Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

ONDE ESTÁ O MAL ESTÁ O REMEDIO -Dr Leal Freire

 Deus, nosso pai criador,sabendo da nossa natural fraqueza e também da ambiçao que nos desmanda deixou misericordiosamente muitas soluç-ões para os males inerentes á humana condiçao, fraca por excesso ou por defeito, raras vezes sabiamente equilibrada. Mas a soluçao está sempre á nossa mão. Quem já se roçou pelas urtigas, conhece bem a desagrababilidade da situçao. Mas é capaz de desconhecer que ali logo ao lado no mesmo chavascal cresce o mentrasto e que se apuser umas folhas desta selvagem erva sobre o membro picado, a má sensaçao pronto se esvai. Qualquer um de nós,garoto desabusado ou adulto mais desprevenido já alambujou uma peça de roupa com o tinto das amoras da arvore que Pombal e mais tarde FONTES PEREIRA DE MELO disseminaram País em fora. Mas nem todos saberão que, uma daquelas mesmas amoras, ainda verde, esfregada sobre a nódoa provocada pela sua irmã mais velha, pronto a faz desaparecer. Praticamente desconhecido é o milagre da segunda picada do lacrau. Pessoalmente, nunca tive o azar de ser mordido por aquela amostra de reptil. Mas os que o foram não esquecem a tenebrosidade da dor. Ora,se em vez de esmagarem logo o agressor o tivessem colocado sobre o ponto afectado provocando uma segunda mordedura, a dor teria desaparecido. Isto sabem os habitantes do Magrebe, nomeadamente os da cadeia do Atlas,enxameada da especie.  Enfim, segredos da natureza que o homem vai paulatina. e muitas vezes dolorosamente descobrindo. Eu descendo duma tribo judaica de judeus quimicos--saboeiros uns, curtidores de peles outros, boticarios alguns. Muitas vezes ouvi dizer a meu avô ALVERCA  que se dedicava ao curtume, que um seu irmão, mago das boticas, com um odre de água e uns feixws de ervas fazia um saco se libras, das de cavalinhp. Ora, uma das ervas fonte de saúde são os poejos, pojos pela síncope do e intermédio na linguagem popular. Eles são fonte de saúde, nomeadamente curando e prevenindo afecções gastricas. Mas pode também ser utilizado na culinaria, tradicionalmente enriquecendo migas. De resto, uma alimentação equilibrada pressupoe o uso de solidos e liquidos que simbioticamente se harmonizem. A  vida e e a literatura, seu espelho, dão-nos exemplos de fatais desenlaces exactamente pela descoordenação de comes e bebes. Em A CIDADE E AS SERRAS.o avô de Jacinto, aquele riquíssimo e gordissimo Jacinto. a quem chamavam em Lisboa o Dom Galeão morreu no seu palácio em Paris, nos Campos Eliseos, 202,com uma indigestão provocada por uma lampreia de escabeche que lhe mandara o seu feitor em Montemor-o-Velho e porque este se esquecera de remeter pelo mesmo portador uma ancoreta de bom Bairrada. Alexandre Herculano em O BOBO dá-nos nota de um Dom ABADE que espichou pela heresia de nao acompanhar com um bom verdasco uma planganada de tripas. O mesmo sucedeu a um Conde de OBIDOS que se esqueceu do vinho numa empanturradela de lagosta ou a um deão da EGITANIENSE SÉ que acompanhou com uma beberagem de água o famoso bucho raiano... É que cada prato pede o seu vinho e o de Vilar Maior é excelente para os dias de matança e as comesainas da desmanha e enchedura. E mais que tudo para os dias que vão da tarde de quinta-feira gorda á meia-noite do dia de Entrudo...

publicado por julmar às 15:29
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

O dia dos Poejos

As informações que tinha de pessoas sabedoras do assunto era que este ano, poejos nem vê-los. De facto depende muito de ano para ano. Alguns anos são muito abundantes e quase se podem ceifar à foice. Outros anos, nem cheirá-los. Porém tinha um pressentimento de que os iria encontrar na Ribeira do Porto Sabugal. Não me enganei e colhi os suficientes para mim e para distribuir a familiares e amigos. Colhi alguns com raiz que colocarei em vaso. Mesmo sem dor de barriga, sobretudo sem dor de barriga adoro uma miga de poejo com ovos escalfados. 
Ainda que não aprecie especialmente licores, abro uma excepção para o de poejos cuja receita me foi dada por um amigo alentejano.
 
O poejo (Mentha pulegium) é uma das espécies mais conhecidas do género Mentha. Da família Lamiaceae, é uma perene cespitosa de raízes rizomatosas que cresce bem em sítios húmidos ou junto de cursos fluviais, onde pode ser encontrada selvagem entre gramíneas e outras plantas. Os seus erectos talos quadrangulares, muito ramificados, podem chegar a medir entre 30 a 40 cm. As folhas são lanceoladas e ligeiramente dentadas, de cor entre os verdes médio e escuro. Dispõem-se opostamente ao longo dos talos. As diminutas flores rosadas nascem agrupadas em densas inflorescências globosas. (Fonte: Wikipedia)

Nomes Populares:

  • erva de são lourenço,
  • poejo das hortas
  • poejo real,
  • menta selvagem
  • menta silvestre

Propriedades:

  • Funciona como tônico;
    • Excitante;
  • E bom contra dores de barriga;
    • contra gases;
    • enjôo;
    • espasmos gastrointestinais;
    • colecistite;
  • Auxilia na ausência de menstruação;
  • Em dores histéricas;
  • Em forma de chá atua como expectorante nas bronquites.
  • Estimula o apetite
  • Cuidados:

    • Pode ser abortiva
publicado por julmar às 23:12
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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

O dia das amoras

Com um pouco de imaginação é fácil encontrar uma razão especial para cada dia que se passa na vila.

Quando pesquisamos na net sobre amoras ( sejam as dasamoreiras, sejam as silvestres) ficamos surpreendidos com as propriedades deste fruto ao nível da saúde só superadas pelas dos mirtilos, agora descobertos como produção altamente rentável. Quem sabe se num futuro próximo não começaremos a cultivar das silvas tão hostilizadas pelo seu carácter infestante.

Pois não precisei de ir muito longe. Bastou descer o caminho da Fonte Velha e caminho das Entrevinhas para colher ceca de cinco quilos de amoras.

Trazidas para Gaia, procedi à sua tranformação em compota, de acordo com a seguinte receita:

1Kg de amoras

500 g de açúcar

Casca de limão

Lave bem as amoras em água fria. Com um pilão esmague-as bem. Junte-lhe o açúcar (prefiro o amarelo)Ponho apenas metade do açúcar daquele que normalmente é recomendado. Para além do gosto a quantidade do açúcar tem a ver com a conservação. Depois de envolver o açúcar com as amoras desfeitas, leve ao lume em chama média. Mexa sempre com a colher de pau para não pegar, sobretudo no fundo. Assim que atingir a consistência de doce, retire do lume, deixe arrefecer e deite em frascos próprios de compota.

Ficou óptima e já serviu hoje para o pequeno almoço.

 

publicado por julmar às 22:22
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

O Solar dos Rebochos

A casa das Rebochas- assim era conhecido este solar. Por aqui os sobrenomes, quando as mulheres por morte dos homens, se assumiam como cabeças de casal, conjugavam-se no feminino: as monteiras, as cardosas ... as rebochas.

Este solar passou grande parte do século XX desabitado, chegando a alguma dedradação até ao restauro feito pelos actuais proprietários.

De acordo com a Wikipédia:

«Casa nobre de Vilar Maior, no concelho do Sabugal, em Riba-Côa. A fachada principal ostenta uma arquitectura do século XVIII. Nela sobressaem alguns elementos arquitectónicos mais eruditos que a valorizam: a escadaria e balcão, com inscrição gótica, e um portal encimado por uma cruz. A parte de tardoz do solar é separada do jardim por um fosso de características defensivas. Esta fachada, que tem elementos dos séculos XVI e XVII, é dividida por um torreão que faz a ligação entre o andar nobre e o andar térreo. No jardim, existe um sistema de irrigação arcaico de era muito remota. No pátio da Casa encontra-se a pedra do Couto de Homiziados com as armas reais, que remonta ao reinado de D. Afonso V (1442). Até 1795, este solar foi pertença da família Figueiredo Telles, capitães-mores de Vilar Maior e ligados a D. Gaspar do Rego da Fonseca, Bispo do Porto. Após litígio judicial, entrou na posse da casa, em 1811, Caetano de Albuquerque, que nunca chegou a habitar na Casa. Em 1854, D. Emília, sua herdeira e 1ª Condessa de Tavarede, vendeu a Casa, que, por via desta venda, passou a ser pertença dos Rebochos, descendentes dos Figueiredo Telles. O chefe da família Rebocho era o famoso Brigadeiro João António Jakou Rebocho, Ajudante de Ordens de El-Rei D. Miguel, Barão de Mirandela e herói das Campanhas Peninsulares. Permanece nesta família até à actualidade».

 

publicado por julmar às 13:03
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De luto - Família Rebochos

Ao passar pelo largo das Portas, reparámos no pano preto que cobre o Brasão. Indagando soubémos que faleceu, no início do mês, a proprietária do solar - Isabel Rebocho com a idade de 99 anos. Ao Doutor Esperança Pina e família apresentamos as nossas condolências.

 

publicado por julmar às 12:47
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

Um passeio na Vila - parte 2

Já com o sol a inundar toda a encosta do castelo, descemos Cerca abaixo fazendo conversa em que se misturam memórias e observações. Memórias de como eram os campos e seu cultivo; observações da desumanizaçáo da paisagem: da propriedade que fora do sr Bernardo Simões de vinha e olival e, agora, das moitas de silvas que nem para pasto serve; do entulho que se espalha pelo caminho ao desandarmos para o caminho das Entrevinhas ladeado por cachos de amoras que se misturam a abundantes cachos de uvas que o míldio não poupou; da figueira do Nabal, junto da presa, deque mão retam vestígios. Passamos junto da amoreira da ti Filomena Moreira cujos frutos estão ainda vermelhos. Viramos para o caminho ao cimo das Regadas e recorda-se o tempo em que este caminho, ao anoitecer, de regresso do campo, era um mar de gente e animais.

À memória de Miguel Duro

 Depois uma primeira foto junto do cruzeiro que assinala o assassinato do ti Miguel, corria o ano de 1955. E eu e o meu companheiro vamos identificando propriedade a propriedade e fazendo as histórias do acontecer de um tempo de escassez de recursos em que cada palmo de terra era cultivado. Entrámos nas Retortas de Cima e fomos em direcção ao local onde existira uma frondosa abiboreira (género de figueira que produz uns figos especiais - maiores e com um sabor especial) mas nem vestígios dela. Descemos quarteirão a quarteirão observando os restos do que outrora fora um jardim de frutícolas de que restam apenas esqueletos. Chegámos ao rio que na ausência de água se tornou o melhor caminho que nos conduziu à açude das Aaleijoeiras reserva preciosa de àgua para peixes, cágados, rãs e bicharada terrestre que aqui se vem dessedentar. Nas poldras atravessámos para a margem direita e entrámos na veigas das Retortas de Baixo procurando delimitações constituídas por marcos ou cruzes mas a única que se apresentou evidente foi o tronco cadavérico da imponente cerejeira do ti Xico Bárbara.

 

Rumámos tapada das Retortas acima por entre o giestal até ao caminho que separa o Vale da Lapa da tapada da Justa e da Correia depois. Dali se avista a Lapa Longa, nas faldas do Vale Carapito, onde descendo até à ribeira se iam sucedendo nascentes de água que empresada, outrora, favorecia o aparecimento de hortas em socalcos,onde o homem empreendia numa agricultura braçal donde resultavava uma variedade de frutos e hortícolas temporãos. A paisagem, a custo, por mor dos incêndios, começa a passar de mata em floresta: freixos nas partes baixas de maior humidade e carvalhos nos secadais crescem ano após ano sem intervenção humana.

 

A electricidade e o gás substituíram o exclusivo da lenha como energia. Destoa em volta o escalavrado monte do Castelo que dificil e lentamente recupera da imprudência de quem resolveu limpar a sua propriedade através do fogo. Não resistimos a entrar na Correia e a revisitar uma das sepulturas antropomórficas escavadas na rocha. Para que não haja dúvida: Descemos o Pombal a caminho do Pinguelo, discorrendo sobre a importância económica da Correia de que são testemunho a arqueologia da Tapada Limpa, as sepulturas antropomórficas, o Pombal, a calcetamento do caminho ao jeito da calçada romana e o ter sido propriedade do sr Alexandre Araújo.

 Tudo pontas de novelo de onde se tecem histórias que cruzam com outras histórias na histórias de todos. O sol queima, a camisa começa a colar-se ao corpo. Já é tarde para dar uma olhadela ao Moínho que foi da ti Filomena Moleira. O caminho que nos conduzirá às Escaleirinhas tem no início um aluimento de terras que a não ser tratado impedirá o seu uso. (Ó senhor presidente da Junta, enquanto é tempo ...). Em qualquer parte do mundo este trilho das Escaleirinhas é digno de admiração: pela paisagem feita de rio ao fundo das fragas rochosas, da variedade da flora. E mais histórias tendo como personagens o mais blasfemo dos homens ou a maior profissional das artes de Eros.

 

Chegados ao largo das Lajes ouvimos a crítica ao mau estado -à vista - em que deixou este largo. Feita a observação das casas em redor constata-se a ruína irrreversível de quase todas com a constatação do crescimento rápido do sabugueiro no seu interior. Porquê? Mistério para leigos como os dois peregrinos dets jornada.

 

 

publicado por julmar às 22:19
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Sábado, 13 de Agosto de 2011

Um passeio na Vila-Parte1

Seis horas da manhã. Do lado de Espanha clareia prateada a manhã e, aos poucos, transforma-se em horizonte dourado. Arrulham pombas e aumenta o volume do chilrear da passarada; urneia uma vaca e mais dentro do povoado irrompe o ladrar de cães. Não cantam galos, nem zurram burros, nem se ouvem vozes humanas. Preparado com chapéu, um cajado na mão e máquina fotográfica ao tiracolo, desço à casa de meus pais e, enquanto espero pelo companheiro de viagem, cirando pelo espaço festivo da praça. Nem vivalma. Restos de festa – papéis, garrafas, embalagens disto e daquilo, cadeiras de esplanada em desalinho que a noite foi comprida. Penso no Cimento – esse altar de liturgias profanas – e observo a esplanada rebaixada indagando-me da sua capacidade de conseguir o elevado grau de sociabilidade daquele. Com o Cimento partiu para sempre o competitivo jogo da Arraioil feito de pontaria e sorte … e muito cálculo gritado em tempo próprio: - Truca, cinco tentos! Jogado a sério por causa da vaidade e da honra e do copo do vinho que tinha preço quando era comprado em tostões e as moedas de jogo vinham do tempo dos reis – os vinténs. Entretanto, chega a Sara – diligente funcionária do Gata’s Bar, renovado que me serve um excelente café e que me soube pela vida. Chegou o companheiro de viagem. Partimos.

publicado por julmar às 21:18
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