Domingo, 13 de Setembro de 2015

A Festa do Sr dos Aflitos - "Ele está no meio de nós"

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                                                         Missa Campal 

Ao longo do ano há, no calendário litúrgico, diversas festas celebrando acontecimentos relevantes da relação do homem com o sobrenatural, mas aqui na Vila, a FESTA, a festa das festas, era, é ainda, a festa do Senhor dos Aflitos.

A FESTA marcava o fim de um ciclo do trabalho dos homens (quando o trabalho de quase todos era na terra, aqui na sua terra) que acabavam de colher os frutos da terra - a batata, o feijão, o pão, e, em breve, o vinho. Era, pois, o início de Setembro a altura de festejar, a altura para dar graças a Deus. E para pedir e rogar também ao Senhor dos Aflitos.

Os tempos mudaram, todos o sabemos. Até a paisagem mudou, por mor do abandono da cultura da terra, da agricultura. A vida das pessoas e o modo de cuidarem das suas vidas mudou  e, com isso, o calendário

das suas obrigações. Agosto tornou-se para a maioria, sobretudo para os emigrantes, o mês de férias, o mês em que podiam estar na Vila. Nesse contexto, a maior parte das freguesias circunvizinhas mudaram as suas festas para Agosto. Na Vila quis manter-se a tradição, com todo o direito que assiste aos vilarmaiorenses de escolher um caminho diferente, com inerentes dificuldades na escolha dos mordomos, cujo processo de nomeação poderia ser revisto. 

Tudo isso são metodologias e processos susceptíveis de mudança que assegurem aquilo que não deve mudar e, como testemunhas, sabemos que não mudou na festa que acabou de se celebrar: A Fé e Devoção ao Divino Semhor dos Aflitos

São  vivências muito especiais as dos dias da Festa. É especial a Procissão de Velas no sábado, qual dança religiosa no andar cadenciado dos fiéis embalados ao som da filarmónica, iluminados pela mortiça luz das velas e pelas cadentes estrelas dos foguetes; é a reza do terço com meditação sobre os mistérios da vida de Cristo; é a missa campal, que com isto de ser campal acrescenta uma dimensão cósmica de abertura ao transcendente, uma igreja que tem como limite o horizonte celeste; é a procissão onde se cumprem promessas, feitas em horas de aflição, carregando um peso que é mais do que físico e serve de consolo espiritual. 

É um tempo sagrado, num espaço sagrado que emerge do tempo profano. Os vilarmaiorenses e os peregrinos que acorrem à festa do Sr dos Aflitos mais do que em qualquer outro espaço e tempo experienciam nesta festa a manifestação do sagrado. Mesmo os corações mais empedernidos dificilmente resistem à comoção no momento do Adeus. 
A festa religiosa é para os vilarmaiorenses uma autêntica epifânia e toda a liturgia religiosa envolvida em música e cânticos, em ornamentações florais, em promessas cumpridas, no som dos foguetes, no repicar dos sinos e com o coroar da entoação do Hino do Senhor dos Aflitos, dá verdade à afirmação:
"Ele está no meio de nós"!
 
  HINO DO SENHOR DOS AFLITOS
 

I

Nosso Senhor dos Aflitos

De dois anjos ladeado

Atendei corações contritos

Defendei-nos do pecado.

CORO

Ao deixar-te, ó meu Jesus

Ouvi hoje rogos meus

Derramai as vossas bênçãos

Aceitai o meu adeus

II

Nas desditas desta vida

E nas horas de aflição

Teu coração por nós palpita

Sede nossa consolação

III

Rei de Amor, Rei de Beleza

Sois o Deus, sois o Senhor

Canta a Terra Portuguesa

Canta o povo de Vilar Maio

Canta o povo de Vilar Maio

publicado por julmar às 18:19
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