Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

A Família Almeida

Era habitual os pais colocarem aos filhos os nomes próprios dos ascendentes, razão por que em diferentes gerações aparecem nomes iguais. Assim, no caso dos Almeidas, aparece-nos um óbito em 1924 de um José Bernardo Almeida falecido com 70 anos, filho de José Bernardo Almeida e de Ana Virtuosa.

O José Bernardo Almeida casado com a ti Maria Dias- a ti Gidória – que teve como filhos:

O Zé Bernardo lavrador de profissão principal, fazia obra de carpintaria grosseira, ora emparelhando com o António Esteves, de alcunha Caífes, serrando longitudinalmente grossos troncos de pinhos, amieiros, carvalhos, freixos em tábuas para usos diversos, ora deitando um eixo a um carro ou acertando-lhe uma cabeçalha ou chêda. Sobrava-lhe algum tempo nas cálidas noites de Verão para, bebido um copito, zamburrear a concertina, desafiando o coaxar das rãs da ribeira. A Joaquina, esposa do tocador, exímia dançarina bem merecia uns acordes mais bem tirados, mas quem dá o que tem a mais não é obrigado e o céu estrelado nunca se importou com a afinação. António fez vida por Lisboa tal como o Florêncio. O Joaquim como  o Zé andaram pelos subúrbios de Paris.  

Maria do Carmo Almeida, a ti Rabeca (falecida em 1994), por denome, não que se dedicasse ao toque do instrumento mas pelo tom de voz, que é hereditátio, casada com Manuel Gil de que tiveram o José e o Augusto e outros não vingaram. Gente de trabalho, aqui e além, onde o houvesse, por vezes atravessando a raia e entrando em terras de Ciudad Rodrigo e Salamanca. Assíduos em casa de meus pais na ceifa, na malha, no arranque das batatas e na tosquia das ovelhas, ao jornal ou em troca de umas geiras.

Maria Luísa de Almeida, a ti Luísa Caseira, casada com o ti Aurélio Prata – o meu Aurélio, como dizia - foi parteira de muita gente. Sabe –se lá se teve alguma aprendizagem, se foi o jeito ou  o acudir a alguma situação desesperada que lhe correu bem. Vidas simples: umas courelas estreitas, um burro e três ou quatro cabras mais a filha. O Aurélio disse-lhe: - Eu vou andando até Vale de Castanheiros e tu vais lá ter, mais logo, com as cabras. Chegado o tempo de ir foi caminho fora, falando para si e para as cabras: - Chiba pra qui, chiba pra li. Ao chegar, pergunta-lhe o Aurélio: - Atão qué das cabras, mulher?! Como se descesse ao real e não as vendo os seus olhos, mais pasmada que o homem, lhe disse:- Ai, Aurélio que me esqueci delas na corte! Talvez que a ti Luísa Caseira, bem trabalhado o seu espírito desse em Poetisa ou Filósofa.

E havia o Manuel Bernardo Almeida, o ti Cácá,  (1891-1968) excelente pastor que não sabendo contar, olhava para a cara das ovelhas, à noite, e nomeando cada uma pelo nome à entrada da corte se certificava de que que não faltava nenhuma.

Na segunda metade do século XX com a vinda de Bernardino Almeida, casado com Maria de Lurdes Domingues Martins, outra linha de Almeidas surge na Vila e que promete continuar uma nova linha de Almeidas.

Os Almeidas cruzaram por aliança de casamento com as famílias Fonseca, Dias, Virtuosa, Gil, Martins, Farinha, Martins. Os Almeidas viveram na Rua de Cima, e na margem esquerda do Cesarão, junto à Ponte.

publicado por julmar às 18:29
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