Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Povoar as Beiras

SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO

Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Autos arquivados no armário 5, maço 7:

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado, o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi argüido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido:

- com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos;

- de cinco irmãs teve dezoito filhas;

- de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas;

- de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas;

- de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas;

- dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas,

- da própria mãe teve dois filhos.

Total: “duzentos e setenta e cinco, sendo cento e quarenta e oito do sexo feminino e cento e vinte e sete do sexo masculino, tendo concebido em cinqüenta e quatro mulheres".

E mais,

El-Rei D. João II perdoou-lhe a morte e mandou-o em liberdade aos dezassete dias do mês de Março  de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região  da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo.»

publicado por julmar às 12:02
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2 comentários:
De Ribacôa a 16 de Novembro de 2007 às 23:58
Duzentos e setenta e cinco filhos? É obra!
Aqui está o que se pode considerar um verdadeiro milagre. Não o da multiplicação dos pães e dos peixes mas o milagre da reprodução. Não tanto pelo facto da proeza vir de um padre, mas sim por tal não estar ao alcance de um qualquer mortal. Direi mesmo que tal façanha é digna de um verdadeiro garanhão e seria digna de figurar no Guiness Book of Records. Olha se naquele tempo existisse subsídio de natalidade, abono de familia e outros! Lá ia a coroa à falência. Aparecessem hoje por aí umas dúzias de Padres Costa e estaria resolvido o problema da fraca natalidade em Portugal. Mas, como tudo na vida, não há bela sem senão e o Padre Costa foi condenado nos termos descritos no texto à pena capita, mas a qual não lhe chegou a ser aplicada. Decisão sábia e pragmática do monarca D. João II (não terá sido por acaso que teve o cognome de Príncipe Perfeito), ao revogar e mandar arquivar a sentença, mandando o Padre Costa em paz. Ele, monarca, que não se coibiu de retirar privilégios à nobreza, de mandar executar o Duque de Bragança, D. Fernando e de ele próprio ter apunhalado, em Setúbal, o Duque de Viseu, por ambos terem conspirado contra si. Não sabemos se Deus perdoou ao Padre Costa. Sabemos, isso sim, que que o rei lhe perdoou, premiando-o, por ventura, pelos bons serviços (qual verdadeira máquina reprodutora) prestados ao reino, ao ter cumprido os desígnios do seu povoamento.


De Manuel Maria a 19 de Novembro de 2007 às 15:45

lol

É como diz "Riba-Côa":

« é da falta de padres...»




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