Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Por Terras do Sabugal, passo a passo – Bismula

IMG_2100.JPG

Visita – 09-08-2016. Percurso Vilar Maior – Bismula – Vilar Maior

Área – 15,44 km2; Densidade populacional 12,5 hab/Km2

Evolução da população (dados do censo de 2011)

1864

1878

1890

1900

1911

1920

1930

1940

1950

1960

1970

1981

1991

2001

2011

411

459

456

498

528

522

466

670

659

576

350

298

226

198

193

 Por se tratar de um povo vizinho desde muito cedo tomei contato com as terras e gentes da Bismula. Tão pequeno que me montavam na burra com os sacos de centeio e a burra conhecedora do percurso, conduzia-me exatamente à porta do comércio do ti Mendes que me tirava a mim e aos sacos de cima da alimária. Estes comércios de aldeia eram uma espécie de drogaria onde se vendia quase tudo desde materiais de construção, tabaco e vinho, petróleo, fósforos, vasilhas, sabão, enxofre, muito género de panos e material de costura e todo o tipo de mercearia. Aqui na Bismula o do ti Mendes, sempre prestável e atencioso com jeito para o bom trato dos garotos, servia também de entreposto onde recebia o grão de centeio e trocava por farinha feita nos moinhos de Valongo. Voltava a carregar a burra com sacos de farinha e lá me encarapitava a mim, cinco réis de gente, para a viagem de regresso com recomendações para a minha avó latoeira por quem confessava admiração. Outras vezes, vinha cá buscar mercadoria que na Vila não havia como, por exemplo, vidros para janela. Depois havia os Carreiras que apascentavam gados nas terras confinantes do Porto Sabugal. Havia os parentes Polónias e, entre eles o ti João que o recordo sempre montado num cavalo.

 Quando chegava a altura de venda dos borregos la íamos ao mercado da Bismula vendê-los, compra um bacorinho, ou comprar um par de botas. Eram conhecidos os bismulenses pelo empenho com que se dedicavam à pesca e à caça utilizando, muitas vezes métodos pouco ortodoxos.

 Veio a emigração e muito mudou. Casas novas cresceram na periferia, sobretudo, ao longo das estradas, outras foram restauradas e outras ficaram assim como estavam à espera que o tempo lento as fosse corroendo. Algumas, velhas, abandonadas, já não esperando nada são lindas e mantêm viva a memória de um outro tempo. Como as da Rua do Saco.

IMG_2116.JPG

À saída para Aldeia da Dona, ao lado do cemitério, encontra-se o lar da terceira idade de Nossa Senhora do Rosário construído neste século com gente nascida no século passado.  

E seria grande injustiça falar da Bismula e não lembrar o seu filho mais ilustrado, o Dr Manuel Leal Freire. Ninguém como ele conhece as terras do concelho do Sabuga, ninguém melhor que ele captou o sentir e a alma destas gentes que expressou e expressa na mais rica e cuidada popular.

QUADRAÇÃO E FARRA

Na taberna do lugar,
À noite, depois da ceia,
Ajuntam-se para reinar
Os solteiros da aldeia

Há harmónios e guitarras
Incitando à quadração
E há promessas de farra
Em pipos de carrascão.

Ao cheiro da patuscada
Que vai ao imos profundo
Juntam-se à rapaziada
Adregas de todo o mundo.

Ciganos de pau de junco
Negociantes de gado
Judeus de nariz adunco
Errantes correndo o fado

Cargueiros de ombros robustos
E guias de contrabando
Homens indemnes a sustos
Até de tiros zombando

A todos a noite acalma
O negro torna-se idílico
O cantador que tem alma
Ressuma a resumo bíblico

E uma historia que começa
Bem antes do pai Adão
É contada peça a peça
A quantos no tasco estão.

publicado por julmar às 11:24
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