Merece ser lido este comentário do Dr Leal Freire que muito nos revela da personagem e da época.
«Fui amigo do senhor Fernando Boavida Castelo Branco, desde os meus doze anos até á sua morte.
Tudo começou porque fui companheiro no seminário do Fundão do Amílcar, filho mais velho do casal senhor Fernando -Dona Adélia.
As relações de amizade continuaram, quando eu, abandonado o seminário e impedido de regressar ao liceu, que havia frequentado um ano pelos regulamentos de então, passei a andar á sirga entre Bismula, de onde sou natural , Vilar Maior ,onde tinha parentes muito chegados ,Batocas, em cuja guarnição fiscal meu pai se integrava ,e Alamedilha. No quartel de carabineiros, onde era muito apreciado pelas vitualhas que para ali carreava e de algum modo minoravam as tremendas necessidades por que a Espanha passou subsequentemente á guerra civil que lhe arrasou a economia e a obrigou a mandar para a Alemanha muitos produtos essenciais.
O senhor Fernadinho, assim era conhecido, por fãs ou nefas, deslocava-se a Alamedilha com alguma frequência, passava no interim pelas Batocas e eu acompanhava-o.
A sua imagem colava-se-me aos ouvidos nas minhas frequentes viagens Bismula-Batocas pois a telefonia de que era dono, e que se tornara para a zona, mais famosa que as sete maravilhas do mundo antigo, ressoava fortemente pela tapada da lomba.
Entretanto meu pai passa á situação de reforma e herdeiro de meia dúzia de pequenas courelas começa a abrir valas na maior de todas. pondo ao sol umas laminas amarelo-esverdeadas , de cor evolutiva.
Mandou-as submeter a um exame que diagnosticou a presença de alto teor de autonite e tobernite, minérios básicos para a bomba atómica.
Havia que registar a patente. A operação era cara.
Recorremos ao senhor Fernandinho e constitui-se uma sociedade em comandita, cujos sócios, ambos comandita dois fomos ele e eu.
Estivemos á beira de ser multimilionários, mas o estado português, criando a Junta de Energia Nuclear e nacionalizando todos os jazigos daqueles minérios, queimou-nos as ambições...
Em todo o caso, a vida continuou.
Já professor na cidade da Guarda, fui explicador de vários filhos do senhor Fernandinho, a começar no António
Mantive excelentes relações com o Amílcar, meu colega no ensino e na faculdade de direito.
Colocado em Castelo Banco em funções que me permitiam o controlo de uma boa parte da Beira Baixa pude aperceber-me do prestigio dos Castelo Brancos a partir da sua casa senhorial da Orca, freguesia, se a memoria me não erra, do termo do Fundão.
De resto, o nome ressoava também nos meios monárquicos de Lisboa...
Incólume, a nossa amizade persistiu sempre...
De modo que nas festas de Vilar Maior, eu ter de me partir pela casa de parentes, companheiros de estudo, caso do Álvaro Simões, colega numa breve passagem de ambos pelo internato académico
precursor do colégio de São José , na Guarda - de alunos, casos dos professores Mário e Maria Delfina - de amigos, uns mais recentes - Gatas, Pedros, Seixas - outros vindos já dos verdes anos e à cabeça o Albino Leonardo, o Amílcar e o meu evocado de hoje, Fernando Boavida Castelo Branco, o falado. prestigiado e saudoso senhor Fernandinho da Orca».
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