Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Os filhos da mãe

Diz o provérbio ( e se o povo o diz a sabedoria o sabe) "cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso". Ora, nas questões de alianças matrimoniais e estabelecimentos de parentescos cada cultura ( e cada microcultura) existem regras que todos os participantes conhecem e cumprem mas de que a maior parte das vezes não têm consciêcia. As tradições, usos e costumes asseguram as praticas sociais, a harmonia social e a resolução de conflitos. Nomes, sobrenomes, alcunhas, heranças, residência está tudo codificado mais doa ue no direito escrito no direito consuetudinário. Se por lei formal a sociedade na vila de Vilar Maior era uma sociedade patriarcal, na prática em muitos aspectos ela era matriarcal. Em regra, a mulher ficava menorizada saindo da tutela do pai para a tutela do marido, adquirindo, por vezes, o nome e a autonomia quando viúva. Nessa altura, o nome próprio passa a ser usado com o sobrenome de família, declinando-se no feminino, se for o caso: Cardosa, Monteira, Pinheira, etc. A identidade dos filhos faz-se, no dia a dia, pelo nome da mãe: o Júlio da ti Filomena, o Manel da ti Ester, o Carlos da ti Graça, o Tó da ti Maria Gila. A identificação das mulheres casadas faz-se por pertença ao marido: A ti Filomena do Ti Zé Badana, a Ester do ti Fernando, a Graça do ti João Marques. Os filhos são das mães, as mulheres são dos homens. Quando o homem é de fora e casou e reside cá, frequentemente, toma ele o nome da mulher: o Zé da Lúcia. Dado o fechamento destas sociedades, por norma predomina a endogamia, sendo destinadas as mulheres da terra aos homens da terra, razão pela qual quando um estranho aqui vem namorar lhe ser exigido, inexoravelmente, um tributo pelos rapazes solteiros - o chamado pagamento do vinho. Claro que este ritual ao mesmo tempo que torna mais sério o compromisso do pretendente também traduz uma forma de integração do estranho na comunidade. Há uma infinidade de histórias a este respeito, cada caso dando origem a uma ... E nem todas acabavam bem.
publicado por julmar às 19:57
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1 comentário:
De MANUEL LEAL FREIRE a 3 de Setembro de 2011 às 17:21
PATRONIMICOS,MATRONIMICOS,TOPONIMICOS, NOMES ENCOBERTOS,ALCUNHAS


Em tempos idos,quando o romanço,nossa lingua patria inicial,tomou a vez do latim latao, a regra para obter novos nomes era a patronimia.
Assim,o filho do HENRIQUE,seria HENRIQUES,o de SANCHO,SANCHES,o de PEDRO,PERES.
O REGISTO PAROQUIAL que foi o unico até 1911,dava apenas o nome principal,por isso chamado de pia ou de batismo.
os outos e havia quem tivesse muitos eram compostos a geito.
Aqui na Raia,nitidamente por influencia espanhola o ultimo vinha da mãe.
EU,FILHO DE FRANCISCO LEAL e de GUILHERMINA FREIRE tenho o nome civil de MANUEL LEAL FREIRE.
Também se diz que esta prevalencia decorre duma certa desonfiança,alias pouco justificada em gente de saos costumes como somos nós os beiroes.
Desconfiança de todo em todo injustificada pelo bom porte das mulheres da zona e que certamente radica no aforismo latino--MATER SEMPER CERTA,PATRIA NUJNQUAM...
De qualquer modo,nos meios rurais,sobre os nomes do registo,prevalecem muitos outros
De resto há cidadãos conhecidos e tratados por nomes que nada tem a ver com os ,digamos,OFICIAIS.
Dois exemplos:
Um prestante lavrador,registado como ALEXANDRE FERNANDES foi toda a vida,aliás ,conhecido por JOAO LAGARTO,JOAO POR VIRTUDE DO TIO QUE O CRIOU;
LAGARTO,POR SER ORIUNDO DA ARRIFANA.
MANUEL DABÓ esse registralmente era JOAO DOS REIS
Muitas vezes,como se frisa no texto que serve de base a este comentario,é a mãe que dá o mote.
Outras a terra de origem
MANUEL ALVERCA;JOAO BATOCAS;ZE ESPANHOL
Outras um potamonimo
CHICO DO COA;CHICO DO PEREIRA
MAIS AINDA O OFICIO, PROPRIO OU DA FAMILIA
ALFAIATE,FERREIRO,FERRADOR,POLICIA
O defeito fsico
COIXO,ALEIJADO,MANETA,SEIS DEDOS,MARRECO,CAMBADO...
Por vezes uma simples circunstancia,como ter participado numa peça de teatro.
PILATOS, CAIFAS, HERODES


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