Caractel! Quantas vezes por aqui entrei! Então, home! Chegava cheio de calor abria a porta e cerrava o pstigo para deixar entrar a luz e a fresquidão.
Caractel, não me dizendes que não sabendes onde fica esta!
Não lhe vou pedir a que família esta porta se abriu e se fechou, vezes sem conta; não lhe vou pedir que a situe. Não o saberia fazer.
Mas foi uma porta cuidada, revestida com tinta, forrada com folha de flandres. Lá está o pincho e a argola. E a fechadura onde em vez da chave nasce erva.
Maria das Dores, nome recebido na pia baptismal, não precisou que o povo lhe acertasse o nome
Maria das Dores
Maria das Dores
uma leve pontada
ao subir a escada.
-Ai Jesus!
Maria das Dores...
Ai... Rotundo!
Maria das Dores...
Ai... Profundo!
Maria das Dores
carregando a cruz,
dela e do mundo.
Por causa da festa do Senhor dos Aflitos e da banda de música, estreitaram-se laços entre Loriga e Vilar Maior que não devámos deixar morrer.
Conheça Loriga visitando:
Pedro Cardoso enviou-nos um artigo do jornal de O Interior que faz um retrato preocupante da nossa região.
Em seis anos, o distrito da Guarda perdeu um total de 7.131 habitantes, quase tantos como os que tem, actualmente, o município de Almeida.
Comparando os números do último Censo (2001) com os indicadores publicados, na última semana, nos Anuários Estatísticos Regionais do Instituto Nacional de Estatística (INE), as conclusões são pouco favoráveis à região. Todos os concelhos do distrito viram a sua população diminuir no período em causa, à excepção da Guarda, que ganhou 432 novos habitantes.
O Sabugal é o concelho que perdeu mais população (1.339 habitantes). Segue-se, na "lista negra" da desertificação, Almeida (menos 1.182) e Seia (menos 1.091). Aguiar da Beira manteve o número de residentes mais ou menos constante, tendo-se registado uma diminuição de apenas 39, sendo que todos os outros municípios do distrito perderam, no mínimo, uma centena de habitantes. (...)
Por terras do Interior, para além da população ser cada vez menos, é também mais envelhecida. Pode soar a lugar comum, é certo. Mas os números confirmam-no, ano após ano. A região continua a ser uma das zonas mais envelhecidas do país, a par do Alentejo e de Trás-os-Montes. Neste capítulo lidera, de longe, o concelho do Sabugal, em que o índice de envelhecimento - a relação entre o número de idosos e a população jovem - apresenta números surpreendentes. Naquele concelho raiano, por cada 100 jovens existem 423 idosos (com mais de 65 anos). Em Almeida, o número baixa para 316, seguindo-se Figueira de Castelo Rodrigo com 289,2. Pode dizer-se, por outro lado, que a Guarda é o concelho mais jovem de toda a Beira Interior - existem apenas 140,4 idosos por cada 100 jovens.
Rosa Ramos
O INTERIOR
(...) Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura... Nas cidades a vida é mais pequena Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
(...)
In, O Guardador de Rebanhos
E se lhe aguçou o apetite, continue em
http://omj.no.sapo.pt/obras/Fernando_Pessoa_O_Guardador_de_Rebanhos_de_Alberto_Caeiro.pdf
Poucas povoações como Vilar Maior, tinham (ou têm), para além de uma praça, tantos largos. Bonita esta palavra, não é? Em desuso também com a perda das funções que os largos desempenhavam. Eram assim, como uma espécie de salas de espera, de salas de estar onde se desenrolavam conversas, jogos ou se aparecia um realejo o suficiente para despoletar um bailarico. Por vezes, palco de discussões acalorados ou mesmo de barulhos sangrentos. Tudo se passava no largo. Os vizinhos do cimo da vila tinham como principal, para além do comum e sagrado adro, o largo das Lajes; O largo das Portas, comum também, era mais um hall de entrada; depois havia o Terreiro, junto da Misericórdia.
E havia, há o Largo do Pelourinho onde a velhíssima acácia parece remoçar a cada ano que passa.
Retirada que foi a calçada primitiva (que não sei se sonho se era realidade tinha um desenho geométrico) está calçado da mesma pedra das outras ruas, nada que o singularize.
Foi deixada uma parte em terra com intenção de colocar floreiras e/ou jardim. O único problema que perspectivo é se vai haver alguém que o cuide. E se não houver, o melhor mesmo era ficar calcetado.
Este rio que é ribeira e que este ano dá em não ter corrente, faz parte das nossas memórias. Nada seria, nem nó seríamos sem ele. Cesarão peixeiro. Barbo que sem o acompanhamento do copo de vinho por aqui produzido não saberia como sabe.
Com fotografia de Carlos Marques, letra de Manuel Maria e música de quem se oferecer, inauguramos o primeiro post do ano.
Este rio que corre
para trazer
a frescura à terra
sem se deter.
Um fio de vida estendido entre as hortas, um pouco acima
do açude,
como um cordão umbilical
saído do ventre da terra, desenrolado entre as montanhas,
até ao mar.
Ao fim da tarde sentei-me nas resguardas, um instante, só para o ver correr, enleando-se
no mata-cães da ponte.
Na claridade do fundo arenoso
vi, aflorar à superfície,
os limos numa tonalidade avermelhada,
pronunciado o fim de Julho
e um barbo bolinando,
corrente abaixo.
O Manel chamou do balcão.
A mancha vermelha que tingia os limos, ergueu-se
para alcançar as nuvens.
Levantei-me no alento breve
e vermelho
do céu incendiado;
E outro rio correu,
generoso,
para trazer
a frescura aos meus lábios,
na adega do Manel.
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