Rumarei à vila e a todos terei numa prece e num brinde.

Hossana
Junquem de flores o chão do velho mundo:
Vem o futuro aí!
Desejado por todos os poetas
E profetas
Da vida,
Deixou a sua ermida
E meteu-se a caminho.
Ninguém o viu ainda, mas é belo.
É o futuro …
Ponham pois rosmaninho
Em cada rua,
Em cada porta,
Em cada muro,
E tenham confiança nos milagres
Desse Messias que renova o tempo.
O passado passou.
O presente agoniza.
Cubram de flores a única verdade
Que se eterniza
Miguel Torga
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís de Camões
O que leva as pessoas a guardarem, coleccionarem antigidades?
Tinha dito que não havia prémio. Porém, o Ribacôa, lembrando-nos as boas práticas da agricultura tradicional, encontrou quem mereça o prémio que a seguir descreve.
Depois de muito pensar e sem embargo de outros o merecerem (não ficarão sem medalha), julguei por bem atribuir este prémio ao rapazinho da hortinha ao pé da regadeira , neto do ti Leonardo e da ti Isabel. Porquê? Porque algo me diz que estava ali um potencial lavrador, mas vá lá saber-se porquê, não viu realizado o seu sonho. Ora, dizem os entendidos, que a maior das frustrações para um homem nascido na Vila, é a de ter sonhado ser lavrador e não o ter conseguido. Por isso, para ele o prémio, o qual repartirá com Jarmeleiro , que será o comentarista mais indicado para o orientar. É que, o prémio consiste no privilégio de ambos poderem amanhar e semear de batatas e outras hortícolas, as duas veigas que aparecem na imagem. Porém, ficam obrigados a fazê-lo segundo os métodos e práticas aplicáveis na agricultura biológica. Ora, isto que até pode parecer penoso principalmente para o Jarmeleiro , não o será, porque se for homem para a idade que penso que tem, agricultura biológica terá sido o que mais fez na vida, mesmo sem o saber. A título de ajuda, aqui vão algumas regras de cumprimento obrigatório:
- Antes de mais, combinem com o dono da terra o modo de cedência; De renda, de terças de, meias ...
-Procedam à reparação das noras. Nada de de motores de rega por causa do ruído e do monóxido de carbono. Não esquecer de afinar o travão das mesmas, dada a sua sonoridade tão do agrado de alguns:
- Quem puxa as noras? Não querendo comprar dois burros, aluguem ou peçam emprestados o do ti Fernando Cerdeira e o do ti Zé da Cruz. É uma obra de caridade porem-nos a trabalhar, pois estão cevados de gordos e devem andar stressados e pasmados a pensar que não merecem o que comem, tal a boa vida que passam. Ao mesmo tempo, utilizando as cangalhas, vão "acarranjando" o esterco por eles produzido, o único fertilizante admitido (nada de foskamónios, nitratos e similares):
- Lá para Março continuam a exercitar os animais lavrando a terra. Como não são admitidos meios motorizados (tractores), e face à inexistência de charruecos, metam-lhes uma charrua das vacas que eles podem bem:
- Com a terra preparada, há que providenciar pele semente. Aconselho duas qualidades distintas, a escolher de entre as espécies tradicionais, a saber: rambana, ranconce, canabeque, podendo ainda optar pela variadade nacional, a montalegre, que dizem estar em vias de extinção.
-Depois, após uma breve benzedura, é um a abrir os regos , o outro a pingar a semente e... zumba e dar-lhe sem parar.
- Lá para Junho quando o calor começa a apertar, por certo terão visitas indesejáveis; Os escaravelhos da batateira.Mas nem pensem em pesticidas; E sem eles como combater tal praga?
Pois é...!!! Uma região onde as pessoas a cada passo tropeçavam num lagarto, pode ser hoje percorrida de lés a lés e não se encontra o primeiro. Estão completamente extintos. Por isso, mais não resta aos dois premiados, senão seguirem o meu conselho. Comprem uma arroba de toucinho, metam-na numa saca de serapilheira, dirijam-se à vizinha Espanha e, troca por troca com os espanhóis, tragam uma arroba de lagartos vivos e larguem-nos nas proximidades da área cultivada. Por razões distintas, os espanhóis fizeram o trajecto inverso, com igual mercadoria, há cerca de quatro ou cinco décadas atrás:
-Outra eventual calamidade a que podem estar sujeitos é a do mal-murcho, ou míldio. E aqui, não não podendo recorrer aos pesticidas nada mais resta alem da promessa a algum santo implorando que as proteja. Contudo, se não houver milagre e forem atacadas, sempre poderão recorrer à torneira da CEE, de onde jorrarão chorudos subsídios a fundo perdido : E já estou a ouvi-los dizer: há males que veem por bem:
- Se tudo correr com normalidade, em princípis de Agosto serão arrancadas. E será aí que todos os comentarista receberão seu justo prémio, ajudando jarmeleiro e o ex-menino sonhador em tal tarefa ficando estes obrigados a ofertar o almoço, que constará de uma sardinhada, com batatas cozidas, pimentos assados e como diria o jarmeleiro, uma celada de alfácias, tomatas e pipinos, terminando com um caldo de bajinas, lapareado da barranha por todos.
Não vai ter prémio. Lugar bem conhecido ainda com restos de uma arquitectura rural construída no 2º quartel do século XX. Lugares de onde se extraía o sustento e de sociabilidade intensa quando a natureza e cultura eram vizinhas. Domesticação subjugação da natureza aos interesses do homem.
Ora, quem ganhou o pémio foi «O Vila» que lampeiramente lhe tomou o gosto e não esteve com meias medidas! Para ele o prémio por inteiro. Mas porque por aqui, embora os frades não sejam muitos, a ordem não é rica, os prémios é o que se pode arranjar. Os comentaristas que dêem uma ajuda sobre o prémio a a tribuir ao nosso premiado. Penso que nenhum comentarista se referiu à procissão dos encoirados e penso que o prémio deveria incorporar essa dimensão.
Asas à imaginação!
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