Domingo, 23 de Janeiro de 2011

In vino Veritas

Os cabeços para os pastores, as tapadas para os lavradores, as vinhas para os cavadores. A carne, a lã e o leite, o pão e o vinho. As tapadas concorriam com as vinhas em termo de áreas e de altitudes. Muitas vezes, terras de tapada eram surribadas para plantação de vinhas. Trocava-se o arado pela enxada, trocava-se o pão pelo vinho. Da margem direita do cesarão, ocorre-nos apenas a vinha dos Picotes da ti Leopoldina Silva e a zona da Correia. De resto, os vinhedos espalhavam-se por toda a margem esquerda. O pão e o vinho não eram tudo, mas eram o essencial da vida.

E grandes ou pequenas todas tinham nome. Esperamos a listagem.

publicado por julmar às 21:49
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Domingo, 16 de Janeiro de 2011

Crise, qual crise?

E ainda há quem diga que na Vila a agricultura não dá

 

publicado por julmar às 21:35
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Sábado, 15 de Janeiro de 2011

Há 34 anos foi assim!

 Capela da Senhora da Graça no Sabugal. São já muitos os que faleceram. Aspequenas crianças são adultos.

 

 

Amigos para sempre

publicado por julmar às 21:23
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Escuta as vozes da terra - Douglas Wood

 

Durante a infância, o meu avô era o meu melhor amigo. Quando estávamos juntos, tudo me parecia perfeito.
Gostávamos ambos de passear pelos bosques. Nunca íamos muito longe, nem andávamos muito depressa. Escolhíamos caminhos sinuosos. Enquanto caminhávamos, fazia lhe imensas perguntas.
― Avô, por que…?
― O que se passaria se…?
― Será que às vezes…?
Um dia, perguntei-lhe:
― Avô, o que é uma oração?
O meu avô ficou em silêncio durante muito tempo. Quando chegámos junto das árvores mais altas da floresta, respondeu-me com uma pergunta:
― Alguma vez ouviste o murmúrio das árvores?
Pus-me à escuta, atento, mas em vão.
― Vê como as árvores sobem até ao céu. Tentam subir sempre mais. Querem chegar às nuvens, ao sol, à lua e às estrelas. Procuram elevar-se até ao céu.
Pensei nas árvores, procurei ouvi-las. Enquanto reflectia, sentei-me numa rocha velha, coberta de musgo. O meu avô explicou:
― As rochas e as montanhas também falam connosco. A sua calma e o seu silêncio inspiram-nos tranquilidade.
Depois de ter reflectido durante bastante tempo, peguei numa pedra e coloquei-a no meu bolso.
Caminhámos um pouco mais, até junto de um ribeiro. A água borbulhava, cintilava, e viam-se pequenos peixes a nadar.
― Avô, os ribeiros também murmuram?
― Claro. Bem como todos os lagos, rios e cursos de água. Às vezes, correm tranquilamente. Espelham as nuvens, os pássaros, o sol ou as estrelas. Outras vezes, escoam-se em redemoinhos, lançam-se no mar ou evaporam-se no céu. E o ciclo recomeça… Também se riem e divertem com os seus amigos rochedos. Dançam, saltam, tornam a cair…
― Mas a natureza conhece outras formas de se exprimir. As ervas altas procuram o sol e as flores exalam o seu perfume doce. Quanto ao vento, sussurra, geme, suspira, e sopra-nos as suas palavras.
― Escuta o canto dos pássaros de manhã cedo, escuta o seu silêncio antes do nascer do sol. Consegues ouvir a melodia do pintarroxo ao cair da tarde? Os animais correm pela floresta, tornam-se reluzentes com a água, escalam montanhas, voam até às nuvens, ou refugiam-se na terra. É assim que todos os seres vivos participam na beleza do mundo…
Calámo-nos os dois. O meu avô olhava o horizonte e eu reflectia no que ele me tinha dito sobre as rochas, as árvores, a erva, os pássaros e as flores. Acabei por lhe perguntar de que modo rezavam os homens.
O meu avô sorriu e passou a mão pelos meus cabelos. Respondeu:
― Tal como a natureza, os homens têm a sua linguagem própria. Podem inclinar-se para cheirar uma flor, ver o sol despontar no horizonte, sentir a terra mover-se docemente, ou saudar o dia que começa. Podemos passear num bosque coberto de neve num dia de Inverno e ver o nosso próprio sopro confundir-se com o sopro do mundo. A música e a pintura são também formas de nos exprimirmos, de falarmos…
― Às vezes, sentimo-nos tristes, doentes ou isolados. Então, repetimos as palavras que os nossos pais e avós nos legaram. Mas é preciso que cada um encontre as suas próprias palavras. O que é importante é dizer o que verdadeiramente se sente, o que nos vem do coração.
Passado algum tempo, o meu avô disse-me que eram horas de regressar. Mas eu tinha uma última pergunta:
― Há respostas para as nossas orações?
Sorriu.
― Se as escutarmos atentamente, as orações contêm as suas próprias respostas. Nós somos como as árvores, o vento e a água. Não podemos mudar o que nos rodeia, mas podemos mudar-nos a nós mesmos. É evoluindo que transformamos o mundo.
Depois deste passeio, ainda voltámos a passear juntos. De cada vez, tentei escutar as vozes da terra, mas creio que nunca as ouvi.
Um dia, o meu avô deixou-nos. Continuei a pensar nele com todas as minhas forças, mas ele não voltou. Não podia voltar. Rezei até mais não poder. Depois, deixei de o fazer. Sem ele, tudo me parecia sombrio, e sentia-me muito só.
Alguns anos mais tarde, durante um passeio, sentei-me debaixo de uma árvore enorme. Os ramos mexiam e as folhas sussurravam. Ouvi o murmúrio de um ribeiro e o canto de um pintarroxo, pendurado numa madressilva. Ouvi também um ligeiro sussurro, misturado com o sopro do vento, com o canto dos pássaros e com o marulho da água.
Tal como o meu avô me ensinara, a terra falava comigo. Então, também eu murmurei, docemente:
― Obrigado pelas árvores grandes e pelas flores, pelos rochedos e pelos pássaros. E, sobretudo… obrigado pelo meu avô!
Foi então que algo aconteceu. Senti – outra vez – o meu avô perto de mim…
E, pela primeira vez desde há muito tempo, tudo me parecia perfeito.

Douglas Wood
Escuta as vozes da terra
Paris, Gründ, 2000

 

publicado por julmar às 16:15
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

Bem feito

Apesar da evidente degradação de muitas habitações, a construção civil é de há muito, a principal actividade. Às vezes com bom resultado.

publicado por julmar às 15:05
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Aqui há gato

Por vezes, vai-se de um extremo ao outro da vila, em pleno dia, e nem vivalma. A menos que apareça uma alma felina que nos olha nos olhos, como quem se sente dono do mundo.

publicado por julmar às 14:53
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Passagem do ano

A Comissão de Festas do Sr dos Aflitos organizou a passagem de ano no Centro de Dia. A avaliar pelas fotos retiradas do face book da Bárbara  foi festa animada.

 

 

 

 

 

publicado por julmar às 22:30
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