Sábado, 27 de Outubro de 2007

Velhas árvores

 

0002kr0s

Este velho freixo encontra-se nas Regadas (lameiros ribeirinhos abaixo do Pinguelo) onde há muitos anos me intrigava, pela Primavera, o andar elegante e altaneiro de duas cegonhas que invariavelmente, ano após ano, faziam ninho num alto freixo das Entrevinhas.

Se retirarmos os pinhos, de importação tardia para estas terras, temos como árvores autoctenes de grande porte:

O amieiro que bordeja quase sempre as águas da ribeira de Alafaiates. Madeira mole, de fraco préstimo para o lume, tornava as águas do rio assombradas, escuras e pesadas. O seu principal préstimo era para fazer os cascos dos tamancos. Leve, ferrada dos lados e por baixo tornava-se no calçado ideal para o Inverno. Era artífice nesta arte o ti Laranja.

O freixo por sua vez, desempenhava um papel importante na econo mia local. A rigidez da sua madeira aconselhava-o para os eixos dos carros, cabos de ferramentas, aguilhadas, varas e varais, estadulhos, cumieiras e barrotes e serrado para tábuas para diversos fins. O seu local preferido são as zonas baixas e de águas abundantes. A rama era especialmente apreciada por cabras e ovelhas durante o estio, A lagarta é o seu principal inimigo.

Finalmente, o carvalho é a árvore mais caracterizadora deste local e a mais abundante resistindo ao frio e à seca, ocupa sempre zonas mais elevadas que o freixo. A sua lenha constituía a principal fonte de aquecimento. Além disso era utilizada para cimieiras e, serrada, para portas, portões, postigos e soalho. A sua folhagem -os ramalhos - , além de servir de alimento aos animais, quando tenros - servia para a cama do gado. O seu fruto - as bolotas - serviam para cevar os porcos. As bogalhas para a criançada brincar (até para fazer um instrumento musical - o nu-nu) serviam para no Entrudo os rapazes deitarem as bogalhadas.

 

publicado por julmar às 19:16
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Lugares da memória - As Eiras

0002hx9a

Aqui se fazia a mais longa avenida da Vila: Era preciso bem cedo, pelo mês de Junho sinalizar lugar. Depois em Julho faziam-se as acarranjas e de um lado e do outro as medas iam crescendo, deixando um largo corredor a meio onde se faziam as eiradas que os malhadores com seus manguais em ritual certo e compassado batiam até ficar palha sem grão. O Sr Fernando, suponho que em sociedade com o sr Tenente em meados da década de 50 comppraram uma malhadeira, puxada por um carro de bois, que ligada a um enorme motor foi substituindo manguais e malhadores. Foi a primeira máquina motorizada a ser usad nas tarefas agrícolas, ainda que com grande resistência por parte  dos lavradores, alguns dos quais (como o ti Manel Rasteiro - Caractel home, atão eu cu mê mangual malho mais ca máquina!) com desconfiança sustentada nunca chegaram a usar os seus serviços que além de caros, por vezes por avaria, ficava a meio.

publicado por julmar às 23:20
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|

Quem é quem?

0002f04g

Corria a década de 60. Elas eram assim. Ele era assim, também.

publicado por julmar às 19:26
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Lugares da memória

0002epga

Antes que a Praça fosse o lugar de convívio central e o Cimento (assim designado pela novidade que constituíra na altura um chão feito deste produto) como átrio da Taberna e do Comércio do sr António Gata, era o largo do Pelourinho que constituía a centralidade principal da povoação, ladeado por casas de rés do chão  e andar. A porta  que se vê na fotografia  era do comércio (que seria simultãneamente taberna) do sr Albino Freire, cujo nome desgastado se pode ler por cima da porta dupla com janela incrustada. As reentrâncias curvas nas ombreiras (frequentes em muitas outras portas) resultavam da necessidade da entrada dos tonéis de vinho. Sim que a vida era dura e nada como o vinho para a amaciar. A frondosa sardinheira ali continua desde o tempo em que a casa era habitada pelo sr António Lucrécio e família.

publicado por julmar às 22:09
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Isso agora!

 

0003rsg9

 Depois que a mão-de-obra foi para França, o ti Manel Vinte não tinha mãos a medir. Toda a gente o queria a ganhar o jornal. Quando chegavam a casa e lhe pediam o homem soltava: - Iiiiisso agóora!!! Com uma entoação que acentuava quase uma impossibilidade ou pelo menos uma dificuldade de agenda quase incontornável. E começava a tirar de cabeça: 2ª feira para aqui, 3ª feira para ali … por aí fora até acertar um dia distante. – E olhe que é por ser para si!
publicado por julmar às 21:37
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

.Memórias de Vilar Maior, minha terra minha gente

.pesquisar

 

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
24
25
26
27

28
29
30
31


.posts recentes

. Ter uma aldeia

. Porque hoje é dia da mãe

. O que me liga ao concelho...

. Os Martírios da Paixão

. Restaurar a Forca da Vila...

. Requiescat in Pace, Mique...

. O Presidente Marcelo visi...

. Requiescat in pace, Alexa...

. Gente da Vila, Quem são?

. Visita do bispo a Vilar M...

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

.links

.participar

. participe, leia, divulgue, opine

.

blogs SAPO

.subscrever feeds