Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

Modos de ser das gentes da vila

Entre os muitos modos e jeitos como se podia ser, alguns dos que na Vila se observavam e diziam:

Agarrado: Uma forma de designar um dos sete pecados mortais próprio do unhas-de-fome - a avareza.

Aldeaga: Diz-se da pessoa estroina, de carácter alegre e folgazão que não para quieta. Pela provável origem etimológica – aldeia+ago – será aquele que anda de aldeia em aldeia para se divertir.

Alma do diabo: São aquelas que são levadas do diabo para a brincadeira ou para as artes do demo.

Alma de cevada- A cevada era um dos alimentos com que se cevava o porco ou marrano. Almas de cevada eram os judeus a quem chamavam marranos e, por extensão aos que traticavam ações, sujas, baixas, isto é, que faziam marranadas.

Alterado: Cuidado com o homem que assim está! Tudo pode acontecer porque tudo pode fazer aquele que está fora de si, que está transfigurado, que parece o diabo em figura de gente. E pode acontecer a qualquer um perder as estribeiras.

Bebe águas: Trata-se de um homem de pouca valia.

Bitarda - Diz-se em vez de abetarda; forma de denominar as mulheres de vida duvidosa.

Bodego: O que vive na bodega, isto é na porcaria. Da família de bodega, adega e da hoje considerada chique botica. As voltas que a língua dá.

Burgesso - Insulto equivalente a animal, besta. Indivíduo grosseiro, estúpido e ignorante; calhordas.

Coirão : Diz-se da mulher de má reputação que vive de expedientes ou mesmo da prosituição; cordavão.

Cordavão: Ofensa grave dirigida à mulher. O m. q. coirão. Terá a ver com a arte eminentemente moira de curtição

Entolhoso: Diz-se do que cobiça uma comida alheia

Ferrenho: Obstinado, intransigente; Diz-se também dos cães que são muito maus e, são-no   quando os açugam. O mesmo que fanático

Freganço:  Assim se designavam os panos para lavar a louça. Quando alguém era maltratado ou tratado como uma coisa por outrem dizia-se que era um freganço nas mãos de; ou se perguntava a si: mas ele pensa que eu sou algum freganço?

Furdano ou safurdano: Indivíduo que não se cuida da aparência e que trabalha, trabalha, trabalha... mesmo no dia do Senhor

Galdéria: Mulher de baixo estofo, de baixa moral, amiga de se divertir, de folguedos, meretriz.

Galego: Os galegos são por aqui tratados muito depreciativamente; grave injustiça já  que eles  terão dado um contributo importante no repovoamento da região de ribacôa e repovoar não era apenas seguir o mandamento bíblico do crescei e multiplicai-vos mas também aqueloutro que diz: ganharás o pão com o suor do teu rosto o que nestas inóspitas terras se conseguia trabalhando como um galego

Grencho – indivíduo que tem o cabelo em forma de anéis, encaracolado

Lambão: Para além de significar lambareiro aplica-se àqueles que trabalham pouco, aos preguiçosos.

Lambisgóia: Diz-se das mulheres que metem o nariz onde não são chamadas e que especializadas em mexericos arranjam cada trinta e um que só visto.

Lampeiro: As figueiras dão duas camadas de figos: a primeira são os lampos e a segunda são os vindimos. Os primeiros vêm numa altura em que a fruta escasseia e por isso são intensamente desejados. Daí que o lampeiro seja o primeiro a querer chegar ao que for agradável

Langanha: Diz-se da pessoa fraca ou pouco trabalhadora.

Langonha: Indivíduo que trabalha muito de vagar e; por vezes, com ronha.

Lapuz: Derivado de lapa, diz-se do indivíduo sem maneiras, do que é rude. Bruto como uma pedra

Malcriado: Por aqui a boa e má educação tem a ver com a maneira como os pais criam os filhos quando a educação era uma função primeira e última da família.

Malmandado: Diz-se daquele que não é obediente. Por aqui, sem se saber, já se sabia que o único pecado é a desobediência.

Marrano: Os que tinham uma tulha de batatas, arcas cheias de pão, um tonel de vinho e um marrano na salgadeira têm é que dar graças ao criador. Da designação atribuída aos judeus passou na região das Beiras a designar o porco. Marrano é um vitupério aplicado às pessoas porcas, ou àquelas que só pensam nos bens terrenos. Um trabalho que está mal feito diz-se que está uma marranada.

Melado: Que a palavra venha de malado - o que vive numa maladia, isto é, aqule que trabalhava em terra solarenga sujeita a encargos feudais - ou da palavra francesa - maladie que significa doença, já que as palavras dão muitas voltas, por aqui melado dizia-se daquele que manhosamente se fazia desentendido e assim levava a água ao seu moinho ou puxava a brasa à sua sardinha que tudo são formas de cuidar de si.

Pachacho: Pouco hábil; incapaz.

Papalvo: Género de pasmado ou lorpa

Parjem: De pajem; Indivíduo dado a salamaleques sempre pronto a lamber as botas aos superiores.

Pelga: Deus nos livre delas: são indivíduos que tomam conta do tempo dos outros como se dele fossem donos; não se calam, dizem a mesma coisa vezes sem  conta, são chatos até dizer basta

Pião das nicas: Quando se jogava ao pião o jogador que perdia tinha um segundo pião mais velho para aguentar as nicas ou chichas a que os vencedores tinham direito. Havia indivíduos que pareciam o pião das nicas.

Pinóia: Galdéria; mulher vadia.

Rela: Brinquedo de criança; Reladoiro; Pessoa maçadora; Pelga.

Solano: Diz-se do indivíduo apalermado

Triteiro: Titereiro ou titeriteiro são palavras que se há-de convir são de difícil pronúncia pelo que o povo daqui resolveu simplificar e chamar triteiros ao que os dicionários dizem ser títeres, isto é, bonecos que se movimentam por meio de cordéis ou engonços mas que por estas bandas eram pessoas reais que se pareciam mais a atores de circo que, de terra em terra, no largo principal da aldeia, executavam números vários alguns dos quais os aproximavam daquilo que a mitologia denominava de titãs: Deitar labaredas de fogo boca fora, cenas acrobáticas, magia, música e luz - tudo quanto um espetáculo precisa. Aqueles que, amadores, os imitavam nessas artes eram triteiros.

Zambalho – indivíduo que, no corpo ou no espírito, é mal-arranjado

Zorro – Indivíduo que só faz por arrasto ou por empurrão

(In,Vila Maior, minha terra, minha gente) com alterações

publicado por julmar às 12:06
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