Lembrando o José Alves
Apresentaram-nos na praça e ficamos logo amigos. Os dois formados em Direito, a mesma idade e amantes da natrureza, daquela rusticidade da nossa terra, que só as almas cristalinas, como as águas do Cesarão entendem
A última vez que nos vimos, estava eu sentado na lage do açude das Retortas e apareceste dos lameiros do César, de entre os salgueirais. Trazias uma perdiz no cinturão, arma no ante-braço, seguia-te o fiel Setter branco que tanto amavas.
Sentados na margem, sobre uns barrocos que ali havia, partilhámos a merenda: pão centeio, queijo de cabra duro, um vinho branco que pesquei da água fresquinho e no fim a última laranja que trazias no burnal. Ali partilhámos a vida, os sonhos as frustrações da vida, gomo a gomo como aquela laranja, embrevecidos naquela nossa gentil e franca amizade.
Perfeitamente ao alcance da Beretta, um casal de perdizes levantou no lameiro mais acima. Visaste-as ainda e baixando subitamente o cano da arma, comentaste naquele teu sorriso desconcertante:
- Deixá-las ir João. estão no arrulho, deixá-las ir, têm direito ao amor como nós!
E apanhando o Burnal, chamaste o cão, desaprecendo no cabeço da vinha do João Monteiro na margem oposta e despediste-te:
- Vê se apareces logo á noite no Gata para jogarmos uma cartada!
Mas não apreci amigo. Ía tão cansado da subida do castelo que dormi no sofá da sala. Jogamos aí no céu um dia destes uma boa partida de sueca... mas com baralho novo, pode ser companheiro?
Guarda-me o lugar, que desta vez apareço. Prometo!
João Valente Martins
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