
Agora que o mundo - Vilar Maior - regressou à normalidade, sem inversões, falemos das Hortas da Ribeira.
Descemos pelos cabeços, tapadas, vinhas, lameiros até às margens da ribeira que as mãos dos homens pedreiros obrigaram a seguir o seu estreito curso. Das aluviões vindas dos altos se foi formando o húmus propício às culturas de regadio. Deixemos as vêgas ou veigas para outra ocasião. As hortas da Ribeira começavam às poldras das Eiras e, de uma margem e de outra vinham até à ponte. A maior parte das famílias tinha aqui a sua horta, às vezes apenas uma leira de três ou quatro passos de largo. Cavadas à enxada que nelas não cabia a junta de vacas. Uma burra para tirar água. Ali se abastecia a dona de casa de leguems e hortaliças com abastança: Os pimentos e as tomatas, as cenouras e as cebolas, as alfácias e as terrábias, as abóbras meninas e as porqueiras, os melões casca de carvalhoe as melancias, mais a leira do feijão de estaca, ervas aromáticas e tudo o a dona de casa precisava para uma mesa farta.
Este ainda era o tempo que o homem comia o que produzia.
De VM a 6 de Junho de 2011 às 23:10
Fotografia bem antiga.
Ain da se vê a ruralidade dos terrenos em torno da ribeira (muitos lavrados) que agora estão abandonados e cheios de silvas. Também ainda não se visualiza o posto de bombagem do saneamento.
De Carlos gGata a 3 de Fevereiro de 2016 às 05:06
Esta fotografia deve ter (tem, de certeza ,autor).
Penso que esta fotografia foi tirada por mim ,de um dos sinos da torre, e que fez parte de um conjunto de postais-os primeiros que, se bem me lembro, foram editados , a cores, com motivos da nossa Vila.
Portanto esta fotografia tem história e foi por mim selecionada para fazer partes do referido conjunto de postais que foram (também) vendidos no nosso (já saudoso) comercio e tudo isto se passou no ambiente da realização de uma festa do Senhor dos Aflitos,a qual com esta iniciativa (minha e da mordomia ? da festa desse ano)deverá ter sido ainda mais interessante.A coleção de postais foi feita num atelier fotográfico em Campo de Ourique, Lisboa, por um senhor que me recordo ser de Aldeia da Ponte, mas de quem já não lembro o nome.Os postais correram ,algum mundo na altura e relembram-nos o Vilar Maior dos principios da década de oitenta;talvez a última decada do século XX em que a Vida( vivida) na Vila ainda tecia as suas complexas malhas em que dependiamos uns dos outros e todos da Mãe Natureza , dos seus ritmos e do muito trabalho do Homem.
(No caso de ter produzido alguma afirmação errada em relação à foto peço desde já desculpa.) Carlos
De santos a 7 de Junho de 2011 às 07:33
cette photo date d'une 30 ene d'années car la petite chapelle juste apret le pont n'est pas encore restoré
De Lince a 8 de Junho de 2011 às 00:08
Très bien observer monsieur(?) Santos.
De Graminês a 7 de Junho de 2011 às 09:01
Abastança?
Então porque emigraram todos, ou quase?
Gostei do comentário em françoguês.
De Fiel ao Sr. "Leal" a 9 de Junho de 2011 às 12:05
Pela qualidade do comentário, este deve ter tido origem na vinha onde o graminês se fez vinho. Só pode... Faça-me o rico favor...
De O ilustrado a 7 de Junho de 2011 às 12:44
Abastança, claro! Abastança do que havia: frescura dos alimentos que não se encontrará mais; fartura de todos os produtos mencionados; já viu o regresso da horta depois da rega o baldo de regar cheio de tomatas e pimentos?! Então isso não era abastança?
De O Costa do Castelo a 7 de Junho de 2011 às 23:39
Para quando uma Junta de Freguesia que se encha de brio e lute pela restauração da dignidade e beleza da ponte como se vê na foto ?
Para quando a retirada de todo aquele entulho encostado à ponte que a foto antiga não mostra mas que faz chorar o coração de qualquer Vilarmaiorense que agora por ali passe ?
Toca a defender o nosso património com actos efectivos e não meras intensões e lamúrias !
De lince a 8 de Junho de 2011 às 00:13
Quando as casas são começadas pelo telhado!!!
De manuel leal freire a 12 de Junho de 2011 às 12:45
AS HORTAS,PARA ALÉM DE PROPICIAREM UM FORTE CONTRIBUTO PARA O DIA A DIA DA ALIMENTAÇAO DO INCOLA,VALIAM AINDA COMO MEIO DE REFORÇO MONETARIO DO ORÇAMENTO FAMILIAR,NORMALMENTE ESCASSO ANTES DA EMUGRAÇAO E PARA A OBTENÇAO,POR TROCA,DE PRODUTOS QUE O LIMITE NÃO PRODUZIA OU SÓ ESCASSAMENTE SE COLHIAM.
AS POVOAÇOES DA RAIA.SUL,NOMEADAMENTE O SOITO,~ENTREGUES Á MONOCULTURA--TRIGO,BATATAS,CASTANHA,UMA PECUARIA INTENSIVA-NÃO SE DEDICAVAM ÁS HORTAS.
MEU PAI,QUE,DURANTE VÁRIOS ANOS,ESTANCIOU COMO SOLDADO DA GUARDA-FISCAL NO POSTO DE ALDEIA DA PONTE E DEPOIS,FRUTO DUMA PEQUENA PROMOÇAO,PEREGRINOU UM POUCO POR TODO O LIMES FRONTEIRIÇO E SABUGAL E ALMEIDA CONTAVA QUE FOI A PRIMEIRA PESSOA A CULTIVAR POIMENTOS,TOMATE E DEBOLA E A FAZER ALFOBRES EM VARIAS ALDEIAS DA RAIA.
NO FIM DO VERAO,CHEGAVAM AOS POVOADOS CASTELHANOS,GRANDES CARREGAMENTS DE PIMENTOS QUE VINHAM PARA PORTUGAL ,ONDE AS PESSIAS OS CURTIAM EM VINAGRE.
MAS DURANTE A SAZAO,DESDE AS PRIMICIAS AÉ Ã PLETORA ESPANHOLA ERA vilar maior a grande fornecedora daqueles e doutros mimos.
POR VENDA A DINHEIRO,OU TROCA POR CASTANHAM,
TRIGO OU BATATAS,NOMEADAMENTE DE SEMENTE
BENDIGAMOS,POIS,AS HORTAS
De MANUEL LEAL FREIRE a 12 de Junho de 2011 às 13:09
UM SONETO DE CESARIO VERDE QUE PODIA RETRATAR VILAR MAIOR DOS MEUS VERDES ANOS,QUANDO NA VILA HAVIA BURGUESAS QUE FAZIAMK PIQUENIQUES E NOS CAMPOS SE SEMEAVAM GRAVANÇOS,CULTURA SACHADA NA MANHÃO DO DIA DE SAO MARCAS,LEMBRAVA A MAE DA DONA LEONOR,VIUVA DO SAUDOSO CABO SEIXAS
NAQUELE PIQUENIQUE DE BURGUESAS
HOUVE UMA COISA SIMPLESMENTE BELA
E QUE SEM TER ALARDES DEBGRANDEZA
EM TODO O CASO DAVA UMA AGUARELA.
FOI QUANDO TU,DESCEBDO DO BURRICO,
FOSTE COLHER SEM IMPOSTURAS TOLAS
A UM GRAZOAL AZUL DE GRAO DE BICO
UM RAMALHETE RUBRO DE PAPOILA
POUCO DEPOIS,EM CIMA DUM PENHASCO,
NÓS ACAMPÃMOS,INDA O SOL SE VIA
E HOUVE TALHADAS DE MELÃO,DAMASCOS
E PAO DE LÓ MOLHADO EM MALVASIA
MAS TODO GLABRO,A SAIR DA RENDA
DO TEU SEIO..COMO DUAS ROLAS
ERA O SUPREMO ENCANTO DA MERENDA
O RAMALHETE RUBRO DE PAPOILAS
NÃO GARANTO QUE O POEMA,FALSAMENTE UM SONETTO,SEJA ASSIM TAL QUAL,POIS JÁ O NAO LEIO HÁ MAIS DE MEIO SECULO.
MAS QUE PODIA TER ACONTECIDO A CENA NO VILAR MAIOR DA MINHA JUVENYTUDE ISSO PODIA
NÃO ESCASSEAVAM MOÇLOILAS NEM PAPOILAS,NEM DAMASCOS NEM OENHASOS...
De 3vairado a 12 de Junho de 2011 às 22:40
a relação dos da vila com os pimentos não passou despercebido aos outros povos. no meu diz-se, de alguém que gosta muito de pimentos, que é como os da vila. também se comentava que os levavam curtidos para a frança, como um produto valioso, uma espécie de pimenta tardia.
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