Rasas das Moitas, tapadas e terras de vinha ocupavam, seguramente, mais de dois terços da terra agricultável. A juntar a estas terras de sequeiro havia ainda os chães e os quintais. Quanto aos chães eram, como as tapadas, propriedades muradas, por norma, em altitudes inferiores e de área mais reduzida e com uma terra mais forte, mais abrigados dos ventos prestavam-se à cultura do trigo (nomeadamente o trigo sacho), do milho, do gravanço, do tremoço. Por vezes, serviam rotativamente de nabal, de batata secadal e até de meloal. As paredes com boa exposição solar serviam para amparo a latadas. São tão disseminados que eu penso que mesmo uma pessoa tão versada como o sr Jarmeleiro terá dificuldade em os nomear, para além daqueles que são os principais, os maiores e os melhores: O Chão da Ponte (em tempos o sr Fernando arrendava as sobras das águas do pio para rega) e o Chão de S. Pedro – que do santo há-de ter sido.

Depois existe uma infinidade de quintais que se caracterizam, para além de serem de cultura de sequeiro, por terem pequena dimensão, por existirem dentro do povo ou nas suas proximidades, por serem agricultados à enxada. Complementam muitas vezes a cultura das hortas, havendo neles quase sempre árvores frutícolas: marmeleiros, figueiras, nogueiras, romanzeiras, amendoeiras como mais comuns. Neles se cultivava as couves galegas, as ervilhas, as favas, os alhos e, junto às paredes, de modo espontâneo cresciam os cardos para o coalhamento do leite. Havia alguns que de tão bem cuidados nada ficariam a dever ao jardim do Éden onde a desgraçada humanidade teve origem.
De Jarmeleiro a 3 de Fevereiro de 2011 às 23:03
Ora, andava eu por aqui a engonhar a ver se alguém se estrevia a dizer qualquera coisa sobre o assunto, mas nada. Estão mal avezados. Eu é que não sendo home de me negar a nenhum desafio, mais a mais tratando-se deste assunto, nunca o poderia deixar ficar em branco. Por isso aí vai o rol dos chães e dos quintais, que nem é nada que se acompare ao das tapadas ou das vinhas. Assim sendo, começo pelos chães mais conhecidos que são os da Fôrca , Depois os Chães de Concelho, os das Casas dos Moiros, os do Arressaio , os das Eiras, os do Castelo, o Chão da Regada, O Chão da Chacra, o do Enxido , o da Mina e por fim, o Chão da Cavelariça , que ficando nos arredores do castelo, deziam os antigos que era ali que que ficavam as cavelariças onde os nobres e o alcaide do castelo recolhiam as cavalgaduras. É claro que os reis dos Chães , são mesmo o da Ponte e o de São Pedro, ou não tivessem eles pertencido a gente de sangue azul, o primeiro e a um santo o outro. Quanto aos quintais, pouco há que deles se diga, a não ser nomeá-los e inda que, por serem quintais e não quintas é que estão perto do povoado e até dentro de portas. E alguns são tão piquenos que não vão alem de duas ou três chancas de terra, mais se parecendo com caleijos . Ora, de quintais temos: Os da Costa e da Fraga - bons para os alhos e árvores de fruto como cerejeiras, nogueiras e figueiras-; os quintais do Aidro, os dos Craveiros e Talainha; os do Churrião; os da Mondanha, os da Parada e mais não digo, porque os outros ou não foram batizados, ou são tão piquenos que teria que os passar à categoria de chabarnecos ou hôrtos. E agora pró seviço ficar completo só faltaria falar das hortas, dos lameiros e das regadas. Mas isso, quem manda é que sabe. Vá lá, que hoje a papa já estava bem preparada.
Munto bôa noute a todos.
De Índia a 4 de Fevereiro de 2011 às 11:52
Um homem por mais que saiba, tem sempre algo que desconhece ou, no caso, se esquece. Nada invalida a boa memória e saberes do senhor Jarmeleiro. Isto vem a propósito deste rol imenso de nomes de "chães" e certamente que ele vai dizer:"pois é verdade que me esqueci desse....". Refiro-me ao CHÃO DAS ALMAS. Nem só o S. Pedro tinha um chão, as almas também tinham o seu...quer-se dizer, era um chão colectivo a prever já um estilo de reforma agrária.
Um bom dia para todos em geral e de um modo particular para o senhor Jarmeleiro.
De Jarmeleiro a 4 de Fevereiro de 2011 às 22:34
Pois é verdade. Esquecime desse Cão e de outros. Mas vocemeçê que está toda concha e arrelampada para que eu não sobesse, bem podia ter dito onde fica. Se não sabe tome lá uma pista. Ele fica nos arredores do Largo das Nogueiras e mudou de dono há pouco tempo. E fique sabendo que alem do Chão, tamém há a tapada e o Lameiro das Almas.
Munto bôa noute.
De Índia a 4 de Fevereiro de 2011 às 23:58
Mas é claro sr. Jarmeleiro, num rol tão extenso de nomes como são estes de quintais e tantos chabarnecos, como o senhor lhe chama, algum tem de ficar para trás.
Uma boa noite e bom fim de semana.
De Anónimo a 7 de Fevereiro de 2011 às 15:48
Não tem nada a ver, mas tem tudo a haver.
Imagino este nosso conterrâneo, o tal de Jarmeleiro, homem dos seus setentas e qualquer coisa, calado, como quem tem dois ouvidos e só uma boca.
Dois olhos vivos e astutos, algo encovados de tanto mirar, de rugas emoldurados mas claros e raros.
Boca num trejeito mordaz, que no seu jeito de homem antigo, abre para deixar escapar memórias ganhas à força da prática das artes de lavoura.
Tem aquele tique, de repartir com a terra, entornando um pouco de pinga com o chão, bebendo em seguida com satisfação.
Anda direito e olha sempre para longe não vá escapar-lhe qualquer coisa.
Em tempos foi bom bailarino, mas ainda arrasta bem o pé quando a música é do seu agrado.
Tem a meu ver, a sua vida, um senão. Está longe da Vila e mata saudades, ao arrepio do tempo, deixando discorrer a memória com lembranças de tempos idos quando a vida lhe era dura mas grata.
Obrigada ti Jarmeleiro, que não sendo meu tio meu parente será, pois também na Vila os primos dos meus primos, meus primos são e disso faço gosto e satisfação.
Desejo-lhe, já agora, bem estar e saúde e que cosa o forno, e que o pão seja nosso.
De Jarmeleiro a 10 de Fevereiro de 2011 às 19:03
Vocemeçê assim ao jeito do topa que acerta, tirou-me aqui um retrato a modos que um nadinha tremido, mas que não está munto mau. Mas é a tal cousa; As pessoas vão botando o barro à parede e é claro que algum pode pegar. Vá , vá tentado pode ser que um dia acerte. E escreva: escreva pois eu sabedor de que escrevo mal, sei ver e dar valor a quem o saiba fazer bem como acontece com vocemeçê.
Uma bôa noute pra si.
nice mt thnx. disfrutei ver aquele artigo é mesmo rico, considero me fã a 100 do website. cmprmentos
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