Sábado, 2 de Novembro de 2013

A Vila, importante centro comercial na primeira metade do século passado - Dr Leal Freire

Alguns textos, como este, do Dr Manuel Leal Freire são um precioso contributo para a História de Vilar Maior no século passado

  

Para os  moradores dos povoados  em redor, a  vila, a  vila  por  excelência é  Vilar  Maior As outras vilas, o  Sabugal incluído, só se identificam  pelo nome  todo. É a homenagem devida à antiga sede de concelho, que o foi por vários séculos. Mas  é  também  reminiscência  dos  anos  posteriores  à  extinção  quando o  pessoal das  aldeias  tinha  de deslocar-se  a Vilar  Maior para  adquirir  bens essenciais, aquilo  a  que no linguajar  comum  se  chama  o  que  há  de mister.

Nalguns daqueles  lugarejos, nem uma  taberna  havia.

Se se acabassem os fósforos, por  ali  chamados  palitos ou paulitos, ia-se, com  uma  tijola  pedir  uma  brasa ao  vizinho  que  já  tivesse  lume  a  arder.

O petróleo iluminante quase  se desconhecia  e  mesmo  a  candeia  a  azeite  pouco  se acendia  que  aquele  bendito  óleo, que  alumiava  o  Senhor, era  pouco  para  a molhanga  das  batatas. E, a  taberna, quando  existia, limitava-se  a  fornecer  vinho  ao copo, aguardente  aos calechos, pirolitos   e umas  laranjadas  de  fabrico  artesanal.

Ora, ao  tempo, existiam  já  na vila  dois  estabelecimentos  a  que se  poderia  chamar  de  tem-tudo.

Eram os Gatas e os Freires.

Os  primeiros  eram  aborígenes, isto  é  naturais  da  Vila. Os  Freires, cujo  pai  pertencia  a  uma  linhagem  de  mercadores  de  nação, isto é  de sangue  judeu, que  vindo  de  Alverca  da  Beira, viera, por casamento  e  veniaga, radicar-se  na Bismula, abriram  loja  em várias  localidades  da zona Um deles, de nome  Albino instalou-se  e  prosperou  em  Vilar  Maior. O  seu  estabelecimento  conseguiu  efectivamente  tomar  uma  posição concorrencial  face à  Casa Gata, não  obstante  a  maior  antiguidade  desta   e  o peso  da  sua  tradicional clientela.

Mas  tanto  no  Senhor Aníbal, como  no Senhor Albino os  habitantes   de  Vilar Maior  e  aldeias  circunvizinhas - ou  até  mesmo  os  espanhóis  de  Alamedilha   podiam    adquirir   os  artigos  de  mercearia, panos, quinquilharia, retrosaria, drogaria de uso  mais  corrente

Os dias de maior movimento eram  os  domingos  e  feriados  religiosos  em  que  convergiam  para  as  duas   lojas   muitos   moradores   de  Aldeia  da  Ribeira, Escabralhado, Arrifana, Badamalos, Carvalhal  e    Bismula

Esta  ultima, porém, viria  a  autonomizar-se, autoabastecer-se,   e  até  a  tornar-se  concorrencial,    com  a  loja  do  Senhor  António  Mendes, vindo  de  Angola, com   um  bom fundo  de  maneio  nos  finais  da  Segunda  Grande  Guerra.

De  referir  que  um  filho  do  dito  Senhor  Mendes, de  nome  completo  José Corceiro Mendes  estagiou  nos  Gatas. Mas  não  seguiu  a  carreira  comercial. Foi  professor  em Portugal  e  na  Alemanha, tendo   na  última  fase  da  vida - faleceu  recentemente -estanciado  na  Casa do Professor.

publicado por julmar às 13:15
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