Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

A cor da pele

Heraclito, filósofo grego, foi o primeiro a afirmar que a mudança é a própria natureza ou essência das coisas: Tudo  muda. Numa época em que para além das mudanças cíclicas da natureza pouco mais se via mudar. Com a as mudanças aceleradas  a que assistimos hoje vemos jovens de 30 anos a dizer "no meu tempo...".  Para quem tem 60 anos são muitas as coisas que já não são "como soía".

A gordura sinal de saúde, de força e de riqueza e de formusura passou a ser sinal exactamente do contrário. E não me esqueço do desgosto da minha mãe me ver, no verão, com a pele tão tisnada a ponto de ter comprado uma pomada que me colocava nas manhãs de verão, muito cedo, antes do sol nascer, acrescentada da recomendação:- Tu, põe o chapéu na cabeça. É que ser moreno, preto, tisnado era mesmo indesejável. A pele branca, alva, essa sim, era apreciável. Por isso, as mulheres usavam o largo chapéu de palha e as senhoras usavam as sombrinhas.

É o que nos conta Guerra Junqueiro (1850- 1923)

 

Morena

Não negues, confessa
Que tens certa pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena.

Pois eu não gostava,
Parece-me a mim,
De ver o teu rosto
Da cor do jasmim.

Eu não... mas enfim
É fraca a razão,
Pois pouco te importa
Que eu goste ou que não.

Mas olha as violetas
Que, sendo umas pretas,
O cheiro que têm!
Vê lá que seria,
Se Deus as fizesse
Morenas também!

Tu és a mais rara
De todas as rosas;
E as coisas mais raras
São mais preciosas.

Há rosas dobradas
E há-as singelas;
Mas são todas elas
Azuis, amarelas,
De cor de açucenas,
De muita outra cor;
Mas rosas morenas,
Só tu, linda flor.

E olha que foram
Morenas e bem
As moças mais lindas
De Jerusalém.
E a Virgem Maria
Não sei... mas seria
Morena também.

Moreno era Cristo.
Vê lá depois disto
Se ainda tens pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena!

Guerra Junqueiro, in 'A Musa em Férias'

 

publicado por julmar às 10:06
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1 comentário:
De MANUEL LEAL´FREIRE a 19 de Outubro de 2011 às 18:00
UM POEMETO DE LORCA ÃS CORES DO FEMININO

Lucia Martinez
Umbria de seda roja

Tus muslos como la tarde
Van de la luz a la sombra
Los azabaches reconditos
Oscurecen tus magnolias

Aqui estoy Lucia Martinez
Vengo a consumir tu boca
Y a arrastarte del cabello negro
En madrugada de conchas blancas.

Porque quiero y porque puedo
Umbria de seda roja

OUTRO POEMETO

EL SATIRO BLANCO

Sobre narcisos inmortales
Dormia el satiro blanco

Enormes cuernos de cristal
Virginizaban su ancha frente

Elk sol,como un dragon vencido
lamia sus largas manos de doncel

Flotando sobre el rio del amor
Todas las ninfas muertas desfilaban

El corazoin del satiro en el viento
Se oreaba de grises tempestades

Liringa en el suelo era una fuente
Con siete azules caños cristalinos


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