Formas apelativas, formas de expressar admiração, formas de saudação vincadamente individuais ou de grupos, ou do povo em geral.
Advinhe quem assim, na vila, chamava pelas pessoas: «Pst, pst ... ouça, ouça»
De Jarmeleiro a 14 de Junho de 2011 às 15:40
Ora ela!!! Esta está munto bem alembrada. Mas quem assim chamava, punha nisso um tom que só ouvido pois escrito não se pode intender nem esplicar. Trata-se de um home que não nasceu na Vila, mas que lá fez obra como poucos ou nenhuns. Dizem que ali chegou sem vintém, montado numa burra branca vindo dos lados de Castelo Branco, (como Branco ele era de nome) mas desposou alguém que os do lugar não tiveram manha ou arte pra tanto. E despois; depois numa parceria com o sócio da Guarda, compraram o Vale de Bôlos e todo o correr dos Labaços até ao Regatos (parte do Casal dos Pessanhas), onde estava o grande filão do minério. A partir daí ninguém mais teve mão nele. Foi o revoltiar da terra desde as Moitas, passando plos Labaços, Lameiro do Salgueiro, Canjeira, Tapada das Igreijas, até aos Regatos. Tudo esmifrado até ao tutano à précura do precioso metal, dando o jornal a ganhar aos que terras não tinham mas lhes sobrava a vontade de trabalhar. Mas despois... despois, cheio de rópia, vieram as invejas e por môr disso, chamavam-lhe denomes; uma alcunha que ficou prá história de toda a raia de ribacôa e arredores . Mas ele, na sua de quem pensa que em terra de cegos quem tem um olho é rei, não se incomodava nada. Cá pra mim, foi uma pessoa que marcou uma época em Vilar Maior.
De Lince a 14 de Junho de 2011 às 19:18
Depois de longa ausência, é de saudar o regresso de Jarmeleiro a este espaço, o qual, em abono da verdade tem andado um tanto esmorecido. E um regresso ao seu melhor nível. Esta forma aparentemente ingénua mas ao mesmo tempo sábia de dizer quem é o personagem do "ouça, ouça, pst, pst ", é de mestre. Com o seu contributo fiquei a saber de quem se trata.
De Pirilampo a 14 de Junho de 2011 às 22:06
Muitas vezes em pleno "cimento", para dar dois tostões a um garoto que lhe fosse buscar as vacas, tirava do bolso grosso maço de notas (quem as via nessa altura?!), para que toda a gente visse o que raramente viam em suas mãos de pobres.
De Lince a 16 de Junho de 2011 às 16:05
E terá sido por causa dessa "cagança " toda, que lhe puseram o tal denomes (alcunha) a que se refere Jarmeleiro . Não digam é que o homem foi um triste, até na morte, pois viveu a vida como poucos; Quem assim fala, por certo não o conheceu. Boavida (ai o que eu disse) como a dele ningém passou na Vila. Colhia centeio, batatatas, feijão, feno e até vinho (para não falar da exploração do volfrâmio), como poucos; tinha vacas, ovellhas, cavalos; mas não sabia destiguir um arado de uma charrua, ou um sacho de uma enxada. Teve uma prole de filhos (e...???) considerável, dos quais nenhum (?) ficou sem estudos; Como se isto não bastasse, rezam as crónicas que era decendente de... fidalgos. E sendo verdade que dizem ter chegado à Vila sem "cheta", tambem consta que já antes teria derretido uma pequena fortuna dos pais. Por isso, eu digo que o homem foi, o que se pode chamar " un bon vivant".
De Vilão a 14 de Junho de 2011 às 22:10
É pena que os herdeiros do Sr. Pst, pst ... ouça, ouça,.. não tenham seguido o seu exemplo na luta pelo desenvolvimento de Vilar Maior.
O Vilão
De VM a 14 de Junho de 2011 às 22:33
Também não estou a ver de que lhe possa ter adiantado. Morreu como todos outros (calhando de pior maneira) e o dinheiro que tanto amealhou se evaporou pelos seu herdeiros, que pouco significado lhe deram. "Era a chamada riqueza triste"
De Hudson a 14 de Junho de 2011 às 23:35
Quer dizer, então, que naqueles tempos (e nos dias que correm), bom mesmo era (é) a pobreza alegre. Foi das pessoas que, na vila, mais jornas pagou a quem precisava de as ganhar. Estranha, no mínimo, a sua filosofia de vida; como todos morremos, há que morrer pobre e quem cá fica que o ganhe. Ao invés, a minha é: morra homem fique fama.
De Hudsom a 14 de Junho de 2011 às 23:06
Dos primeiros, se não o primeiro, a ter automóvel próprio em Vilar Maior. E não poucas vezes teve que puxar do maço de notas para dar um cruzado aos garotos para servirem de motor de arranque da espada, quando a manivela não sortia efeito. Metiam-se a empurrar pela quelha do Poço do Açougue abaixo até à ponte. Como mais das vezes os cavalos do motor não davam sinal de si, lá tinha que mandar jungir a junta de vacas ao ti Zé Rocha, para o fazer regressa à garagem. É que a subir, não havia força de garotos que chegasse, tamanho era o peso do monstro.
De O Regedor a 15 de Junho de 2011 às 10:24
ahahhahah.... recordo-me bem do Sr. Fernando....
De Hudson a 15 de Junho de 2011 às 19:49
Lá diz o ditado antigo! Há muitas marias na terra... e fernados tambem. Chame-lhe DENOMES como diz o Jarmeleiro e todos ficarão a saber a que fernando se refere.
De Pirilampo a 15 de Junho de 2011 às 23:21
Cada qual, sabe da sua vida. Que dá que pensar quando se olha aquela casa com o telhado numa decadência acelerada, lá isso dá.
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