Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
A cena é muda e breve:
Num lameiro,
Um cordeiro
A pastar ao de leve;
Embevecida,
A mãe ovelha deixa de remoer;
E a vida
Pára também, a ver.
Miguel Torga
Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009
Chove. É dia de Natal.
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa
Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Que sentimentos lhe desperta esta paisagem?
Em tons de poesia
Outono.
Do cimo do Arco eu vejo portas e janelas;
Lanço um olhar sobre a velha Praça e fico absorto; Em espiral sobem mil folhas amarelas,
Rolam, caem e o que vejo?
viuvez, velhice e desconforto.
E pousada no fio de telefone vejo uma andorinha, Que vergada ao peso dos anos não consegue encetar nona caminhada,
Não obedece à voz da mãe natureza, fica sozinha;
E quando um vento plangente sopra de mansinho,
cantando a morte anuncida,
Tomba inerte no chão desamparada .
Ribacôa
Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

(Gentilmente cedida por Helena Palos)
O local é facilmente identificável. Alguns são repetentes de outras fotos; será uma fotografia da década dos finais de 30; que motivo os terá reunido?
As crianças, gente que ainda andará por cá, me encantam.
Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

(Foto gentilmente cedida por Helena Palos)
A fotografia tem mais de 25 anos. Durante muitos anos esteve abandonado no sítio onde a vemos. Sorte mesmo, nenhum brutamontes se ter lembrado de a destruir. Constitui, sem dúvida alguma, a peça artística mais importante de Vilar Maior.
Claro que as rosas contidas só realçam a sua beleza.
Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

A vinha constituía, depois da cultura do centeio, a maior das extensões cultivadas. E antes do surto emigratório de 60 as vinhas com as muitas voltas que a terra levava eram todas feitas à enxada dos muitos jornaleiros que com isso ganhavam a vida. O pão e o vinho. Um dia inteiro para ganhar vinte escudos, para os mais novos, o equivalente a dez cêntimos. Depois com a falta de mão de obra, procede-se a um arranque parcial: valada sim, valada não para que as vacas pudessem lavrar as vinhas e posteriormente os tractores. Depois de 1986, a CEE deu subsídios ao arranque da vinha e uma após outra foram quase todas. E a paisagem do estio, retiradas as enormes manchass de verde, ficou árida.
Quem sabe se um dia, não voltaremos ao verde da parreira, com um vinho de qualidade que sabemos estas terras podem dar?
Domingo, 6 de Dezembro de 2009
Eu não me conformo com a situação de desertificação do interior do país, nomeadamente a que atinge a nossa vila. O mundo muda e, como se vê pela crise que atravessamos, por vezes, de maneira imprevista. Não sabemos se daqui a uns anos estas aldeias que hoje fenecem não rejuvenescerão. O mundo muda. Hoje, felizmente, é possível em Vilar Maior aceder a toda a informação a que se pode aceder em Lisboa, em Paris ou em Singapura. Hoje é possível muito do trabalho que há a fazer nos nossos empregos fazê-lo em Vilar Maior. Já o tenho feito algumas vezes. Estou, naturalmente, a falar da Internet.
Porém aquilo que eu queria propor hoje é um sonho. Um sonho que não é uma ilusão. Um sonho que pode realizar-se: Tornar Vilar Maior uma comunidade próspera economicamente, um local onde as pessoas ganham dinheiro e onde têm qualidade de vida, um local procurado por gente jovem que aí quer trabalhar, constituir família … viver e viver bem. Vilar Maior tem terra, tem água, tem sol…tudo o que homem precisou para viver lá desde tempos imemoriais. Porque razão hoje que a vida está mais facilitada pela ciência e pela técnica não há-de poder lá viver? Porque é que a gente qualificada – médicos, veterinários, professores, advogados, engenheiros, informáticos, profissionais da construção civil e de todos os sectores – espalhada pelo país e pelo mundo além, não há-de ser capaz de participar na realização deste sonho? É tempo de passar das lamentações à acção; é tempo de deixar de pensar pequenino e pensar em grande; é tempo de passar de pedir para isto e para aquilo; é tempo de deixar de pensar que são os outros que têm de resolver os nossos problemas; é tempo de pensar o desenvolvimento como um todo integrado e não como partes; é tempo de pensar em ganhar dinheiro em Vilar Maior. Ninguém tem que dar nada. Nunca uma sociedade se desenvolveu na base das esmolas ou na base do puro altruísmo. Por isso, cada um que queira participar, fá-lo para ganhar dinheiro que é com ele que a economia se desenvolve. Imagine só que desde que começou a emigração por volta dos anos 60, 25% das remessas dos emigrantes tinham sido aplicadas em Vilar Maior. Imagine que tinham sido aplicadas (não para comprar terras e deixá-las abandonadas) para serem rentabilizadas. Como acha que seria hoje Vilar Maior? Já pensou? Dá para imaginar? Dirá, pois mas isso era se tivesse sido porque agora já é tarde.
Tarde porquê, tarde para quê?
Hoje é o dia de começar. Todos podem participar. Quantos mais participarem melhor. Ninguém sem convicção de que pode ganhar dinheiro deve participar. O voluntariado pode surgir mas só depois de as pessoas ganharem dinheiro.
Lembrem-se: Existe sol, existe terra, existe água; existem pessoas qualificadas; existe um património histórico. E também existe dinheiro … se não for noutro sítio nos bancos.
E acima de tudo há dois verbos: Crer e querer. Acreditar no sonho e querer realizá-lo. Trata-se de um sonho grande. É preciso traçar-lhe os contornos.
Um dos problemas da agricultura tradicional era a excessiva divisão da propriedade – algumas eram tão estreitas que uma vaca atravessada faria as necessidades na propriedade do vizinho; outro problema era a falta de mecanização; e outro as dificuldades de comercialização.
Uma vez que se deseja que participe o maior nº de pessoas nesta sociedade uma das formas de fazer essa participação é através da cedência das terras (apenas do usufruto) em troca de acções segundo fórmulas e cálculos a estudar. Desta forma, se evitará o abandono das terras e a degradação dos solos, se criarão postos de trabalho e uma fonte de rendimento para os que não podem tratar das terras. As terras serão usadas com três fins principais que se complementam: Agricultura, Pastorícia e Florestação. A caça, a pesca, a apicultura serão, entre outras, actividades complementares. Progressivamente poderão ser criadas pequenas indústrias e artesanato que valorizem os produtos – por exemplo uma queijaria.
Dada a incapacidade existente, até ao momento, de rentabilizar o património histórico-cultural a Sociedade de Desenvolvimento fará os protocolos necessários para o efeito e será seu objectivo não apenas preservá-lo mas promovê-lo constituindo uma dimensão fortemente dinamizadora da economia local.
A restauração terá um lugar de destaque e há-de salientar-se pela sua qualidade (à base dos produtos locais – os queijos, os enchidos, as compotas, as carnes, a batata, o pão, as frutas …) que será um forte motivo de atracção do turismo. Há dias um comentador apontou o aproveitamento das antigas escolas como edifício para o restaurante.
Não há economia sem dinheiro. Porém, a Sociedade de Desenvolvimento visa uma economia social em que o importante é as pessoas, cuidando de todas, e de modo especial das crianças, dos velhos ou pessoas que sofram de qualquer fragilidade.
A Sociedade de Desenvolvimento não substitui ninguém, não entra em competição com ninguém e estabelecerá com todos os grupos com todas as entidades, com todos os produtores privados relações de cooperação e ajuda.
Para já pede-se a todos os colaboradores ideias que esta é a fase das ideias e de ouvir todos. Depois passar-se á aos projectos à constituição jurídica, à definição dos seus corpos e lideranças, à assumpção dos compromissos e … finalmente à acção no terreno.

Juventude feminina da Vila no casamento da Filomena e do José Pinto. Vá lá façam a lista direita de todas as presentes. E já agora em que ano foi?
E dedicada aos noivos a clássica composição de António Prieto
http://www.youtube.com/watch?v=NQKpNMjfYbI
Sábado, 5 de Dezembro de 2009

(Foto gentilmente cedida por Helena Palos)
Quem são? Quando? O que fazem?
Não sei o que tenha a ver mas a música que associei à cena foi a canção mexicana «la cucarracha. É divertida, ora oiça:
http://www.youtube.com/watch?v=KiOyvNsDtBo