Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Caro António Gata

Nos finais da década de 60 (para a nossa geração é uma década mágica) o homem pousou na Lua. Fomos testemunhas porque o padre Francisco Vaz tinha uma televisão que funcionava com uma bateria e decidiu que o povo deveria televisionar tal facto histórico. À época em Vilar Maior (e nas aldeias) os estudantes constituíam como que um grupo especial – uma elite.  Por razões várias, o padre Francisco incentivou à constituição de uma associação de que tu, o Joaquim Simões e eu constituímos a direcção. É verdade que teve uma existência efémera mas não deixou de ser importante. Enfim, tudo isto para dizer que o ser conterrâneo, ser vizinho, ser amigo e termos partilhado projectos  de desenvolvimento para a nossa terra se sobrepõe a qualquer divergência de ideias ou de perspectiva sobre o que está bem ou o que está mal. Acrescento que por formação académica, profissional e por forma de estar na vida a crítica me é absolutamente indispensável como forma de melhoramento pessoal e só faço crítica quando entendo que a mesma pode ser útil aos outros. Finalmente, uma crítica à obra não é uma crítica ao autor. Se alguém diz que faço poesia de má qualidade, não está a dizer que sou má pessoa, mas apenas mau poeta.

Porque sei que muitos não têm em conta estes pressupostos é que é sou parco  a opinar quer por escrito, quer oralmente sobre assuntos da nossa terra.

Devo dizer-te que fiquei agradado pela forma como expuseste os teus pontos de vista e considero legítimo que defendas as obras realizados nos teus mandatos. Considero que poucas pessoas se terão empenhado tanto pelo desenvolvimento de Vilar Maior como tu. Que nunca se realizaram tantas obras em Vilar Maior como nos teus mandatos - à excepção das que estão em curso. E lá está! Nem tudo o que acontece em Vilar Maior é por virtude (ou falta de virtude) do Presidente da Junta. As que se estão a realizar presentemente são as maiores obras de vulto jamais realizadas até hoje.

Concordo contigo que houve obra meritória e o Centro de Dia é o seu maior testemunho. E, certamente, é também de reconhecer a disponibilidade e atenção constante para resolver mil e um pequenos problemas dos fregueses que nenhuma retribuição paga. E aqui está a tua confusão. Eu não estou contra o facto de o Presidente da Junta de Vilar Maior ser remunerado. Sou contra o facto de os presidentes da junta serem remunerados. No Verão passado visitei várias aldeias raianas da parte de Espanha, entre elas Navas Frias. Ora, aí o equivalente ao Presidente da Junta não recebe remuneração. Em contrapartida existe um funcionário administrativo a tempo inteiro que, sem favor, atende a todos os problemas, nomeadamente os burocráticos. Mas também mostra o museu aos visitantes, como foi o meu caso, e desempenha outras funções. São formas diferentes de entender as questões: O Presidente da Junta é um político (candidata-se com um programa por uma força política e é sufragado pelos eleitores) não um funcionário administrativo.

Quanto á tua confessada tristeza quanto à afirmação de que algumas obras terão sido feitas “por palpite misturadas com interesses alheios ao interesse comum” tem a ver com a tua perspectiva de centrares tudo em ti. Obviamente que se tudo quanto foi feito dependeu de tua inteira vontade terás de assumir total responsabilidade. Porém, estou em crer que como me dizes “muitas variáveis estão em jogo e que muitos condicionalismos interagem” e, nesse caso, tu melhor que os que estão de fora saberás responder porque as coisas foram desse modo e não de outro qualquer. Estando de fora e nunca me tendo sido explicado, nunca entendi porque se fizeram obras que não responderam a nenhuma necessidade: Um tanque de lavar roupa ao cimo das eiras, um bebedouro ao largo das portas, um posto de recepção do leite(?) na Ladeira; terá havido um projecto a montante da ponte romana que levou ao início de obras (com expropriações?) que deram no que lá está; Depois não basta fazer obra, é preciso que seja obra bem feita. Na minha opinião, a casa onde está sediada a Junta de Freguesia foi um atentado às mais elementares regras de urbanismo. E, sinceramente, acho que são obras por palpite e que qualquer engenheiro ou arquitecto, digno do nome, teria vergonha de assinar. Mas lá está: não é a Junta de Freguesia que licencia obras, pelo que não deves centrar tudo em ti. Como, certamente, não és responsável por atentados urbanísticos, que certamente também lamentarás, alguns dos quais são anteriores aos teus mandatos, cujos intervenientes são particulares e Câmara Municipal.

Não me move nenhum especial gosto de polemizar com um amigo que prezo mas seria pouco curial não responder de forma leal e sincera ao repto lançado.  Aliás, o BLOG a que presido e cuja leitura te levou ao artigo publicado no RENASCER, iniciou-se com um convite a todos os vilarmaiorenses para que escrevam sobre a sua terra. O RENASCER é dos poucos elos que une os conterrâneos espalhados por todo o mundo, sobretudo os mais velhos. Aos mais novos habituados a navegar na Internet, este BLOG pode ser uma forma de lhes manter viva a memória da terra dos seus pais, avós e quem sabe de os motivar a visitá-la com mais frequência. A todos apelo à participação neste moderno meio de comunicação, fazendo comentários, sugestões, contando histórias, mandando fotografias que eu prometo publicar. Então, o endereço é http://vilarmaior1.blogs.sapo.pt

Se quiser colocar questões pode usar o mail:  julmarjsm@hotmail.com

Estou a escrever (não sei quando será publicado – quando é que em Vilar Maior temos sinal para aceder à Internet?)no último dia de 2007. Por isso, desejo a todos um novo ano cheio de saúde, paz e alegria. Além destes votos, um abraço ao amigo António Gata.

publicado por julmar às 15:57
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4 comentários:
De Ribacôa a 2 de Janeiro de 2008 às 22:10
Gostaria de comenta. Mas como sou uma espécie de desterrado e o Renascer ainda não me chegou às mãos (é um género de comboio espanhol - quando lhega , lhega -), fica a aguardar melhor prova.


De Katekero a 3 de Janeiro de 2008 às 19:04
Lugares comuns? talvez não.
"Errare humanum est ". Se errar é humano, é porque ninguém é perfeito. Porém, reconhecer os próprios erros, além de ser uma virtude, constitui um acto de inteligência. Quando assim não acontece, mais não se pode dizer senão:
Cego não é o que não vê; Cego é o que vê mas não quer ver.


De Ribacôa a 7 de Janeiro de 2008 às 01:20
Com o comentário que se segue não se pretende polemizar o que quer que seja e, muito menos, criticar seja quem for. Com ele, pretendo apenas opinar sobre situações reais e concretas, porque me assiste esse direito e quero exercê-lo. Começo por referir que das obras referidas neste post, a única em que tenho alguma quota parte de participação foi no Centro de Dia, e diz respeito a determinado montante pecuniário por mim doado, tendo em vista a sua construção. De outros gestos similares poder-me-ei arrepender, deste nunca, bem pelo contrário. Já quanto a todas as outras, se nelas tivesse alguma responsabilidade, não teria nenhum orgulho nisso, pelas razões expendidas pelo respondente. Porém, o pior é que há outras situações merecedoras de reparos e cito o caso da pseudo-barragem das eiras que constitui um bom exemplo de inutilidade. Afinal para que serve? Passagem de peões e animais? É óbvio que o principal objectivo que levou à sua construção nunca foi esse. E quais os custos dessa obra? Não, não me refiro a custos económicos, mas à delapidação do património histórico. Sim, porque para a sua construção foram sacrificadas as poldras seculares a montante da mesma que, em termos de valor arquitectónico, poderiam valer zero, mas de incalculável valor sentimental. Não constituíam elas um legado dos nossos antepassados? E quem autorizou a sua remoção? No mínimo, são actos reveladores de falta de sensibilidade para as memórias do passado. E terá sido respeitada a opinião dos outros? Até parece que não havia pedra de sobra nas redondezas, para terem de aplicar (se é que foi esse o destino) as poldras na construção do açude. E é curioso como dos erros do passado não se conseguem retirar os devidos ensinamentos. Então quem não sabe, por ter ouvido contar, que as paredes do cemitério foram construídas à custa da demolição da Igreja da Senhora do Castelo? Estava meia arruinada dizem. Porém, perfeitamente recuperável , dizem também. Mas há mais. Também o corpo da capela do Senhor dos Aflitos foi feito com a pedra da capela do Espírito Santo esta, segundo consta, já completamente arruinada. No entanto, há que salientar que estes dois casos embora de maior dimensão, remontam a outros tempos. Para concluir, direi tão somente que se no caso das poldras, se a acção tivesse sido praticada por um particular, por ela responderia nos termos legais apliáveis , cuja sanção poderia implicar, entre outras, a reposição do "status quo ante" (do estado anterio ). E tratando-se de uma entidade administrativa como foi o caso?


De Vilar a 9 de Janeiro de 2008 às 15:11
Se perguntar não ofende eu pergunto, comentando, as seguites afirmações do ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vilar Maior, Sr. António Gata, constante do último nº. do Jornal RENASCER:
.....«Quando assumi funções (na Santa Casa da Misericórdia) a receita anual rondaria os 300 contos, obrigando a contar todos os tostões...»
....«Quando terminei o meu mandato....., eram já muitas as dezenas de millhares de euros que anualmente geria e muito maior o património que possuía, sem que nada tivesse sido alienado....».
As perguntas:
a) Se as finanças da Instituição em causa gozavam de tão boa saúde, qual o porquê da necessidade recente do recurso à boa vontade dos particulares, tendo em vista fazer face às obras de reparação dos altares da igreja da Misericórdia sediada em Vilar Maior?
b) De igual modo, qual o porquê da necessidade de proceder à venda, com a mesma ou outra finalidade, tambem, recentemente, de património imobiliário que lhe estava afecto?
c) Refer receitas em fim de mandato. Mas não deveria referir, igualmente, dívidas vencidas ou vincendas, por força de projectos com custos a reflectir no mandato seguinte ( no caso de existirem)?
d) Como não me passa pela cabeça qualquer eventual má gestão das receitas da Instituição por parte dos actuais corpos sociais, grato ficaria aos ilustres bloguistas, podendo e querendo, me esclarecessem sobre estas dúvidas.
E já agora: para quano o lar de terceira idade para Vilar Maior?
Antecipadamente, os meus agradecimentos.


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