De pedra e de barro. Pedra trabahada e degrandeza maior nos cunhais e nas soleiras, ombrais e soleiras de portas e janelas. O resto pedra mais miúda toscamente trabalhada, procurando o melhor assento e a face mais perfeita para fora. Depois, cumieiras e caibros e telha em cima. No correr dos beirais, para evitar que o vento as leve colocam-se-lhe pedras soltas por cima, como se vê na imagem. Nas casas dos jornaleiros, contigua à habitação dos humanos havia a dos animais feitas de iguais materiais e de igual saber. À entrada lá temos a cortelha do porco no primeiro piso e por cima deste o poleiro das galinhas. Por regra, todo o jornaleiro tinha um burro, uma ou duas cabras, um porco e algumas galinhas. Aparte o porco, tudo animais que não requeriam excepcionais quantidade e qualidade de alimento.
Que o ti Jerónimo haveria jurar a pés juntos que não senhor ! que ali não havia sido o sítio onde vivera. Admiraria certamente a traça e o alinhamento da pedra.
Agora que o Zé Carlos não sabe como há-de baptizar o futuro restaurante, é tempo de aqui caírem sugestões.
As casas dos lavradores tinham, por regra, dois pisos (na parte baixa da vila) e as dos jornaleiros, com predominância no cimo da vila, eram térreas. A do ti Jerónimo (ou Jerómino, por cá) que era artífice pedreiro, companheiro de ofício do ti Zé Badana e do ti João da Rebolosa (ou Arbolosa, por cá) é a que temos na foto. Homem forte, rijo e duro como a pedra que trabalhava nem o pregador do dia do Lausperene, o conseguia assustar quando do alto do púlpito pregava que nem toda a lenha do limite de Vilar Maior, do concelho do Sabugal, nem toda a lenha de Portugal, nem toda a lenha do mundo junta faria fogueira maior que a do Inferno. Perante as chorosas mulheres e os assustados homens, ele sussurrava em voz baixa: «A mi não me enganas tu!». Intrépido quando junto com o ti Zé Badana subia o caminho do Mindagostinho sob o intenso raio que rasgou a cerejeira da ti Isabel Silva, aquele ajoelha e diz:«Ai Jesus!», dele sai um admirável: «Cum Catano!»
Homem de força não havia pedra por maior que fosse que resistisse à sua força. A menos que o corpo andasse relaixado com água.
Quanto à casa aplicava-se o dito antigo: «Casa quanto caibas, vinho quanto bebas, terra que não saibas».
O asno (Equus asinus), chamado ainda de burro, jumento, ou jegue, é um mamífero perissodátilo de tamanho médio, focinho e orelhas compridas, utilizado desde tempos pré-históricos como animal de carga.
Burro: Seu nome veio do latim burrus, que quer dizer vermelho. Acredita-se que foi daí que surgiu a crença de que burros são pouco inteligentes, pois, antigamente, os dicionários tinham capas vermelhas, dando a idéia de que os burros eram sedentos de saber. Outra história diz que numa moeda antiga tinha a imagem de um rei com uma cabeça enorme que não era esperto, que se associou com a cabeça resistente do burro. Porém, também pode ter surgido da lenda grega do rei Midas, que foi tolo ao ponto de contradizer a irrevogável palavra do deus Apolo, que foi castigado pelo deus, recebendo orelhas de burro.
In Wikipédia
Veio a França e tudo mudou: para os homens, para as mulheres, para as crianças, para os ricos , para os pobres, para os que foram para os que ficaram. também para os animais ... e para os burros em particular.
Ate esta altura o burro tocava a roda mas aos poucos com os motores de rega deixou de o fazer; carregava sobre o lombo as mais variadas cargas; porém pela década de setenta, ao que parece o ti João Monteiro terá ido à Freineda e encomendou um transporte como o que se v~e na imagem. A partir daí foram desaparecendo os pesados carros de vacas.
Já agora advinhem quem é o passageiro.
«Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube», dizia Gil Vicente.
Porque diria isto?
Gil Vicente não era homem que preferisse «andar de cavalo para burro»
Aqui fica o registo, o Bilhete de identidade da mula de Albino Leonardo, latoeiro de profissão. A mula, para além dos transportes domésticos, servia para levar cargas de obra a todas as feiras e mercados próximos - Alfaiates, Miuzela, Freineda, Bismula. da carga faziam parte: caldeiros, baldes de regar, regadores, ogadores, lanternas, candeias, azeiteiras, funis, toupeiras, enchedeiras, copos vários, jarras, bacias ...
Para além disto, fazia regularmete as vistorias e apta a ser requisitada pelo Ministério da Guerra em caso de necessidade.
Desta mula se contam muitas histórias. Animal espantadiço, havia de derrubar o dono, corria o ano de 1948, tendo causado grave traumatismo numa das pernas de que viria a falecer. Em todas ashistórias subjaz a mulice, uma esperteza e manha própria deste solípede. Daí o dito: «Mula que faça hi! hi! e mulher que saiba latim não a quero para mim»
A herdeira da mula, foi a viúva Isabel Silva que continuou o trabalho de latoeira e a vender a obra nas feiras. Depois a idade ditou o fim da mula e a chegada do plástico ditou o fim da artista. A mulher continuou ainda por longos anos cultivando a horta do Mindagostinho cuja presa em tempo de rega era despejada de mnhã e à tarde.
O que é que um burro não transportava? Com cordas (como na imagem), com ganchos, com cangalhas, com alforges tudo eram formas de carregar o burro.
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