Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2022

Ir ao feixe

Chico Barroco1.jpg

No tempo em que não havia gaz nem eletricidade era preciso fazer o lume para aquecimento e para cozinhar os alimentos. Arranjar lenha e giestas era um trabalho essencial. Para quem não tinha moreia de lenha, tinha que diariamente ir ao feixe. E os pobres, à rasca com o que comer e com o que vestir, também se viam à rasca para se aquecerem!

publicado por julmar às 18:18
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2021

Vilar Maior no século XIX

Livro das Hipotecas.jpg

Registo de manifesto de hipotecas da administração do concelho do Sabugal (1843 - 1855)

Quem quiser reconstruir um pouco da história de Vilar Maior do século XIX, aqui poderá encontrar elementos de interesse: Registo de hipotecas, sendo as mais frequentes as feitas na sequência de empréstimos de dinheiro e respetivos juros. Vimos, por exemplo a saber, que a viscondessa de Bobadela era a senhoria e proprietária da Quinta das Batoquinhas, como podemos ver pela transcrição do registo nº 35

Aos sete dias do mês de janeiro de 1855 pelas duas horas da tarde compareceu perante mim António de Barreiros e Neves escrivão da administração deste conselho de Vilar Maior José Ribeiro Leitão escrivão da Comarca municipal deste conselho, requerendo-me lhe vertesse na qualidade de procurador de José António da Silva da cidade de Viseu o alvará do teor seguinte: dona Ana Joaquina Maria do(??) Henriques Leitão Pina e Mello da Silveira Albuquerque (?) condessa de Bobadella viúva do conde do mesmo título Gomes Freire de Andrade e Castro. Pelo presente meu alvará de meu próprio punho feito e averiguado declaro que recebi do senhor José António da Silva da cidade de Viseu a totalidade e importância de todos os foros atrasados até o ano de 1854 pertencente à Quinta das Batoquinhas situada na Vila de Vilar Maior conselho da cidade da Guarda cuja quinta me pertence na qualidade de senhoria direta que sou da mesma e pela qual se paga do foro a pensão anual de 40 fanegas de centeio na forma de aforamentos a este respeito feitos pelos respetivos foreiros e bem assim recebi do mesmo senhor António Silva mais três anos adiantados os mesmos foros cujos devem vencer nos próximo futuros anos de 1855, 1856, e 1857 na mesma razão das nomeadas 40 fanegas de centeio anuais concedendo o mesmo senhor Silva para cobrança dos mesmos foros atrasados e dos mais três anos que me adiantou como acima de ele autorização para poder cobrar dos foreiros, caseiros ou possuidor da mencionada Quinta das Batoquinhas os foros e rendas atrasadas até que se achem completamente embolsado e satisfeito da importância e totalidade que me adiantou podendo fazer cumprir o pagamento judicialmente se tanto for mister e os respetivo rendeiros ou foreiros concedendo ao mesmo senhor Silva por este mesmo alvará procuração em causa própria com amplos e gerais tudo para o fim de ser embolsado dando-lhe também pleníssima e geral quitação da importância dos mesmos foros até ao futuro ano de 1857 e para sua defesa e a minha lembrança eu passei a presente que terá a forças do artigo quatro 162 da novíssima reforma judiciária. Lisboa 20 dezembro 1854, Condessa de Bobadela

Reconheço original supra"

Assinam José Ribeiro Leitão e António Barreiros e Neves

 

publicado por julmar às 12:05
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2021

Requiescat in pace, Joaquim Badana

joaqui badana.jpg

O Quim, Joaquim Dias Badana, faleceu em Castelo Branco onde viveu a maior parte da vida. O funeral foi hoje, sexta feira, dia 10 de dezembro.

Ser de uma aldeia é ter a certeza que nunca se é anónimo, que rico ou pobre, instruído ou analfabeto, é sempre aquela pessoa única que faz parte das nossas vidas. Todos os da minha geração conhecemos o Quim. No tempo em que nasceu, o meu tempo também, a vida era mesmo difícil e para alguns, como o Quim, mais difícil ainda. Felizmente, abriu-se um caminho que lhe proporcionou educação e responsabilidade que, amigo de ajudar, lhe grangeou consideração. Tinha gosto de o cumprimentar todos os anos, aquando da Festa do Senhor dos Aflitos, a que nunca faltava. Aos familiares, sentidas condolências.

publicado por julmar às 18:47
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2021

D. Zézinha - Uma história que vale a pena ler

Recordando a D. Zézinha - VILAR MAIOR, minha terra, minha gente

"Quem não sabe o que lhe acontece puxa pela memória para salvar a interpretação do seu conto, pois não é totalmente infeliz quem puder contar a si mesmo a sua própria história” Maria Zambrano

Já tinha dado conhecimento da existência deste livro no blog, Vilar Maior minha terra minha gente. Recentemente, tive uma longa e agradável conversa com a autora que teve a gentileza de me enviar o livro. No mesmo dia que o recebi, o li. Como um romance que tem um sabor diferente pelo conhecimento direto dos personagens e dos lugares. A história de uma mãe e de um filho, a D. Zézinha e o Alexandre a que se acrescenta o pai, o sr Raul e a Adelina, irmã do Alexandre, falecida na infância. Depois, acrescenta-se a família alargada: Os pais da D. Zézinha e a sua madrinha, dona de uma pensão no Sabugal e que a tomou como a mãe que lhe deu atenção e carinho; os pais e irmãos do senhor Raul, uma família urbana a viver numa comunidade rural. O livro gira à volta da relação de uma mãe rígida e austera que quer o melhor para o filho, que na sua obsessão de o tornar o melhor aluno lhe nega o mais importante: o amor concretizado no carinho e a liberdade materializada no brincar. D. Zézinha colocava acima de tudo a sua profissão desenpenhada no contexto dos valores do Estado Novo.  O livro é uma história dentro da História. Uma história que começa na Primeira Guerra Mundial, no cocheiro que faz o correio da Guarda para o Sabugal, do casamento do cocheiro com Maria da Graça e do nascimento da Maria José que iria ficar orfã aos quatro anos com a mãe a não saber o que fazer à vida. Valeu-lhe a Adelina que tinha a pensão no Sabugal, onde a Maria José cresce a ver aparecer e desaparecer muita gente importante. Fez a quarta classe como aluna tão distinta e ilustrada que anos mais tarde lhe haveria de valer a convocação para regente escolar estreando-se na função na Arrifana do Côa onde, a tão invulgar acontecimento, entre a muita gente que acorreu, se contava Raul Araújo. Ali nasceu um amor cuja união seria celebrada em 1942. E, em parte da casa, da ilustre família Araujo, na Vila, se instalou o casal. Em 1951, nasce o Alexandre, dando continuidade ao nome de seu avô e de seu bisavô. O périplo de D. Zézinha prossegue de aldeia em aldeia, a partir de agora com o Alexandre, na sua missão de ensinar a ler, a escrever e a contar que, juntamente, com a inculcação dos valores Deus, Pátria e Família completariam o currículo. O futuro é indecifrável e o princípio da década de 60 trouxe muitas novidades: D. Zézinha estava agora na escola primária de Vilar Maior, no edifício acabado de construir do Plano Centenário; o Raul, amparado no magro vencimento da regente, farto de vida sem horizonte, fez como os pobres e mal remediados fizeram, deu o salto para França; o Alexandre, finalmente, deixava a mãe, a caminho do seminário de Beja, onde o fui encontrar um ano depois. E o Alexandre, fora da mãe, no seminário, não iria encontrar nem amor, nem liberdade. Não haviam passado dois anos, e o padre Gaudêncio - o reitor do seminário, uma figura distinta que aparecia à hora do recreio a distribuir o correio pelos alunos, cartas que ele já lera, a quem os alunos cumprimentavam beijando a mão, espalhando perfume por onde passava - dava a pior das notícias à mãe: o Alexandre tem de abandonar o seminário porque não tem vocação. Nova fase de vida do Alexandre, agora num colégio interno da Guarda, o Colégio de S. José, dirigido por padres que pouco diferia do seminário. Porém, o Alexandre crescia e contra a rigidez disciplinar ousou experimentar o sabor do desafio e da desobediência. Gostou e criou amigos. 

O princípio da década de 60 também trouxe as guerras do Ultramar que se alimentavam da juventude. D. Zézinha, embora defensora da pátria e do império vivia acabrunhada só de pensar que o seu menino, cada vez mais próximo da idade de soldado, pudesse ir para a guerra. Assim, arquiteta um plano para o Alexandre ir passar as férias a Paris com o pai. Chega e o pai, que não sabia da ida do filho não estava. Levam-no para o grande bairro da lata - Champigny,  e fica incrédulo sobre como é possível viver ali. Depois passa a viver com o pai que trabalhava longe e só o via ao fim de semana. Encontros e desencontros, portas fechadas, outras entreabertas, vai-se acertando com a realidade. 

D. Zezinha, por cá, sem o seu Alexandre, sem o Raul, perde o amor à profissão. Tira o passaporte e vai ter com eles a França. Como é preciso ganhar a vida, mesmo num ofício que não se gosta, tornou-se porteira. 

Uma história que começa nos princípios da República, passa por duas guerras mundiais, por quarenta anos do salazarismo, pelas guerras coloniais, pelo exodo migratório e, felizmente, pelo 25 de Abril.

 

publicado por julmar às 18:21
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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2021

Encontro anual da gente da vila

Encontro de lisboa.JPG

1969 (?)

Durante vários anos, os vilarmaiorenses que haviam procurado Lisboa para fugir à parvónia, reuniam-se, anualmente, e confraternizavam. A eles se juntavam alguns que iam da Vila. Assim se fortaleciam os laços e se alimentavam as raizes. 

publicado por julmar às 11:27
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2021

Mulheres da minha Terra - Dona Zézinha

raul6.JPG

D. Zezinha e filho

Marias há muitas. Tantas que, se nada se acrescentasse antes ou depois do nome, dificilmente se saberia de quem se estava a falar. Daí que, a maior parte das vezes, se lhe apusesse mais um nome próprio, um qualquer. Mas tratando-se de mulher que por linhagem, riqueza, educação ou posição social se quisesse distinguir, poderia fazer-se anteceder o  nome de “Dona”.  Recordo a Dona Maria, filha de Dona Evangelina, da linhagem antiga dos Osório Fonseca. O mais frequente era substituir, no trato social, Maria por Marquinha. E aqui os da minha geração, basta puxarem pela memória para lhes ocorrer um rol de Marquinhas. Destas, uma ou outra, perdida a primeira sílaba,  ficava a ser tratada como Quinha. 

Mas voltando às Donas do século XX, falamos, hoje, de uma Maria, a Dona Zézinha, que de nome completo era Maria José de Oliveira Morais, sendo que, por vezes, aparece Gouveia em vez de Morais.  Das muitas proibições que havia à época, extensivas a todos os cidadãos, algumas tão ridículas como a de usar isqueiro, outras se acrescentavam às mulheres, como, por exemplo, a de entrar na igreja de cabeça descoberta e, outras ainda, às professoras que tinham de obter licença do Governo, devendo o noivo apresentar um atestado de bom comportamento moral e civil e, um outro, que atestasse que auferia rendimento superior ao ordenado da noiva. Tempos do Estado Novo. 

Jovem muito pretendida, não só por saber ler, coisa incomum, certamente pela origem social, quiçá pelo porte físico, veio a ser consorte de Raul Gouveia Araújo, filho de Alexandre Gonçalves Araújo e de Mariana Fonseca Gouveia. O senhor Alexandre, um dos mais ricos proprietários, mantinha na família um estilo de vida citadino que os rendimentos agrícolas e rendas não suportavam, como pudemos constatar com a consulta ao livro do Deve e Haver do comércio do Sr António Gata, onde está descrita a quantidade e espécie dos produtos consumidos e respetivos valores. O remédio era pedir emprestado e vender, uma após outra, algumas das propriedades. A extensa prole de filhos e filhas foram casando, uns saindo da terra ( Figueira da Foz, Gerês...).Na Vila,  ficou a  Celestinha - jovem de rara beleza que trouxe até cá o principe encantado, conduzindo um automóvel por caminho impróprio para a viatura,  que a estrada ainda havia demorar a chegar. O primeiro automóvel a entrar na Vila. Fosse por causa da ínvia caminhada ou por razão que desconhecemos, o príncipe não voltou. Haveria de casar com José Ferreira Franco, ex-seminarista, ex-soldado, com mais cultura que a maior parte dos seus conterrâneos, agricultor forçado pela necessidade, fazendo barbas e cortando cabelos, aplicando injeções a doentes, enquanto a sua Celeste fazia crochet. A Celestinha, a quem o sol não crestava no campo, ficava por casa, qual Penélope, a fazer rendas sem fim. 

O Raúl, também, ficou pela Vila. Com a educação que os pais lhe deram, com resto de propriedades partidas e repartidas, já pouco poderia vender. Por isso, o senhor Raul era um pouco agricultor, um pouco sapateiro, um pouco pescador, um pouco caçador. Por pouco tempo, regedor, também. Talvez , informador, também. Por isso, quando todos foram para França, o senhor Raul, que era um pouco trabalhador, foi e não voltou mais. Haveria de ir a D. Zezinha que não voltaria mais. E o filho, o Carlos Alexandre, meu colega de seminário iria para a França, também. Passados muitos anos, veio de visita. Não voltou, não voltará mais.

Das muitas coisas que via do balcão da casa onde nasci, todos os dias via esta família. Num dia soalheiro de dezembro, a casa do senhor Raul estava mais movimentada. Tinha-se matado o marrano, nessa manhã, e ao farto almoço desses dias acorria sempre mais gente. Do meu balão, ouvi um tiro e a seguir, uma grande confusão. O Alexandre pegara na espingarda e disparara, tendo atingido a irmã Adelina, felizmente, sem gravidade. 

 

publicado por julmar às 11:08
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2021

Facta carta apud Sabugal

Um dos documentos basilares da História da Vila: Monarquia Lusitana, V Parte

Facta carta apud sabugal.jpg

 

publicado por julmar às 20:57
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021

Perdão Real

Quem andar a cuscar por documentos antigos, acaba por encontrar destas coisas:

A João Gonçalves, morador em Malhada Sorda, termo de Vilar Maior, Perdão por ter induzido por afagos Maria, filha de Afonso Anes e de Lianor, pelo que se amorou,

Chancelaria de D. Manuel I, liv. 32, fl. 20

publicado por julmar às 10:55
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2021

AS GRANDES OBRAS DO SÉCULO XX  - O Chafariz

No fundo do fundo da Praça ficava o quintal do ti João Marques onde o sr Tenente e outros ilustres acharam ser o sítio perfeito para implantação do Chafariz, contrariando o parecer do Sr. Presidente da Câmara do Sabugal. Por mim, hei-de ter ouvido as conversas inconformadas de meu pai e o apelo à resignação da minha mãe sobre a expropriação do quintal; hei-de ter ouvido as imprecações de amargura e raiva do meu pai abafadas nas machadadas do corte do abrunheiro e de outras frutíferas que povoavam o quintal; mais tarde, terei ouvido o truca-truca do cinzel dos pedreiros, mestres na arte da cantaria, que bloco após bloco preparavam o corpo que seria a expressão da grande epopeia. Ouvi sem saber o que ouvia. Depois, chegado a este mundo, ao colo da minha mãe, vi sem ver, as pessoas que seguiam os gestos ritualizados do Sr. Tenente a cujo mando, qual Moisés batendo com a vara na rocha, duas torneiras se abriram em jorros de água que abafaram as palmas dos circunstantes.

Tal como na Bíblia: «A água jorrou em abundância, e a comunidade e os animais puderam beber» (Liv. Números 20-21)

Com o tempo o meu pai conformou-se. Antes que o muro branco e caiado saísse dos alicerces meteu uma videira do quintal para dentro do curral cujo tronco engrossou de modo a suportar uma frondosa latada que, além da doçura do fruto, amenizava com a sua sombra o calor dos estios. A videira passou a Videira, a nossa Videira, e a fazer parte da família durante toda a vida dos meus pais mais de quatro décadas. Quem se atrevesse a ser perfeito deveria olhar para esta videira que se despia no Outono para que os raios brandos do sol aquecessem a varanda e se vestia no estio para nos proteger da inclemência tórrida do Verão. Outras lhe sucederam.

E foi nessa varanda debaixo da latada, frente ao chafariz, que aprendi o mundo porque todo, quase todo, o mundo por ali passava. As raparigas namoradeiras, que mais do que matar a sede, vinham esperançadas na aparição do seu príncipe encantado; as criadas dos homens ricos com cântaro na cabeça e um balde em cada mão ou porque os ricos bebem mais do que os pobres, ou porque têm de rentabilizar o tempo dos criados que mal pagam; as mulheres solitárias que espairecem e colhem novidades velhinhas pelo caminho; e a Maria Cuca cuja tontaria já não incomoda ninguém e a quem os garotos fazem a vida negra. A cena é sempre a mesma. Basta atirar-lhe a frase:

- Ó Maria, já te vou roubar o sabonete!

Atira com os baldes de lata, agarra pedras, corre e atira-as à canalha, gritando: - Filhos da puta! Filhos da puta!

Todos se habituaram, ninguém se preocupa com a Maria. Ninguém se preocupa com tontos e doidos.

A água jorra, consoante as épocas do ano continuamente das duas torneiras, de uma torneira só ou apenas mediante a abertura. As pessoas dizem, com vaidade, que nenhum outro povo tem assim tanta água e de tão boa qualidade. Os forasteiros que por aqui passam consolam-se; os peregrinos que demandam a Senhora da Ajuda da Malhada Sorda bebem e abastecem-se para o caminho. Por vezes, a minha mãe oferece um copo.

Também o vivo – mais o gado grosso que o miúdo – não foi esquecido e foi feito um pio encostado ao muro caiado que fizeram ao meu pai. E debaixo da latada eu vejo os homens dando de beber às vacas e aos burros, tantas vezes que eu conheço tão bem o jeito dos donos como os modos dos animais. E conheço o assobio com que cada um incentiva as alimárias a beberem. Os garotos, incapazes de manobrar as torneiras do Chafariz dessedentavam-se no Pio - que grande era - em fraterna partilha com os animais; ou, então, brincavam com a água às massarecas: um montículo de terra com uma covinha que enchiam com água transportada na boca, recipiente mais seguro que as pequeníssimas conchas das mãos. E quando se justavam contas antigas, em público, e as palavras não resolviam o pleito, navalhas e pedras rasgavam os corpos, era ao Pio que acorriam para lavagem do sangue. E como o princípio do sábio Francês Lavoisier aqui tinha integral cumprimento, na Natureza nada se perde tudo se transforma, as sobras das águas eram arrematadas pelo Sr. Fernandinho para regar o Chão da Ponte.

O chafariz chegou quando eu cheguei e estava tão naturalmente ali como passou a estar a Videira do meu pai. Era um belo chafariz e na festa do Senhor dos Aflitos os rapazes solteiros roubavam flores com que o enfeitavam, e as donas das flores, ainda que mostrassem o contrário, sentiam-se felizes por terem sido roubadas as suas flores. Quando aparecia alguém com uma máquina fotográfica era no chafariz que tiravam os retratos.

Depois, gente que não era da vila, e não ouviu as histórias de como o povo ergueu o Chafariz, decidiu em nome da estética urbanística retirá-lo do fundo do fundo da Praça.

publicado por julmar às 12:02
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2021

Em defesa de mim

Agora que a festa já lá vai, vou publicar o que, no calor do momento, escrevi:

Pela primeira vez o administrador do blog ‘Vilar Maior, Minha Terra minha Gente’ utiliza este espaço para esclarecer uma questão pessoal:

No final da missa campal do Senhor dos Aflitos, o pároco leu os nomes - entregues pela comissão de festas em função - das pessoas para a nova comissão para o ano de 2022, dizendo que uns já tinham aceite e esperando que os outros aceitassem. Sem surpresa maior, foi lido o meu nome. Sem surpresa porque já é a terceira vez. Devo dizer que considero uma honra ser mordomo da Festa do Senhor dos Aflitos e que já a senti. Porém, devo esclarecer que sou um homem livre e que escolho as honras que eu entendo. Mas há quem insista, vá- se lá saber porquê. Ou alguns sabem e outros vão atrás.

A informação da minha não aceitação ao pároco foi:

Boa tarde, Sr padre Daniel

Venho comunicar-lhe a minha não aceitação para a comissão de mordomos. O mesmo já comuniquei à, ainda, comissão em funções. Quem quiser algo de mim olha-me nos olhos e fala comigo.

Um bom domingo”

Faz sentido isto? - gente que sabe a casa onde  vivo, que cruza comigo na rua, que conversa comigo, que bebe um copo comigo, gente de quem gosto e que estimo !

Ponderei não dizer nada. Mas não gostaria que houvesse uma quarta vez em que alguém aconselhasse o meu nome à comissão. Haja paciência!  E repito: "Quem quiser algo de mim olha- me nos olhos e fala comigo."

Assunto encerrado.

Há muito para fazer pela nossa terra, vamos prosseguir, juntando forças. Na prossecução do projeto “Tornar Vilar Maior uma aldeia cultural”, temos agora no adro da capela um painel com o Hino do Senhor dos Aflitos que é o laço principal que une todos os vilarmaiorenses. A oportunidade de agradecer, mais uma vez, a todos os que ajudaram a concretizar o projeto e que Albino Leonardo Dias materializou.

publicado por julmar às 15:37
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