Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Em dia de namorados, recordar Lianor

A molide, que outros noutros sítios designam de rodilha, era. como mostra a imagem um objecto de pano que as mulheres colocavam na cabeça para transportar os cântaros de barro quando iam à fonte. Que as mulheres tinham menos força que os homens era assunto sem discussão. Mas quando se tratasse de levar carregos à cabeça a coisa mudava de figura: Cestos enormes transportando comida para os ceifeiros, ou cestos cheios de uvas, ou cestos cheios de roupa lavada, ou , ou não havia que não pudesse ser transportado. Com a molide a servir de amortecedor. Isso é que eram cabaças!

Descalça vai para a fonte

Lianor pela verdura;

Vai fermosa, e não segura.

 

Leva na cabeça o pote,

O testo nas mãos de prata,

Cinta de fina escarlata,

Sainho de chamelote;

Traz a vasquinha de cote,

Mais branca que a neve pura.

Vai fermosa e não segura.

 

Descobre a touca a garganta,

Cabelos de ouro entrançado

Fita de cor de encarnado,

Tão linda que o mundo espanta.

Chove nela graça tanta,

Que dá graça à fermosura.

Vai fermosa e não segura.

 

                  Luís de Camões

publicado por julmar às 10:31
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3 comentários:
De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2008 às 22:53
São Valentim Padroeiro
Do amor idolatrado
A catorze de Fevereiro
O seu dia é celebrado.

Uma data que extasia
Corações apaixonados
por consagrar este dia
Ao dia dos namorados.

São fogosos os desejos
No coração de quem ama
Ao trocar ardentes beijos
Que mantêm acesa a chama.

Que esta bela tradição
Se mantenha sempre assim
Dando ao amor distinção
Em dia de São Valentim.

(poeta desconhecido)


De Vilar a 16 de Fevereiro de 2008 às 00:09
Naqueles tempos, ir à fonte ou ao chafariz, era uma das muitas tarefas quotidianas das mulheres, fossem elas novas ou velhas. O cântaro, que (tal como diz a adivinha ia deitado e vinha de pé), fazia o trajecto "à cabeça" suportado pela molide ou rodilha, como impunha a tradição e aconselhavam as regras da comodidade. E aquele acto de levar o pesado cântaro à cabeça sem ser necessário segurá-lo nem sequer com um dedo, parecia por parte das mulheres, quererem demonstrar não tanto a sua força, mas sim os seus dotes de equilibristas, o que parecia fazerem, até, com alguma vaidade. E se para as mulheres mais idosas, designadamente as casadas, essa tarefa de ir à fonte era tida como rotineira, já o mesmo não se podia entender quanto às moçoilas novas e solteiras. Para elas, o ir à fonte, era muitas das vezes, mormente quando o faziam ao lusco-fusco, o momento azado para poderem dar dois dedos de conversa ao namorado, senão ao simples pretendente, longe dos olhares indiscretos dos familiares. É que, se namorar naqueles tempos não era tarefa fácil, fazer algo mais arrojado afigurava-se quase impossível. Quase, disse eu.


De Katekero a 17 de Fevereiro de 2008 às 21:01
Não era certamente a este chafariz que Lianor vinha descalça. Nem segura, já que o piso (não relvado), bem como o local (ermo), aconselhavam precaução. Parece triste o chafariz. Aliás, acho mesmo que já estará morto. A ser assim, noto ali a falta de um elemento importante, qual seja, uma inscrição no cruzeiro com os seguintes dizeres: AQUI JAZ O CHAFARIZ DA PRAÇA, O MAIS IMPORTANTE MONUMENTO CONSTRUÍDO EM VILAR MAIOR NO SÉCULO XX. Porém, se as coisas forem vistas pelo prisma positivo, há que convir que o local nem foi mal escolhido, porquanto: Temos uma eira morta, uma escola morta, um chafariz que se não está morto estará a agonizar, umas árvores despidas de folhas, com os galhos ao alto como que a bradar aos céus e, por fim, o cuzeiro a cumprir o seu objectivo; Assinalar a MORTE. Um quadro algo sinistro, mas real.


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