Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Largo do Carvalhal

 Casa do ti Carreira

Casa tipica da região com telhado de quatro águas (pouco habitualm em casas modestas), construção em granito, com escadaria e balcão. Debaixo da escadaria a cortelha do marrano. Na impossibilidade de caiar a casa de branco (sinal de progresso e riqueza), com alguma frequência caiavam-se as ombreiras da porta.

Ao lado, um alto cabanal, provavelmente com paranho.

A destoar, um pneu.

 Maior ou mais pequeno quase todas as aldeias têm um largo. O largo, confluência de ruas, era o sítio publico ( os gregos tinham ágora) onde tudo acontecia: a fogueira do natal, os bailes, o espaço de brincadeira das crianças. Sítio por excelência de sociabilidade, alguns deles acrescentado pelo sítio do correio, da taberna ou do comércio. Era o local onde aportavam forasteiros, artesãos ou triteiros.

Este largo do Carvalhal é um pequeno mas belo largo. Na fotografia uma casa, a casa do ti Carreira. Um tronco onde ferravam vacas e burros, o forno comunitário, uma enorme moreira, a penedia onde o cão indiferente aos olhares domina o largo.

O largo da aldeia era o centro do mundo.

publicado por julmar às 19:05
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3 comentários:
De Ribacôa a 25 de Abril de 2008 às 01:20
Estive nesta praça em Agosto último e confesso ter estado, seguramente, uns dez minutos a apreciar o o tronco (estranha designação) de ferrar os animais. Não que tal geringonça tenha muito que ver. Aliás o mais correcto será dizer que enquanto via, também sonhava. Sonhos que me remetiam para momentos mágicos da minha infância, quando juntamente com o meu pai levava-mos as vacas a ferrar ao tronco do ti Zé Silva ou do ti Zé Ferreiro. Foi pena não terem preservado um ou ambos os troncos, à semelhança do que aconteceu aqui, na Arrifana e noutras terras da região. E julgo que não deslustrava, ao invés até teria interesse, a publicação de uma imagem (caso exista disponível), pois acredito que haja quem nunca tenha visto tais aparelhos.


De Ktekero a 25 de Abril de 2008 às 12:52
E era esse o momento asado para pedirmos ao ferreiro que nos soldasse o arco com o qual, conduzido com a ajuda da gancheta (qual volante de Ferrari ), havíamos de dar voltas e mais voltas às ruas da aldeia.


De Dofaleiro a 26 de Abril de 2008 às 23:00
Também eu estive neste largo recentemente. Fiz o percurso (cerca de12 Km) a pé e não dei por mal empregado o tempo gasto. Aliás é a melhor forma de ver o que há para ver e, embora não pareça, há por aqui muitas coisas dignas de serem vistas. Mas lá está. Cada um vê o que quer ver. Outra vantagem, consiste na facilidade de entabular conversa com as (poucas) pessoas com quem nos cruzamos. E por mais simples que sejam, conhecem matérias nas quais me considero autêntico ignorante. E sempre dispostas a partilhar esses conhecimentos de experiência feitos. E já agora, por falar em ver, julgo que estou a ver bem, quando não vejo na casa do ti Carreira um elemento de capital importância nestas terras, qual seja o poleiro das pitas. Ou estarei a ver Mal ?


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