Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

Requiescat, Joaquina Fonseca

Joaquina Fonseca.jpg

(Fotografia de Manuel Fonseca)

Faleceu, no dia 27 de Junho, com 92 anos de idade, em França (cidade de Tarbes), onde ficou sepultada, a nossa conterrânea Joaquina Fonseca. Todos os anos por esta altura  de verão vinha atá à Vila. Viúva, desde  há muitos anos, de José Bernardo - lavrador de profissão e serrador que nestas noites de estio pegava na concertina e zamburreava velhas melodias, a Joaquina vai- nos fazer falta. Já com os anos a pesar em cima, não perdia uma única moda no bailarico. Alegre, bem disposta com a vida, bem humorada é assim que ficará na nossa memória. Aos fihos e demais família, as nossas condolências.

publicado por julmar às 10:23
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Quarta-feira, 19 de Junho de 2019

A Ronda

vm ronda.png

Da esquerda para a direita - Xico Jacinto, Adriano da Cruz, tocador (Xico dos Forcalhos?) e Zé Rasteiro

Ao domingo, depois do bailarico da tarde, as raparigas iam para casa e os rapazes iam à ronda com o tocador de concertina desfiando quadras umas atrás das outras:

Agora é que vou cantar,

Viva o meu atrevimento;

Quem não me quiser ouvir

Bote os ouvidos ao vento.

 

Na hora de Deus começo,

Padre, Filho, Esp'rito Santo.

É hoje a primeira vez

Que nesta roda canto.

 

Tenho um saco de cantigas

E mais uma taleigada

Se hoje as canto todas

Amanhã não canto nada

 

Sempre gostei de cantar

Ao pé de quem canta bem

Eu nunca vi a tristeza

Dar de comer a ninguém

 

Chorai fadistas, chorai

Que a mãe do fado morreu

Às sete horas da tarde

Na cidade de Viseu

 

Chorai olhos, chorai olhos

Que o chorar não é desprezo

Que a virgem também chorou

Quando viu seu filho preso

 

- Ó Laurinda,, ó Laurindinha,

Tua mãe 'stá-ta chamar.

- Eu bem sei o que ela quer:

Não me deixa namorar.

 

publicado por julmar às 18:20
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Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

O Sabugal em vias de extinção

alunos do concelho do sabugal.png

Ao informatizar fotografias, escritos, recortes de jornal e outros, chamou-me a atenção este recorte do Nordeste, datado de janeiro de 1992. A evolução demográfica nestes 27 anos deveria despoletar todos os sinais de alarme. Ano após ano a situação é pior e ninguém se importa.

publicado por julmar às 23:19
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Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

In, Histórias Quase Reais

foto buraco1.pngNa casa do ti Jerómino, terminavam as casas do povoado de quem saía pelo Buraco, no tempo em que havia grandes sermões que, invariavelmente, mostravam a miséria da condição humana; em que na Misericórdia se cantava a ira de Deus em latim; em que os lavradores semeavam tapadas de pão, os pedreiros levantavam paredes, os ferreiros aguçavam os picos dos pedreiros e as relhas dos lavradores, os pastores dormiam com as ovelhas nas noites quentes de verão nas terras centeeiras que a merda do seu gado havia de estrumar o pão semeado pelos lavradores; em que os moleiros tornavam farinha o grão de centeio no rodízio das mós talhadas pelos pedreiros; em que as mulheres dos homens de todas as profissões amassavam a farinha e a tendiam em pães que, poisados em tabuleiros, à cabeça, eram levavados aos fornos da Quelha, da Praça ou do Cimo da Vila; pão que em todas as mesas, branco ou escuro, à farta ou doseado, só ou com peguilho, acompanhado de vinho ou de água ocupava o lugar principal. Tudo pode faltar menos o pão. Foi o pedido que todos, desde crianças, aprenderam a fazer a Deus: ‘O pão nosso de cada dia nos dai hoje’.

O pequeno António, sem mãe desde os quatro anos e o pai mais ocupado em arranjar mulher onde fazer filhos que criar os que fizera, ficará entregue à Segurança Social que, ao tempo, se encarregava de todos os deserdados e que dava pelo nome de o deus dará. Ora, ao contrário de Deus, o deus dará era, por natureza, um faz de conta, pois o que acontecia, acontecia ou não,  independentemente dele. Não adiantava, nem atrasava um deus assim e Deus também não se importava de um deus sem importância. Falecida a mãe do António, o rapaz ficou ao deus dará e para mitigar o mal de ter um deus assim a cuidar de si, foi-se animando por mor de não lhe faltarem companheiros que tendo ficado ao deus dará a ele continuavam fiéis pela vida fora. Associados na adoração do seu deus aprenderam a andar sempre à margem dos que tinham um Deus a sério. Se iam à Igreja, não tinham que estar onde estavam os filhos de Deus, não tinham que cumprir com rigor os preceitos da Santa Madre Igreja, encontravam sempre um lugar mais escondido, mais distante. Os seus passos tinham uma geometria errante e emaranhada. De certa vez, o António mais o Bernardino Serrano, fintaram a vigilância do padre Zé Batista e enfiaram-se no coro da Igreja. Ao segundo mistério - a Flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo - já eles dormiam como barrocos da Fraga e embalados pelo sussurro da Salve Rainha, por umas Avé-Marias avulsas pela conversão da Rússia, as jaculatórias usuais e o ámen final.

 O ti Manel Junça, empunhado o pavio, apagou uma a uma as velas, as do altar-mor, primeiro, e, depois, as dos altares laterais tomando a escuridão conta do espaço todo, até à afirmação lenta do treme luz da lâmpada do Santíssimo. As beatas, embrulhadas nos xailes e lenços pretos, olhos poisados no chão, continuando a sibilar orações e rezas, saíam forçadas como se aquela fosse a sua única morada. O Junça fez ranger langorosamente a porta de ferro, deu duas voltas com uma chave tão grande e tão lisa que bem podia ser a chave da porta do Céu. Enrolou o tabaco no papel e acendeu o cigarro que, às vezes o distraía, outras vezes, oadentrava em pensamentos inquietantes. Desta vez, deu consigo a perguntar-se se Deus não teria em grande conta o trabalho de um sacristão, que a ele Junça o obrigava a deitar-se depois de todos porque tinha de subir à torre para tocar ‘às almas’ e levantar-se antes de todos para o toque das ‘Avé-Marias’. No princípio, quando se casara com a Maria Prata, dela ouvia os bitafes de mulher não conformada com a concorrência que os sinos lhe faziam.

- Ó Manel, parece que  tu até casaste com os sinos! Se no tocasses o sino nem o sol nascia, nem a noite acontecia!

Lembrado do remoque da Maria, perguntou-se:

 - Atão, se no houvesse sinos, se no houvesse sacristão que os tocasse, quem é que punha ordem nisto, como é que esta gente se entendia? Até os galos só cantam depois de eu tocar as Ave-Marias e depois de tocar às Almas. E , entrado no Adro deu consigo aos saltando, dizendo: Eu sou Deus! Eu sou Deus! Sou importante! Que seria do padre se eu não tocasse os sinos? Sim que seria uma igreja sem gente? E nisto, atreveu-se: Que seria de Deus sem fiéis que o adorassem? Que seria Deus sem mim? De repente, assustado pela temeridade que acabara de pronunciar, arrependeu-se logo. Mas lá que fazia sentido o que dissera, lá isso fazia. Jogando a pirisca fora,

- Que Deus me perdoe! Mas se eu no tocasse os sinos, como era?

(Excerto de Histórias Quase Reais)

publicado por julmar às 18:12
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

A Praça da Vila

Inscrição praça.jpg

Os mais antigos documentos da Humanidade encontraram na pedra o seu principal material quer enquanto elemento construtivo, quer enquanto suporte da expressão criativa do homem ou da inscrição de acontecimentos. A história de Vilar Maior está escrita em pedra. Deixo aqui esta inscrição pedindo ajuda para a sua leitura. A pedra, um cubo granítico, encontra-se no  canto do cais da praça, frente ao mirante. Antes da última remodelação da Praça que ali a colocou, felizmente, com a face com a inscrição para fora, ela servia de base a um dos vários penicotos existente na mesma, e que foi pena que os mesmos penicotos não continuassem a fazer parte da sua decoração. 

Aquilo que se lê sem dificuldade:

De 1828

A.Gta

Com bastante certeza, poderemos dizer que a Praça, como a conhecemos antes da última intervenção ladeada a nascente e a norte por muro que a suporta numa superfície plana, terá sido feita em (ou por volta)1928, período em que a Junta da Paróquia era formada por Manuel Marques, Albino Freire e António Gata, sendo este seu presidente. Além desta obra, na década de 20, ter-se-á feito o cais do Pelourinho; fez-se o actual cemitério (com a pedra do corpo da Igreja da Senhora do Castelo; construiu-se o corpo da capela do Senhor dos Aflitos com a pedra das ruínas da capela do Espírito Santo, onde nem uma cruz foi erigida par nos lembrar a existência desse lugar sagrado. António Gata (1870-1938)  é uma figura indelével da primeira metade do século XX. Proprietário abastado era um dos maiores lavradores de então. Mas era sobretudo O Comércio que o ocupava e que na época era o grande centro abastecedor da região e onde se podia encontrar quase tudo o que era necessário, desde o vinho, aguardente, tabaco, mercearia, vestuário, louças, enxofre, pólvora e rastilho, às necessidades de muitos ofícios desde as costureiras e alfaiates aos sapateiros, aos ferreiros, aos pedreiros, aos carpinteiros, aos caiadores e à folha de Flandres com que o latoeiro havia de fazer um vasto conjunto de artefatos necessários à vida doméstica e à agricultura. Centenas de produtos. 

Terá sido por essa altura, que António Gata terá introduzido na vila um material que seria concorrente da pedra: o cimento. Terá, então, mandado construir à entrada do seu estabalecimento, constituído de taberna e Comércio, um terraço, dois degraus acima da rua, feito com o referido material que lhe deu o nome: O Cimento que sobranceiro à Praça viria a tornar-se no local mais simbólico da Vila. 

publicado por julmar às 16:03
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2019

Requiescat in Pace, Júlio Leonardo

tio julio 2.jpg

Faleceu em 25 de Abril, uma data que lhe era cara, o nosso conterrâneo Júlio Silva Leonardo com 95 anos de idade. Filho de Albino Leonardo e de Isabel Maria da Silva, era irmão da Assunção, da Maria da Graça, da Sara, do Albino, já falecidos, e da Lúcia. Tendo ido a estudar, fez a sua vida fora de Vilar Maior, mas todos os anos pela festa do Senhor dos Aflitos regressava com sua esposa para conviver com a família e matar saudades. Homem bom, culto e sensato era um prazer conversar com ele. Ao Luís Filipe, seu filho, nora e netos as mais sentidas condolências.

publicado por julmar às 11:50
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2019

O burro da aldeia - mentiras que podiam ser verdades

Burro.JPG

No dia 1 de abril foi publicado aqui um post, cheio de mentiras que podiam ser verdades. Entre elas constava um um projeto: o burro do povo. Coisas simples, de baixo investimento e que somadas fariam uma enorme diferença. 

A foto é do Jornal de Notícias de 14-4-2019.

 

 

publicado por julmar às 16:25
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019

Requiescat in Pace, Aníbal Sousa

Anibal.JPG

Aníbal Batista de Sousa passou a pertencer  a Vilar Maior no dia em que, no fim dum dia do mês de Agosto, subiu  a escada da casa do senhor João Marques para lhe pedir a mão de sua filha Maria Natália. O contrato ficou público e selado quando o chefe dos rapazes solteiros tratou com o pretendente o pagamento do vinho à rapaziada. Esta era, para além do mais, a forma de ficar a pertencer, por direito, à Vila. Pelo casamento ficou a pertencer à maior família da Vila (Silva /Leonardo Marques), oito irmãos. Falecido no passado sábado, foi hoje, 2ª feira, a enterrar no cemitério da Conchada, em Coimbra. Amigo e sempre pronto a ajudar estará sempre presente em nós.

 

publicado por julmar às 18:25
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Domingo, 7 de Abril de 2019

Requiescat in pace, José Pedro

ze pedro.jpg

Estava a telefonar para a Vila no momento em que a pessoa com quem falava me informou que os sinos  tocavam a sinal. Morte certa, hora incerta. Tinha chegado a hora do senhor Zé Pedro. Numa tarde de Verão, ao passar pelas Portas, com o seu modo amável, convidou-me a entrar em sua casa, de porta sempre aberta apar os amigos. Entrei, conversámos, contou-me histórias do passado e tirei-lhe esta fotografia. Todos temos duas histórias fundamentais: a do nascimento e a da morte, narradas nas respetivas certidões. Pelo meio, pela vida fora, vamos construindo histórias que os que por cá ficam vão contando, preservando a memória dos que morrem. Por isso, o senhor Zé Pedro, uma figura indelével da Vila, continuará entre nós. Aos seus familiares, as nossas sentidas condolências.

 

publicado por julmar às 17:23
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Sexta-feira, 5 de Abril de 2019

Soldados de Vilar Maior na 1º Guerra Mundial

Image result for participação de Portugal na 1ª guerra mundial

Através do blog SABERSABUGAL.BLGSPOT.COM, ficamos a saber dos soldados que participaram na 1ª Grande Guerra Mundial. Lembro-me apenas de Joaquim António Ferreira de quem ouvi relatos do que por lá passara.

Virgílio da Encarnação Araújo, 1º cabo 09671, filho de Abel Gonçalves e de Mariana Fonseca Gouveia.

Joaquim Jacinto, 17850, filho de Manuel Jacinto e de Maria Mónica.

António Rafael, 18166, sem mais informação.

Francisco de Almeida Franco 2º sargento, 18402, filho de Vicente Ferreira Franco e de Ana de Almeia Franco. Ferido em combate no dia 14 de Junho de 1917, louvado no dia 4 de Março de  1918, Tomou parte na Batalha de La Lys.

Joaquim António Ferreira, 2º cabo, 18492, filho de Luís António Ferreira e de Maria Vinga. Tomou parte na Batalha de La Lys.

 

publicado por julmar às 11:55
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