Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

Uma geração de mestres da construção civil: A família Seixas - Dr Leal Freire

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José Seixas, ao centro (1884-1948)
Ao lado direito, sua irmã Augusta Seixas (tinhamais uma irmã Isabel Seixas e um irmão Bernardo Seixas). Do seu lado esquerdo a sua primeira mulher, Ana Cerdeira (mãe do António e do César) e a irmã desta Filomena Cerdeira. O cão também teve direito a ficar no retrato.

A  casa  que meu  pai mandou  alindar e se  situa  na  freguesia  da  Bismula, junto  ao largo  do  mercado  das  gentes,  ostenta na fachada  um  belo  reboco, que, mau grado os seus setenta  e  cinco  anos, ainda  hoje  impressiona, quer   pela  forma, quer  pelo colorido. Trata-se de uma sucessão de  pequeníssimos  cones  que  preenchem  todo o espaço.

Suponho eu, alheio  às  técnicas  e  materiais  da  construção  civil,  que  terá  sido utilizada  argamassa  embebida   em  qualquer  tinta  ou verniz  cor  de  rosa  palodo.

O  efeito  agradabilíssimo para  os  olhos  teve  ainda  a  virtude  de  resistir  ao  tempo - os  já  invocados  três  séculos  de  duração - e  às  asperezas  e  oscilações  climáticas  que  vão  dos  quarenta  graus  de  Agosto aos dez  negativos  das  noites do  advento ou  dos  reis.

Pois  foi  tudo  obra  de   Mestre  SEIXAS   que  eu  conheci  nos meus  verdes  anos e   deixou, pelo menos, dois  filhos.

António que  lhe  seguiu   a  arte   e  graças  a  Deus  nela  prosperou  e  vive   ainda  e  César, infelizmente já no   Além, que  seguiu  outro  caminho  profissional, pois tendo  sido  marçano  até  à  incorporação  militar,  se  alistou  na  guarda  fiscal  onde  fez  carreira  e  era  muito  querido e  respeitado.

Com  ambos  fiz  laços   de  perene  amizade   e  com  o  César  privei  longos  anos pandegando  juntos no  grande  Porto, nomeadamente  na  Casa da Beira Alta  e  em  riquíssimos  banquetes   com  quadros  superiores  da  Guarda  Fiscal  e Delegações   Aduaneiras, despachantes  e  grandes  importadores.

Devotados   amadores   da  Santa Terrinha, Vilar Maior, Bismula, Todo o Carril dos dois lados da Fronteira, centenas de vezes viemos juntos do Porto para a Raia, trazendo connosco companheiros de farra para matanças, jantares de bucho, cabritadas e arrozadas de lebre...

Mas  voltando  ao  talento   do  MESTRE  SEIXAS  PAI, recordo-me  de  o  ver  em  obras de  Aldeia  da  Ponte - restauro  do  Posto  Fiscal, de  parte do  velho   convento, Claretianos, das  residências  de  quatro  grandes lavradores  locais, Doutor Camejo, Professor   Arnaldo  Manso, Francisco  Chorão  e  António  Barreto.

Trabalhou  igualmente nas  Termas  do  Cró - balneários  e  casas  de  hóspedes.

E  na  estação  da  Cerdeira, ao  tempo  de reconhecida  importância  como   porta   e  pulmão   de  uma  vasta  zona  que ia  da  Raia  Sabugalense  às Abas  do  Jarmelo.

Como  na  Ruvina, em  instituições   de  benemerência  e  casas  de recepção  a  altos  dignitários  da  Igreja

A  fama  dos  Seixas, os  filhos  de muito  novos  coadjuvavam  o pai  e  com  ele  aprendiam  os  segredos  e  as  técnicas  do ofício, chegou ao limite  sul  do  concelho.

Levando-os  trabalhar  na  freguesia  do  Casteleiro, nomeadamente  na  Quinta  de  Santo  Amaro, na  Vila  Mimosa   e  no  solar  dos  Rosas

Aliás  transcendeu-o  mesmo, pois  andaram por  Pega, já  do município  da  Guarda, sendo  numa  povoação das cercanias desta  terra de sapateiros, padeiros, laneiros  e  manteiros, se me  não  engano  em   Monte  Brás  que  o CESAR   trocou   a  espátula  e o  pincel  pelo  metro  do  chitolenço

Enfim, o  talento dos  SEIXAS  DA  VILA está  bem  documentado  algures   e     nenhures, ou  seja  na Raia  e  para  além  dela

As  nossas  homenagens, pois...

publicado por julmar às 11:27
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1 comentário:
De joao valente a 21 de Novembro de 2013 às 22:13
A tecnica da pintura no reboco que utilizavam era a dos frescos. O que ja revelava uma arte apurada e é a razão da durabilidade.


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