Domingo, 30 de Março de 2014

Erva de março - Hortêncio da Silva



Outono de 2013 era uma azáfama enorme, frente ao castelo, com homens e máquinas movendo a terra, mondando pedras, semeando não sei o quê (erva?), deitando produtos, regando. Não obedecendo a ritmos do desenvolvimento das plantas mas a prazos estabelecidos para entrega de obra, assim me disseram.

Eu como simples hortelão torci o nariz à maneira de cultivo de gente tão ilustrada e de técnicas tão sofisticadas. Disse para os meus botões:

- Hortêncio,  não faças juízo precipitado. Espera para veres.

Passou o Inverno, Abril está à porta. Procurei os resultados da sementeira e não consigo vislumbrar qualquer coisa que corresponda ao resultado esperado. Não há uma erva dominante que se afirma, mas uma variedade imensa que existiria independentemente dos trabalhos feitos. Todas, naturalmente, renascidas.

Se a ideia era fazer um relvado, bastava consultar-me, simples hortelão, e dir-lhes-ia que era perda de tempo e de dinheiro, nem vale a pena estar aqui a explicar porquê, porque todos os vilarmaiorenses - os primeiros a merecerem explicações - o sabem. 

E não maldigam a terra, nem o clima que não estiveram de acordo com os desejos dos iluminados. Este clima e esta terra é boa para umas coisas e ruim para outras. Tivessem cuidado de semear centeio e teriam verde no Inverno e Primavera e teriam uma seara loira no Verão. O turista veria aquil o que não vê na cidade. Era centeio que se semeava dentro e fora de muralhas, não para atender à beleza com que que os olhos se deleitam, mas para responder às horas que a barriga dá. Foi nessa labuta de semear centeio que o ti João Valente achou a célebre espada.

Mas se os doutos ilustrados acham pacóvia a ideia do centeio, sempre poderiam indagar acerca das plantas - ervas, arbustos e árvores - que neste habitat medram gostosamente:

Gilbardeiras (planta existente ao redor deste espaço, em extinção, ornamental com uma bela baga vermelha no Outono e folha pemanebte durante o ano)

Ruda - planta aromática de usos medicinais que no amanho que fizeram quase lhe acabaram com a raça

Medronheiro - De que existe um belo exemplar no contíguo quintal dos herdeiros de João Monteiro

Abrunheiros bravos - Como são precoces e belas as suas flores e doces os frutos pretos, bem maduros

Bracejos - Úteis no artesanato, repasto de vacas e belos para a vista.

São apenas exemplos de uma enorme variedade que havia de embelezar a entrada do castelo, regalar os olhos dos visitantes e aguçar a sua curiosidade.

Enfim, como simples hortelão, até peço desculpa por meter a foice em seara que não é apenas minha. Mas com coisas tão evidentes, como soi dizer-se, por aqui, que entram pelos olhos dentro, não há ninguém que nos explique como se esbanja dinheiro que é de todos nós? Sim, porque o dinheiro da Europa também é nosso.


publicado por julmar às 12:21
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