Terça-feira, 29 de Outubro de 2013

Património de Vilar Maior - Igreja de Nossa Senhora do Castelo

Ontem, ao saber da queda da Velha Acácia do Pelourinho, que, habituados ao seu ar de velhinha a julgávamos eterna, ocorreu-me, em sobressalto:
- E se fosse o arco da Igreja da Senhora do Castelo? Pois, e se fosse?.
Aceitamos a morte da acácia como aceitamos a morte de um ente querido. Porém, é diferente se o arco cair. E cairá se ninguém cuidar dele. Foi uma das perguntas que dirigi ao, então, candidato e agora Presidente da Câmara do Sabugal, publicada neste blog:
 

O arco da Igreja da Senhora do Castelo (provavelmente o monumento mais antigo) está em eminente estado de queda. Poderá tomar alguma medida para a evitar?

Nunca me colocaram essa questão, neste momento não tenho opinião!

Ficam os responsáveis, sem razão, para deixarem de atuar. 

E, claro, que nem é sequer uma questão de dinheiro mas uma questão de estabelecimento de prioridades. E a prioridade tem de ir para o que está em risco eminente de poder desaparecer. 

publicado por julmar às 11:36
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Requiescat in Pace, Acácia do Pelourinho

 

Dia 28 de Setembro recebi a notícia da queda da multissecular acácia do Pelourinho. Habituado, desde que a conheço, há mais de sessenta anos, a vê-la tronco velho, esburacado, coberto de musgo, mais sêco que verde, e, a cada primavera rejuvenescer, pensei que assim continuaria até depois de mim. Aqui, no Pelourinho, viste passar os tempos e as pessoas que neles viveram. Ninguém testemunhou tanto como ela porque toda a vida da vila por aqui passava: as procissões -  a do Senhor dos Aflitos, claro; mas a do Senhor dos Passos no Andar das Igrejas ou a dos Passos; a do Santíssimo em dia de Páscoa, com as ruas juncadas de verde e de lilases e açucenas e o repicar dos sinos pela mão do Junça, e as rogatórias a todos os Santos para que Deus tenha compaixão dos homens e lhes mande chuva. E os acompanhamentos dos batizados, dos casamentos e dos funerais. E a vida das gentes e dos gados que circulavam pelas ruas que todas aqui desembocavam à tua beira. E dos bailes que sob a tua copa se faziam. Os segredos que guardas de beijos roubados, de traições, de congeminações, de negócios, de despedidas e de regressos. Quantas vezes ouviste a voz do Zé Vicente no mesmo tom, da mesma maneira, saudar todos: - Bôs dias lhe dê Deus!

Agora sem seiva, tua alma vegetal irá para o sítio das almas vegetais. Teu corpo - ao contrário dos corpos animais que brevem fedem e apodrecem - poderá ter um destino que não pode ser a cremação imediata. Para já, que ninguém se apresse a despedaçá-lo. Por mim, haverias de continuar durante muitos anos, morto, é certo, mas como memória das nossas memórias. Por mim, deverás continuar enquanto o teu corpo existir.
publicado por julmar às 10:41
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Segunda-feira, 28 de Outubro de 2013

Fruto de Outono: A Milagrada

Não vá ao dicionário que não encontrará a palavra milagrada, como não encontrará outros termos que na vila soía usarem-se. Faz parte das memórias da minha infância este belo e enigmático fruto (dizem os entendidos que não se trata de um fruto mas de uma inflorescência da romanzeira), do tempo em que a senhora Clemência trocava romãs por batatas que nós, garotos, às escondidas, retirávamos da tulha de nossos pais. Ainda existem algumas romanzeiras, na vila, mas cada vez menos.  Voltando à milagrada, que melhor termo para designar tão bela coisa? Quer seja por ter mil grãos, quer seja pelo agrado que em mim desperta - me agrada, quer seja por ser um milagre ... quer seja por tudo isso, milagrada é um belo nome.

A importância da romã é milenar, aparece nos escritos bíblicos, e, na cultura grega, anda às paixões e à fecundidade . A árvore da romã foi consagrada à deusa Afrodite (a deusa do amor), pois se acreditava em seus poderes afrodisíacos. Para os judeus, a romã é um símbolo religioso com profundo significado no ritual do ano novo por acreditarem que o ano que chega sempre será melhor do que aquele que termina. Tinha lugar no jardim de Salomão com também já teve no meu. Eram duas e cortei-as por serem forras. Para a primavera, nova tentativa num outro clima. 

publicado por julmar às 17:54
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Sábado, 26 de Outubro de 2013

Comentário ao Discurso do Presidente da Câmara do Sabugal

Os meus parabéns pela vitória. É um bom discurso porque se sente a alma nos princípios e valores enunciados. Um discurso de tomada de posse é uma profissão de fé e um propósito de intenções. É assim. Poderia ser também um pouco mais e nesse pouco mais, a afirmação de que o concelho do Sabugal são, em primeiro lugar, as pessoas que nele vivem e votam. Mas que são também  ( e são muitos) todos aqueles, no quais me incluo, que nascidos no concelho, ali possuem bens, ali regressam pelas diversas festividades, ali têm familiares, ali tem residência permanente o seu coração e que estão dispostos a, de formas diversas, fazerem tudo pelo desenvolvimento  da sua  terra. E é importante procurar o contributo do capital humano, muito dele, altamente qualificado, para o desenvolvimento do concelho. Nenhum sabugalense negará o seu contributo. Sei quão parco é o meu, mas nunca o negarei.
O discurso do presidente
https://www.facebook.com/antonio.robalo.79?ref=ts&fref=ts
publicado por julmar às 14:25
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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013

Do modo de andar em Portugal e na Vila de Vilar Maior

ANDAR

            O dicionário “Expressões Populares Portuguesas” de Guilherme Augusto Simões contém 376 expressões a começar por andar e a terminar em andar um a mais( quando há mau cheiro causado por ventosidade anal sem ruído), estando longe de esgotar todas as formas. A expressão referida só é quantitativamente ultrapassada pelas expressões começada por estar que conta 404 formas.

A expressão andar é conforme a forma de ser do povo português que sendo um país de tão poucas gentes e de tão escasso espaço se disseminou ao longo dos séculos pelos cinco continentes de onde lhe adveio uma experiência inigualável na dimensão viandante. É um povo de andanças: nunca se sente bem onde está e daí andar de aqui para ali e de além para acolá. Está mal muda-se e depois lastima-se por ter mudado. Este o seu fado que se traduz no indefinível sentimento que dá pelo nome de saudade.

O povo português anda, desigualmente, de todas as maneiras: de cavalo para burro, de cu tremido, com o cu às fugas, às sopas, às cegas, às escuras, às aranhas, a reboque, ao sabor do vento, ao deus dará, à nora, à mama, a dormir na forma, à vela, de burros, de mal a pior, de orelha murcha, de peito feito, de proa levantada, de queixo caído, de cabeça no ar, de rastos, de tanga, em dia, em maré alta, na berra, nas nuvens, no mundo por ver andar os outros, pelas ruas da amargura. 

Desde o andar tradutor das leis gerais de toda a humana natura ao andar que reflecte o caldeamento de povos e culturas que por aqui deixaram rasto: gregos, romanos, bárbaros diversos, judeus, moiros, galegos, franceses, ingleses, castelhanos muitas variações destes todos e de muita outra inominada gente. Algumas dessas expressões dão conta de acontecimentos históricos. Tal é o caso da expressão “andar com o credo na boca”. Corriam difíceis os tempos para os judeus na Península Ibérica. Era um povo culto e instruído dado mais ao comércio do que a actividades extractivas ou transformadoras. Nunca os cristãos lhe perdoaram o terem matado Cristo nem, sobretudo, verem-nos prosperar de forma rápida e fácil.                                          Durante muito tempo não entendia porque quando se queria insultar alguém nesta terra se lhe chamava judeu, e marrano (= judeu). Muitas vezes, da situação que deu origem a uma forma de dizer só esta fica. Aqui, onde pelo século XVI terá havido uma forte comunidade judaica, permaneceram modos de dizer que passaram a ser extensivos a outras etnias e outras situações. São infinitas as formas de andar e inúmeros os sítios por onde ele se faz: carreiro, carreira , carril, veredas e caminhos  (os do senhor, os da perdição, os de cabras ...) as varedas, os atalhos, as calçadas, os becos, as rodeiras.

O andar se faz por vias (viagem, viajante, viandante, via sacra, viático. Muitas vezes sai dos eixos e desvia-se, transvia-se, avia-se, envia-se).

O leitor entenda tudo isto de modo sério ou trivial, como lhe aprouver que uma e outra fazem parte do viver. Com efeito, eram três as ruas ou vias (tri-via) que ao foro romano iam dar e nas quais os senadores enquanto não entravam para tratar dos assuntos do império iam falando de questões de lana caprina. Das múltiplas maneiras que há de andar em Portugal, aqui, neste lugar de Vilar Maior, se pode: (a continuar)

In, Memórias de Vilar Maior, minha Terra, minha gente - Júlio Marques    

publicado por julmar às 11:34
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Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

Coisas (in)vulgares


O que chama a atenção é o enorme bloco de granito a servir de toça!Este não precisa de descarga.



Obra da primeira metade do sécul XX, da autoria de José Seixas, numa altura em que, timidamente o cimento substituía o granito

publicado por julmar às 16:37
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Terça-feira, 22 de Outubro de 2013

Eu não entendo


Se isto respeita ao museu, porque é colocado junto do Castelo?
publicado por julmar às 12:08
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Frutos de Outono - os medronhos


(Medronheiro de herdeiros de João Monteiro)


Em post recente falámos do mostágio. De fruto mais doce e excelente para a produção de aguardente e licor temos o medronho. Mostageiro e medronheiro são duas belas ornamentais. A única conheço é na propriedade dos herdeiros de João Monteiro, perto do castelo. Mais uma variedade na rica botânica da Vila. É tão bonita que não resisto a plantar um exemplar.

Para além destes, que são comestíveis, temos nesta época uma quantidade de frutos selvagens de rara beleza, ali pelas bandas do Castelo, para os quais convém estar desperto.



publicado por julmar às 11:30
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Agitação social em Vilar Maior, nos anos de 1925-1926 - Dr Leal Freire

De impostos, livre-nos Deus, Nosso Senhor - é  frase  permanentemente  na  boca  do povo.

E não basta virem-nos  pregar  que  todos  nós  temos  obrigação  de  contribuir  para  as  despesas   do Estado  ou  que as taxas  são  tão necessárias   para  a  vida  dos  cidadãos  como a  água  para  os  batatais  nas  calmarias  do  verão.

Pagar  a  décima  pelos  prédios  rústicos  e urbanos, as  sisas  e  os  relaxes, para  além  dum sem  número de  impostos  indirectos - isqueiros, cigarros, petróleo  e  não sei  que mais - já  era muito.

A  Senhora Camara, pelas  suas  posturas - as  gentes  chamavam-lhes  imposturas - lembrou-se   de criar  duas  novas  derramas - uma  sobre  os  cães, outra  sobre  os carros de  bois, sujeitando-os  a  uma  espécie  de  imposto  de  circulação.

E para além desta sobrecarga  para  os bolsos  rotos  ou  em  rotura dos  moradores, lembrou-se  ainda, sob  argumento  de piedade  para  com os  animais, de  proibir  o uso das  aguilhadas.

O concelho levantou-se quase em pé de guerra.

Ao Sabugal acorreram magotes  de  populares insurrecionados.

Alguns foram  judicialmente  incriminados.

Para os  defender  e  ajudar  no  pagamento  de  coimas, constitui-se  uma comissão de  que foi principal  contribuinte  a  família Mendes  Guerra, do  Casteleiro, mas  que  também  recebeu uma   subscrição  de  vilarmaiorenses

publicado por julmar às 11:30
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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

Instalação da Assembleia de Freguesia

Teve lugar no passado sábado a instalação da Assembleia Municipal da União de Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos. Proximamente daremos os nomes dos ellementos da Assembleia e da Junta de Freguesia.

Presidente da Assembleia, 1º Secretário e 2º Secretário
Os lementos constituintes da Junta de Freguesia
Após a instalação dos elementos, o presidente da Assembleia de Freguesia, António Marcos Gata, agradeceu a presença dos convidados, congratulu-se com esta tomada de posse e com o que ela representa apelando à participação de todos na resolução dos problemas, Informou os presentes que as sessões da assembleia serão realizadas, sequencialmente, em cada um dos sete povos que constituem a nova freguesia. Também o Presidente da Junta, António Cunha, a pelou à necessidade de união entre todos para a resolução dos problemas e bem estar de todos os fregueses. O Presidente da Assembleia, como lhe compete, encerrou a sessão.
publicado por julmar às 16:17
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