Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Duas horas de viagem! Já lá vai o tempo em que nestes dias de Inverno se demorava um dia. Planeava-se onde almoçar ou levava-se a lancheira. Por duas vezes me lembro de ter dormido numa estalagem em Mangualde pois a chuva, o nevoeiro venceram-me.
Por lá, um domingo de sol aberto, sem vento e uma geada que pintou os campos de branco. A ribeira com pequenos charcos de água cobertos de grosso gelo sobre o qual me aventurei sem acidentes.
Na torre de onde a foto foi tirada, o Chico acompanhou-me com o toque dos sinos para a missa de domingo.
- Ó Chico quando deixares de tocar os sinos, a Vila acaba.
O Chico puxa do apito e, estridente assinala um golo. Um golo sofrido.
De Vila a 21 de Dezembro de 2009 às 00:42
Daria para escrever um livro aquilo que passei e outros como eu, para fazer a travessia da zona de Aveiro até V. Formoso. Suscintamente, deixava-se a E.N . nº 1 e seguia-se direito a V.de Cambra. Daí duas escolhas: ir pela estrada da serra que, passando por Santa Cruz da Trapa desembocava em S. Pedro do Sul ou se ia por Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul. Sítios havia em que para passar um pequeno camião pelo carro se tornava necessário recorrer a manobras. ChegandoS a Viseu a sensação que se tinha é que estávamos quase em casa. Até a li era o martírio da curva apertada seguida de contracurva numa sequência que parecia não ter fim. Ainda havia a alternativa de ir até Águeda, passar as faldas do Caramulo e ir ter a Carregal do Sal. Mas destes três caminhos, viesse o diabo e escolhesse o melhor.
Mais tarde começaram a existir a espaços pequenos troços do IP5 e aberto que foi na totalidade, abria-se um céu para quem estava por demais zangado com tais caminhos.
Sim hoje são duas horas caso não se queira parar a meio da viagem e rumar até à Magarenha ou Caçador (este já o conhecia e devo conhecê-lo há cerca de 40 anos). Além do mais, a segurança com que faz tal viagem!!!.
Peço desculpa pela descrição que quis resumir o mais possível, mas são coisas que marcaram durante anos quantos precisaram de percorrer tais vias de acesso até ao nosso "ninho".
De Pirilampo a 21 de Dezembro de 2009 às 10:55
É uma vista bonita esta, ainda que com cara de inverno dada a nudez das árvores, ainda que esse estado lhe empreste a beleza real do tempo.
Para quem não conhecesse o sítio e não fossem alguns adereços fora de contexto e dir-se-ia que a foto teria eventualmente sido tirada de um helicóptero que sobrevoava a vila. Falando da nossa torre e falando dos sinos dela, fosse eu uma pessoa rica (rica pessoa já sei que sou...gaba-te cesto...) e ofereceria um sino grande para substituir o toque de cana rachada que o maior tem. Já parece uma doença crónica de tantos anos que passaram com esse estado de timbre. Os mais velhos sabem bem que não foi doença congénita porque durante muitos anos o ouviram com "voz" normal. Até nisso se nota a decadência de uma terra.
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