Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Espiral, Espirituoso ou simplesmente Espiritual - Mazz

Ainda a missa de natal 

Neste Natal decidi assistir ao serviço religioso na minha aldeia no próprio dia de Natal. Convém dizer que a missa na minha aldeia não tem muitos adeptos, pelo menos só vi umas cinquenta pessoas que fariam cerca de um quarto da capacidade da Igreja. Pelo que sei sobre a minha aldeia nem sempre este cenário era frequente, bem… não o era há uns anos atrás, agora tem sido cada vez mais habitual. A devoção, essa já é mais difícil quantificar mas acredito que se tenha mantido constante e inalterado nos presentes.

Confesso que não sou muito religioso, no entanto acredito que se existe um grupo de mais de cinco pessoas a ouvir falar uma, este individuo que fala exerce uma espécie de influência sobre os ouvintes. Neste texto não vou querer avaliar o auditório, mas sim as competências do orador.

Um padre que corre várias igrejas proclamando ser um canal de comunicação para a mensagem do Senhor tem um enorme poder. Se em cada aldeia tem 20 simpatizantes e o padre corre 5 aldeias, este padre conta com uma centena de seguidores. Comparado com uma pessoa normal o padre tem um maior potencial para manipular influências.

Ora, o senhor padre que eu fui ouvir começou-se por desculpar-se por ter chegado atrasado. Um homem não deve pedir desculpas quando não tem culpa. É culpado de chegar atrasado, mas não tem culpa que a missa anterior se prolongou porque para além do serviço natalício, teve de realizar um serviço fúnebre. Pior que o pedido de desculpas é o facto de ter questionado o auditório se acreditavam nele. Pois, eu fiquei na dúvida se o atraso se deveu ao que ele disse ou omitiu a verdadeira razão do atraso. De qualquer forma nunca passaria num filtro de pessoas credíveis.

Depois deste episódio ridículo começa a missa como uma actividade em conjunto que tenta exercitar a espiritualidade em cada um dos participantes. Para alguns será só o repetir de palavras sem significado, para outros serão versos de sabedoria sagrados que a sua repetição os eleva para mais perto da salvação.

Há uma parte que o senhor padre fala sobre o Natal, o José, a Maria, Jesus. Cita a situação particular descrita na bíblia. Essa parte que o senhor padre narrou já com a influência bastante católica fez-me reflectir. O senhor padre proferiu que o filho do Senhor que poderia ter nascido num palácio com as maiores das riquezas da humanidade, nasceu numa manjedoura, na maior das pobrezas materiais envolvido num drama de perseguição. E a razão segundo o senhor padre para isto acontecer é para que mostrar às pessoas que o Natal não é só consumismo, cartões de crédito, prendas, comer e beber em família, é também lembrar que o filho do Senhor podia ter tudo e o Senhor escolheu que ele nascesse no meio da Pobreza. É uma questão interessante e pode ser justificada, argumentada e até criticada por diversas partes. Eu fixei esta ideia e exponho-a aqui desta forma, como terá percepcionado essa história o pobre que fazia parte da audiência, que não tem cartão de crédito e que não come nem bebe do melhor. Que sentido faz este sermão para essa pessoa?

A religião Católica levanta todo o tipo de dilemas morais e tem a sua interpretação para todos esses dilemas. O rebanho para ficar espiritualmente sossegado acredita nessa interpretação. Portanto a experiência espiritual numa missa não são os dilemas, a competência do orador, da manipulação das influências, ou da devoção mas sim de um conjunto de pessoas cantar, rezar e acreditar em conjunto no mesmo ideal.

 

Titulo original: Espiritual, Espirituoso ou simplesmente Estúpido.

publicado por julmar às 22:12
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2 comentários:
De Manuel Maria a 18 de Janeiro de 2008 às 17:02
Pois não... Não faz sentido; porque assenta num pressuposto falso:
O de que todos vivem de "barriga cheia"!



De Anónimo a 19 de Janeiro de 2008 às 23:12
Vejo o conteúdo do poste mais como uma pedrada no charco, um despertar de consciências , uma maneira diferente de ver a mesma realidade. A conclusão final encerra uma opinião respeitável, mas nunca uma verdade absoluta, já que estas não existem, muito menos quando se aflora um tema de tamanha complexidade como é a religião. Sendo assim, nada melhor que sair um pouco do sério para classificar as atitudes do Padre; E penso que se ele tivesse que se defender diria:« Parto do princípio de que os de fora conhecem e cumprem a máxima que diz»: Em Roma sê romano.


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