Com o abandono das terras, dos trabalhos que nelas eram eecutadas, da função vital que tinham, se vão perdendo os nomes ou por eles se vão entendendo coisas muito diversas.
As tapadas eram áreas relativamente extensas de terras vedadas por paredes, destinadas a culturas de sequeiro, nomeadamente centeio (pão). Dado que as terras para o pão tinham de ficar um ano de pousio, durante esse tempo serviam para pasto do gado que desse modo, ou sistematicamente através das malhadas, as iam estrumando.
Cercadas por parede havia a portaleira destinada à entrada da junta das vacas. Dentro da portaleira, para entrada das ovelhas, do pastor, do cão, havia o portal (palavra hoje pertencente ao léxico da internet pelo qual se acede a realidades bem diversas).
Muitas das tapadas tinham direito a um nome próprio: Tapada Eira, Tapada das Portas, Tapada da Limpa.
Exercício: Faça uma enumeração exaustiva das tapadas da vila.
De Vila a 20 de Novembro de 2010 às 21:45
Tapada do Moucho, tapada do Aires, tapada das retortas...
Neste momento não me ocorrem mais das largas dezenas que fazem parte do grupo das que se denominam com nome próprio.
Tenho a certeza que iremos encontrar um manancial de nomes na escrita do sr. Jarmeleiro, caso ainda não se tenha constipado com o frio que vai na Vila (ou no local onde se encontre) e caso esteja para aí virado.
Bom fim de semana para ele e para todos.
De Jarmeleiro a 22 de Novembro de 2010 às 23:15
Ora atão aí vai o meu rol. É grande sim senhor, mas por certo muitas cá devem faltar. E pra melhor intendimento dos lugares e dos nomes vou começar por uma ponta seguindo sempre prá dreita, até dar a volta. Tamém, muntas vezes vou dizer tapadas e não tapada, por môr de que há sítios com muntas. E sendo assim dessa maneira começo por:
Tapada do Penicôto, do Môcho, dos Lanchais, da Gorgolicha, das Almas, das Canadas, Tapada Nova, da Carvoeira, das Casas dos Moiros, dos Labaços, da Fonte Madeiros, dos Châes de Conselho, da Pedreira, da Queijeira, tapada Cruz, do Vale de Marmeleiros, Tapadas dos Picotes, das Igreijas, da Balsa, da Cimeira, da Sangrinheira, da Mogueira, do Rebolal, Tapada do Prado, Tapadas dos Regatos, Tapada da Sarangonha, Tapadas dos Vales, da Lomba, da Cabeça Lagar, Tapada da fonte na Serra (esta tem uma história triste), Tapada do Aires, Tapadas do Pereiro, das Morenas, Tapada do Castanheiro, Tapadas do Buraco, Tapada Eira, dos Mortórios, da Flipa, Tapadas do Espírito Santo, dos Fiéis de Deus, Tapada das Portas, Tapadas Da quinta dos Barreiro, Do Porto Sabugal , da formiga , da Fonte Fria, dos Galhardos, Tapada da Ponta Guarda, Tapada das Vinhas (fica por baixo das vinhas que eram de Arminda Marques ao MIdagostinho, a pegar com o cabeço que serviu de cemitério dos Burros, na altura em que os havia muntos na Vila e até tinham direito a cemitério), Tapada do Vale Carapito, Tapadas das Gaiteiras, Tapadas das Retortas, Tapada da Justa, tapada da Limpa e tapadas da Correia e tapadas de Vale Castenheiros. São muntas tapadas e não estarão todas. E munto tamém era o pão que sesemeava e mais que fôsse, porque não chegava á mesa de muitos com a fartura que era preciso. Eu bem sei que este relambório já vai grande, mas falndo nós de pão, ou de centeio. acho que não fica bem se não falar aqui do sítio das Moitas. É porque dái vinha munto e bom centeio, direi até que se calhar, mais do que o colhido nas tapadas. Ora ao contrário das tapadas, as sortes das moitas eram e são devedidas por marcos e não por paredes, porque ali pedras nem vê-las. E tenho cá pra mim que é por môr disso (falta de pedras e paredes) que se lhe deu o nome de rasas e tamém por serem planas. Mas ali, como nas tapadas os sítos das razas tamém têm nomes, e eu como sei alguns, atão aí vão: Razas da Atalaia, do Marinhol, dos Barreiros, do Forno da Telha, do Vale de Bolos, dos Folgados, do Canto da Esperança e da Quinta das Gatas. Isto hoje foi uma labuzia e doiem os dedos de tal maneira que nem que adasse todo dia de enxada nas mãos.
Munto bôas noutes pra todos.
De Optimista a 23 de Novembro de 2010 às 11:10
Extraordinário. Li e interroguei-me... Será que todos estes nomes de tapadas existem mesmo? Mas se Jarmeleiro os refere... Muitos eu conheço; De outros (a maior parte) nunca tinha ouvido falar. Dos lugares das moitas conhecia o da Quinta das Gatas.
O meu bem haja para si Jarmeleiro, por mais esta lição.
Como diz o jarmeleiro, foi a volta completa à folha de Vilar Maior, e pela ordem!
De vILA a 23 de Novembro de 2010 às 18:54
As coisas que este nosso conterrâneo sabe!!!!!....eu sabia que se ele quisesse abrir o livro, viria uma enxurrada de nomes que ainda que já tivessemos ouvido falar deles, jamais nos lembraria um rol tão extenso.
O nosso bem haja.
De Bárbara Cardoso a 26 de Novembro de 2010 às 10:06
Parabéns! É incrível e invejável o que este senhor sabe da nossa terra.
De Bárbara Cardoso a 26 de Novembro de 2010 às 10:10
Ainda na sequencia do meu comentário, acho que o Jarmeleiro devia editar um livro com toda a sua sabedoria. Raiz comovida é um livro sobre os Açores e a vida açoriana onde da leitura me faz lembrar a forma como o Jarmeleiro descreve a nossa terra.
Mão à obra. Ou melhor mãos à tecla!!!
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Ainda na sequencia do meu comentário, acho que o Jarmeleiro devia editar um livro com toda a sua sabedoria. Raiz comovida é um livro sobre os Açores e a vida açoriana onde da leitura me faz lembrar a forma como o Jarmeleiro descreve a nossa terra. <BR>Mão à obra. Ou melhor mãos à tecla!!! <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Cpts</A> . <BR>Bárbara Cardoso <BR>
De O Regedor a 25 de Novembro de 2010 às 19:57
Sim senhor..... até fikei com curiosidade de saber kem é o Jarmeleiro..... ??
De Bárbara Cardoso a 26 de Novembro de 2010 às 10:12
E quem não tem curiosidade??
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