
Para mim o pão ainda faz parte de todas as refeições. Na vila da minha infância ele era o elemento essencial que sustentava a vida de todos. Ele era inteiramente produzido ali.
O desafio é identificar todos os verbos (operaões) até chegar à mesa.
Começando: Decruar, estravessar.
De Jarmeleiro a 1 de Março de 2011 às 15:04
Eu lá irei assim que acabar de aricar a tapada de pão que samei em Outubro passado. Como o tempo vai de feição, é zumba e dar-lhe. Ora, mas estando eu a mangar com a aricadela do pão, cousas há que as digo a sério. [
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Eu lá irei assim que acabar de aricar a tapada de pão que samei em Outubro passado. Como o tempo vai de feição, é zumba e dar-lhe. Ora, mas estando eu a mangar com a aricadela do pão, cousas há que as digo a sério. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Munto</A> bôa tarde.
De Jarmeleiro a 1 de Março de 2011 às 15:11
Mas que grande marranada que aí ficou o meu comentário. Pior do que andar àricar o pão a chover.
De Arraiana a 1 de Março de 2011 às 17:35
Que bela "fatiga de pão que eu comia!
Adoro pão, mas não do pão de plástico que hoje as pessoas da cidade comem. Fico parva, não sou "parva" de ver pedir as pessoas na padaria
- Quero pão , mas branquinho (só plástico).
Se comessem pão feito pela minha mãe.... Bem vamos ao assunto sugerido pelo director do blog.
Semear, frezar, ceifar,malhar,espalhar, levantar,ensacar,guardar,moer, peneirar ,amassar, cozer e comer, e...
De Contrabandista a 1 de Março de 2011 às 20:55
Bom era o centeio, cozido no forno comunitário e que tinha que durar 15 dias, duro, azedo, que hoje ninguém comeria.
Bom meio de transporte era o burro.
Boa água era a que se ia buscar à fonte de mergulho.
Boa era a carne de badana com varejeiras.
Bom colchão era o de folhelho, com nós a massajar as costas.
E por aí fora.
O pão da gravura tem cara de ser de "plástico".
De O Ilustrado a 1 de Março de 2011 às 21:34
Olha frezar! Isso foi depois de virem os tractores!
De Vila a 2 de Março de 2011 às 00:01
E +: fintar, tender, torrar no lume e passar-lhe um dente de alho cru ou um bocado de toucinho ficando uma torrada saborosa quer a saber a alho (remédio para a ascaridíase-mal das bichas-) ou a sabar´`a carne gorda ou entremeada.
Não do tal pão plástico mas sim umas fatigas daquele escuro, genuíno. Cozia-se um taboleiro e dava para quinze dias, dependendo dos do número de bocas em casa.
De Jarmeleiro a 1 de Março de 2011 às 22:19
Ora, como a torna era comprida e todo dia rêgo acima rêgo abaixo, foi chegar a casa deitar uma facha de feno às vacas, cear e cama, porque o corpo não é de ferro e amanhê é outro dia. A Maria, essa é que coitada; lá ficou ao lume de roca na mão, à luz da candeia, a fiar mais umas massarocas de linho. Há que aproveitar agora que as noutes são grandes.
Munto bôa noute a todos.
De Manuel Leal Freire a 2 de Março de 2011 às 17:56
proverbios
a quem tende e amassa,tudo se lhe passas
carne de hoje,pão de ontem,vinhol do outro verao
pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos
com fome não há ruim pao
eu sou o trigo e vou ás festas
eu sou a praganuda que acudo ás pressas
eu,centeio não me gabo,nem deixo de me gabar
mas quem me não comer,poco forte ha~de andar
De O Ilustrado a 2 de Março de 2011 às 20:56
O que todos temos aprender com o Dr Leal!
Bemvindo ao clube
De Jarmeleiro a 3 de Março de 2011 às 15:31
Tenho cá pra mim que essa tal preganuda, era a feia cevada, da qual todos faziam escárnio em tempos de abastança. Mas, vindo o mês de Maio e a custo se ajuntava o último alqueire de centeio meio perdido na arca para ser levado ao moinho, ai cevada, cevada! Que saborosas bôlas tu davas, enquanto não fossem feitas as malhas.
Munto bõa tarde a todos.
De Jarmeleiro a 3 de Março de 2011 às 01:36
PRIMEIRA PARTE
Aqueles que tal como eu amanharam as tapadas e samearam algumas fanegas de grão, sabem quantas voltas há que dar ao pão até chegar à mesa do rico, do pobre do rei, à Casa de Deus e até ao pai nosso, na passage do pão nosso de cada dia. E eu como muntos outros, até comemos o pão que o diabo amassou. Ora e por môr dele ser o alimento princepal em casa de cada um, é que reza o ditado; Casa onde não há pão todos ralham e nenhum tem razão. Mas indo agora às fainas do pão temos:
A decrua da terra, que era feita durante a Primavera nas tapadas onde em Julho se havia ceifado , rasgado-se aterra pelas gomas dos regos deixados da colheita anteroir. Faço aqui um àparte pra dezer que as terras de pão eram semeadas ano sim ano não pois ficavam um ano de poisio. Depois, pelos meses de Junho Julho fazia-se a estravessa, lavrando-se de atravesso os regos feitos na decrua, mas quando a torna era estreita lavrava-se de forma inviezada pra que as vacas, ou burros não virassem tantas vezes, já que isso era tempo perdido. lá por Novembro faziam-se as sementeiras e para isso era preciso gradear a terra desfazendo os regos deixados da estravessa. Aí era ver o lavrador montado na grade de madeira segurando-se com uma das mãos ao rabo de uma das vacas, aguilhada na outra mão, pra frente e pra trás até deixar a terra lisa e pronta pra receber a semente. Logo a seguir com um saco de estôpa ao ombro contendo o grão, ia retirando o mesmo repetidamente, de mão cheia e certeira lançando-o à terra por gestos ritmados e passadas certas, de maneira que as sementes ficassem destribuidas por igual, não fosse o pão nascer ralo ou aos mochões. O calibrador da saída da sementes era composto plo dedo polegar e plo indicador, conforme se abriam mais ou menos. Uma vez espalhada a semente era coberta com a abertura de novos rêgos, feitos no sentido contrário dos da estravessa. Pelo mês de Março o pão era aricado, serviço feito com arado de pau, de abecas curtas de maneira a lavrar alviando a terra do fundo do rego e sem apanhar a goma aonde iria crescer o o cereal . Este serviço tinha por fim matar ervas, dar algum barbeito à terra e desimpedir o rêgo pra evitar o estancamento das águas impedindo que o pão ficasse chôco e amarelado . Em Julho juntavam-se os ranchos de ceifeiros e enquanto ceifavam as louras cearas lançavam cantigas ao vento e d'algumas inda me lembro bem. Finda a ceifa, em cada tapada os molhos eram juntos por todos e enrolheirados, por quem sabia, de modo que as espigas ficassem protegidas pela palha, por môr dos animais não as comerem e tamém pra não se molharem caso viesse alguma trevoada. E o tempo da malha estava logo ali a chegar, pois como dezia o ditado, quem malha em Agosto malha com desgosto. Mas o pão só podia ser malhado na eira e pra isso era preciso acarranjá-lo, o que se fazia nos carros das vacas com aqueles estadulhos especiais, altos lisos e luzidios. E não fosse a demora, até esplicava aqui a maneira complicada como a carrada dos molhos era feita travando-se uns aos outros. Fica pra outra vêz. Trazido para a eira carro carro, os molhos eram empihados na méda que tamém não era feita à toa, mas segundo certas regras. Depois, era a malha que quando feita a mangual, era cousa digna de se ver. Mas esse e o resto dos passos do pão, fica pra mais logo, porque a hora já vai adiantada.
Munto bôa noute a todos.
De Trovador a 3 de Março de 2011 às 09:29
Temos homem. Gostei muito de ler o que escreveu e fico à espera do que ainda tem para nos dizer sobre tão interessante tema, no qual muitas pessoas desta região se poderão rever, principalmente as menos novas.
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