Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

ILUMINAÇÃO PÚBLICA E PRIVADA - Dr Leal Freire

Contrariamente  ao  que  sucedia  na  vizinha  Espanha,onde  pequenos  pueblos   como, por  exemplo, Alamedilha, que  uns   dizem  DEL CHOZO, outros  DE  AZABA, ou  até  fincas   de  pouca  importãncia  como  Los   Campanarios  se  encontram   já  dotados  de  luz  eléctrica  desde  os   princípios  do   século  passado, portanto   há  mais de  cem  anos, a  RAIA  SABUGALENSE  só muito  tarde  veio  a  gozar  daquele  benefício.

De  maneira que  no pré  e  post crepúsculo   só  a  lua    valia  aos  noctivagos  de índole  ou necessidade.

Aliás, mesmo dentro de casa  ou nas  palheiras   do gado, o  negrume  era  rei.

O  problema  foi  particularmente  sentido  na  década  quarenta do  século  passado, quando, face  ás  contingencias  da  Segunda   Grande  Guerra,   o petróleo, o principal  dos  gases  de  iluminação, quase desapareceu  do Mercado  e  o  azeite   e outras  gorduras  usadas   como  sucedâneo  foram objecto de   apertado   racionamento.

O  petromax  era  um luxo caro  e inacessível  a  novecentos  e  noventa  e  nove  por  cento  dos  íncolas, que  também  desconheciam  as  outras  pedras iluminantes.

As  velas  de cera, por  serem  de  preço  muito  alto, restringiam-se  aos  actos de  rito,

E as  de  sebo, não  se  vendiam por  aqui.

De  sorte   que, posto o sol  e  não sobrevinda  a  lua, era  ainda  à  mae-natura   que se  recorria.

A lumeeira  de  palha, o  galho  de  pinho—do bravo—porque  o manso  mal debuta—,

a  rama  da  giesta, a   pinha  constituíam  o material iluminante—dentro  e  fora   de  portas.

Até  na casa  do  correio, ou seja  do  influente   local   onde  se  ia  pôr  e  levantar   a  correspondência, se  adregava de  chegar   já  depois  do  crepúsculo  nocturno, o  solicito distribuidor armava-se  de  lunetas  e  acendia  uma  pinha, não  com um fósforo, mas  chegando-a  ao braseal  que  rechinava.

Assim  o mandavam  elementares  preceitos  de  economia  centrados  no rifão: Quem  não  poupa  um palito, nunca  chegará  a  rico.

Por  vezes, muitas  vezes   até, não  era  a sovinice  mas   a  rareza  da  moeda   cunhada   que  levava  a  pedir  uma brasinha  de  lume  á  vizinha  que  mais  cedo acendera  a  lareira.

É  que, antes   do  grande  exôdo, dois  tostões, preco  da  caixinha  dos  amorfos, eram  dois  tostões...  que  nem  sempre  tilintavam  no bolsilho  de  qualquer.

publicado por julmar às 17:01
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