Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Senhor dos aflitos - Manuel Leal Freire

                                                                        (Foto de José Valente)

Centúrias que não só meros decénios

Regista a festa que aqui nos une.

Os nossos pais e avós como em proscénios

Tornaram –na à mudanças  sempre imune

 

 Não foi mera questão só de selénios

Ou sete pontas   de primado  impune

Setembro, ora nono, mês de infrenios

Fixou a data em dia que afortune

 

O primeiro domingo de abundância

Com as lides rurais já de sem ânsia

O tempo certo pra solenes ritos

 

 Assim nasceu a festa  e em toda a raia

Não há outra  que tanto sobressaia

Como esta do senhor dos aflitos.

publicado por julmar às 17:55
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Roteiro - Manuel Leal Freire

Das terras quentes  às frias,

Do Casteleiro ás  Batocas

Palmilhei todas as  vias,

Fui coelho  em todas as tocas.

 

E qual tentilhão bem raro

Que em qualquer ramo faz ninho

Almodei em Santo Amaro

Fui cear a Vale de  Espinho.

 

Mas como a lebre  montesa

Que  no restolho faz cama

Abalei á sobremesa

Indo dormir a Espanha.

 

Corri à guisa do vento

Ao certo  não sei as léguas

Se a rota é mesmo a contento

Eu ás lonjuras renego-as.

 

Por isso,se o mal me açula

Com desgraças  em matilha

Corro  a correr pra Bismula

ou   entao Alamedilha.

 

Ali, chegado,risonho

Pego sono  em sonho brando

E entre os efluvios do sonho

Não sei bem  se estou  sonhando

 

Dou por mim a recitar

As trovas de dom gaifeiros

A mente a calcurrear

Por cenários  verdadeiros,

 

Freguesias sao quarenta,

Mas  os burgos quase cem

E cada qual se apresenta

À mesa com o que tem

 

Ninguém servirá  alguém

De forma tão desprendida

Amigos no mal e bem

Na morte como na vida.

 

Os filhos deste concelho

São heróis todos os dias

Retrato fiel, espelho,

Nas quarenta freguesias.

publicado por julmar às 19:14
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Domingo, 26 de Setembro de 2010

Les gens des baraques

Uma experiência de muitos emigrantes dos anos 60.

http://www.youtube.com/watch?v=2UgORWjfZjw&feature=player_embedded#!

publicado por julmar às 22:19
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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

Tempos que já lá vão

    

(Foto de Carlos Marques)

publicado por julmar às 21:38
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Prece - Manuel Leal Freire

 

Em fresca manhã   de abril

Eu quero morrer na raia

Terras pardas do carril

A minha cova talhai-a.

 

Farda de contrabandista,

Dies irae em bom latim

Mão  piedosa ma  vista

Monges o cantem por mim

 

Meu desejo,deus o queira,

É mesmo morrer na raia,

Ver a linha da fronteira

Quando a vista se me esvaia.

 

Mas não  é qualquer espaço

Que á minha alma convém.

A terra só é regaço

Se  for de colo de mãe

 

Mas cabe em pequenas léguas

O chão por mim  desejado

Outras lonjuras renego-as

A cada o seu eldorado.

 

Começa em  Ciudad Rodrigo

Acaba em vilar  maior

Mas voa sempre  comigo

É um balão voador.

 

Pelo espaço deambula

Jornadeia rio e monte

Levita o ar a Bismula

Desce em aldeia da ponte

 

Estrela que ainda brilha

Ambiçao que se não perde

 Ruelas de almedilha

Ou  esquinas de valverde

 

Picos rupestres dos foios

Cercanias de arnganhã

Cantochão de frades loios

É noite,foi-se a manhã.

 

 Podendo não ter zenite

A vida tem sempre ocaso

O sonho,vindo o limite

Encerram-se em negro vaso.

 

 

Mas eu que não temo a morte

Hei-de morrer a trovar

De pé,igualando em porte

Os castiçais do altar.

 

Ponto é que á hora de noa

Cante a trova derradeira

Nos plainos  do ribacoa

A dois passos da fronteira.

 

Afinal,apenas peço

Que a passagem ao além

Náo seja fim mas regresso

Ao humus da terra mãe.

publicado por julmar às 09:50
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Outros tempos

(Foto de Carlos Marques)

Corria o ano de 1969. O local é por demais conhecido de todos os conterrâneos e não só. Quanto aos personagens, fica para mais tarde. Era uma época em que na Vila, a vida ainda fervilhava por todo o lado; Nas casa, nos campos, nas ruas... Cumpriam-se rituais e tradições ancestrais transmitidas de geração em geração. E uma dessas tradições, é-nos mostrada pela imagem, e consistia no seguinte: Nas vésperas da festa do Senhor dos Aflitos, os rapazes que já tivessem pago o vinho, iam pela calada da noite "roubar" vasos de flôres às casas das raparigas solteiras, com os quais enfeitavam os chafarizes, a primorando-se mais com o da Praça. Porém e como diz o poeta, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e... Hoje em dia já não existem rapazes nem raparigas solteiras na Vila e o chafariz também já ali não mora. Consequentemente, perante tal cenário, não há tradições que resistam.
Carlos Marques

publicado por julmar às 20:58
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As malhas

(fotografia de Carlos Marques)

Uma pequena amostra do que era.

publicado por julmar às 20:21
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Sábado, 11 de Setembro de 2010

Avec le temp -Léo Ferré

 

http://www.youtube.com/watch?v=aiXcUTTLud4

publicado por julmar às 20:00
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

Lendo Miguel Torga

A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

 

publicado por julmar às 17:27
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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Agradecimento

A Comissão das Festas em Honra do Divino Senhor dos Aflitos recentemente realizadas, entende que é seu dever fazer os seguintes agradecimentos:
 - às nossa familias que nos acompanharam sempre que puderam.
 - à Camara Municipal do Sabugal que desenvolveu os esforços necessários para que o Meseu estivesse aberto ao público nos dias das Festas.
 - ao Sr.Presidente da Junta de Freguesia de Vilar que esteve sempre disponível em todas as solicitações, e foram muitas.
 - ao Augusto André, ao José do Bernardino, ao José Carlos e ao José Hermenegildo, que estiveram disponiveis sempre que deles necessitámos.
Para a Bárbara, esposa do Carlos Marques, o nosso reconhecimento e gratidão por tudo o que nos realizou. Muito, muito obrigado.
Por alguma falta de lembrança que eventualmente se verifique, pedimos desculpas aos esquecidos.
zzzzzzzzzzzzzzz
 O grupo sente-se de consciência tranquila, convicto de que deu o seu melhor para dignificar a Festa do Senhor dos Aflitos e Vilar Maior. Somos os primeiros a desejar que a próxima festa seja muito melhor do que a agora realizada. Mas somos também os primeiros a dizer que só quem tem a HONRA de servir ( ou o desejo de vir a servir) como mordomo da Festa do Divino Senhor dos Aflitos, deverá aspirar a que a festa tenha mais qualidade. Referimo-nos, naturalmente à profana, porque a Sagrada sendo vivida individualmente, as emoções que gera em cada um podem ser, ou não, observadas por terceiros.
 
A Comissão 
 

publicado por julmar às 21:42
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