Sábado, 10 de Maio de 2008

Os Cornachos

Não havia coisa que fosse mais comum, mais leve e mais cara. Além disso, não convinha que se juntasse ao grão. Falamos  da cravagem do centeio, os cornacchos que noutras terras se chamavam cornelhos, que tiravam o nome da sua semelhança com os cornos. Crianças, jovens e mulheres procuram-nos desde que as espigas amadurecem até às malhas. Era uma fonte de receita suplementar que servia para amealhar o dinheiro para os sapatos ou para o vestido da festa.

Havia de aparecer por lá o homem que comprava os cornachos munido dos respectivos cambos (ou câmbios). Ou então, levá-los ao mercado da Miuzela ou de Alfaiates.

Para mim, que os recolhia foi até muito tarde um mistério: para que serviam?

Para uma informação mais completa consulte:

http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0708/g25_centeio/hist.html

http://br.geocities.com/tiagohi/clavpurp.htm

 

publicado por julmar às 21:22
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17 comentários:
De Jarmeleiro a 10 de Maio de 2008 às 22:16
Muntas foram as horas que eu passei nas tapadas de centeio maduro a catá-los aquase como quem catava piolhos. A apanha dava trabalho mas no fim rendiam bom dinheiro.


De Manuel Maria a 12 de Maio de 2008 às 10:31
lol
Oh Santa ingenuidade!
Os cornachos têm um efeito alocinogéneo, e mais não digo!
Nos anos de maior frio, o centeio cria mais cornachos, o que misturado com a farinha, tem efeitos aluconogéneos.
Há até uma teoria interessante, que, estudando os regiões centeeiras da Europa medieval, onde existiram "progrom's" contra as bruxas, com base também em estudos climatéricos, chego á conclusão de que coincidiam com períodos de invernos rigorosos e frios, em que o centeio adquiria uma grande quantidade de cornachos.
A queima das bruxas, seria portanto produto desse efeito aluconogéneo colectivo em invernos mais rigorosos. Será?


De Manuel Maria a 12 de Maio de 2008 às 10:32
Correcção: alucinogéneos...


De Ribacôa a 12 de Maio de 2008 às 11:57
Tal como dizem nuestros hermanos, " yo no creo en brujas , pero que las hay , hay ". E tal como manuel maria , também eu acredito na existência de propriedades alucinogénicas nos cornachos . Desconheço, é se o objectivo da sua colheita tinha (tem) a ver com a não infestação das farinhas (não fossem as pessoas e animais ficar alucinados), se por questões económicas, ou se tinha a ver com a queima das bruxas. Não errarei se disser que teriam a ver com tudo isso. Tenho a certeza, isso sim, que servem de matéria prima para o fabrico de muitos e importantes medicamentos usados, entre outras, em doenças do foro ginecológico e neurológico. E de uma outra coisa eu tenho a certeza: É a do muito que, até mesmo brincar, se vai aprendendo neste blog.


De Dofaleiro a 12 de Maio de 2008 às 14:34
Afinal isto até é fácil. No primeiro dos sites citados no post, está lá (quase) tudo. só lá não vislumbro qualquer alusão às bruxas. Mas até pelas múltiplas referências à idade média e à cautela, direi como os outros: pero que las ay , las ay ". Vantagens dos tempos modernos.


De "O Vila" a 12 de Maio de 2008 às 15:25
Sem querer entrar num estudo exaustivo sobre as propriedades farmacológicas do tema em questão, estou convencido que um dos usos mais vulgares seria como substancia abortiva. Eram tempos da não existência do aborto clinicamente assistido (quem falaria numa coisa dessas, mesmo em tempos não muito distantes!!....). Por isso, sem contar com as bruxarias e coisas que tais, inclino-me que seria umas das finalidades mais postas em prática com a substancia extraída desses fungos.
A sua existência terá a mesma origem, no fundo, da formação de um cancro, em que houve uma degenerescência das células que dariam , em condições normais, origem a um normal grão de centeio.
Nunca me debrucei sobre o estudo deste fungo mas a curiosidade vai levar-me a ler algo sobre este assunto para saber da sua origem, formação e disseminação .....


De josnumar a 12 de Maio de 2008 às 22:20
Bons tempos que já lá vão! Também me recordo dos cornachos do " pão" e dos conselhos que o meu avô João me dava: "Isso é veneno!".
Também havia em Malcata pessoas que se dedicavam a apanha dos cornachos para vender a um senhor que aparecia na aldeia para os comprar. Diziam que era para depois fazerem medicamentos...mas hoje já não há cornachos porque já não há quem semeie "pão"(centeio).
Outros tempos...para memória das nossas vidas.


De Dofaleiro a 13 de Maio de 2008 às 21:44
Caro josnumar.
Na minha enorme curiosidade, com um simples digitar da palavra Malcata no Google , fui direitinho ao MALCATA ONLINE, onde verifiquei ter nesse blog grande participação . Olhei, gostei do que vi e prometo voltar e quiça participar. Verifiquei a existência de imensas características comuns entre essa aldeia e Vilar Maior, o que não admira dada a sua proximidade e a pertença de ambas ao Concelho do Sabugal. Também aqui já não há cornachos porque já ninguém semeia pão. Pois... É caso para dizer que eram, ou são outros tempos, sabendo que, com esta frase, corro o risco de ser apelidado de saudosista por alguém que ainda não compreendeu que não existe presente sem passado e o futuro não se faz sem ambos.


De "O Canivete" a 14 de Maio de 2008 às 00:09
Parabéns a Dofaleiro !!!!. parabéns porquê???-muito simplesmente porque me dá prazer e uma pontinha de emoção, ver o acolhimento que faz a uma pessoa que é "nossa visita" e a quem reconhece que tal como nós bebeu da mesma água das terras arraianas e sente por essas terras o que nós todos sentimos.
Aproveito para dizer que fui uma vez a Malcata. Na altura em que se ia fazer o exame da 4ª-classe ao Sabugal. Havia uma colega aluna que tinha lá uma irmã a morar. Resolveu, com outra irmã mais velha que a acompanhava ir visitar essa familiar e então todo o grupo da Vila resolveu ir a Malcata a pé (hoje não faço a mínima ideia da distância que separa essa aldeia da sede de concelho...). Tenho ideia de uma aldeia acolhedora tal como o são todas essas aldeias de que tanto gostamos.


De Lian a 14 de Maio de 2008 às 11:00
Eu iria mais longe lançando a seguinte Pergunta: Será que essa nossa conterrânea ou seus descendentes ainda lá morarão? A senhora dava pelo nome de isabel Isabelinha) Dias Silva. Corria o ano de 1959/60 do século passado. Não querendo abusar do sua paciência , julgo que o nosso convidado será capaz de envidar esforços para satisfazer a minha/nossa curiosidade, o que agradeço antecipadamente.


De "O Canivete" a 15 de Maio de 2008 às 21:17
No intuito de ajudar a dissipar as dúvidas de Lian , já depois de ter feito o meu comentário, ocorreu-me que a senhora estava casada com um agente da guarda fiscal ou republicana e de facto não errarei se disser que a senhora se chamava Isabel (não tenho a absoluta certeza desta afirmação!!.)l!!.
Se Lian souber mais, ajude na total identificação desta nossa conterrânea. Já lá vai quase meio século!!!!.


De lan a 15 de Maio de 2008 às 22:18
Bom...! eu não sei se a senhora estava casada com um guarda fiscal. Mas sei, isso sim, que o pai era ou tinha sido guarda fiscal. Era de Vilar Maior, chamava -se (salvo erro), Bernardo Silva e tinha uma outra filha de nome Cassilda . Sei ainda que do agregado familiar faziam parte, pelo menos, um rapaz e uma rapariga mais novos, dos quais não sei os nomes. Já quanto à data apontada no post anterior, reconheço agora que poderá estar incorrecta . Uma diferença de dois anos, penso que por defeito. Espero ter ajudado qualquer coisita. Mas é como diz "O Canivete". Já lá vão muitos anos.


De "O Canivete" a 15 de Maio de 2008 às 22:55
As palavras são como as cerejas e Lian veio relembrar-me mais algumas coisas e parece estar próximo o momento de encontrarmos a "ponta do novelo". Pois Cassilda era de facto o nome da irmã que tinha como missão cuidar da irmazita que ia fazer o exame. E Cassilda era de facto filha de Bernardo Silva e Alice Sequeira (creio que assim se chamavam).
Parece-me que seriam vários irmãos, mas mais que isto não sei.


De Anónimo a 13 de Maio de 2008 às 19:34
As substâncias alcaloides provenientes da cravagem do centeio são fármacos muito conhecidos no meio médico e com efeitos que fazem parte da própria História da Medicina.
Quase tudo o que foi dito é absolutamente correcto.
é um gosto passar por aqui.
Até sempre
Paula A.


De Josnumar a 14 de Maio de 2008 às 16:28
Meus caros:
Estou muito agradecido pelo acolhimento que tive quando vos visitei, mesmo sem me terem convidado.
Para o "Dofaleiro"vão os meus agradecimentos pela visita ao Malcata.Net. É um blog pessoal, pretende apenas ser um espaço de afirmação das terras do Sabugal, em particular da aldeia de Malcata. Não há que ter vergonha do nosso passado. Os beirões sabem reconhecer que o futuro será diferente se no presente viverem de forma diferente do passado, mas aprendendo e bebendo dos testemunhos e vivências do nosso passado.
UFA!....desculpem as palavras.
Eu também fui fazer o exame, sim exame, da 4ªClasse à Vila do Sabugal. Não sei se fui em cima da albarda do burro ou se foi o taxi que me levou.A minha professora chamava-se Srª.Professora Delfina( de Alfaiates?!)
Malcata continua à mesma distância da sede do concelho e agora com a estrada renovada.
E, Lian, durante o mês de Maio tenho que me deslocar a Malcata. Vou aproveitar para saber quem era(é) a Isabel(Isabelinha)Dias Silva. Talvez os meus pais saibam, pois, eu nasci em 60 e desde os 11 anos que saí da aldeia.
Mais uma vez agradeço o vosso acolhimento.
Bem haja!


De "O Vila" a 15 de Maio de 2008 às 22:43
Achei graça à maneira como Josnumar tentou dar realce "a exame da 4ª-classe ". Também eu saí da aldeia nos anos 60. Pois acrescento ainda mais: eu sou do tempo (como dizem as simpáticas avozinhas da TV...) em que se fazia exame da 3ª-classe . Quanto a esse dia devo dizer que um episódio marcou para sempre a minha vida: "consegui", involuntariamente (?) apanhar uma bebedeira que nunca mais se repetiu. Sem querer tornar-me enfadonho conto-vos em poucas palavras o que aconteceu: Depois do exame feito e sabendo da aprovação ansiada, juntamente com um primo, que Deus já lá tem, dirigimo-nos à taberna para comprar laranjadas para a senhora professora (era hábito...) e outras para nós. Fomos para as escadas da casa dele e para fazer "render" juntámos-lhe vinho. Claro que "docinho" como ficou, foi um tal aviar.....Sei que a minha avó morava em frente e foi ela que me levou para a casa dela para proceder à respectiva "cura". Ao lusco-fusco lá me levou a casa de meus pais, indo eu ainda num estado bastante "deplorável". É um marco na minha vida, tal como todos nós temos e que ficam para sempre nas nossas recordações!!.


De katekero a 16 de Maio de 2008 às 23:24
Coincidência ou talvez não. Josnumar cita como sua professora da 4ª. classe a Professora Delfina de Alfaiates. Acontece que por essa época a Professora Maria Delfina Marques, de Vilar Maior, exercia por essas terras. Estaremos a falar da mesma Professora? Quem sabe?


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