Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Modos de falar - Quanto mais se abaixa ...

«Quanto mais se abaixa, mais o rabo lhe aparece»

Porque a língua é um dos elementos mais importantes de uma comunidade, aqui fica o repto para deixarem posts que mostrem alguma especificidade dos modos de falar em Vilar Maior. - expressões, ditos e dixotes ...

Ainda outro dia, um comentador me avivou a memória ao utilizar num dos seus posts o termo sofisma (teria eu tirado uma fotografia por sofisma ...)

Então, vamos a isto!

publicado por julmar às 12:25
link do post | comentar | favorito
|
19 comentários:
De Ribacôa a 1 de Março de 2008 às 08:42
Parece que ninguém quer abrir as hostilidades. Estão mal avezados. Mas não perdem pela demora. O meu rol já está elaborado mas é tão extenso que até me falta a coragem para começar a publicação. Mas lá irei.


De Ribacôa a 1 de Março de 2008 às 08:48
Entrementes fiquem-se com esta: PODAR EM MARÇO, VINDIMA NO REGAÇO.


De "O Vila" a 1 de Março de 2008 às 14:59
Pois, numa de abrir as "hostilidades" lá vai mais um refrão popular:

Março, marçagão
manhãs de Inverno
tardes de Verão.


De Ribacôa a 2 de Março de 2008 às 19:56
ADVERTÊNCIA: Ortograficamente, algumas palavras poderão estar incorrectas pois, muitas delas, nem farão parte do léxico português. Por outro lado há que privilegiar o modo de falar.
Andar às aranzas.
Não dar aresto.
Andar às arrecuas.
Andar ao rebusco.
andar escanzelado.
Andar à enxaria
Andar arreganhado.
Andar in coiro.
Andar incarrapato.
Andar imbeloirado.
Andar aluado.
Andar àxancalhar.
andar feito aranzel.
Andar Azambuado.
Andar feito marcambúzio.
Ficar ógada.
Intulhoso.
Deitar a barriga.
Laburdo.
Badaguneiro.
Falagurdo.
Langanha.
Laguna.
Andar feito atafal.
Fazer muafas.
Ficar enxofrado.
Dar uma estampilha.
" uma lamboirada.
" " lamparina.
" um par de lostras.
" um par de Tanganhadas.
" um par de tretoiradas.
Levar nas béculas.
Deu-lhe uma parelha de coices que o tombou de calhostras .
Atirou-lhe uma gaiolada que logo o esmichou.
Caiu de uma barroqueira e ficou todo esfarraixado.
Atirou-lhe com um pau e chincou-lhe um olho.
A albarda era nova e fez-lhe uma grande matadura.
Andas-me a engranzar.
Hoje está a molinhar.
Uga-me aí a burra a esse barroco para montar.
Vai a ógar à açude das laijoeiras mas não te esqueças do ogador.
Esta presa é deitada à dua .
Lava o tonel mas não lhe tires o sarro.
Ingronta-me aí esse reboleiro.
Ceifa-se a ferrém e deixa-se às gavelas.
Ceifada a tapada, vem o rebusco, apanham-se as espigas sobrantes e fazem-se as manoijas .
Quando vou para o campo gosto de levar carava . Isso são contos de velha ao sol.
Não teve as aldrácias de lhe dar uma esmola.
Hoje vamos à caroça às cerejeiras da tapada das portas.
Hoje à tarde tenho que ir ao nabal. (Em passeio?) Esta noite vamos à candonga.
Que grande morganhada .
Que grande mastragada .
Que grande marranada .
Limpavam-se as tapadas e cabeços da pedra miúda, faziam-se os caramoiços e à sua volta ficavam os cadabulhos , que tinham que ser feito, pois a não ser assim, era semente perdida e centeio que não se colhia.
"A modos que" se me está dormindo este braço. Partir um fatroco ou uma mandonga de pão.
Um no saco outro no papo.
Hoje vou aricar o pão da tapada da sarangonha e amanhã o dos châes de concelho.
Deita-se o budle ," enludra-se " a água e é só apanhá-los.
Que grande patoleia.
Andas praí de cu ao léo. Ólarilas (a última expressão não é que o que se possa pensar à 1ª. vista).
Um está a tirar cascarras do nariz e o outro está com o monco.
Anda por aí feito penalvilha.
Encosta mas só maneirinhas.
Parece um bocana .
É mesmo um rabadão . Vê-se que és parente do samorano e do solano.
E por ora, chega que bonda. Não se pode esgotar a matéria de uma vezada.


De Manuel Maria a 7 de Março de 2008 às 11:27
Algumas expressões bem antigas. (não dar aresto de origem jurídica).. de origem galega (andar às aranzas andar ;andar á enxaria))... outras do tempo das invasões francesas (andar como samorano e solano...)
Grande rol... não há mais?


De Jarmeleiro a 3 de Março de 2008 às 00:14
Atão aí vão mais meia dúZia, porque o ribacôa aquase as acabava.

As reses munto magras podem estar ibadas.
Escadabulhar.
Tem cá um ginete que até terrinca os dentes.
Quando andam toirondas, barrondas, cachondas, paradas é preciso chega-las.
Estar amuxado.
Vai alancado cua saca às costas.
O quintalecho é piqueno é um chabarneco.
andas-me a relar o juízo.
És um renço, rela, reladoiro.
Andas praí a urniar. És um tabúrcio.
e agora vamos a comer uns chicharrões



De Vilar a 3 de Março de 2008 às 21:49
ò Jarmeleiro! Atão no te alembraste que essas fêmeas todas andavam saídas?


De Vilar a 3 de Março de 2008 às 21:53
ò Jarmeleiro! Atão no te alembraste que essas fêmeas todas andavam saídas?


De Manuel Maria a 7 de Março de 2008 às 11:29
isso era antigamente!
agora não tenho dado por isso...

LOL


De Lian a 3 de Março de 2008 às 15:07
Eis o meu pequeno contributo:

Eram sete ou oito, todos a laparear duma panela.
Portou-se mal e a professora deu-lhe duas galhetas.
Descuidou-se e meteu o pé no lapacheiro.
Entalou-se e fez uma borrêga num dedo.
Está ali amonado atrás duma gesta.
Estás a cassoar comigo.
Estás a mangar.
Que grande chusma.
Cozido o pão há que dar a poia ao forneiro.


De julmar a 3 de Março de 2008 às 19:09
Cum catano! Catano, já disse catano! Ora um pouco mais leve: Catrino! Daqui a pouco temos um dicionário. Ora o dialho! eu cheio de rópia a pensar que as sabia todas!


De katekero a 3 de Março de 2008 às 19:54
Além do catano e do catrino, também temos o carais , o caraijo e o carátel (com ou sem maria). Estas são mesmo dum canelo.


De tintim pot tintim a 3 de Março de 2008 às 21:12
Claro, Katekero!Tudo formas de contornar uma carvalhada. Agora nem tanto, mas noutro tempo não era comum ouvir uma carvalhada. Ao contrário de outras regiões do país (o Porto tinha fama, mas Braga era bem pior) onde os palavrões eram aos cambolhões.
De uma forma alatinada havia também a expressão carapio no demo


De Vilar a 4 de Março de 2008 às 09:13
Eram tantos e tão grandes que se metidos numa cesta, esta ficaria cheia de cagulo.


De " Canivete" a 3 de Março de 2008 às 22:33
O que antes era boa terra, agora é um monte de gôgos.
De repente afincou-lhe um pontapé no c..traseiro que o virou de calhostras...o outro não se ficou como o Zé Margarido e deu-lhe um bom par de lostras...


De Vilar a 4 de Março de 2008 às 14:06
Essa do ti Zé Margarido passou -se na tapada da justa, onde o ti António Sarrano estava a ser zupiado pela mulher, a ti Rosalia . Quando esta avistou o ti Zé Margarido parado no caminho a apreciar aquele pintanço saiu de cima do homem (era uma vergonha a mulher bater no marido) e foi aí que o ti Sarrano aproveitou para dar as duas lostras na ti Rosalia , soltando a célebre frase: Ó Zé Margarido... Ó ser homem , Ó não ser homem carvalho.


De Vilar a 4 de Março de 2008 às 00:13
Eu desmarzelei-me um pouco mas inda respiguei qualquera coisita.
Antes, queria alembrar que para os nossos abós, para os nossos pais (e talvez até para alguns de nós), o dígrafo "ch" pronunciava- se "tch". Ex. chapéu=tchapéo, chícharo=tchítcharo, Etc. Tentem pronunciar das duas maneiras e logo notarão as diferenças. Era, aliás, juntamente com os "ss" (assim= achim), imagem de marca destas gentes. Pelo modo de falar, conhecia-se a zona do país a que pertenciam, fosse onde fosse.
E agora aí vai o relambório.

Està esmifrado de todo. Parece um pau de virar tripas.
Está tão mal vestido que parece um fardeleiro.
Um caldo de bajinas e uma celada de alfácias,
tomatas e pipinos dá um bô jantar (era no tempo em que se jantava à hora do almoço e se almoçava à hora do pequeno almoço, refeição esta, então desconhecida).
Bota o milho às pitas e a vianda aos marranos.
Aquele está sempre infusinado in casa.
Amanhã vou dar uma jeira ao ti Joquim. ( A jeira não se dava. Ao invés, era bem paga, pelo trabalho do lavrador, da junta de vacas e pelo desgaste das alfaias).
Dizem que o Manel andou a pôr-se na Maria. Ah! Atão andaram a fazer marranadas. Ai os cochinos.
Vou ali atrás da parede ábaixar as calças.
Aquele não sabe fazer nada. É um chanchana e está chochinho de todo.
Fujinde que vem aí o paralta da Rebolosa. E eles deitavam-se àfujir.
Andar amongado.
Andar à burrica.
Com um pau de sabugueiro fiz um alcabruz que trabalha com duas balas de linho.
Os garotos gosta munto de andar aos alcamazes. (esta e a anterior devem ser de origem árabe).

OS JOGOS DA GAROTADA:
Jogar à chona, à manta, à lua, à fustigada, à caganita rita, ao corcho lórêgo, ao ladrão marchacão, ao pião, à cabra cega, ao lenço e de vêz em quando, era o o Sr. Aníbal Gata que jogava....... umas mãos-cheias de rebuçados à rebatinha, do cimento para a praça e aí eram cem cahorritos a um osso.
E agora se não estandes contentes eu agarro nas pernas e vou-me embora.





De "O Vila"" a 4 de Março de 2008 às 15:17
Tenho receio de repetir (já tantas coisas foram ditas...), se o fizer não é de má fé.
Não podemos esquecer que quando um borrego ou cabrito eram desmamados o dono utilizava O BARBILHO e para se aparelhar devidamente um burro se utilizava naturalmente a albarda mas com uma boa enxalma e uns luzidios (?-por vezes cheios de merda!!!...) atafais.
Em tempo de matança do marrano faziam-se variados enxidos entre os quais as buchanas.
Neste evento, depois do marrano bem chamuscado e bem lavado, começava a operação do desmancho e enquanto isso ocorria, já nas brasas se metia o embigalho. Depois de assado ia-se rilhando, á mistura com uma copinha de aguardente, para matar o bicho. Era a prova....(isto se o marrano fosse marrano porque se o marrano fosse marrana, creio que não teria lugar este cerimonial....teria?).
A fessura, ficava para mais tarde.
Concerteza que estavam à espera de mais mas....ora adeus minhas encomendas....


De Dofaleiro a 6 de Março de 2008 às 15:19
Diz o rifão que nem sempre quem mais madruga mais cedo se lhe amanhece. Assim sendo, ainda estou a tempo de deixar o meu contributo.

No tempo em que a tenaz era uma tanassa, davam-se umas tanassadas, tirava-se uma brasa do lume para assentar as borras do café e havia quem andasse a atanassar o juízo a outrém.
A rega podia ser feita ao rêgo ou ao desdém.
Ceifava-se a eito ou ao rêgo.
As gestas verdes e molhadas, fazem mais fumo do que lambra, ficando os olhos chorelhos.
Vou ali ao Faleiro a acarear o gado.
No tempo em que não havia colesterol, manhã bem cedo, bebia-se uma gemada, que o almoço ainda vinha longe.
A cada preto sua sardinha? Não. às vezes meia para cada um e já era um pau.
Vou ao mercado da Bismula mercar uns tamancos e mando-os ferrar e brochar a um brocheiro da Vila. Aproveito e mérco tamém uns botins pró rapaz estrear na festa. À conche: ele vai ficar todo concho.
Nesses tempos, nínguém se chibava.Mas havia muitos chibos, chibas e chibinhos.
O homem andava tão desacrossoado cua vida que se foi a deitar àfogar ao poço boisão.
Arrenegaram-se os dois.O mais piqueno era mesmo um pugês. Mas quando o grande le deu dois lambefes, aquele espetou-le dois punhões no baixo ventre, que logo o estombejou redondo que nem um pião .
Está a fazer escárneo de ti? mandó cozer.
Agora que acabei, vou arremangar as çalcas e vou-me embora àcorrer.






Comentar post

.Memórias de Vilar Maior, minha terra minha gente

.pesquisar

 

.Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
12
14
15

16
17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
29

30
31


.posts recentes

. Contradições - O Riba-Côa...

. Ano 2051 - Senhora do Cas...

. Porque andas tu mal comig...

. Sinalização

. Um sítio para pousar a ca...

. Orca, a terra do senhor F...

. Ó sino da minha aldeia

. Que se passa?

. Demografia - Nonagenários...

. Vida de cão!

.arquivos

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

.links

.participar

. participe, leia, divulgue, opine

.

blogs SAPO

.subscrever feeds