
(imagem de Loriga)
Começámos na maior altitude, nos cabeços e vamos descendo até ao curso dos rios – O Cesarão e a Ribeira de Alfaiates. Ao longo dos tempos, as águas vindas das partes superiores vão arrastando as terras soltas para as partes mais baixas empobrecendo aquelas e enriquecendo estas. O homem com o seu trabalho humaniza a natureza, fazendo regadeiras, mudando cursos de água de pequena dimensão, limpando terras, cercando terrenos e construindo muros de suporte de terras (cômoros), fazendo quarteirões, evitando a erosão dos solos.
Lameiro vem de lama. Não há lameiros sem água, daí que uma boa parte deles acompanhem ribeiros ou regatos correntes entre montes. Bastará pensar no Ribeiro dos Labaços que mais abaixo toma o nome de Regatos. Os lameiros são sempre propriedades muradas variando muito de extensão – quando mais pequenos tomam o nome de lameira que por vezes roteada servia para culturas de regadio – e de qualidade, valorizando-se também a proximidade da povoação. Se o meio mais natural da cabra é o cabeço (maior altitude), o lameiro (baixa altitude) é por excelência o pasto ideal para a vaca, sendo que a ovelha prefere as tapadas (média altitude) e sendo verdade, claro, que tudo isto é simplificar. O lameiro era das propriedades mais valorizadas pela quantidade de erva que ele produzia, não esquecendo o feno que podia produzir. Não podia haver lavrador que não tivesse lameiro e nabal. Com efeito, seria porventura mais fácil sustentar uma dúzia de cabras do que uma vaca. Daí que as rendas mais caras eram as dos lameiros. Foram das propriedades que se venderam mais caras aquando das remessas da emigração dos anos sessenta e setenta. Ainda hoje com toda a falta de actividade continuam a ser as terras mais estimadas. A árvore de eleição dos lameiros é o freixo, como o carvalho o é das tapadas.
Bom e já agora vamos à lista que não há-de ser pequena. Não fosse o sr Jarmeleiro e ninguém daria aresto dos nomes.
De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2011 às 20:49
Tem que se organizar um almoço ou jantar de homenagem ao Sr Jarmeleiro.
A mordomia do Senhor dos Aflitos poderia incluí-la no calendário das Festa
De Anónimo a 9 de Fevereiro de 2011 às 00:44
Toda gente se poderia inscrever, incluindo necessariamente o sr. Jarmeleiro, mas tal segredo manter-se-ia. Naturalmente havia de suscitar muitas interregoções e olhares indiscretos no sentido de alguma cara ou gesto trair quem usa tal pseudónimo.
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2011 às 09:04
Atão?
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2011 às 14:08
Atão, acho que toda a gente está à espera que o sr. Jarmeleiro comece a "ladaínha" de que só ele tem pleno conhecimento. Na minha opinião creio que ele dá algum tempo para outros tentarem referir o que sabem sobre o assunto e mais tarde ele acrescentará a maioria que fica por enumerar. Para me não ficar apenas pelas palavras vou ver se me lembro de alguns:
Lameiro dos labaços, lameiras do vale da lapa, lameiros das regadas, lameiras da fraga, lameiro da mogueira, lameira do portosabugal,.....e já dei um ar da minha graça ao contribuir para a lista que deve ser bem extensa.
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2011 às 21:32
E quem será o Senhor Jarmeleiro?
Palpites?
Uma caixa de galhetas a quem acertar.
De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2011 às 22:49
Na minha opinião seria melhor não se pôr tal hipótese. Ficari mais pobre o nosso blo. É bom manter-se a incerteza!!.
De O Observador a 11 de Fevereiro de 2011 às 19:37
Seria enorme perda a revelação do mistério! Provavelmente uma perda definitiva. Se o próprio quiser (quisesse) já teria revelado a sua identidade. O que creio não fará. Porque o faria?
De Anónimo a 11 de Fevereiro de 2011 às 11:39
Galhetas de caixa é uma coisa, levas uma galheta é outra . A que se refere de facto?
De Contrabandista a 11 de Fevereiro de 2011 às 18:44
Compradas em La Alamedilla (2 duros a caixa).
Ainda há as galhetas da missa.
De Jarmeleiro a 11 de Fevereiro de 2011 às 23:07
Ora deixemos-nos lá de andar feitos coscuvilheiros e calhandreiros, porque com isso não vamos a lado algum. Vamos mas é a dezer aquilo que inda não foi dito, ou seija, a nomear os lameiros, as lameiras e as regadas. E além de nomeá-los e mesmo que o Diretor do blog já tenha dito munto e bem sobre o assunto, sempre podemos acrescentar mais alguma cousa. Ora eu quando li o que esscreveu sobre a maneira como se formaram as tapadas e os lameiros; A forma como arrumou as árvores e os animais nos sítios que lhe é dado, disse cá pra mim; a coisa bate certo. E um carvalho numa tapada queria-se alto, largo, esparramado, de maneira que à sua sombra se pudesse arrodear uma piara de de gado (setenta ou mais ovelhas, umas dez cabras e que inda houvesse cabo para o pastor e seu fiel amigo). Já nos lameiros e regadas, à sombra fresca dos freixos e às vezes de algum salgueiro, era ver as vacas deitadas de bandulhos àrrebentar, as quais não perdendo pancada nem tempo, davam estrondosos arrôtos pra trazerem à boca o comer antes engulido à pressa e ruminavam cadentemente num ritmo só acomparado aos melhores dos relógios de marca registada. Mas à sombra dos freixos o que eu melhor veijo inda hoje na minha mente, sãoeram os gadanheiros, que não eram nem mais nem menos do que os lavradores. E lavradores havia muntos mas como em tudo, uns eram melhores do que outros. Eles muntas vezes iam para a sombra das ditas árvores não só pra repoisar, almoçar, ou marendar. Eles tamém aproveitavam essa bendita sombra sempre que precisavam de picar a gadanha coisa que nem todos sabiam fazer. Eu que agadanhei algumas vezes ao lado de mê pai, sabia aguçar a gadanha e com ela ceifar o feno, mas lá picá-la nem pensar. Aquilo era preciso arte e experiência, senão ficava mis môcha que antes . Por isso mesmo tinha que ser ele a fazer esse serviço, ficando eu roido de inveja por meia hora de sombra que eu perdia a seu favor. Passando agora aos princepais lameiros da vila, começo pelos de Vale Castenheiros trazidos à renda plo ti João Marques. Os dos Lambedoiros do ti Chico Bárbora, O da Fontinha do Seixal, arrendado pelo ti Zé do Santos,o das Canadas onde aquase dia sim dia não arrebentavam os canos da água vinda das moitas para os chafarizes da Vila, O lameiro da Casa Branca, o do Salgueiro e da Pedreira todos do sr Fernando, o das Casas dos Moiros do Ti chico Cunha, os dos Labaços de vários donos, os dos Regatos do professor Pinheiro arrendados a vários, os de Vale de Marmeleiros do ti Mergildo, os da Balsa, os da Mogueira, os da Cimeira, o lameiro das Almas, o Lameiro Grande e o do Pereiro, todos perto uns dos outros, no dito lugar do Pereiro. Os da Quinta dos Barreiros do sr Zé Pedro, os do Porto Sabugal, os do Midagostinho, Os da Ponta Guarda e os das Entrevinhas. Estes serão os princepais. De lameiras, temos as do Vale da Lapa, a Lameira do Povo, Lameiras da Correia e as da Fraga. E não sendo lameiros nem lameiras (ao contrário do que já por aqui vi escrito), tenho que falar das regadas. E são regadas porque têm um modo de rega próprio e diferente dos lameiros. É que a água que as rega sai das açudes por meio de regadeiras. E quem nunca colheu nessas regadeiras umas boas cestas de frescas merugens pra fazer uma boa selada? Já a rega dos lameiros é feita das águas atalhadas nos caminhos e entra nos mesmos por buracos feitos a prepósito nas paredes chamados bueiros. E quando chegavam as primeiras águas de Outono era ver os lavradores e pastores a alimpar esses bueiros . E essas águas dos caminhos eram atalhadas tamém por môr dos animais e pessoas não andarem a inlagunar-se em cima dos lapacheiros. As princepais regadas são as do Pinguelo, e a dos Regatos. E não cabendo em nada do que já nomei mas pla sua importância, tenho que falar aqui das Eiras, pois elas não serviam só pra malhar o pão. Todos os anos no princípio do Outono eram arrematadas (penso que pela Junta) à saída da missa e davam uma ótima pastage, perto e bom caminho e por isso, mormente era destinada a pastage dos borregos do pastor arrematador.
Munto bôa noute pra tôdos, incluso os mais cuscos
Afinal o Sr.Jarmeleiro so mencionou alguns lameiros, porque ha mais e bem conhecidos. Tais como o lameiro dos Vales, o lameiro da Mogueira que pertenciam ao ti Joao Ferreira, e outros mais...
De Contrabandista a 12 de Fevereiro de 2011 às 09:13
O Senhor Jarmeleiro escreve um tratado de silvicultura lameiral e há logo quem o apouque.
Valha-nos o Divino Senhor dos Aflitos!
De Anónimo a 12 de Fevereiro de 2011 às 15:05
Cabe perguntar que encantos terá o lameiro da mogueira. Por três vezes já foi mencionado nestes comentários. Cretamente qu nem todos provaram daquele colostro tirado das tetas da vaca, acabada de parir, e ordenhado para a lata do cão previamente bem lavada. Quem o fez assevera que soube que nem a mais fina iguaria.
Eu peco desculpa ao Sr.Jarmeleiro se o ofendi. Quando falei no lameiro da Mogueira, nao foi com intencao de desvalorizar o comentario que ele fez e que esta muito bem escrito. Nao tive intencao de apoupar seja ele quem for, ate que, eu sou uma pessoa que o admiro, pelos conhecimentos que tem de tudo sobre Vilar Maior.
Agora o senhor que se assina como ANONIMO, era bom que nao fosse indelicado como mostra no seu comentario. A falta de cha, faz falta a muita gente. A minha observacao nao ofende ninguem.
De O ilustrado a 13 de Fevereiro de 2011 às 10:07
O administrador do blog, já en tempos explicou, porque permite a circulação de anónimos no blog, mas solicitou também que melhor seria arranjarem um pseudónimo e que o consagrassem. Eu, por exemplo, sou o sr Iluustrado, porque que goste de Publicar sou detraído e envergonhado. NunCa ninguém me leu uma inconveniência. Depois permite a criação de personagens como o sr Jarmeleiro.
Mesmo os anónimos, verdade seja dita, não têm insultado ou usado linguagem imprópria. Mas sou de opinião de que não deveriam comentar enquanto tais.
Apenas a minha opinião.
Concordo inteiramente com a opiniao de "O Ilustrado"
De Senhor ANÓNIMO a 14 de Fevereiro de 2011 às 14:29
Não sei se sou mais novo ou mais velho que o senhor josevalente mas sugeria-lhe que para as outras vezes que pretenda comentar ou referir-se a um comentário feito, pensasse duas vezes na maneira como interpreta os textos. O meu comentário veio depois do seu por pura coincidência. Poderia vir noutro lugar qualquer e não pretendia atingir ninguém em particular. Não é da minha maneira de ser, com ou sem razão, tratar mal quem quer que seja e muito menos neste local em que muitas vezes se se pretende dizer alguma coisa mais "a sério" se faz em tom de brincadeira. Portanto aconselho o senhor, se é que tenho direito de o fazer, a não ver fantasmas onde não os há.
E....ponto final.
Saúde é o que lhe desejo.
Por o seu comentario vir depois, e que contradiz...
Porque se viesse antes do meu, nao lhe prestava atencao. Eu nao sou pessoa para polemicas e acabamos com elas. Da minha parte tambem ponho um ponto final. E melhor usar o tempo para coisas de interesse social.
Sim, devo ser mais velho que o senhor e talvez com mais calo na vida. Para conhecer a minha idade tem uma referencia na Vila. Sou da mesma idade do Sr. Ze Pedro.
Passe muito bem.
De Jarmeleiro a 13 de Fevereiro de 2011 às 13:13
Ora essa, Sr José Valente; Quem é que falou aqui em ofender? Vocemecê não ofendeu nada nem ninguém. E eu se me sentisse ofendido já me tinha defendido. As pessoas de boas intenções não andam aqui pra isso. E olhe que eu até gostei de ver o seu escrito, mais a mais vindo que sabe destas cousas antigas da Vila. E quanto a isso de eu deixar pra trás sem nomear qualquera coisita até é bom, porque assim sempre fica margem pra os outros virem a emendar, acrescentar e por isso a partecipar. E nesta cousa dos lameiros, a bem dizer, nos dias que correm para os nomear a todos, teriamos que dobrar o seu número, somando-lhe os nomes de todas as vêgas e hortas que vocemeçê conheceu. Pois é verdade; Aquase tudo o que foi vêgas e hortas da Vila, hoje são lameiros. Até lhe digo que se um dia cá vier e fôr à Sangrinheira e Santa Marinha passando pla Balsa, onde seus pais tinham propriadades, não vai conhecer esses lugares nem acredita que sejam os mesmos. Aquilo é uma dor d´alma. E olhe que eu até escrevo mais sobre estas cousas para que ao menos fique alguma coisa no papel e ao dia de amanhã os vindoiros saibam a história dessas propriadades. Li há dias num jornal que a estes escritos se dá o nome memórias futuras. Tenho ideia que será assim como que olhar pro futuro pelo espelho retrovisor da história passada.
Olhe, e vocemeçê se poder escreva aqui sobre estas cousas (e outras), porque pra quem está longe (eu tenho essa experiência), é uma boa maneira de alviar as saudades.
Tenha uma munto bôa tarde.
Ao Sr.Jarmeleiro faco um pedido: Quando puder continue a relatar historias, relacionadas com coisas e pessoas da Vila.
Ainda tem muitas novidades para nos contar.
E ainda por cima é filósofo... «Li há dias num jornal que a estes escritos se dá o nome memórias futuras. Tenho ideia que será assim como que olhar pro futuro pelo espelho retrovisor da história passada.»
Muito bem dito!!
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