Quarta-feira, 14 de Abril de 2010
(Foto cedida por José Valente Simões)
A França ainda não tinha dado os seus frutos, quer dizer francos. O alcatrão era das vias que levavam a outras paragens. Vinha, muita vinha, muito vinho que era o que alegrava o coração dos homens e, quantas vezes, entristecia o das mulheres. O Centro de Dia era o largo da Praça. Electricidade era ainda sonho. Construções para o Buraco, apenas a garagem para o «Rompe Rasga» do sr Fernando, talvez também a casa do Seixas e o quarto à beira da estrada atulhado de titânio (escória à época, dizem que uma preciosidade agora). Em vez de Avenida das Escolas era o Buraco.
De V.M. a 14 de Abril de 2010 às 21:07
Anos 60-70 ??
anterior aos setenta, porque a estrada é de 1973
De Vila a 14 de Abril de 2010 às 23:27
Uma bonita foto da nossa aldeia.Já não é assim tão antiga dado que a torre da nossa matriz já tinha "o acrescento das eras modernas". Mas era lindo o cinzento da nossa aldeia sem os ponteados brancos de hoje, ou vendo as coisas de outra maneira, hoje é que tem ponteados de cinzento.
Nestas vinhas do serrado muitas histórias passaram e eu na minha simplicidade apenas recordo uma. Não serei demorado na sua narração: uma bela noite pela calada da mesma, de uma casa contígua a essa vinha (creio que próximo do curral grande) o pai diz para o filho ir colher umas uvas á vinha. Vendo que o regresso do filho se tornava já demorado, num misto de surdina mas a fazer-se ouvir pergunta ao filho "oh m, vens hoje ou amanhã?"- como resposta o pai ouviu: "está cá o Ti Zé Prata!!".....afinal a vinha estava sob a guarda de alguém e lá aconteceu ao rapaz o que por vezes acontecia a caminho da Espanha quando se caía nas mãos dos carabineiros ou guarda fiscais.
É por isto mesmo que nesta terra cada canto, cada pedra, para os que nela nasceram e cresceram, falam uma verdadeira linguagem que eles entendem, sim só esses entendem e por isso lhe querem bem.
De Anónima a 20 de Abril de 2010 às 16:45
Por isso ainda hoje os meus pais, quando um deles se demora, o outro pergunta: Então está lá o Ti Zé Prata, ou quê?
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