Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Ora diga lá

Não lhe peço para dizer o nome do cão, mas para identificar o lugar e dizer o que se lhe oferece sobre o mesmo.

 

Estávamos no pico do Verão. Um tórrido mês de Agosto que caminhava a passos largos rumo a Setembro, ameaçava abrasar todo o renovo (batatas feijão e milho) das veigas das Retortas. Urgia, por isso, minorar os efeitos da canícula com regas regulares, no máximo cada oito dias, tendo em vista salvar as colheitas. Porém, como se pode observar pela imagem, o nível da água tinha baixado consideravelmente, pelo que, regar a pé, tinha-se tornado impossível , não havendo outra alternativa senão recorrer aos "ogadores", obrigando os proprietários a organizarem-se para saberem quem regava, em que dias e a que horas, de molde a evitar o caos. Se não erro, Era a designada rega à dua . E assim, hoje os Marques, amanhã os Cerdeiras , depois os Simões , a seguir os Bárbaras, não davam descanso nem aos "ogadores" nem ao corpo. Colocava-se uma ou duas pessoas ali à boca daquela enorme regadeira e toca a "ogar" levando a água, neste caso não ao moinho, mas às batatas. E, tão logo que chegasse o fim de Agosto, aquele que tinha sido um grande lago estancado "pela" açude das laijoeiras " alaijoeiras " , não passava de um pequeno charco, que mal dava para cobrir a carapaça da numerosa colónia de Cágados que tinham passado toda a Primavera e grande parte do Verão espaparrados naquelas duas lajes que se vislumbram lá ao fundo. Não fosse o cão que aparece na imagem em primeiro plano, o qual julgo ainda estar vivo e de boa saúde e diria que este filme teria sido rodado nos anos cinquenta/ sessenta do século passado.
Ribacoa

 

publicado por julmar às 22:09
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13 comentários:
De Katekero a 7 de Junho de 2008 às 15:15
Que bela aguarela pintada em tons bucólicos por ribacoa . Garanto-vos que embora conheça muito bem este lugar, nunca o reconheceria apenas pela fotografia. Talvez devido ao facto da mesma ter sido tirada lá pelos princípios de Setembro, quando quase toda a água já tinha sido " ogada " para as regas do renovo.


De "O Vila" a 7 de Junho de 2008 às 15:20
Não sei o que se passa em relação com os comentaristas deste blog!. Dá a ideia que toda a gente já está a gozar as (de certeza) merecidas férias. O tempo, meteriologicamente falando não tem ido muito de feição para ir à praia dar uns mergulhos.
Virando-me agora para o lindo quadro (para mim, falando da nossa região,o lindo está precisamente no aspecto "feio", agreste e escalavrado das suas paisagens...) que Ribacôa nos mostra, meia dúzia de palavras:
Como o próprio texto nos diz, trata-se do açude las alaijoeiras " nas margens do qual passei horas a observar, qual biólogo cesaranista , os cágados que saíam e entravam na água. Quando fora dela passavam tempos infindos ao sol naquelas rochas já referidas. Tenho ideia que nos anos 50, neste sitio em particular, a água se mantinha a um nível bastante mais elevado. Já não dava é certo para ogar " e com possibilidade de a levar a sitios onde a rega era por demais necessária, contudo mantinha um nível apreciável. Era um dos poucos sitios onde os peixes continuavam no seu habitad com o mínimo de condições. Lembro-me de um dia passar com meu pai a uma hora bastante madrugadora e ver um espectáculo verdadeiramente catastrófico e revoltante; alguém
tinha introduzido nas águas produtos químicos que haviam provocado total (?) mortandade dos peixes aí existentes: alguns te-los-ão apanhado mas as margens estavam literalmente cobertas com barbos, bogas, enguias....enfim toda a gama que povoava os nossos rios, principalmente aqui onde a água se conservava durante todo o verão.
E já nos bastam as calamidades que todos os dias nos surgem, deixemos as do passado cair um pouco no esquecimento..se isso é possível.




De "O Vila" a 7 de Junho de 2008 às 15:27
Peço desculpa a Katekero pois olhando às horas em que os comentários foram elaborados, facilmente se notará, que em pensamento, o estava a exortar, bem como aos restantes, em emitir opiniões sobre o que vai aparecendo (a iniciativa a cada um pertence, naturalmente!!!!).


De Jarmeleiro a 7 de Junho de 2008 às 23:01
Com a água desta açude mesmo nos anos 50, só se podia regar de duas maneiras. ou se regava a pé, bastando destapar a boca da regadeira ou se ogova a água com ogadores ou mesmo a baldes, estive ela a qualquera altura abaixo do nivel para regar a pé. E garanto eu que já naquela altura se a açude não secava poco faltava.


De "O C anivete" a 7 de Junho de 2008 às 15:41
Este não me escapava e reconhecê-lo-ia mesmo que a imagem não mostrasse um dcl de água.
Já imaginaram o que veríamos se, a exemplo do que se passa com a ribeira de alfaiates, fizessem uma barragem que armazenasse a agua quando ela é demais nos tempos de invernias?. O açude, bem calafetado, seria um lago agradável onde os peixes poderiam aguardar tranquilamente e com saúde o tempo das novas chuvas. Haveria a hipótese da preservação e proliferação dos mesmos.
Assim, é apenas um charco que serve para o canídeo se refrescar por fora, não de matar a sede porque creio que é esquisito " o suficiente, para beber desta água.


De "O Canivete" a 8 de Junho de 2008 às 22:50
Em tom de curiosidade, só para dizer que no dia em que Ribacôa obteve esta foto, se levantou um pouco cedo para quem está a gozar uns dias de férias. A hora...não andarei muito longe da verdade se disser que por volta das 9h.
E como sabem bem estes passeios matinais para fugir ao "braseiro" das primeiras horas da tarde!!!.


De Ribacoa a 8 de Junho de 2008 às 23:42
É só para informar "O Canivete" de que, neste caso, está a falar do que não sabe. Na verdade, não fui eu quem tirou, nem publicou esta fotografia e jamais a tinha a tinha visto antes de aqui ter sido publicada pelo Presidente do blog. Eu limitei-me a abrir as hostilidades elaborando o primeiro comentário.


De "O Canivete" a 9 de Junho de 2008 às 12:47
As minhas desculpas por estar a atribuir a Ribacôa , coisas que lhe não pertencem. Basta reparar na presença do canídeo e forçoso será dizer que seu dono estará por perto (mas até podia acontecer alguém andar a fazer-lhe "carava "). Depois o comentário vem assim a modos que diferente do habitual!!!!!.


De O Cota a 8 de Junho de 2008 às 22:58
Para quem não saiba, aquelas plantas parecidas com milho, do lado esquerdo da imagem, dão pelo nome de tabúa e serviam para fazer aquele entrançado muito característico dos assentos das cadeiras da Vila e de toda aquela região. Era aqui que os cadeireiros como os Caífes , o Joaquim Fernandes (Bodego ) e outros se abasteciam da matéria prima necessária para o efeito, sem nada terem que pagar ao proprietário do lameiro. Era mais um, de entre os vários costumes ancestrais que vigoravam na Vila.


De "O Vila" a 8 de Junho de 2008 às 23:16
Poder-se-á afirmar,com alguma razão, que estou a meter a foice em seara alheia, mas reflectindo nas palavras de O Cota, ocorre-me perguntar se essas como tantas outras coisas parecidas, se transplantadas para os tempos de hoje, com a avidez por dinheiro dos nossos governantes, não lhe estabeleceriam um qualquer tipo de imposto??!!!!.
Pessoalmente não tenho dúvidas de que "algo" se havia de arranjar para o justificar!!!.


De Manuel Maria a 12 de Junho de 2008 às 11:27
Essa ideia é perigosa...
não vá o Teixeira lancar derrama sobre a tabúa...


De Anónimo a 12 de Junho de 2008 às 11:46
Pois, pois. Pxxxxxt. Caluda.


De julmar a 8 de Junho de 2008 às 23:58
Acrescentando ao muito que aqui foi dito acfrescentarei que junto ao lajedo onde os cágados se ensoleiravam, no sítio onde se ergue um freixo havia uma burra das de tirar água do (da) açude , onde o ti Barroco ( que me perdoe não me ocorrer o nome da pia baptismal e tão só o que o povo lhe pôs) zamburreava todo o tempo necessário à rega da horta que ali estava entalada entre o rio e a tapada do serrano.


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