Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Os jornaleiros: O Faia e o Lavajo

De O Cota a 2 de Julho de 2008 às 15:42
Pois então e à laia de lamiré sobre o retrato dos dois jornaleiros (quase criados) do professor Pinheiro, aí vai um esboço da fotografia que eu lhes traço a preto e branco, pois que naqueles tempos, pelo menos para estes personagens, retrato a cores era impossível.
Assim, para além de um e outro trabalharem quase diariamente em casa do professor, possuíam em comum outras particularidades, tais como:
Para ambos a vida terá sido madrasta, já que a caneta (enxada) com que escreveram (cavaram)durante uma vida, não lhes trouxe nem fortuna, nem cultura. Nasceram pobres e incultos e assim morreram;
A calosidade das suas mãos, podia ser medida pela lisura dos respectivos cabos das enxadas que, saliente-se, eram de um brilho intenso, como se tivessem sido afagados com a lixa do mais fino grão e envernizados a preceito com o melhor dos vernizes. Tudo, porque a descava, a cava ao camalhão e a esborralha das vinhas das Gaiteiras, Porto Sabugal, Buraco , Galhardos, etc., a isso davam azo;
E eles, que tanto labutavam nas vinhas de outrém, tambem comungavam do gosto (ou seria vício?) pelo precioso néctar, o qual, ironicamente, a maioria das vezes compravam. Se o Deus Baco existe, estou certo que ambos pertencerão à sua guarda de honra ou, no mínimo, à legião dos seus eleitos. Outra particularidade e talvez relacionada com a anterior, tem a ver com o facto da garotada assim que pressentia que o vinho lhes tinha subido à cabeça, não mais os largava e logo começavam a ser alvo das suas judiarias, azocrinando-lhes o juízo. Então quem não se lembra do" pintanso" dos rapazes com o António Lavajo e e a luta deste em defesa da sua boina espanhola? Já antes acontecera com O Craveiro, com a Maria Cuca, Com o ti Manel Adrião e tantos outros. Um sortilégio da malta nova que haviam de ter, à falta de outro entretenimento, como que uma espécie de bôbo da côrte para animar as tardes domingueiras.
publicado por julmar às 18:43
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2 comentários:
De Dofaleiro a 4 de Julho de 2008 às 00:31
Como esboço de retrato dos personagens não está nada mal, sobretudo pelos traços a preto e branco , carregados de simbolismo. Aliás, as únicas cores cores com que se podiam retratar, ao tempo, a grande maioria dos Vilarmaiorenses . Do ti Faia do Carvalhal , conheço uma peripécia que presenciei "in loco" no pontão da "Pontaguarda " e a qual, em resumo, se traduz no seguinte: Para este homem que passava a semana de enxada na mão o domingo era mesmo sagrado e cumpria religiosamente o mesmo ritual. Manhã cedo dirigia-se a Vilar Maior, julgo que não com o intuito de ir à missa, porquanto em termos de capelas ou igrejas a que melhor conhecia era a (taberna) dos Gatas. Assim, num certo fim de tarde, de regresso ao Carvalhal, bem temperado, ao chegar ao referido pontão ficou especado olhando-o fixamente como que a medi-lo, assim ficando por uns minutos talvez pelo facto do caudal ir grande e revolto. Finalmente, lá iniciou a travessia, muito vagarosamente, mas assim que pôs o pé no início do tabuleiro, colocou-se de gatas e foi nessa posição que fez o percurso. Perante tão insólita atitude, dei comigo a pensar se naquele dia o ti Faia teria bebido a conta certa. Estaria mesmo bêbado? Estou em crer que não e, fugindo à regra, a carga não vinha completa , pelo que, não conseguindo ver três pontões, não pôde optar pelo do meio: Assim, sentindo-se inseguro usou as devidas cautelas. Tem isto a ver com o que se diz bêbados; vêm sempre três caminhos e escolhem, impreterivelmente, o do meio.


De "O Vila" a 24 de Julho de 2008 às 00:50
Cheguei.....sim, como diz Riba Côa, fui um dos tais que, para não correr o risco de perder as férias todas (será que eles até essa benesse mais que merecida, serão capazes de nos tirar?!!!...), já fui gozando alguns dias.
Sei que estou um pouco atrasado mas vou tentar pôr em dia a minha contribuição para o blog.
Começo por dar seguimento ao que O Cota dizia em relação aos dois personagens e no que dizia respeito ao "subir do vinho à cabeça"!!!!:
certo dia um grupo de garotos, no qual me incluía, jogávamos a bola no buraco, no estádio antigo já que das condições actuais para o desporto, nem os projectos seriam um sonho . Era um domingo, fim de tarde e naquele dia o Faia fazia por ali o seu caminho de regresso ao Carvalhal. Todos deixaram de maltratar a pobre bola e, como era habitual, a brincadeira virou-se para o homem que caminhava, deixando perceber que a sede que levava já não seria muita!!.
Eis senão quando, um dos garotos , um pouco mais atrevido (acredito que não o tenha feito por maldade...) atirou uma barrocada que atingiu o pobre Faia na cabeça que de imediato, começou a jorrar sangue. Um pouco surpreendidos pelo sucedido (não contávamos com tal desfecho!!!!), ficámos a olhar uns para os outros com cara de comprometidos....até que alguém, com voz de quem percebia do assunto, esclareceu: é pá, aquilo não é sangue, bem sabeis que ele bebe vinho e por isso foi o mesmo que lhe subiu à cabeça....Já não me recordo muito bem, mas creio que todos nós ficámos mais aliviados ao arranjar uma explicação para tão inexplicável atitude!!!!.


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