Sábado, 31 de Maio de 2008

Lembranças do MIRANTE

O mirante é aquele que mira. Com rigor se deveria dizer miradouro.

Que memórias lhe traz este lugar?

publicado por julmar às 22:06
link do post | comentar | ver comentários (17) | favorito
|
Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Que significa para si esta casa?

Não é uma casa de Vilar Maior

Olhe para a rua da direita. Trata-se de uma casa de uma aldeia circunvizinha. O mais certo é que algumas vezes tenha entrado nesta casa. Claro que está mudada. Tem uma entrada na rua que desce. Então, já são pistas suficientes?

 

 

publicado por julmar às 22:11
link do post | comentar | ver comentários (11) | favorito
|

Para cada preto sua sardinha

A obesidade está considerada hoje como uma das principais doenças e, não fosse a preocupação, muitas vezes doentia com a imagem e o número de gordos seria muito maior. Hoje em dia come-se demais, come-se mal e estraga-se comida. Longe vai o tempo em que pela vila aparecia o Craveiro com dois caixotes de sardinha no dorso do burro a apregoar: - Olha a sardinha fresca! E a falta de dinheiro  levava a Maria (como na história da raposa e as uvas «estão verdes!») a retrucar: «Sarinha fresca, salgada como uma besta!»

Conta-se que quando havia sardinha em casa uma dava para três e era uma grande festa quando tocava uma a cada um.

O cavador por sua vez, diz mal da sua vida quando a pinga e a comida não prestam: «Vinho vinagrento, pão bolorento e sardinha salgada, cava tu enxada!»

publicado por julmar às 12:33
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Modos de dizer – Inça

Ora, aí está uma palavra que era muito usada na vila e penso que era usada para designar um certo caos ou desordem pela presença massiva de um ou mais elementos indesejáveis como, por exemplo, uma cabeça de garoto que se encontra cheia de lêndeas ou de piolhos. Por extensão aplicava-se a outras situações como por exemplo, a infestação de ervas daninhas numa leira de terra cultivada. A palavra não aparece no dicionário como substantivo mas como verbo.

 

publicado por julmar às 15:18
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Gravanço, grabanzo ou grão de bico

Por mais de uma vez o dissemos: os ricos tinham porcos e galinhas enquanto os pobres se contentavam com marranos e pitas; os ricos comiam sopa, grão-de-bico e feijão frade enquanto os pobres matavam a fome com caldo, gravanços e tchítcharos. Quanto ao sabor não distaria muito um do outro.

O gravanço era o aportuguesamento do grabanzo das vizinhas terras de Castela onde cobria enormes extensões. Por cá, pela vila, aproveitava-se algum chão ou parte de veiga onde a água não subia para se cultivar.  A planta secadal produzia com alguma abundância logo que não se alampasse, caso em que os casulos cheios de ar e vento mais não serviam se não para a garotada se divertir a estalá-los.

Constituíam um substancial alimento guardado para a sopa de domingo a que se misturava massa e para dias de extenuantes trabalhos agrícolas como as ceifas e malhas: e era um regalo ver todo o rancho a laparear do alguidar ao centro da mesa nos idos dos anos 50 do século que deixámos. Enfim, sempre ajudava a variar a dieta quase monótona da caldo de couve galega e da batata cozida ou composta à espanhola. E as maneiras de o preparar e de o acompanhar também tinha algumas variações. Para além das suas propriedades altamente calóricas e da riqueza em celulose aconselhável para o bom funcionamento do intestino, ou li, me disseram ou se me meteu em cisma que tem propriedades afrodisíacas. Quem sobre o assunto souber que se pronuncie.

A maneira mais simples de o cozinhar:

Posto de molho de um dia para o outro, ainda assim convém cozê-lo em panela de pressão procurando que fique bem cozido mas não a desfazer-se. A partir daqui pode servi-lo quente ou frio (agora é chique servi-lo frio como entrada). Pode acompanhar com bacalhau ou com atum. O ovo cozido combina muito bem. Essencial mesmo é regar com um bom azeite (até devia ser proibido azeite que não fosse bom), cebola picada e salsa, ou seja, molho verde. Acompanhe com um bom vinho maduro. Neste caso, prefira branco.

Bom apetite.

 

 

publicado por julmar às 20:58
link do post | comentar | ver comentários (17) | favorito
|
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Vale a pena ler

 

Ler Rosalía de Castro, poetisa galega, é um supremo prazer estético para quem no gosto das palavras sinta o pulsar do campo.

 

Campanas de Bastabales,
cando vos oio tocar,
mórrome de soidades.

publicado por julmar às 23:22
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|
Domingo, 18 de Maio de 2008

Necrologia

Há dias, em comentário ao post «a cravagem do centeio», referia-se uma ida a Malcata onde, segundo o mesmo, prestava serviço na Guarda Fiscal, Bernardo Silva que, refazendo parentescos, era irmão de José Lúcio Silva e Ana de Jesus Silva descendentes de um culto proprietário detentor da quinta dos Vales que durante anos a fio nos finais do século XIX foi secretário da mesa da misericórdia.

Soubemos que há dias faleceu Cassilda (Cacilda?) Dias Silva, em Lisboa. As nossas condolências aos filhos e demais familiares.

publicado por julmar às 16:23
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Quem é o personagem?

«Bôs dias lhe dê Deus»

Poucos davam uma saudação tão simples e encenada como a sua: a entoação da curta frase, acompanhada do gesto que leva a mão ao chapéu que nunca tira, era um ritual generosamente executad para todos que com ele se cruzavam fossem ricos ou fossem pobres que a saudação não se nega a ninguém. Ao contrário de tantos outros não se rebaixava junto dos ricos da terra que o seu mundo não tinha fronteiras: pés ao caminho e tanto ia até à vizinha Espanha como aparecia em qualquer aldeia dos arredores na procura do sustento para si e para a Maria. Homem de sete ofícios: coveiro, ceifeiro (mais em terras de Castela), pescador no Cesarão peixeiro com um tesão sem igual, sapateiro remendão de que se cobrava em dinheiro, rematando sempre: «Olhe que me deu um trabalhão» e «olhe que é por ser para si». Festeiro, corria de terra em terra para apreciar a banda música e piscar o olho às viúvas.

 

publicado por julmar às 15:58
link do post | comentar | ver comentários (12) | favorito
|
Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

O Cardo

O queijo tinha um outro sabor quando era coalhado com a flor seca do cardo. Quando se tinha de recorrer a outros coagulantes, digo à maneira da vila coalhantes. Com as manipulações genéticas parece que se conseguiu produzir industrialmente a substãncia que era extraída da flor do cardo.

Saiba mais sobre o cardo

http://www.netprof.pt/netprof/servlet/getDocumento?id_versao=8021

 

publicado por julmar às 22:06
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Conta-nos como foi

Porque não contar como foi o primeiro dia de escola? Meti à pressa, na pasta um livro de bolso. Calhou ser «Os Meus Amores» de Trindade Coelho. Um autor esquecido como o é um dos mais traduzidos no estrangeiro - Ferreira de Castro; ou um não traduzido no estrangeiro mas que melhor traduz a ruralidade de Portugal- Júlio Diniz; ou o, talvez, maior escritor Beirão - Aquilino Ribeiro. Falava de Trindade Coelho que reli, com gosto, a contragosto no alfa a caminho de Lisboa. E as palavras soaram-me a história conhecida: «No velho casarão do convento é que era a aula. Aula de primeiras letras. A porta lá estava com fortes pinceladas vermelhas, ao cimo d agrande escadaria de pedra, tão suave que era um regalo subi-la. Obra de frades, os senhore calculam. Já vinham principiado a aula quando a Helena entrou comigo pela mão. Fez-se um silêncio nas bancadas, onde os rapazes mastigavam as suas lições e a sua tabuada, num ritmo cadenciado e monótono, cantrarolando» Vá lá! Se se lembra há-de gostar de voltar a ler ... e perguntamos ingenuamente:Terá razão o meste escola?  «Um mestre sem palmatória, é um artista sem ferramenta, não faz nada. Santa Luzia milagrosa! Aqui onde a vê tem feito muitos doutores».

publicado por julmar às 22:32
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

.Memórias de Vilar Maior, minha terra minha gente

.pesquisar

 

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
24
25
26
27

28
29
30
31


.posts recentes

. Ter uma aldeia

. Porque hoje é dia da mãe

. O que me liga ao concelho...

. Os Martírios da Paixão

. Restaurar a Forca da Vila...

. Requiescat in Pace, Mique...

. O Presidente Marcelo visi...

. Requiescat in pace, Alexa...

. Gente da Vila, Quem são?

. Visita do bispo a Vilar M...

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

.links

.participar

. participe, leia, divulgue, opine

.

blogs SAPO

.subscrever feeds