Domingo, 18 de Abril de 2010
A natureza é pródiga! Esta é das raras plantas aquáticas,existentes por aqui , comestível. Em regueirras e ribeiros de água cresce e fica comestível pela primavera enquanto canta a popa. Logo que ouça o cuco, floresce e torna-se imprópria para consumo.
Este ano já é tarde. Experimente para o próximo ano. Pegue numa cesta e numa tesoura. Se tiver carava é melhor. Vá até aos Vales, à Balsa, ao Porto Sabugal. Se não souber, informe-se junto das pessoas idosas. A da fotografia foi cortada no caminho para o Porto Sabugal na presa do caminho frente à horta do ti António Rasteiro. Lava-se muito cuidadosamente (deve evitar consumir a que se encontra em águas paradas, além de saber a choco pode não terá salubridade), podendo juntar umas gotas de lixívia. Limpe-a de possíveis ervas misturadas. Tempere-a com um bom azeite, sal e vinagre.
Na falta de barbos do Cesarão, serviu-me como acompanhamento de um arroz de feijão malandrinho com uns carapauzinhos. Pão centeio e um jarro de vinho acabado de sair do tonel e um queijo fresco para remate, comprado em Aldeia da Dona.
De Ribacôa a 18 de Abril de 2010 às 22:50
Mal terminei a leitura do post e não obstante o facto de ainda não ter digerido o jantar, eis as glândulas salivares a darem sinal de si alagando-me a boca de água. Coisas simples... Um manjar dos deuses.
De
forreta a 18 de Abril de 2010 às 22:56
Pois é!
Ainda hã pouco comi uma pratazana dessa terrivel delícia! Ainda por cima colhida no regato da minha regada, por que sabe e se dignou servir-nos ao jantar! Bem haja a quem se dedica dar-nos este prazer!
De v.M. a 18 de Abril de 2010 às 22:57
Posso dizer que sou um privilegiado , pois já este ano comi uma salada de meruges de Vilar Maior e estava bem boa, como seria de esperar.
De Pirilampo a 18 de Abril de 2010 às 23:34
Não posso passar sem deixar os meus agradecimetos ao querido director deste blog por me elucidar sobre a maneira como obter, apanhar e preparar este tipo de salada.
Isto não parece tão inocente como parece e para isso tenho de frisar um comentário ouvido nos Gata's Bar da nossa terra: dizia então um amigo para o outro: se quiseres apanhar uma boa salada de merujes tens de começar por comprar umas galochas e comprar ou pedir emprestada uma moto-serra......ora eu fiquei a pensar no assunto mas logo cheguei á conclusão que estavam a cassoar, como diria o amigo Jarmeleiro. Certamente diziam isto a pensar que eu era de fora e ficaria a cismar naquilo.
Um abraço e uma boa semana de trabalho.
De Pepina a 19 de Abril de 2010 às 10:26
Também tenho saudades de uma boa salada de meruges . Poucos são os sítios onde ela aparece. No mês passada estava num jantar com os meus alunos de mestrado e eis que dois deles (um do Norte e outro do Centro) associaram o concelho do Sabugal à salada de meruges que se come num determinado restaurante. Um deles sonhava que se fosse possível a sua produção em grande escala e a comercialização em IV gama seria uma novidade nos supermercados do país. Eu seria uma consumidora imediata pois pelos campos por onde ando nem vê-las. Como uma plantinha tal delicada e saborosa identifica um concelho com tanta história?! ...
Ainda há um mês comi uma boa pratada delas na casa do João Robalo. Soberbas...
De paula a 19 de Abril de 2010 às 22:15
Uma ementa deliciosa.
Essa é uma excelente salada. Que não como há muito..
Que me lembra a minha avó Assunção e um petisco de bacalhau cru desfiado, temperado com azeite, vinagre, alho e colorau espanhol. Com pão e salada de meruges.
Bem...;-)
De D.Quixote a 19 de Abril de 2010 às 23:02
Ora, nos tempos que correm e quando tanto se fala nas confrarias disto e daquilo, eu digo: Uma confraria da salada de meruges , já. Bom, agora mais a sério; Na última Páscoa, a qual passei em terras Ribacudanas, tive a oportunidade de degustar um bucho acompanhado de batatas cozidas, um tinto maduro Alentejano e da dita salada. Um verdadeiro pitéu, de comer e chorar por mais.
De Helena a 19 de Fevereiro de 2016 às 21:36
Bem senhores amantes das meruges... eu não quero ser mazita mas conheço um regato de uns 100 metros que está ladeado dessa ervita deliciosa, concordo. Até doi não conseguir comer toda e, quero dar mas como não conhecem não a aceitam. Não é surreal? Mas é preciso umas boas galochas para a apanhar e a motoserra também é bem pensado! Neste local , o dito regato é bem fundo de água corredia e as ervas tem que se colher só os 2 ou 3 cm de altura nasobre a água. Mas para mim... vale a pena e leio os comentarios comendo uma bela pratada com 2 ovos estrelados e um pedaço de boroa. Não é divinal?
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