Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

A propósito da concessão do Foral de D. Dinis a Vilar Maior e da iniciativa da Casa Villar Mayor

Desde os bancos da escola primária que a figura de D. Dinis (1261-1325),sexto rei de Portugal me fascinou. Coroado rei aos 17 anos, haveria de reinar activamente durante 46 anos. Aos seus êxitos políticos e culturais não há-de ter sido estranha a educação de seu pai,Afonso III, o Bolonhês, e a cultura de seu avô Afonso X, o Sábio.
Se tivesse de escolher o melhor rei de Portugal, não hesitaria na escolha, por razões nacionais e por razões locais, integradas estas naquelas.
Contribui decisivamente para a criação da identidade nacional ao instituir a Língua Portuguesa como língua oficial da corte; ao criar a Universidade Portuguesa; ao ter consciência da importância do Mar lançando as bases para a aventura dos descobrimentos (plantação do Pinhal de Leiria, contratação do Almirante Genovês Manuel Pessanha). Desenvolvimento da agricultura. Arados em terra, barcos no mar, assim era traçada a estratégia. Com D. Dinis tornámo-nos o país com as mais velhas fronteiras lavradas em Tratado: o Tratado de Alcanizes celebrado com o rei de Leão e Castela, Fernando IV em 12-09-1297, pelo qual passa para Portugal a região de Riba-Côa que compreendia as seguintes povoações e Castelos: Almeida, Alfaiates, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Rodrigo, Monforte, Sabugal e Vilar Maior.
E, claro, D. Dinis porque concedeu o foral pelo qual Vilar Maior acedia ao estatuto de Concelho.
Num tempo que não havia automóveis, nem combóios, em que os caminhos eram veredas, vinha o rei a estas terras cuidar das terras e das gentes, ouvir dos abusos e injustiças dos grandes; cuidar da defesa do país que era por aqui que começava. Fazia-o porque era rei e um bom rei cuida bem do reino em troca de nada; e porque sabia que um reino é feito de todas as partes; fazia-o porque tinha um projecto, um desígnio e tinha autoridade que lhe vinha por linhagem mas que cultivava os dias todos.
De cognome, o Lavrador. Mas poderia ser, Sábio como o avô. Ou Poeta.
Imaginem só o nosso Presidente como Poeta a fazer uma Cantiga de Amigo! ou o nosso Primeiro-Ministro a fazer uma Cantiga de Amor! Ou o nosso ministro Relvas a criar uma Universidade! Ou a Merkel a fazer um " Milagre da Rosas"!
E, ainda, memória dos bancos da escola, extrato do pema de Afoso Lopes Vieira:

Pinhal do Rei
Catedral verde e sussurrante, aonde
a luz se ameiga e se esconde
e aonde, ecoando a cantar,
se alonga e se prolonga a longa voz do mar:
ditoso o "Lavrador" que a seu contento
por suas mãos semeou este jardim;
ditoso o Poeta que lançou ao vento
esta canção sem fim...

Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
que vedes no mar?
Ai flores, ai flores do Pinhal florido,
rei D. Dinis, bom poeta e mau marido,
lá vem as velidas bailar e cantar.
(...)
Afonso Lopes Vieira
publicado por julmar às 17:27
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