Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Meditação

Um filósofo, que não recordo o nome, dizia: «Abri os olhos para ver, fechai-os para reflectir»

publicado por julmar às 22:17
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Casas de granito

Numa aldeia circunvizinha, passei centenas de vezes por perto mas nunca tinha visto.

publicado por julmar às 22:04
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Cenas dum quotidiano normal

Mal seria era que os vultuosos investimentos não tivessem uso.

publicado por julmar às 21:52
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O estilo é o homem

Alguém sugeriu por parte dos comentadores que estes procurassem uma identidade que pode ser pseudónima, heteróniama ou ortónima. Por mim não posso estar mais de acordo. Mas dentro das regras da educação, respeito e sã convivência este blog tem como valor supremo a liberdade de crítica e de opinião.

Mas ponham os olhos no Jarmeleiro e na sua inconfundível maneira de escrever.

publicado por julmar às 21:37
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Quarta-feira, 11 de Março de 2009

As castanhas do Ti Tavares‏ - João Martins

«A minha vida confunde-se com a daquele centenário castanheiro do Romão, à beira do caminho, mesmo à saída da aldeia, quando se vai para a Balsa. Sou mais castanheiro do que se pensa e ele, mais homem do que parece.

Somos amigos há mais de quarenta anos. É quase uma vida, quarenta anos! Mais tempo ainda do que duram muitas das relações humanas. Por isso somos velhos amigos de tu. E não é para menos: Ele viu os meus antepassados, que lhe pisaram a raiz e reconhece-os agora na minha voz, na minha cara, no mesmo jeito de rebuscar ouriços.

Ai velhinho castanheiro do caminho, ai casa de pedra dos meus avós, ai cruz do chão da forca, ai romaria do Senhor dos Aflitos, ai Elvira Polónia de mensageiro na mão lendo ao serão a crónica dos dois compadres, ai Chico Bárbara a levar as vacas montando em pêlo o boi preto, ai ovos tingidos na Páscoa a casca de cebola, ai caravelas de vento feitas de cana e pregadas com picos de espinheiro, ai lançamento de bogalhadas pelas fisgas das portas – parece que lhes ouço ainda o barulho no soalho do corredor, ao soar das trindades- ai Manuel Rasteiro a bater o trigo na eira, debaixo do sol de Julho.

Estou mesmo a ver-te Zé Vicente, todo osso, já alquebrado, palmilhando sobre as pernas bambas o caminho de Aldeia da Ribeira, repetindo o constante estribilho: bô s’tá, bô s’tá, bô s’tá…, misteriosa ladainha que saía dessa boca de viajante. A fronteira da tua alma, Zé Vicente, os limites do teu mundo, eram os 10 km de ida e volta, entre o velhinho castanheiro e a tasca do João do Escabralhado.

E imagino o velho Tavares e a Maria, ele muito franzino, ela encurvada, ambos de preto, a desaparecerem na curva do caminho carregando no burro os sacos de castanhas, que iam trocar a Aldeia da Ponte.

O Tavares e a Maria, onde irão eles agora! Há mais de cinquenta anos que partiram naquele caminho! Os dois enregelados, sob o grande temporal que os surpreendeu, no regresso da Aldeia da Ponte.

Que saudades tenho deles e de todos os outros vultos que desapareceram na curva daquele caminho, sob o centenário castanheiro do Romão. Tudo são fantasmas. Almas penadas, nuvens altas de almas. Agora, apenas a solidão do ermo me rodeia…

Ó Zé Vicente, ó Tavares, ó Maria, como eu vos queria agora aqui! Também eu faria o rebusco, não tivesse o castanheiro mirrado, também eu dou comigo a repetir: bô s’tá, bô s’tá, bô s’tá… quando a indefinida mágoa me abraça, ao rebuscar ouriços sob o velhinho castanheiro da minha lembrança.

É nestas horas, que a alma me pesa como um rochedo… e o rochedo é um alto-relevo da lembrança!

E há lembranças que vivem séculos… como os castanheiros!»

 

 

publicado por julmar às 18:55
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Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Para variar, aprender com Álvaro de Campo que não é anónimo

Que o real (seja o que isso for, se alguém souber o que é, estará seguramente muito à frente do que eu sei) às vezes pesa como chumbo; que todos encontram estratagemas de o enganar, de lhe dar a volta; até há quem saiba fintar a realidade (sem saber o que isso é!). Há quem lhe beba uns copos valentes! Há quem se atole em fármacos! há quem se divirta! há quem se iluda. E tudo seria mais fácil, muitas vezes, se deixássemos de armar em heróis.

Álvaro de Campos

 

Poema em Linha Reta
 
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

 

publicado por julmar às 22:11
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Domingo, 8 de Março de 2009

Um dia a torre vem abaixo!

As obras dos modernos são assim uma espécie de fast food. Que a arquitectura vá lá não será assim tão má. Imaginemos que o material era granítico e quase poderíamos dizer forçado com o poeta «Pínáculo de catedral».

Mas não´trata-se de cimento (mal) armado que o ferro era caro. O resultado está à vista: vai descascando o cimento que cobre o tijolo e a incemência do tempo vai corroendo. Depois não há quem deite mão.

publicado por julmar às 21:14
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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Abandonos - Definitivos?

 

publicado por julmar às 21:36
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Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Cheias de 1909

A propósito da casa da Maria da Cruz, alguns comentaristas lembraram a transmissão que os mais velhos fizeram do que aconteceu aqui em Viar Maior. A tragédia na Ribeira de Vila Nova de Gaia e do Porto somou todas as pequenas tragédias das centenas de cesarões que desaguando nos afluentes do Douro vieram ter ao mar. Dessas tragédias tenho em memória as que me contou o saudoso César Seixas que à grandeza das cheias acrescentava a grandeza da sua imaginação. Na sua voz nem  a sorte (ou previdência) de Noé semelhava à do capitão de um barco inglês que com sorte tanta, foi da alfândega rio fora, entrando intacto no mar, onde gente e bens passada tamanha borrasca ficaram sãos e salvos. Nem sempre Deus está distraído!

publicado por julmar às 22:09
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Terça-feira, 3 de Março de 2009

Lugares

 

Penso que este lugar não tem nome. Porém, é um lugar de excelência: soalheiro,

abrigado dos ventos com um espelho de água aos pés.

 

publicado por julmar às 22:25
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