Domingo, 23 de Janeiro de 2011

In vino Veritas

Os cabeços para os pastores, as tapadas para os lavradores, as vinhas para os cavadores. A carne, a lã e o leite, o pão e o vinho. As tapadas concorriam com as vinhas em termo de áreas e de altitudes. Muitas vezes, terras de tapada eram surribadas para plantação de vinhas. Trocava-se o arado pela enxada, trocava-se o pão pelo vinho. Da margem direita do cesarão, ocorre-nos apenas a vinha dos Picotes da ti Leopoldina Silva e a zona da Correia. De resto, os vinhedos espalhavam-se por toda a margem esquerda. O pão e o vinho não eram tudo, mas eram o essencial da vida.

E grandes ou pequenas todas tinham nome. Esperamos a listagem.

publicado por julmar às 21:49
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17 comentários:
De Vila a 23 de Janeiro de 2011 às 22:47
Vinhas dos vales, vinhas das entrevinhas, vinhas das gaiteiras, vinha do sr. Bernardo Simões, a vinha grande.....o resto aposto que o sr. Jarmeleiro estará já a pensar na lista infindável. Aguardemos para ver (não é uma obrigação, mas como nos habituou a isso!!!!).


De Jarmeleiro a 26 de Janeiro de 2011 às 00:07
Ai vinhas, vinhas, onde estarão elas.! Ó tempo que as levou barzabenas . Já lá vão os tempos em que os lavradores da Vila ganhavam bôas jeiras a levar carradas de tonéis atestados de vinho a caminho dos caminhos de ferro na Cerdeira. Aí eram despachados prás princepais cidades de Portugal e até prás colónias. Mas depois vieram as franças e os cavadores e até muntos labradores cavaram prá estranja e adeus ó vindima. E inda por cima pra piorar as cousas , passado uns anos , vieram aqueles senhores da CEE que a troco de uns bôs patacos. mandaram arrancar aquelas que inda vingavam e foi assim mais cousa menos cousa a morte das vinhas da Vila. Mas aí plo meio do séclo passado, a Vila havia de ser uma das terras do Concelho com mais plantio de vinha e mais haveria se não hovesse precisão da terra das tapadas pra semear o pão. Sim porque a vinha não queria terra de grande fortaleza. Gostava da terra do saibro do granito, que saía lá bem do fundo quando era roteda por duas juntas de vacas a puxar a mesma Charrua e passando mais do que uma vez no mesmo rego. É que os bacêlos bravios que uma vez inxertados dariam as videiras queriam terra bem abarbeitada . Deziam os intendidos que a vida duma vinha estava ligada ao bom ou mau roteamento da terra. E máquinas naquele tempo onde andariam? Nada; tudo feito à força de braços e dos animais. Ora por môr disso, nos limites da Vila toda a àrea das tapadas que estão entre as duas ribeiras e que vai da Balsa até aos Regatos, Sarrado , Buraco Tapadas Portas Entrevinhas e Enxido até ao Areal e subindo plas Retortas, Gaiteiras até ao Midagostino , Formiga, Porto Sabugal ,Morenas, Preiro , Tapada do Aires, Vales e Cabeça Lagar, são terras boas pra vinha. Mas mesmo assim, vinhas havia muntas . E eram munto mais as piquenas do que as grandes . E pra além das vinhas, inda havia os cordões e as latadas, tudo por môr de se colher mais uma pinguita que muntas vezes só ia infraquecer o outro vinho, quando não a estragá-lo. Ora, das muntas vinhas que havia, sabendo eu os seus nomes e até o dos seus donos, não vou nomeá-las todas mas só algumas, por terem quaquera coisa especial. E começo pla vinha grande, porque era mesmo munto grande , escalhar a maior de todas e de bom vidonho . Pertenceu ao Casal dos Pessanhas e depois a José Pedro Cardoso. A Vinha das Nogueiras, dos mesmos donos da anterior tamém era afamada por ser de grande produção. As vinhas do Sarrado , de Albino Freire e mais tarde de Carlos Freire. As vinhas da Quinta dos Vales de vários donos mas o maior quinhão pertencia ao ti Zé Santo e Ti Zé Lúcio. A vinha da Cabeça Lagar, de António Seixas, que há poucos anos inda estava ativa e é por isso mesmo que merece ser nomeada. A vinha da Tapada do Aires/Vales? de Albino Marques e hoje do filho Pressor , que tamém há pocos anos era tratada. Uma vinha ao Arressaio que foi do ti Zé Margarido e que a tratava de tal maneira que parcia um jardim, toda ela aos quarteirões, desde o Poço da Andorinha até lá em cima ao caminho que vai pra Vale de Castenheiros . A vinha das Moleiras ao Pinguelo que era onde o bago pintava mais cedo. Por isso, entre garotos, a caça e a Passarada, aquase não era preciso ser vindimada. A vinha da Correia do ti Zé Franco , onde os burrinhos cantavam e os barrocos davam couves. A vinha das Retortas do senhor Alexandre e mais tarde de Júlio Palos . Soa que este, duarante a sua lavradela punha alguém a puxar o arado ao lado dum dos burros enquanto o outro animal descansava. A vinha De Aníbal Gata às Entrevinhas , que ha´ uns anos, plo menos ainda era labrada . A de Bernardo Simões à Fonte Velha e que dizem ser das mais velhas de todas as da Vila, a par com a da ti Esperança ao Buraco. Na encosta do sul do Castelo lembro eu de ver restos de vinhas. E agora vou a nomear a última vinha que eu vi amanhar com todas as voltas que lhe era dado e eram elas: A descava , que era feita por esta altura do ano até fevereiro , a cava a camalhão que era feita lá pra Junho e a esborralha, feita pelos fins de Julho. Pertencia ela ao ti Xico Henriques, que nessa altura que lá passei, no meio da conversa inquanto alviava as costas, inda bebemos uma pinga da garrafa . Ficava ela a caminho da Pontaguarda. E por aqui me fico antes que se acabe a folla.
Munto bôa noute a todos.


De Novato a 26 de Janeiro de 2011 às 12:27
Não sabia que em Vilar Maior tivesse havido tanta vinha e vinho ao ponto de ser vendido para fora. Sou de geração mais recente e de facto, vinhas já conheci poucas. Mas, sempre a aprender sobre o passado desta nossa linda aldeia.


De Arraana a 26 de Janeiro de 2011 às 16:00
Cós diabos sr. Jarmeleiro!
O senhor sabe destas coisas de vinhas de tapadas de lavouras de sementeiras que me deixa de boca aberta! Quem dera aos nossos governantes saber um pouco da sua sapiência para tornar o nosso país fosse mais produtivo.. Ouvi à dias uma entrevista de um arquiteto paisagístico, da "velha guarda" que falava da urgência de voltarmos a cultivar os campos. Se ele conhecesse o sr. Jarmeleiro´convidava-o para trabalhar com ele nos seus projectos sobre o Ambiente.


De Jarmeleiro a 1 de Fevereiro de 2011 às 21:11
Ó ná. Eu cá com arquitetos, mesmo sendo eles da paisagem não me ia a entender bém. Eles vêm as cousas assim à maneira dos artistas e isso pra mim não dá. Eu gosto dos Agrónomos, mesmo daqueles antigos de Santarém a que chamavam regentes agriculas. Esses sim é que sabiam pois muntos até eram filhos de labradores e isso já era meio caminho andado pra aprenderem melhor. Mas com quem eu gostava mesmo de trabalhar era com aquele homem que por mais de trinta anos dava uma vez por semana lições de agricultura na telvisão. E é grande a revolta que eu sinto por ver aquilo que aqueles que nos governam, ó se governam às nossos custas, fizeram à agricutura. Acabaram com ela a pontos desse homem ter que sair da telvisão porque já não havia gente pra ensinar. E se gostava de o ouvir. Mas eu inda tenho fé que as cousas vão a mudar e nas nossas terras inda vai a haver agricultura mesmo não sendo à moda antiga. Dizem que a procissão da crise inda agora vai no aidro.
Munto bôa noute.


De Jarmeleiro a 1 de Fevereiro de 2011 às 21:46
Arreliado como estava com essa cousa de acabarem com a agicultura, até me esqueci de nomear o tal homem que ensinava na telvisão. Dava por nome de Engenheiro Sousa Veloso.


De Bárbara Cardoso a 1 de Fevereiro de 2011 às 19:36
Admirável a lista infindável de coisas que este senhor sabe.
Volto a dizer que devia escrever um livro.
Anime-se que de certeza editora interessada não vai faltar.
Parabéns!
Bárbara Cardoso


De Jarmeleiro a 1 de Fevereiro de 2011 às 21:26
O futuro a Deus pertence. E vá lá saber-se se algumas folhas desse livro não foram já escritas.

Bem haija plos elogios e
E tanha uma bôa noute


De Saudosa a 26 de Janeiro de 2011 às 14:11
Quando não há cão, caça com um gato. Quando não havia pão, bebia-se um copo


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2011 às 14:12
Bem melhor era o graminês da rebolosa.


De Jarmeleiro a 28 de Janeiro de 2011 às 22:05
Mas o graminês não é nenhuma marca de vinho, nem produzido por alguma casta especial de videiras. Dezer graminês é o mesmo que dezer vinho da colheita dos labradores destas terras arraianas . E as melhores no dezer dos mais antigos, eram sim a Rebolosa, Valongo, Miusela, Nave de Haver e o de Vilar Maior, mas só o de alguns labradores. Mas cá pra mim, naquele tempo o vinho todo ele era bom. Os homes é que muntas vezes tinham mau vinho.


De Anónimo a 29 de Janeiro de 2011 às 17:25
Cheio de razão, como sempre.
E as uvas da gravura darão... graminês.
Só que o da rebolosa é melhor. Talvez Santa Catarina o proteja.
E não há gente mais generosa que a da Rebolosa.
E não há festa como no dia 25 de Novembro na Rebolosa


De O Ilustrado a 29 de Janeiro de 2011 às 21:47
A Rebolosa, ou Arbolosa como soía dizer-se, é uma das terras que mais se desenvolveu do conjunto de terras circunvizinhas.Basta comparar com a Vila: tem dois restaurantes, tem comércio vário: minimercado, materiais de construçáo, talho, mobílias; tem um lar da terceira idade;tem agricultura e pastorícia;tem festa do senhor dos Aflitos em Agosto para que os emigrantes possam participar. Não tem castelo nem Pelourinho; dirão que não tem passado mas tem futuro
Vilar Maior tem passado e de que serve tê-ló se não houver futuro?
Quanto ao gramines hei-de ir prová-ló!


De Graminês a 30 de Janeiro de 2011 às 12:16
Até tem fábrica artesanal de enchidos. E o restaurante Éden ficava bem em qualquer parte do mundo
Se quer provar o graminês d'Arbolosa vá no dia de Santa Catarina: pode comer do bom e beber do fino até atestar, oferta da Santa. Ou prove, apenas. E aproveita e passeia-se por uma feira como não se vê nestas terras do Demo.
Agora a Rebolosa não tem passado?! Não tem paredes de castelo, (ninho de opressores), nem pelourinho (para enforcar gente), nem teve câmara (vespeiro de citotes), nem lhe fez falta. N'Arbolosa olha-se para o futuro, não ficámos especados e inchados a olhar para o passado em que nem tudo será brilho. Já li aqui no blog que em tempos a Vila foi couto de homiziados (criminosos em língua de gente).



De Citote a 30 de Janeiro de 2011 às 15:52
Esses , os criminosos (usando a sua linguagem), como é sabido, não eram da Vila. Eles vinham de outras terras. E da Rebolosa também, porque não? E rezam as crónicas, que de todas as terras que faziam parte do Concelho de Vilar Maior, era a mais pobrezinha.


De Graminês a 31 de Janeiro de 2011 às 00:38
Não eram mas por aí ficaram e deixaram descendência.


De Fiel ao Sr. "Leal" a 1 de Fevereiro de 2011 às 10:18
Gramínea ou leguminosa, precisa de bosta por cima para se fazer "adulta".


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