Sábado, 19 de Abril de 2008

Os marranos de Vilar Maior

Certamente que a maior parte dos que lêem este título pensarão que se irá falar sobre o porco, para o que não faltam razões de sobejo dada a importância do animal na economia local. Só os ricos tinham porcos ou galinhas, comiam sopa ou feijão frade porque os pobres tinham marranos ou pitas e comial caldo ou tchítcharos. A palavra marrano, como outras, é importada da vizinha Espanha de onde no século XV os  reis católicos de Espanha expulsam os judeus  aportando muitos deles a Portugal e fixando-se em comunidades da Beira interior. D. Manuel I para desosar a filha dos “Reis Católicos” foi obrigado a legislar contra os judeus obrigando-os à conversão. Não aceitando o baptismo perderiam os bens e teriam de sair de Portugal. Assim nascem os “Cristãos novos”, termo que também se aplicava aos mouros conversos. É nesta situação que muitos deles aceitam o baptismo e levar uma vida pública de acordo com os rituais católicos mas em privado continuam a seguir o culto judeu. Ora, são estes que se designam como marranos. Como sabemos nem judeus nem islamitas comem carne de porco. Vários indícios ( que não cabe aqui mostrar) levam a crer que em Vilar Maior tenha vivido uma pequena comunidade de Judeus marranos.

O catolicismo espicaçava o ódio aos judeus que de acordo com a vivência litúrgica apareciam como os responsáveis pela morte de Cristo. Desse modo, quando se queria ofender alguém chamava-se-lhe judeu. Outras injúrias corriam por aqui quando se queria excluir alguém da identidade cristã: maçónico ou comunista.

Marrano era uma injúria que tanto se aplicava à sujidade corporal como espiritual. De um trabalho mal feito se podia dizer que era uma grande marranada.

Nota -Paraquem estiver interessado em estudar o fenómeno do marranismo existe abundante literatura e basta ir ao Goolgle para encontrar imensas referências.

publicado por julmar às 20:08
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5 comentários:
De Vilar a 20 de Abril de 2008 às 15:33
OS MARRANOS E OS OUTROS
O título vem a propósito de uma figura emblemática da diplomacia portuguesa. Refiro-me a Aristides de Sousa Mendes, Beirão dos quatro costados nascido em Cabanas de Viriato a 19 de Julho de 1885. Este ilustre diplomata, muito embora não sendo originário de famílias ditas "marranas", livrou muitos judeus (e não só) do Holocausto da Segunda Guerra Mundial, passando vistos a esmo e permitindo a fuga a milhares de refugiados, aquando do exercídio de funções em Bordéus - França, facto que lhe valeu o cognome de "Oskar Schindler português. E, tudo isto, sabendo que contrariva ordens de Salazar. De facto, confrontado com os avisos vindos de Lisboa, a sua resposta (que retrata bem o seu humanismo) foi: "Por esta causa, se há que desobedecer, prefiro desobedecer às ordens dos homens do que às ordens de Deus". Porém, por todo este humanismo, em vez de boa recompensa, colheu severo castigo imposto por Salazar, ao privá-lo do seu emprego diplomático por um ano, reduzindo-lhe o salário a metade, impondo-lhe a reforma logo após e, para cúmulo, ficou privado de exercer a profissão de advogado. Mas, pasme-se! Em 1945, Salazar congratulou-se por Portugal ter ajudado os refugiados. Contudo, nada de relevante que o tivesse levado a reintegrar Sousa Mendes. Este sobreviveu (ele e a sua grande prol - mulher e catorze filhos-), à custa da solidariedade da comunidade judaica internacional, até que a morte o levou. Morreu na miséria em 1954, após a morte da esposa e depois de ter visto os filhos emigrarem. E, na hora da morte, não possuindo fato próprio para o evento, serviu-lhe de mortalha uma túnica de monges Franciscanos.
Louvores e honrarias:
Teve muitos, distintos e vindos de todos os quadrantes. Tantos que nem me atrevo a enumerá-los. Mas...!!! Quase todos post mortem como de costume. E como também é costume, é caso para dizer: Depois de morto (o marrano), cevada ao rabo.
Nota: Abençoada internet que hoje nos permite fazer consultas que há uns anos apenas eram possíves com dispêndio de grossas maquias de dinheiro em volumosos calhamaços.


De J.B. a 20 de Abril de 2008 às 16:29
E os que não tinham nem grandes nem pequenas nem maquias, viam os outros ir estudar e eles ficavam a guardar cabras. Era assim a vida.
J.B.


De Manuel Maria a 20 de Abril de 2008 às 16:23
Interessante est post, que traz à colação este breve comentário:
édito dos reis ctólicos é de 1596, salvo erro e provoou uma debndada de judeu do reino vizinho, os quais se fixaram nas terras da raia, onde muitos tinham parentes. Um censo de D. Manuel regista precisamente que nestas terras, a não ser Trancoso, Guarda, Celorico, Fundão e Covilhã, não havia comunidades judaicas.
Sabugal, Vilar Maior, Alfaites, nem seuqer tinhm Sinagogas.
A comunidade que existiu em Vilar Maior, foi na sequência deste édito dos Reis Católicos portanto. Depois, com O Edito de D. Mnel que decretou a expulsão e o novo èdito do Conde Duque de Olivares que decretou a remissão em espanha, estas comunidades judaicas da raia voltarm a desaparecer


De kim tomé a 7 de Janeiro de 2012 às 15:26
Venho corrigir a afirmação de que no Sabugal não havia sinagoga.
DE facto havia sinagoga e mais que isso havia uma importante comunidade judaica.
Mais, ainda hoje se pode observar um Ehal anterior à implantação da inquisição.
Se necessitar de mais esclarecimentos quanto a este assunto estou ao seu dispor.


De Manuel Maria a 21 de Abril de 2008 às 12:30
queria dizer 1496 e não 1596...


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