Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019

Requiescat in pace, António Alves Badana

Tio António.jpg

Hoje, pelas doze horas, após missa de corpo presente, foi o funeral de António Alves Badana, filho  de Joaquim Alves e de Ana Silva.  Noventa anos de idade. Uma vida longa, boa parte dela ao serviço da Guarda Nacional Republicana. Serviu  a comunidade de Vilar Maior no executivo da Junta de Freguesia presidida por António Gata, tendo-se empenhado na construção da meritória obra do Centro de Dia. Sentimo-nos mais sós por cada conterrâneo que parte, mais sós ainda quando, como família, passámos tantos bons momentos juntos. À Gracinda e família, as nossas sentidas condolências. 

 

 

publicado por julmar às 18:41
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2019

«Bôs dias lhe dê Deus»

Poucos davam uma saudação tão simples e encenada como a sua: a entoação da curta frase, acompanhada de um gesto que leva a mão ao chapéu, que nunca tira, era generosamente dirigida a todos que com ele se cruzavam, como um ritual, fossem ricos ou fossem pobres que a saudação não se nega a ninguém. Ao contrário de tantos outros, José Vicente, não se rebaixava junto dos ricos da terra que o seu mundo não tinha fronteiras e metia os pés ao caminho e tanto ia até à vizinha Espanha como aparecia em qualquer aldeia dos arredores na procura do sustento para si e para a sua Maria das Dores. Melhor que tudo era uma aguardente pela manhã e um copo de vinho a qualquer hora. Grande Zé Vicente que, sabe-se lá porquê, carregava a alcunha de Salazar.

publicado por julmar às 12:27
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019

Memórias de um viandante

IMG_8035.jpg

Referem as biografias de I. Kant (1724-1804), filósofo alemão, que ele se levantava às cinco da manhã, tomava o seu chá, fumava o seu cachimbo e, passando pela preparação de aulas, escrita e lecionação, impreterivelmente, às cinco horas da tarde, fazia a sua caminhada habitual, cujo horário, segundo a famosa lenda, era tão preciso e invariante que as donas de casa de Königsberg podiam acertar os seus relógios pelo minuto em que o Professor Kant passava pela rua de suas casas. Ora, admirador que sou da obra de Kant, encontrando-me em férias em Vilar Maior, durante o mês de Agosto, todos os dias, quase com a regularidade cronométrica do filósofo, antes do nascer do sol, iniciava o percurso Vilar Maior-Aldeia da Ribeira – Vilar Maior. Como filósofo, tão longe do esplendor de Kant mas com a mesma atitude filosófica, sei quão importante é para a reflexão e para o devaneio, a mecanização do corpo andante. Ocorreu, nesses devaneios matinais, perguntar-me: Porque não fazer todos os dias um trajeto diferente? Porque não percorrer todas as terras do concelho? E veio-me à memória o título da obra de Joaquim Manuel Correia – Memórias Sobre o Concelho do Sabugal. Não medi distâncias nem fiz cálculos; não consultei mapas nem fiz qualquer preparação. No dia seguinte, e todos os dias que seseguiram encontrei-me num trajeto diferente. À noite,antes de adormecer, decidia o trajeto do dia seguinte. Em cada percurso procurava, sobretudo, ver, ouvir, cheirar, sentir a brisa da manhã, ver o prateado do horizonte que gradualmente se doirava até aparecer a bola de fogo. Não há raiar da aurora tão belo como o da Raia, aqui onde o dia nasce pequenino, ali perto, em Espanha. E o tempo de andar a pé, dá para tudo: para sentir, pensar, sonhar, imaginar…e para desenhar o que faria com estas viagens. Poderiam ficar pelo andar, pelo ver, pelo pensar, como conversas para mim próprio. Porém, sei bem do prazer e do proveito que advém de tentarmos interpretar as nossas experiências e de as comunicarmos aos outros e, se uns o fazem pelo desenho, pela pintura, pela música, ou por qualquer outra forma, eu não o consigo fazer senão, e com dificuldade, pela escrita.
Assim, o que escrevo não tem pretensão maior do que conhecer melhor estas terras na sua configuração natural, na compreensão do esforço multissecular de gerações na humanização da paisagem e na construção de um património cultural que nos deu a identidade que nos tornou aquilo que somos. Escrevo para aprender; não escrevo para dizer como as coisas são, mas, tão só, como eu as vejo. Se torno público, estas divagações, é só por considerar que outros, vendo como eu olho, tenham a oportunidade de olhar de modo diferente. Como dizia A. Gedeão no poema Impressão Digital:
Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros, com outros olhos,
Não veem escolhos nenhuns.
E lá fui eu, qual D. Quixote sem escudeiro, caminho fora, passo a passo na redescoberta das terras do Côa, da margem esquerda e da margem direita, subindo e descendo montes, atravessando rios, olhando horizontes que se perdem por Espanha, pela serra da Estrela, por Malcata

Por Terras do Sabugal, passo a passo – Memórias de um Viandante

publicado por julmar às 21:05
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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2018

Bom ano para os vilarmaiorenses

Com amor, bondade e sinceridade desejo, de todo o coração, a todos os conterrâneos um bom ano 2019

Poema do coração

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração.
Então poderia dizer-vos:
“Meus amados irmãos,
falo-vos do coração”,
ou então:
“com o coração nas mãos”.

Mas o meu coração é como o dos compêndios.
Tem duas válvulas (a tricúspida e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue ao circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados,
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz dos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então, meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?

(António Gedeão)

publicado por julmar às 17:46
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Sábado, 22 de Dezembro de 2018

Ande eu quente, ria-se a gente

Aqui à Vila chegou muito mais do que imaginamos. E estes versos de Luis de Góngora (nascido em Córdoba  - 1561-1627) chegaram aqui. Não me perguntem como, que não sei. Porém, partes dos seus versos eram conhecidas e a alcunha gongoras aqui se aplicava áquele que falava de modo enrolado, artificioso e pesado que , de algum modo,  é o que carateriza o Gongorismo. 

Ande yo caliente,
y ríase la gente.
Traten otros del gobierno
del mundo y sus monarquías,
mientras gobiernan mis días
mantequillas y pan tierno,
y las mañana de invierno
naranjada y aguardiente,
y ríase la gente.

Coma en dorada vajilla
el príncipe mil cuidados
como píldoras dorados,
que yo en mi pobre mesilla
quiero más una morcilla
que en el asador reviente,
y ríase la gente.

Cuando cubra las montañas
de plata y nieve el enero,
tenga yo lleno el brasero
de bellotas y castañas,
y quien las dulces patrañas
del rey que rabió me cuente,
y ríase la gente.

Busque muy en hora buena
el mercader nuevos soles;
yo conchas y caracoles
entre la menuda arena,
escuchando a Filomena
sobre el chopo de la fuente,
y ríase la gente.

Pase a media noche el mar
y arda en amorosa llama
Leandro por ver su dama;
que yo más quiero pasar
de Yepes a Madrigar
la regalada corriente,
y ríase la gente.

Pues Amor es tan cruel,
que de Píramo y su amada
hace tálamo una espada,
do se junten ella y él,
sea mi Tisbe un pastel,
y la espada sea mi diente,
y ríase la gente.


(Luis de Gongora)

publicado por julmar às 19:08
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018

Retrato demográfico da Vila

HPIM5679.JPG

O espírito preguiçoso, a que o comum das gentes, incluindo os políticos, é muito atreito, fala mais do que o que sabe e na ausência de saber inventa histórias. Agora está na moda falar da interioridade, dos territórios de baixa densidade, de desertificação do interior ... blá,blá, blá.

Se eu ainda fosse professor, diria assim:

Tendo em conta os dados do quadro etário:

a) Identifique o problema desta comunidade

b) Que medidas poderão ser tomadas para a sua resolução. 

Quadro etário da população residente em Vilar Maior, no mês de dezembro de 2018

Total de residentes: 64, distribuídos por cada dez anos:

0-10

10-20

20-30

30-40

40-50

50-60

60-70

70-80

80-90

90-100

3

5

0

4

2

2

16

13

14

5


Há 14 indivíduos viúvos: 3 do sexo masculino e 11 do sexo feminino.

Por sexo: 29 do sexo masculino; 35 do sexo feminino.

Número de casas habitadas: 34

Número de indivíduos por casa

Casas

15

12

5

1

1

Indivíduos

1

2

3

4

6

Média de habitantes por casa: 1,9

 

publicado por julmar às 19:10
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Sábado, 8 de Dezembro de 2018

Afinal, Vilar Maior entrou na 2ª Guerra Mundial!

DSC_0243.JPG 

DSC_0235.JPG

Com a ajuda do título (exagerado), talvez saiba o que as fotografias representam

 

publicado por julmar às 19:11
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2018

Andar sem sair do sítio

DSC_0207.JPG

No sítio dos Vales

Fascinam-me as rodas (noras), uma engrenagem mecânica que no essencial é constitída por duas rodas dentadas em que o movimento da roda dentada horizontal é transmitido a uma roda vertical que ligada por um veio a uma roda maior, com uma cadeia de copos, faz ascender a água a um nível superior. Na Vila, segundo uma contagem por defeito, serriam cerca de oitenta. Uma invenção de origem árabe, terá chegado à Vila apenas no princípio do século XX e terá transformado a economia local aumentando consideravelmente a área de regadio que até à sua chegada era feito em terras servidas por minas/presas, por açudes do rio ou pela elevação da água através da burra (picota ou cegonha são as designações mais comuns). A roda veio permitir um considerável aumento da produtividade, nomeadamente da cultura da batata cujo escoamento era facilitado pela recente inauguração da linha de comboio da Beira Alta. 

Quem se deve ter desgostado com a roda foi o burro, já que a vaca tinha um passo demasiado lenta e era mal empregada. Assim,  ganhou uma nova valência: tocar a roda. Qual reencarnação de Sísifo, horas seguidas a andar em circulo, sem sair do sítio. Uma coisa de dar em doido, se não fosse o caso de o fazer de olhos vendados.

publicado por julmar às 20:47
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Sábado, 3 de Novembro de 2018

Por Terras do Sabugal, passo a passo

nave.jpg

Todas as casas têm uma história. No desconhecimento total da história real, apetecia-me inventar uma para esta casa que, cirandadndo pela Nave, se meteu comigo

 

publicado por julmar às 19:22
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

Requiescat in Pace, José Simões Valente

José valente1.jpg

Acabei de ler, na página do FB, a notícia dada por sua filha Sara Sue Goldstein, da morte de seu pai, o nosso muito estimado conterrâneo. José Valente, filho de Aurélio Valente e Maria Miquelina Ferreira. Segundo as palavras da filha, sofria de um cancro do cólon há três anos cujos tratamentos de radiação e quimioterapia enfraqueceram o sistema imunológico. Vivia nos Estados Unidos desde há muitos anos, na cidade de Filadélfia, onde exercia o ofício de alfaiate.

Um dos seus hobies preferidos era a fotografia, quando era ainda uma raridade. Guardo um envelope, que me enviou há oito anos, com muitas fotografias de lugares e gentes de Vilar Maior, bem como alguma documentação manuscrita. Algumas dessas fofografias, publicadas neste blog, dos princípios dos anos sessenta são testemunhos únicos. Por vezes, telefonava-me sempre muito saudoso de Vilar Maior. Sinto a sua perda.

As minhas condolências à família.

 

 

publicado por julmar às 19:50
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