as conheciam plo berrar como quem conhece uma pessoa plo falar.
Depois temos o Cabeço do Penicôto , pastagem princepal do gado do ti João Marques, e até parece que inda ali estou a ver especado o filho mais velho de nome Manel que era o pastor lá de casa.
No Cabeço da Pedreira pastoreava o ti Júlio Rasteiro;
Um pouco mais acima no Cabeço dos Labaços , andava o ti Francisco Cerdeira (pai dos Cerdeiras -João e Zé). Do ouro lado, nos Chães de Concelho era o Tonho Rasteiro que inda é vivo.
Nuns cabeços ali prá mogueira era a piara do ti Mergildo guardada plo filho Zé, quando não pla Maria.
Nos cabeços da Fraga era o ti Francisco Nifo, que passava o tempo àpraguejar e a esquemungar as cabras mesmo sem que andassem a fazer mal algum. Era um pintaço que só visto e ouvido. Até os barrocos coravam de vergonha.
O Cabeço do Vale da Lapa é pra mim o cabeço mor. De tamanho tal que dava pra alimentar as piaras do ti Chico Cunha, Do Ti Tonho Rasteiro da Arrifana e do ti Manel Cedeira e mais tarde filho ti Fernando. Aí os pastores passavam uma vida regalada.
Por último o rei dos cabeços. Os Chães da Forca onde podiam andar todas as piaras. Era um cabeço de todos e de ninguém, pois era baldio. Há outros de menos momeada como o Cabeço do Bispo, que por ora não nomeio, pois está-se a cabar a folha do papel no computador.
Uma munto bôa noute pra todos

 

publicado por julmar às 10:43
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2 comentários:
De Vila a 21 de Dezembro de 2010 às 16:46
Bem dizia eu e não me enganava: era só puxar pela ponta do fio e a meada começava a desenrolar-se. E a maneira de descrever aliado aos nomes descritos, tras-nos à lembranças um tempo que o tempo já deixou para trás, vão muitos anos. Isto para quem, não sabendo o que o sr. Jarmeleiro sabe, tem no entanto alguns conhecimentos em que este texto aviva a memória, desperta um sabor nostálgico do antigamente..
Ler esta longa descrição é uma delícia que dá para reler e saborear.
Obrigado ao sr. Jarmeleiro.
Aproveito para desejar a ele em particular e a todos
em geral um FELIZ NATAL, cheio de saúde, paz e alegria.


De Jarmeleiro a 21 de Dezembro de 2010 às 23:56
Um feliz Natal e ótimo Ano Novo tamém para si e pra todos os seus.


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