Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

II FEIRA DE TALENTOS DE VILAR MAIOR - 10 de Agosto

Foi assim que em 07-03-2012 arrancámos para a I Feira de Talentos de Vilar Maior:

"Este ano o Verão na Vila vai ser diferente e quem vai fazer a diferença é você. Porque você faz renda como ninguém, porque você pinta, porque você tem um poema, porque sabe fazer um bolo especial, porque faz uns bolos de bacalhau especiais, porque tem fotofrafias da vila, porque tem umas velharias que gostaria de vender ou trocar. Há na vila escritores, pintores, escultores, fotógrafos, habilidosos, gente com jeito. A ideia é fazer no dia da festa do emigrante (ou noutro dia) uma grande feira com os talentos da vila. Se a Comissão de mordomos concordar, eu alinho na promoção. Mais gente que se ofereça para a organização. E a campanha e divulgação pode já começar no facebook."

Está na hora , para os que ainda o não fizeram, de começar a preparar a segunda que vai ter o sinal MAIS. Mais trabalhosa, mais diversificada, mais participada, mais preparada, mais publicitada. Será maior porque contamos com o melhoramento de todos os que estiveram na primeira a que se acrescentarão muitos outros. Contamos com os que estiveram na organização e com todos os que este ano hão-de colaborar como é o caso da Tânia Seixas e do António Gata que implicou já a participação da Câmara do Sabugal. Reuni com o Presidente da Câmara no princípio do mês e mostrou interesse na promoção do evento podendo haver colaboração na parte da animação.
Os objetivos, que proximamente recordaremos, serão, no essencial os enunciados no ano passado. Mas mais importante que tudo é a união e participação de todos na realização deste evento. Promover este evento até o tornar um grande evento regional é o objetivo deste blog Vilarmaior1 - VILAR MAIOR PRIMEIRO.
publicado por julmar às 11:40
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

As obras do século XX - A água III

Poço da Ponte


É um regalo na vida

À beira da água morar

Quem tem sede vai beber

Quem tem calma vai nadar


Assim foi enquanto a água era uma graça da natureza. Já vimos que o assentamento dos humanos tinha em conta esse recurso vital cuja aproveitamento implicava toda uma engenharia hidráulica assente na necessidade, na experiência e no saber acumulado ao longo de gerações. A água, mais que um recurso natural de sustentação da vida dos corpos, é um elemento fundamental em todas as liturgias religiosas: sem água não há purificação e as almas impuras não têm salvação. Na Terra, muitas questões tribunalícias tinham como objeto dirimir direitos de acesso à água e, quantas vezes, prescindindo do direito, uma sacholada punha termo ao oponente. Ao contrário do sol que, como soi dizer-se, quando nasce é para todos, a água quando nasce é mais para uns do que para outros. Com efeito, o que torna uma propriedade melhor que outra é a existência de uma nascente e essas eram dos ricos. Na maior parte dos casos, a casa residencial, quase sempre com algum terreno, tinha um poço de abastecimento (seja a casa dos Pessanhas, dos Rebochos, dos Gatas, dos Araújos, entre outras). Depois havia os poços públicos, um situado junto frente ao Pio, na Praça, e que está tapado desde que foi feito o Chafariz; outro ao cimo da Quelha que passou a designar-se Rua José Diamantino dos Santos quando foi calcetada e que deu sumiço ao referido poço - o poço do Açougue. Restam o poço do Largo do Senhor dos Aflitos e o poço da Ponte, este com mais características de fonte de mergulho. A água destes poços não era aconselhável para beber. Ter água em casa para fazer as viandas dos animais, a preparação dos alimentos, para lavar a loiça (ainda que pouca), para as pessoas se lavarem, e, sobretudo, para beber, ainda que essencial, não era fácil. A Fonte Velha ( os entendidos que disputem se é romana ou românica), além de ficar longe do povoado terá deixado de ser suficiente, pelo que um pouco mais acima e mais próximo, na idade moderna, fundaram e construíram a Fonte Nova. No mesmo andamento, cerca de duzentos metros mais próxima, encontrava-se a Mina mas conta-se que era preciso apanhar a água com um copo, ás vezes, esperando até o poder encher. Haveria também uma fonte na margem direita do Cesarão, frente ao Poço da Andorinha! A fonte da Talisca. Haveria uma outra fonte situada pelo largo do Pelourinho. No primeiro quartel do século XX, rondando o número de habitantes entre a 700 e oitocentos o abastecimento de água era uma fonte de problemas. Se no Inverno todos os poços e fontes referidos a tinham em abundância, a situação no Verão era aflitiva para o renovo que não se criava, para os animais e para as pessoas que tinham de cuidar de si cuidando daqueles. Levantar-se bem cedo era uma certeza de encontrar a fonte cheia e limpa, mas quando todos pensam o mesmo ... Por vezes, levava-se a vasilha ( o cântaro de barro, a lata ou o regador, o balde da rega) que era mais um peso a acrescentar a outros que do campo se traziam. Por vezes, os proprietários das melhores fontes ou poços ficavam tão aborrecidos com o excesso de gente que ia buscar água para beber que lhe deitavam estrume para a tornar imprópria. Ter água em casa era uma incumbência das mulheres, sobretudo das solteiras, para quem poderia ter os seus encantos, pois desde a poesia trovadoresca que a ida à fonte é um tema inspirativo para os poetas, na probabilidade ou certeza de encontrar o amado, fora da alçada parental. Era também um tema renascentista que não escapou à pena de Camões:

LIANOR

 Descalça vai para a fonte

Lianor pela verdura;

Vai formosa e não segura.  

Leva na cabeça o pote,

O testo nas mãos de prata,

Cinta de fina escarlata.

Sainho de chamalote; Traz a vasquinha de cote.

Mais branca que a neve pura;

Vai formosa e não segura.  

Descobre a touca a garganta,

Cabelos de ouro o trançado,

Fita de cõr de encarnado,

Tão linda que o mundo espanta;

Chove nela graça tanta

Que dá graça a formesura;

Vai formosa e não segura.


A problemática procura de água não deixava de ter os seus encantos, bem diferente dos encantos de hoje

publicado por julmar às 11:43
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2013

Quem pode explicar?


As Eiras com o seu entorno é um dos lugares mais bonitos da Vila e se a cimentação feita no rio não sair furada aguentado as águas pelo mês de Agosto será um lugar aprazível.Há tempos um conterrâneo, falava-me com entusiasmo deste local. Que ali é que devia ser o parque da vila, com arvoredo, com bancos, com um parque infantil para as crianças e que ali é que se deviam realizar os festejos, incluindo o baile. Vi que não era coisa que lhe surgisse assim, sem mais nem menos, mas fruto de coisa amadurecida no seu pensamento.

Na minha errância habitual, ao passar por ali, até pensei que o projeto já tinha tido início, pois, vi com satisfação uma fila de árvores plantada (talvez freixos...) ladeando todo o caminho. Porém, logo de seguida, não entendi qual o enquadramento da obra que na imagem aparece com três portas e qual a continuação do projeto.
publicado por julmar às 19:25
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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

Os homens de ofício e os homens de negócio - Dr Leal Freire

Lê-se  num  livro  antigo

Se quisermos buscar  as  raízes mais fundas  do mercador, temos  de  as  procurar   na   própria  oficina, pois   a  primeira tenda  foram  os tabuleiros  desta.

Aliás o  tabuleiro era  uma  das  portas  da  oficina e  foi   o    primeiro   balcão    do  artifice-mercador, isto é  do mesteiral  que  não produzia  para  as  suas  necessidades  de   consumo.

O homem  das  profissões   produzia  e vendia  directamente   ao  público  a  sua   manufactura.

Depois, quando  a  produção    fazia  lote, remédio   não  tinha  o  oficial    senão   pegar  na sua  manufactura, ageitá-la  à carga  da   sua  azémula, aparelhar  esta  e  meter-se  a  caminho.

Tomar   esta  decisão  nos  tempos  medievos, não era  empreendimento  para  todos.

Os   menos  afoitos  ver-se-iam  na  contigência  de  entregar   aos  mais  temerários  a  sua   própria   fabricação.

Destarte  se  iam  firmando  dois  tipos  de   mercadores  incipientes . O mestre   de  oficio  que vendia  ao tabuleiro da  oficina  e o outro, que   mais  resoluto, se  fazia   para  as andanças  de  ruas, mercados  e feiras, enfim  para  fora de  portas, onde  quer  que  adregasse  topar   freguês.

Eram  estes  últimos   os mercadores erradios, descritos   numa carta régia  ainda  em  latim   como   mercatores  qui   de  locum  as  locum   merces  et  necessaria    deferse   consuevernunt - mercadores  que   levam  de  lugar  para  lugar  as  coisas  necessárias  às  vidas  dos  povos

Eis  como  no livro  Os  Mesteres se  nos  apresentam   alguns desses  curiosos  espécimes.

Da   sua   oficina  de  ouriveseiro - ao  Serralho - o apartado  bairro  dos  judeus - ergue-se   no  alvor da  madrugada, Isaac   Marcos, aprestando-se    para  uma  jornada   mercantil.

A estranha   figura  do  filho  de  Israel, com  a  cabeça  sumida   no  albornoz, olhar   de  fuinha, nariz adunco, barbicha de  bode, vai  escarranchado  em  besta   muar, arriada  à  mourisca.

A  sua  carga especiosa - de  pratas  lavradas   e  mimos   de  lapidaria - vai  acomodada   nos recessos   do   albardão, em  cujas   bolsas  igualmente  se   agasalham  os  pistolões, para  sua   defesa  nos  percalços  dos  maus  encontros.

Deixando  o bairro  exôtico   do  Serralho, e, às   arrecuas, a   sinagoga  da  oração, Isaac  Marcos   meteu-se  nos  trilhos   confusos   que   o  levariam  aos  casais, castelos, solares, abadias, mosteiros, onde, por venda  ou  escambo  de  baixelas  avariadas, negociaria  as peças   da  sua  carga.

Depois, no  itinerário das  feiras, por  vilórios  e  lugares, o  judeu  da  mercância  ambulante   continuaria, apegado  ao  seu    pergaminho  de  privilégio onde   o  senhor   Dom  Pedro, regente   do  reino  pelo decesso  de  Dom  Duarte, lhe  outorgava  livre  trânsito.

Rezava assim  o  papel, datado  de  1441.

Que  ande   em  besta muar  de  sela  e  freio, sem  embargo da ordenação  e  use  clavina   ou  bacamarte.....

publicado por julmar às 22:11
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O território da nova freguesia

UNIÃO DAS FREGUESIAS DE ALDEIA DA RIBEIRA, VILAR MAIOR E BADAMALOS



Este é o território da freguesia União das freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos em que se incluem as anexas Batocas, Escabralhado, Arrifana e Carvalha. Continua a ser uma freguesia de fraca densidade populacional mas com uma área Geográfica que vai da raia de Espanha até às margens do Côa e que se desde já se, para além da unidade administrativa, começarmos a olhar para as partes como uma unidade e a cimentar uma consciência comum poderemos contribuir para o desenvolvimento e valorização destas nossas terras e destas nossas gentes.  
publicado por julmar às 19:09
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

Onde está a cruz de Cisto

 

Dizem que havia várias pedras com a cruz de Cristo neste adro. Da que aqui vemos na foto, foi com surpresa que reparei já não se encontrar lá. Talvez esteja à guarda de alguém. Quem sabe? Durante muitos anos, ao lado desta cruz também esteve um canhão que agora se encontra à entrada do Museu da Guarda. 
publicado por julmar às 19:03
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Antigos cargos da administração municipal - O Almotacê - Dr Leal Freire

 Lê-se num livro antigo:

Autêntica sombra negra dos mesteirais e regatões era o  almotacé.

Esta autoridade   não  só    tabelava   preços    como  vigiava   a  pureza   dos  artigos   e  a  rectidão  dos  pesos  e  medidas.

Quando, pois, a raza não andava  ao  lado  da razoira, o  ralo   com  o  funil, o  fiel    com  a   balança, intervinha   logo  o  almotacé  com a  sua vara, a  sua  jurisdição, o seu poder, julgando  quase  discricionariamente.

Dom  Dinis  mandou  para  todas   as  administrações   municipais  instruções   várias   para  os  titulares  do  cargo...ao  tempo  dizia-se  carrego  para  acentuar  o  código   de  obrigações.

Eis alguns exemplos

Mandamos  que os  almotacés   vão ver as  medidas   do  pão, do vinho, do  azeite  e  do  vinagre,e  os  pesos em geral.

E, se os acharem  maus, que  apliquem  as  penas  do   costume.

Outrossim, mandamos que os  almotacés  vão  às  casas   das  regateiras    e  verifiquem    o mel, a cera, a  pimenta, os  alhos  e  as  cebolas. E se estiverem  a  vender  por mais do  que  o   almotaçaram  peitem  por  cada  vez  um  maravidi.

Como se  vê, cumpria  aos  almotacés vigiar  o cumprimento  dos preços  tabelados, ou, como   então  se  dizia, almotaçados .

De  igual modo  lhe  competia  vigiar  a  qualidade  e os  preços   dos  artigos   feitos  pelos  mesteirais, ou  seja   pelos   homens  dos  ofícios...aprendizes, companheiros  e   mestres.

De  modo a   que  não faltassem  no  mercado  artigos   de  boa  qualidade   a  preços  razoáveis.

Também ordenou  Dom Dinis..

As  candeias  de  cera  e  de  sebo   que as façam  boas e  de  pavios  delgados.

Os  ferreiros    que  façam  clavos—hoje  dizemos  cravos—de   bom  material. E  as ferraduras  que sejam  boas  e  de  bom ferro.

publicado por julmar às 11:13
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013

Fábrica do Carril


Fábrica de cerâmica do Carril

Quem vai da Quinta do Vale de Bôlos - propriedade do senhor Ramalho em meados do século passado, entreposto do contrabando de minério para a Espanha - para a estrada Vilar Formoso-Sabugal, depara-se com este monumento arqueológico. Produzia sobretudo telha e tijolos e funcionou poucos anos na década de cinquenta.
publicado por julmar às 21:47
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O lado sério do mercado segundo Antero de Figueiredo - Dr Leal Freire

Mas  nem  tudo   são  intrujices, arteirices, trampolinices   na  Feira   de  Ano.

Há  cantinhos  sérios, há   almas  como  vidraças    que  negoceiam  com  transparente    sinceridade - assim  Deus  me castigue se  eu  o  engano, meu  senhor.

Gente  pobre   que  leva   ao  mercado   o pouco  que rendeu  a  sua  leira, o seu  hortejo, o  seu  galinheiro - salamins de   milho   miúdo, de  feijões   moleiros  ou   galegos, uma  dúzia  de  ovos, as  duas   galinhas  que  andou  todo o  ano  a  criar  para esse  fim  e  das   quais se  aparta  com  sacrifício  e  pesar...elas   companheiras   diárias nas  tristes   migalhas  do  seu   minguado pão....

Torna-se necessário  vender    para   o  governo da casa - a merca  de  uma saia,de  um  lenço ou  a  décima  à  Fazenda - a  terrível  fazenda  dos  crueis   relaxos, com  a  qual não  querem  contas  nem  teimas.

Mas nem   tudo são caras  de  poucos  amigos, caras  desconfiadas, reservadas, caras   de  olhos   fajardos  em  almas  velhacas  cujo  único  intento  ao  abeirar-se  de  alguém, para  negócios  ou  contratos, é  enfiar  toda  a  gente  pelo  fundo  duma  agulha, pondo   especial  filé  em   comer  os que têm estudos, para  que   eles, labrostas  se possam  gabar  de  lograr  doutores   e assim  passarem  a  ser  tidos  por  finórios.

Mas  nem   tudo  é deste  jaez, nem  tudo - Deus  louvado - é  manha   e  duzeza vesga, nas  feições  destes  canhestros  de  alma

Ainda  se  encontram   fisionomias   abertas  em  figuras  populares, rostos inteiros   que  tudo   mostram  no olhar  franco, pessoas  que  prezam   a  palavra  como  se  fosse  escritura. 

publicado por julmar às 21:12
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As obras no século XX - A ÁGUA II

Já vimos uma das grandes obras no século XX que teve um impato enorme na economia local: a introdução das noras ou rodas. Substituindo a força braçal humana aplicada às picotas ( burras) pela força animal, permitiu aumentar consideravelmente as áreas de regadio pela conquista de pedaços de terra surribando as margens dos rios, estoirando barrocos, construindo cômoros suportados por muros. Terras boas eram aquelas em que se regava a pé, em que água se deslocava pela força natural da gravidade. Era o caso dos açudes donde se regavam as maiores áreas, sobretudo no rio Cesarão na sua margem direita, desde a Cimeira, passando pelos Linhares da Balsa até às veigas das Retortas. Áreas mais pequenas mas de grande produção eram constituídas por hortas, disseminadas um pouco por todo o lado que beneficiavam da água de minas e de presas. Dentro destas destacavam-se as presas do Vale da Lapa alimentadas pelo ribeiro do mesmo nome e a presa de Vale de Castanheiros, célebre pelas sua água quente no Inverno que levava as mulheres a preferirem-na a todas as outras na lavagem da roupa, apesar da distância que era preciso percorrer. Esta ao contrário de outras que eram apenas de um dono, ou em que havia regime de adua no regime de rega, era, no que toca a lavagens, de uso público. Todas as presas, espalhadas um pouco por todo o lado, tinham as suas especificidades. Por exemplo, a dos Galhardos, no sopé do monte do Cabeço da Porca tinha umas das águas mais geladas no Verão. Uma presa como esta de água abundante e uma extensão de terra razoável constituía uma garantia de uma subsistência mais tranquila. E aos que labutavam nos campos nos cálidos dias de Verão, era direito consuetudinário, podiam usufruir destas nascentes para matarem a sede, dando cumprimento à ordem de misericórdia de dar de beber a quem tem sede. E por todo o lado, havia águas de nascente puras, cristalinas, frescas. Hoje não encontrará em todo o termo de Vilar Maior (atrevo-me a dizer em todo o concelho do Sabugal) fonte ou poço onde possa matar a sede com higiene e segurança. Centenas de poços abertos, ao longo do tempo, em sítio onde se vislumbrasse a possibilidade de uma horta, encontram-se abandonados, como abandonada se encontra a natureza à lei da selva. As vacas, animal de grande exigência alimentar(sabem que uma vaca polui tanto como um automóvel?) mas de poucos cuidados por parte dos donos, dominam agora a paisagem rural. Em vez das fontes surgem charcas de água, mais depósitos que nascentes. O arame farpado omnipresente substitui as paredes milenares que, aos poucos, se vão deitando abaixo para facilitar o trânsito dos animais. Os caminhos ficam alguns intransitáveis, outros barrados com portões improvisados de arame farpado e outros, ainda, são pura e simplesmente privatizados. Tudo isto por mor das políticas de Lisboa e de Bruxelas, tudo isto por mor das políticas ditas de desenvolvimento rural ( tem piada desenvolvimento rural) baseadas na atribuição de subsídios: subsídios para arrancar vinhas, subsídios para semear isto e aquilo, subsídios para estar quietos, subsídios para burros, cabras, ovelhas, vacas, para carrasqueiras. Em meio século com subsídios conseguiu-se, não o desenvolvimento rural, mas acabar com o mundo rural. A água, a quantidade e qualidade, é o melhor espelho do estado a que chegámos.

publicado por julmar às 11:25
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